quinta-feira, 22 de abril de 2010



BALAIO PORRETA 1986

n° 3000
Rio, 22 de abril de 2010


O MEU PRIMEIRO POEMA PUBLICADO
Moacy Cirne

Contrariando
John Donne,
sou uma ilha deserta.
Será que os sinos dobrarão
por mim?

[ in Folha Estudantil, Jardim do Seridó, 2° sem. 1962]


QUEM É O TERCEIRO?
Michelangelo Antonioni
[ in O fio perigoso das coisas, 1983,
trad. Raffaella de Fillippis, 1990 ]

Sempre preciso fazer um grande esforço quando termino um filme para começar a pensar em outro. Mas é a única coisa que me resta fazer e que sei fazer. Às vezes paro num verso que li, a poesia me estimula muito.

Quem é o terceiro que sempre caminha ao seu lado?

Quando um verso se transforma em sentimento não é difícil colocá-lo num filme. Esse de Eliot tentou-me repetidas vezes. Não me dá sossego aquele terceiro que caminha sempre do nosso lado.


COMUNICADO
Com este número, o Balaio encerra suas atividades,
temporariamente.

A todos àqueles que nos prestigiaram, nos últimos 23 anos
e/ou nos últimos meses, os nossos agradecimentos.

Aqueduto de
Conservatória RJ
Foto:
Cahe Fonseca


BALAIO PORRETA 1986
n° 2999
Rio, 22 de abril de 2010


Hoje [ a equipe da Veja] é um desastre total. É um bando de facínoras. A Abril está nas mãos de um grupo sul-africano que era a favor do Apartheid.
[ Mino CARTA, in A Tarde (BA), via Substantivo Plural ]


MÁRMORE
Henriqueta Lisboa
[ in Miradouro e outros poemas, 1976 ]

Mármore seco, nenhum pranto
umedeceu teu corpo liso.
Foi teu destino a solidão,
companheiro perdido.

Se alguém chorasse acaso
sobre teu compacto silêncio,
ao sol secariam as lágrimas
cujo sabor desdenhas.


UM BLOGUE, UMA RECOMENDAÇÃO
Dilma na Web


BARULHO
Lau Siqueira
[ in Poesia Sim ]

palavra
por palavra
minha úlcera
de verbos
tece aos poucos
a membrana
do silêncio

[ do livro O comício das veias ]

ÊXODO
Gilberto Mendonça Teles
[ in Plural de Nuvens, 2006 ]

Chegamos à planície, onde teus olhos
inventarão o azul dos horizontes
escandidos nas unhas, como os versos
na fábula dos dias impossíveis.
Aqui o tempo enrola seus casulos
de terras e de mares estrangeiros.
E o mito desenrola-se nas sedas
da longa solidão que desfazemos.
Nestes campos noturnos nosso povo
construirá seu reino na linguagem
da Terra Prometida, que buscávamos
neste êxodo sem fim, que agora finda.


TEIA
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

Para tecer um poema
basta uma aranha.

CECI N'EST PAS UNE POÈME
Assis Freitas
[ in Mil e Um Poemas ]

o corpo enlanguescido
esquece
o líquido soprado na veia

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Foto:
Frank Decker


BALAIO PORRETA 1986
n° 2998
Rio, 21 de abril de 2010


UM GRANDE HERÓI BRASILEIRO?
Frei Caneca.
Outro grande herói? Zumbi dos Palmares.
Mais um? Luiz Maranhão.

Um santo guerreiro? Glauber Rocha.
Uma líder feminista? Berta Lutz.
Uma heroína? Iara Iavelberg.


/UM CONDENADO À MORTE\
Barão de Itararé
(1955)

O juiz aproxima-se do condenado à morte e pergunta-lhe
qual a sua última vontade.

- Ah, senhor juiz. É ver os meus netos.

- Como? Pelo que estou informado, o senhor não é casado,
nem tem filhos.

E o réu, calmamente:

- Está claro que não, mas posso procurar uma noiva, casar-me, ter filhos e ver os meus netos. Agora, se o senhor deseja criar dfiiculdades, é outra coisa.


FEIRA DE CITAÇÕES BOROGODOSAS

[] O assombro é a causa de todo descobrimento.
(Cesare Pavese, 1908-1950)

[] A vida só pode ser compreendida olhando para trás:
mas só pode ser vivida olhando para a frente.
(Soren Kierkgaard, 1813-1855)

[] O desejo é a própria essência do homem.
(Baruch de Spinoza, 1632-1677)

[] Jamais sofri uma mágoa que uma hora de leitura não tenha curado.
(Montesquieu, 1689-1755)

[] A verdade é sempe mais importante que o dogma.
(Henry Lefebvre, 1905-1991)

[] A vida necessita de pausas.
(Carlos Drummond de Andrade, 1902-1987)

[] Maravilhar-se é o primero passo para o descobrimento.
(Louis Pasteur, 1822-1895)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Alphonse Mucha,
em 1897,
o ano de
Un coup de Dès (Mallarmé)
Drácula (Stoker)
O homem invisível (Wells)
Os Sobrinhos do Capitão (quadrinhos)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2997
Rio, 20 de abril de 2010



INFERNO ASTRAL
Maria Vieira
[ in Por uma Maria Só ]

O frio recorta as vértebras,
me encolho num canto da sala
pro vento me esquecer.


O TIMONEIRO
Sônia Brandão
[ in O Pássaro Impossível ]

A noite cai sobre o meu barco.
Para onde me levará o vento?


DEFLORAÇÃO
Líria Porto
[ in Tanto Mar ]

a terra molhada
exala um perfume
tão próprio das fêmeas
um cheiro de coito
e dentro em pouco
estará inundada
de verdes de brotos
de intumescências


De GOETHE
[ in Máximas e reflexões ]

Na tradução deve ir-se até ao intraduzível:
só então nos daremos conta da nação estrangeira
e da língua estranha.



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cartão postal do início do século XX


BALAIO PORRETA 1986
n° 2996
Rio, 19 de abril de 2010


Nossos parabéns ao
BOTAFOGO
pelo título carioca
conquistado ontem


HORÓSCOPO DA SEMANA


Áries
Acredite nos deuses, nos loucos e nas fadas.
Beba espumantes. Experimente os vinhos de Vênus.
Prove ginga com tapioca, na Redinha, em Natal.
Colecione cartões postais antigos de nus femininos.

Touro
Desafie o seu patrão para um duelo de porrinha.
Vá ao teatro. Vá ao cinema. Vá ao circo. Vá ao bar.
Mergulhe no universo da música medieval.
Colecione gibis dos anos 40 do século passado.

Gêmeos
Conheça a floresta amazônica e os rios de Saturno.
Reveja Hiroshima, mon amour (Resnais).
Visite Porto Alegre. E Florianópolis. E São Paulo.
Colecione fotos de atores e atrizes do cinema europeu.


Câncer
Leia As pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro.
No Rio de Janeiro, visite o Jardim Botânico. E a Lapa, à noite.
Seja um(a) amante dionisíaco(a) em praias desertas.
Colecione cachaças, a começar pela Samanaú, de Caicó.

Leão
Escute Naná Vasconcelos. E Tom Jobim. E Noel Rosa.
Leia os clássicos da literatura brasileira e latino-americana.
Beba sucos variados: de manga, mangaba, caju e cajá.
À maneira de Câmara Cascudo, colecione crepúsculos.

Virgem
Não se esqueça jamais: "Virgindade provoca câncer".
Seja um(a) admirador(a) de São Francisco de Assis.
Visite as ruínas de Pompéia, na Itália, se possível.
Colecione quadrinhos eróticos e/ou de putaria.


Libra
Azul ou encarnado(a), haja sempre com tesão.
Entre Deus e o Diabo, prefira Glauber Rocha.
Uma dica de viagem? O Rio de Janeiro de 1870.
Colecione folhetos de cordel de Leandro Gomes de Barros.

Escorpião
Para ouvir: Bach, Beethoven, Pixinguinha.
Lembre-se das chuvas de antigamente.
Leia Bradbury. Ou Isaac Asimov.
Colecione amores e amantes.


Sagitário
Emocione-se com as auroras e canções de sua terra.
Evite xópins, refrigerantes, jacarés e lobisomens.
Uma dica de leitura? Luís Fernando Veríssimo.
Colecione lamparinas e sonhos inesquecíveis.


Capricórnio
Estude javanês, com James Joyce.

Adquira um rádio, dos bons.
Mergulhe no Brasil dos anos 60.
Colecione livros de Sartre e Camus.

Aquário
Visite os sebos de sua cidade.
Escute música medieval.
Lembre-se: a Terra é a Deusa-Mãe.
Procure colecionar estampas Eucalol.


Peixes
Conheça Trancoso, na Bahia, e Búzios, em Natal.
Releia Faulkner. Ou Hemingway. Ou Truman Capote.
Plante um arco-íris em sua imaginação enlouquecida.
Colecione sonhos libertários e surrealistas.


Serpente
Atenção, mais uma vez: não seja uma serpente venenosa.
O Diabo pode ser seu amigo; só depende de você.
Em Natal, sonhe com auroras prateadas e potengis dourados.
Colecione edições variadas da Bíblia Sagrada.

domingo, 18 de abril de 2010

Clique na imagem
para verouvir o trêiler de
Dr. Fantástico
(Stanley Kubrick, 1964),
um dos filmes fundamentais dos anos 60,
com seu furioso humor antibélico


BALAIO PORRETA 1986
n° 2995
Rio, 18 de abril de 2010


JEREMIAS
Adriano de Sousa
[ in Poesia. Natal, 2008 ]

ai de vós
profetas
ai de vós
poetas
nem mesmo os vossos
vos ouvirão


(IN)FINITUDES
Lou Vilela
[ in Nudez Poética ]

Reconheço-me bem ali
antes do ponto.

A poesia
,contrária ao tempo,
resiste.


FILMES FUNDAMENTAIS DOS ANOS 60
(2a: 1964-1969)

Dr. Fantástico (Kubrick, 1964)
Gertrud (Dreyer, 1964)
Por alguns dólares a mais (Leone, 1965)
Gaviões e passarinhos (Pasolini, 1965)
A batalha de Argel (Pontcorvo, 1965)
Terra em transe (Glauber Rocha, 1967)
A bela da tarde (Buñuel, 1967)
La hora de los hornos (Solanas, 1968)
O estranho caminho de Santiago (Buñuel, 1968)
Teorema (Pasolini, 1968)
Faces (Cassavetes, 1968)
One plus one (Godard, 1968)
Memórias do subdesenvolvimento (Alea, 1068)
O bandido da luz vermelha (Rogério Sganzerla, 1968)
Othon (Straub & Huillet, 1969)
Minha noite com ela (Rohmer, 1969)
O conformista (Bertolucci, 1969)
O açougueiro (Chabrol, 1969)
A cor da romã (Paradjanov, 1969)
Kes (Loach, 1969)

[ Continua ]

sábado, 17 de abril de 2010

Sessão Nostalgia:
Veronika Lake
(1919-1973)
# Atenção - Não deixe de clicar na imagem #
Alguns de seus principais filmes:
Contrastes humanos ** (Sturges, 1942)
Casei-me com uma feiticeira * (Clair, 1942)
É preciso [re]ver:
Alma torturada (Tuttle, 1942)
Capitulou sorrindo (Heisler, 1942)
Legião branca (Sandrich, 1943)
A dália azul (Marshall, 1946)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2994
Rio, 17 de abril de 2010


Deus e o Diabo na Terra do Sol
KINEMA
Recomendamos o texto de
Carlos de Souza
sobre o filme de Glauber Rocha
(Clique aqui)

"Assistir a Deus e o Diabo é uma experiência artística única. Tudo é estetizado a partir da realidade. No mundo de Glauber tudo é real e ao mesmo tempo é imaginário. As cenas de violência são claramente falseadas. Você vê que o ator apenas simula o gesto. Não há compromisso com o realismo do cinema. Tudo é teatralizado. Aliás, desconfio que as marcações para a movimentação dos atores têm muito de Brecht. No entanto é tudo tão real!"


OS POETAS PÓS-CANÔNICOS

segundo
Jarbas Martins
[ in Substantivo Plural ]

1. Antonio Cícero
2. Arnaldo Antunes
3. Carito
4. Chacal
5. Gustavo de Castro
6. Josely Vianna
7. Líria Porto
8. Nina Rizzi
9. Paulo Leminski
10. Waly Salomão


A GLOBAL E CASCUDO

Há uma pergunta que não pode deixar de ser feita em Natal e em toda a terra potiguar: por que a Academia Norte-Riograndense de Letras, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, a família de Luís da Câmara Cascudo e os ensaístas que estudam a sua obra ainda não se pronunciaram, quase dez anos depois, sobre o crime editorial cometido pela Global, de São Paulo, contra o Dicionário do folclore brasileiro, visivelmente adulterado em sua mais recente edição? Entre nós, somente alguns poucos jornalistas levantaram a questão. Enquanto isso, outros preferiram e/ou preferem se reportar a um fato literário, de caráter político-simbólico-ideológico, ocorrido no distante 1968 envolvendo o poema/processo e a obra cascudiana, ignorando o lamentável e recente episódio nada simbólico, já que concreto em sua essência cultural e mercadológica, patrocinado pela editora paulista. E em nome de quê? De uma suposta e equivocada "atualização", quando Cascudo já não mais se encontrava vivo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Aqui, em Campina Grande, PB,
reside um dos maiores tricolores do país:
o meu tio Walfredo Cirne.
Com ele - e outros tios queridos,
e mais a minha admiração por Telê, Didi e Castilho -,
aprendi a amar o Fluminense.
Para todo o sempre.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2993
Rio, 16 de abril de 2010


ROMPIMENTO
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

Quando me impediram de falar,
silenciei.

Quando me imperdiram de gritar,
ocultei-me.

Quando me impediram de ser quem eu sou,
tirei todas as minhas roupas e

andei nua pelo mundo.


CASTELO DELUSÃO
Henrique Pimenta
[ in Bar do Bardo ]

As pedras gigantescas do meu Sonho -
contenho o Continente da Vazão...
Matéria consistente que lhe ponho -
componho o meu Castelo Delusão...

Desejos com esperma lhe disponho;
sonetos de mau gosto, sem visão;
temores ancestrais deste bisonho;
preguiça de morrer deste cuzão.

Castelo, Castelinho, Grão Nanico,
é o velho Zé Limeira que prediz,
gargalha à sua forma de penico.

Não sou do que é Suor nem pela Lida.
Não sou eu d'Aragão nem um d'Avis.
Não sou pelo Constructo. Sou da vida!


Poema de
JOSÉ BEZERRA GOMES
(Currais Novos, RN)

Todos
Irmãos


MONÓLOGO
Barão de Itararé
[ in Almanhaque 1955 / 1º Semestre ]

Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, por que senão...

- Assim seja! Seja feita a vossa vontade - disse eu, humildemente, e comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa.

Tirei a rolha da primeira garrafa e despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo que bebi.

Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo que virei.

Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo que empinei.

Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa que bebi.

Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção.

Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha.

Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa, arrolhei o copo e bebi por exceção.

Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito de acordo com as ordens de minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem.

Segurei, então, a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram, ao todo, exatamente 39. Para me certificar de que não havia engano, contei tudo outra vez e, quando terminei, já encontrei um total de 93, o que dá certo, quando as coisas andam de pernas para o ar. Como a casa, nesse momento, passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para controlar as minhas contas e recontei todas as casas, copos, rolhas, pias e garrafas, menos aquelas duas, que escondi no banheiro e que eu acho que não vão chegar até amanhã, por que estou com uma sede louca...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sessão Nostalgia:
Gene Tierney
(1920-1991)
Alguns de seus principais filmes:
Laura *** (Preminger, 1944)
O diabo disse não ** (Lubitsch, 1943)
Tempestade sobre Washington * (Preminger, 1962)
A volta de Frank James * (Lang, 1940)
Sombras do mal * (Dassin, 1950)
Amar foi minha ruína * (Stahal, 1945)
Precisam ser [re]vistos:
Caminho áspero (Ford, 1941)
Paixão oriental (Hathaway, 1942)
O fio da navalha (Goulding, 1946)
O fantasma apaixonado (Mankiewicz, 1947)
Passos na noite (Preminger, 1950)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2992
Rio, 15 de abril de 2010


O CÂNONE POTIGUARRIOGRANDENSEDONORTE
João da Mata Costa
[ in Substantivo Plural ]

PROSA

Luis da Câmara Cascudo
José Bezerra Gomes
Polycarpo Feitosa
Edgar Barbosa
M. Rodrigues de Melo
Oswaldo Lamartine
Otacílio Alecrim
Sanderson Negreiros
Henrique Castriciano
Anchieta Fernandes

POESIA

Nei Leandro de Castro
Jorge Fernandes
Luis Carlos Guimarães
Miguel Cirilo
Zila Mamede
Iracema Macedo
Othoniel Menezes
Ferreira Itajubá
Walfran Queiroz
Adriano de Sousa

MÚSICA

Waldemar de Almeida
Oswaldo de Souza
Henrique Brito
Tico da Costa
K'ximbinho
Ademilde Fonseca
Tonheca Dantas
Felinto Lúcio
Nozinho
Elino Julião

PINTURA

Newton Navarro
Dorian Gray
Erasmo Xavier
Leopoldo Nelson
Marcelus Bob
Assis Marinho
Levi
Thomé
Socorro Evangelista
Vatenor

ESCULTURA, MARCHETERIA E OUTRAS ARTES

Palatinik
Zaira Caldas
Manxa
Xico Santeiro
Jordão
João Natal
Ulisses Leopoldo
Luzia Dantas
Carbone
Seu Santos

PS. O Rio Grande do Norte possui uma rica e diversificada cultura nos mais diferentes campos do fazer artístico. Muitos desses artistas alcançaram fama nacional e internacional. Essa arte – muitas vezes, é desconhecida dos próprios norte-riograndense. Selecionamos os dez mais em algumas áreas da cultura: literatura, música e artes plásticas, mesmo sabendo as lacunas e que muitos dos artistas são multimídias e podem atuar em diferentes áreas dessa pobre compartimentalização.


OVERLETRAS
uma overdose de letras
Carito
[ in Os Poetas Elétricos ]

1.
No início
Era o verbo
Depois
O vício

2.
Na ótica narcótica de quem escreve
A palavra larveia
Serve e ferve a verve
Na veia

3.
O sujeito corre
Particípio do passado
Quando morre

4.
Uns vão de lambreta
Outros ao pé
Da letra

5.
Invento
De tocar o som da palavra com palheta ou ampulheta
Para perder
Tempo

6.
Escrevo
Escravo
Brigo com a rosa
Pra mudar o rumo da prosa

7.
Voyerizo o que escrevo
Numa nova modalidade de punheta
Com medo de engravidar a palavra
Gozo fora do texto



ah!ah!ahhax
xcfghhhhhhrb
jjrwwwwwwwkiyer
wc06fmsrvxbfdefbsv
nsgdybjshhsjjsboh!OH!OH!
gbdggxretypqpmmanbccsffwim
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HjycbmhHSKKSKDBGTRTIOSLMSB
NSGWRRTUNDKIWTVSDAW
TOPOH!AH!AH!AH!MMDNNNG
HUMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Capa do
Almanach Bertrand para 1913
por
Joaquim Guilherme Santos Silva
[ in Blog da Rua Onze ]


BALAIO PORRETA 1986
n° 2991
Rio, 14 de abril de 2010


Memória
VISIBILIDADE A OLHO NU
DOS PLANETAS EM 1949
Barão de Itararé
[ in
Almanhaque para 1949 ]

Mercúrio
Poderá ser visto a olho nu, em todo o Brasil, durante o ano inteiro, a qualquer hora do dia ou da noite, devidamente embalado, nas drogarias e farmácias com serviço noturno permanente, inclusive na ilha de Marajó e Niterói.

Vênus
Vênus ou Estrela da Manhã não é estrela. É planeta. E, além disso, aparece também de tarde. Durante o corrente ano entrará diariamente em conjunção com Mercúrio em todos os postos de combate às doenças venéreas, no hemisfério austral e Pindamonhagaba.

Marte
Este planeta deverá ser observado com extraordinário interesse durante o ano de 1949. Neste ano se discutirá, até tirar a limpo, o importante problema que consiste em saber, não se Marte é habitado, mas se é habitável. Há inúmeras famílias no Brasil que estão dispostas a tomar o primeiro foguetão que partir para aquele outro mundo, em mudança definitiva.

Júpiter
Estará em conjunção com Touro e Peixe a 1° de janeiro e, de acordo com a Balança, isto quer dizer que não teremos carne este ano no Brasil.

Saturno
Influenciado por Vênus, durante a Primavera, poderá ser visto, com seu anel de noivado, em conjunção com a Virgem.

Urano
Será muito mal visto em Alagoas, fazendo um movimento ascendente, em direção à Ursa Maior, ficando, finalmente, em oposição, ao lado do Leão do Norte, em frente única com o PSD e a UDN(*). Esse fenômeno foi observado, pela primeira vez, no século de Péricles e não poderá ser visto, agora, a olho desarmado.

Netuno
Este planeta está passando por uma grande transformação para melhor. Por isso, talvez, não se possa ver mais o seu célebre garfo. Para Netuno, agora é de colher.

Plutão
Este planeta não existe. Portanto, não poderá ser visto a olho nu nem a olho vestido.

Nota do Balaio:
(*) PSD e UDN : Partidos políticos brasileiros, extremamente conservadores - sobretudo a UDN -, anteriores ao golpe militar de 1964. Como os atuais DEMo e PSDB, privilegiavam as "massas cheirosas".



LIMONADA COM SAL
Marília
[ in Ainda Podia Ser Pior ]

Dizia o Manuel
Que uns tomam éter
E outros tomam cocaína.

Tem tristeza no meu bolso.
Mas, seu guarda,
Eu juro que é pra consumo próprio.


MÁXIMAS E MÍNIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ
[ in Almanhaque para 1949 ]

Céu pedrento, chuva ou vento ou bom tempo.

Não há domingo sem missa nem segunda-feira sem preguiça.

Mais valem dois marimbondos voando que um na mão.

O sol é casado com a lua. Mas vivem separados.

Os homens são de duas categorias: - os solteiros e os loucos.

Quem não muda de caminho é trem.

A lágrima é o suor do coração.

O urubu é uma galinha verde de luto fechado.

O bacalhau é um peixe lavado e passado a ferro.

Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.



Diretamente do Blogue de Ailton Medeiros, de Natal
SENADORES DO RN SÃO OS MENOS PRODUTIVOS

Bancada de senadores do Rio Grande do Norte é a menos produtiva, revela o site Transparência Brasil. Garibaldi Alves Filho, José Agripino e Rosalba Ciarlini são responsáveis por apenas 17 iniciativas, nenhuma das quais aprovada.

Já os representantes do Rio Grande do Sul (Paulo Paim, Pedro Simon e Sergio Zambiasi, principalmente os dois primeiros) são os mais ativos.

Sozinhos, respondem por 372 proposições (17% do total), das quais 22 foram aprovadas (também o maior número entre as bancadas estaduais, correspondente a 15% do agregado)

terça-feira, 13 de abril de 2010

As ruínas da Ponte de Igapó, sobre o Potengi, em Natal
Foto:
Jardson Amaral


BALAIO PORRETA 1986
n° 2990
Rio
, 13 de abril de 2010


MARGENS:
IGAPÓ - CAIS TAVARES DE LIRA
Paulo de Tarso Correia de Melo
[ Cf. Grande Ponto ]

Procuro
- nem sei se existe -
­um luminoso lugar.
Não quero esta margem esquerda e triste.
Quero as luzes
do outro lado do rio.

Escuro,
até onde aviste
o ansioso olhar.
Não quero esta margem direita e triste.
Quero as sombras
do outro lado do rio.


DOIS LIVROS DE BARTOLA
SERÃO LANÇADOS AMANHÃ, EM NATAL

Tempo de estórias e A roupa da Carimbamba, do contista Bartolomeu Correia de Melo, serão lançados amanhã, a partir das 19h, na livraria Siciliano, do xópim Midi Vai Mal, nas imediações do antigo cabaré de Rita Loura, um dos preferidos do historiador natalense Luís da Câmara Cascudo. Registre-se que Bartola é um dos melhores escritores surgidos nos últimos tempos na província do nosso Rio Grande. Quem também está com livro novo na terra potiguar é o escritor François Silvestre: Esmeralda, crime no Santuário do Lima.


BEIJO
Bosco Sobreira
[ in A Pedra e a Fala ]

Na boca da noite
estrelas salivam fogo
e
mel
POEMA
Mariana Botelho
[ in Suave Coisa ]

findo o dia
minhas pernas vão para casa

vão chorando

querem esquecer o caminho


A LEITURA MOVIDA A CLIQUES
Sérgio Augusto
[ in O Estado de S.Paulo, via Substantivo Plural, na íntegra ]

Duvido que o livro, o maior artefato civilizador inventado pelo homem, esteja com os dias contados. Não tenho como provar sua imperecibilidade, mas como seus tecnófilos coveiros tampouco têm como provar a inevitabilidade de sua obsolescência, fiquemos no concreto: o livro tem 550 anos de serventia e seu avatar eletrônico, menos de 20 anos de experimento e alguns meses de modismo. Frívolo modismo, em muitos casos. Gente que não tinha o hábito de ler – gostar de ler, eis a questão – não modificará seus hábitos motivada, exclusivamente, pelo Kindle.

Assim como o CD não acabou com o vinil, o cinema não acabou com o teatro, nem a TV com o cinema, por que duvidar que algo tão prático e entranhado em nossas vidas como o livro impresso possa desaparecer para sempre? Seu desaparecimento seria inevitável sobretudo por razões econômicas, já que as crescentes despesas com papel, impressão, encadernação e distribuição tendem a inviabilizar a produção do livro tal como o conhecemos. Ocorre que os gastos com todos aqueles itens devoram apenas 20% de seu preço de capa.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Nuvens que anunciam tempestade
Foto: autoria não-identificada


BALAIO PORRETA 1986
n° 2989
Rio, 12 de abril de 2010



HORÓSCOPO DA SEMANA

Áries
Caminhe. Pedale. Nade. Corra. Descanse.
Dê um livro de presente para um(a) amigo(a).
Pinte seus sapatos de azulpoesia. Ou de liláscanção.
Nuvens que anunciam tempestade: leia Baudelaire.

Touro
Nuvens para sonhar: cantigas d'além-mar.
Olhai os lírios do campo e do Paraná e do Ceará.
Um pensador para provocar delírios: que tal Bachelard?
Um uísque e um disco: A love supreme, de Coltrane.

Gêmeos
Nuvens para amar: os girassóis de Van Gogh.
Um livro para ler: Saudades do século 20 (Ruy Castro).
Caminhos & caminhadas: ao som de sambas & choros.
Um baseado e um filme: A balada do soldado.


Câncer
Nuvens para brincar: águas azuis da infância.
Leia Nei Leandro de Castro. E Luís Carlos Guimarães*.
Faça humor, faça amor: seja um(a) criador(a).
Um vinho e um chocolate: crepúsculos dourados.

Leão
Conheça o Seridó montado(a) numa nuvem prateada.
Travessia. Miragem. Nonada. Grande sertão: veredas.
Dê um novo sentido à palavra 'bangalafumenga'**.
Sonhe com anjos barrocos e nuvens ciganas.

Virgem
Marciana ou venusiana, sobretudo seja um(a) lutador(a).
Projete um poema/processo a partir de José Cláudio.
Conheça Conservatória, no Rio de Janeiro.
Uma cachaça e um livro: Decameron (Boccaccio).


Libra
Anarquista ou conservador(a), sobretudo seja honesto(a).
Navegue pela solidão das palavras seridolentes.
Cabralino(a) ou drummondiano(a), seja um(a) grande leitor(a).
Sonhe com os sonhos do surrealismo poético-oceânico.

Escorpião
Nuvens e canções populares de consumo.
Nuvens e rosas vermelhas de Caicó.
Nuvens, gatos, girafas e sonhos.
Nuvens e riachos do Seridó.


Sagitário
"Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível"
¹.
"Uma poética do devaneio é uma poética liricamente feliz"².
"Tudo vale a pena,/ se a alma não é pequena"³.
Uma nuvem e um sonho: Jericoacoara, no Ceará.


Capricórnio
Seja um cabra da peste, no Seridó potiguar.

Leia Oswaldo Lamartine de Faria. E Paulo Balá.
Viaje pela música clássica de Beethoven.
Emocione-se com as auroras e nuvens de sua terra.

Aquário
Seja uma nuvem ao entardecer, prenunciando chuvas.
Evite xópins, refrigerantes e lobisomens.
Leia Clarice Lispector. Escute música barroca.
Um conhaque e um filme: A noviça rebelde (Wise).


Peixes
Sonhe com os anéis de Saturno. E os rios de São Saruê.
Defenda a natureza. Defenda o bom jornalismo.
Ao lado de Luis da Câmara Cascudo, colecione crepúsculos.
Uma cerveja e uma história-em-quadrinhos: Arzach (Moebius).


Serpente
Atenção: não seja uma serpente venenosa.
Não acredite em astrologia. Não acredite em Diogo Mainard.
Prestigie a arte de Van Gogh. E os quadrinhos de Luiz Gê.
Sonhe com nuvens amarelas e bicicletas azuis.

Notas:
* NLC & LCG : poetas potiguares.
** Bangalafumenga : joão-ninguém.
¹ Nelson Rodrigues.
² Citação de matriz bachelardiana.
³ Fernando Pessoa.

domingo, 11 de abril de 2010

Clique na imagem
para verouvir o trêiler de
West side story / Amor, sublime amor
(Robert Wise & Jerome Robbins, 1961)
Um dos grandes musicais da história do cinema - ao lado de A roda fortuna (Minnelli, 1953) e Cantando na chuva (Donen & Kelly, 1952), clássicos indiscutíveis do gênero: tematicamente, um Romeu & Julieta novaiorquino dos anos 60 do século passado, com trilha musical de Leonard Bernstein. Há que lembrar: Wise também dirigiu, em 1965, The sound of music / A noviça rebelde.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2988
Rio, 11 de abril de 2010


TRANSE
Iara Maria Carvalho
[ in Mulher na Janela ]

a areia clara
do seridó
me move-
diça:

de sereia
à hortaliça.


ENQUANTO DEUSES NASCEM
Laura Liuzzi
[ in Prosa & Verso, O Globo, 10/04/2010 ]

Enquanto deuses nascem
pra lá da linha frágil
desse horizonte
escrevo minha deriva
em lento compasso.
Elaboro as cartas
que não enviei
penso com a língua
solta no céu
da boca o céu
onde escondo
perguntas palatáveis
como balas
que fazem arder
os olhos.


FILMES FUNDAMENTAIS DOS ANOS 60
(2a / 1960-1963)

Sangue sobre a neve (Ray, 1960)
Sombras (Cassavetes, 1960)
Psicose (Hitchcock, 1960)
A doce vida (Fellini, 1960)
Amor, sublime amor (Wise & Robbins, 1961)
Viridiana (Buñuel, 1961)
A noite (Antonioni, 1961)
Salvatore Giuliano (Rosi, 1961)
A rotina tem seu encanto (Ozu, 1962)
O processo de Joana d'Arc (Bresson, 1962)
Muriel (Resnais, 1962)
A faca na água (Polanski, 1962)
Cronaca familiare / Dois destinos (Zurlini, 1962)
Porto das Caixas (Paulo César Saraceni, 1962)
La jetée (Marker, 1962), curta
Labirinto (Lenica, 1962), curta/animação
O desprezo (Godard, 1963)
O criado (Losey, 1963)
A passageira (Munk, 1963)
O professor aloprado (Lewis, 1963)

Próximo domingo:
Os filmes fundamentais dos anos 60
(2a / 1964-1969)

sábado, 10 de abril de 2010

Clique na imagem
para verouvir o trêiler de
Shane
(George Stevens, 1953)
O crítico Paulo Perdigão detestava Michelangelo Antonioni (embora gostasse bastante de O grito) e amava George Stevens, particularmente Shane (que chegou a ver mais de 100 vezes): um famoso bangue-bangue dos anos 50. Para muitos, o filme não resistiu ao tempo - e seria por demais meloso; para outros, a película estrelada por Alan Ladd, permanece um clássico - com sua elegância temática como subtema. Aliás, 1953 foi um grande ano para a história do cinema: Contos da lua vaga (Mizoguchi), As férias do Sr. Hulot (Tati), A roda da fortuna (Minnelli), Viagem a Itália (Rossellini), Era uma vez em Tóquio (Ozu), Os corruptos (Lang) e Velhas lendas tchecas (Trnka) são algumas das produções lançadas na ocasião.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2987
Rio, 10 de abril de 2010


FILMES ESTRANGEIROS
CUJOS TÍTULOS NO BRASIL
SÃO RIDÍCULOS E/OU INADEQUADOS

Shane / Os brutos também amam
Persona / Quando duas mulheres pecam
Blow-up / Depois daquele beijo
Il deserto rosso / O dilema de uma vida
Calabuig / Onde o mundo acaba
Rio Bravo / Onde começa o inferno


TRADUÇÃO-HOMENAGEM
A EDMOND JABÈS
(1912-1991)
Fragmentos por
Max Martins
[ in Não para consolar, 1992 ]

Não negligencia o eco, pois é de ecos que tu vives.

Uma folha branca está cheia de caminhos.

Ele interroga as palavras que o interrogam.

O livro nos lê.

Só o leitor é real.

O humor é poesia. O cômico é prosa.

A aurora cria o galo.

A memória do poeta é sem tempo.

O sexo é sempre uma vogal.

As palavras elegem o poeta.

O louco é a vítima da rebelião das palavras.

A imagem é formada de palavras que a sonham.

Pronunciada, a palavra voa; escrita, ela nada.

As palavras têm os sons por sombra.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pintura africana
[ autoria não-identificada ]


BALAIO PORRETA 1986
n° 2986
Rio, 9 de abril de 2010


PROVÉRBIOS AFRICANOS

Você não pode construir uma casa para o verão do ano passado.

Como a ferida inflama o dedo, o pensamento inflama a mente.

É a água calma e silenciosa que afoga um homem.

O coração de um homem e o fundo do mar são insondáveis.

Quem faz perguntas, não pode evitar as respostas.

Numa luta entre elefantes, o prejudicado é o capim.

Um inimigo inteligente é melhor do que um amigo estúpido.

[ Cf. África-Brasil: um Elo de Herança Ancestral ]


LAMENTAÇÃO
Líria Porto
[ in Tanto Mar ]

olhos barrentos
transbordam durante
as enchentes

transformam em charcos
os corpos cansados
de sofrimento


PARA SEMPRE
Márcia Maia
[ in Dedo de moça, 2009 ]

Sobre ele, de olhos fechados, eu me movia para cima e para baixo, como um pêndulo, no movimento circular que ele, sob mim, mãos machucando-me o seio esquerdo e a cintura, tanto gostava. Gozei primeiro e, sem pressa, esperei até que ele gozasse, para cravar o canivete, três centímetros e meio à direita da metade do pescoço, abrindo-lhe, a um tempo, a jugular e a carótida, no momento exato em que, dentro de mim, ele jorrava. Sempre ouvi dizer que morrer na hora do orgasmo eterniza o gozo.


UMA CANÇÃO
Assis Freitas
[ in Mil e Um Poemas ]

celeiro de dúvidas
contemplo as alegorias
do vento

nada mais preciso e
desdenho do teu olhar

POEMA
Romério Rômulo
[ in Matéria bruta, 2006 ]

a noite é um mistério solto.
a vaga solidão me é manhã.
quando cabido, sou homem, sou bêbada
ave que deserta madrugada.

estes saberes breves são ausências
que a solidão revela no meu rosto.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Rio que te quero Rio
[ Foto: autoria desconhecida ]


BALAIO PORRETA 1986
n° 2985
Rio, 8 de abril de 2010


ESCAPULÁRIO
Carlos Gurgel
[ in Dramática gramática, inédito ]

eu morro
porque meu amor é de pele
se fosse de pêlo
eu viveria

eu choro
porque minhas lágrimas são de pele
se fossem de pêlo
eu morreria

eu amo
porque meu coração é de pele
se fosse de pêlo
eu voltaria

eu sofro
poque minha carne é de pele
se fosse de pêlo
eu calaria

e eu vivo
porque minha vida pertence a ti
e nada mais me interessa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Imagem
RetroAtelier



BALAIO PORRETA 1986
n° 2984
Natal, 7 de abril de 2010


RIO DE JANEIRO
RIO DE JANEIRO
RIO DE JANEIRO
é preciso abraçá-la
na dor e na alegria


Fragmentos d'
O LIVRO SOBRE NADA
Manoel de Barros
[ em 1996, cf. Poesia completa, 2010 ]

Tudo que não invento é falso.

O meu amanhecer vai ser de noite.

Não saio de dentro de mim nem para pescar.

Eu queria ser lido pelas pedras.

As palavras me escondem sem cuidado.

Não preciso do fim para chegar.

Do lugar onde estou já fui embora.