quarta-feira, 14 de maio de 2008


Cidades potiguares:
Carnaúba dos Dantas,
na região do Seridó,
em foto de
Iran Medeiros
in
blogue de João Quintino


BALAIO PORRETA 1986
n° 2314
Rio, 14 de maio de 2008


Quem vive sem loucura
não é tão sensato quanto imagina.
(La Rochefoucauld)


TEXTOPOEMA
de Mario Cezar
[ in Tramela ]

adiante-se. nenhum orvalho atrapalha.


CONFISSÃO
Volonté
[ in Proemas. Natal, 2004 ]

Há alguns anos atrás
achava-me um dândi
hoje sou o começo da
metáfora


Repeteco
UM DIÁLOGO

por GEORGES BOURDUKAN

Dois burros conversavam quando um perguntou ao outro:
- Imagina você que quando um humano quer ofender outro humano o acusa de burro. Por que será?
- Não tenho a mínima idéia.
- Quando será que isso começou?
- E quem sabe?
- Realmente é estranho isso... Humano chamar outro de burro como ofensa.
- Talvez porque chamá-lo de humano fosse ofensa maior.
- Você acha?
- Claro! Você já viu algum burro explorar outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro oprimindo outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro abandonar a cria?
- Não.
- Você já viu algum burro sem teto?
- Não.
- Você já viu algum burro sem terra?
- Não.
- Você já viu algum burro torturando outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro declarando guerra a outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro invadindo o país de outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro matando ou morrendo em nome de Deus?
- Não.
- Então, qual ofensa é maior, chamar de burro ou de humano?

[ in Caros Amigos. São Paulo, nº 106, janeiro 2006, p.33 ]


RELENDO A LITERATURA POTIGUAR

As quatro margens do rio,
de Giovanni Sérgio & Angeles Laporta.
Natal: PROFINC, 1997, 152p.

Potengi que te quero Potengi, poemas que se fazem poesia, devaneio e imagem, fotos que nos fazem sonhar e sonhar: a plasticidade que, lírica e amorosamente, envolve a imaginação delirante de leitores & leitoras sensíveis. Potengi (dos meus amores) que se cristaliza como um Rio Grande, o nosso Rio Grande do Norte, o nosso Rio Grande do Nordeste, ao som de Carlos Zens, ao som de Mirabô Dantas, ao som de K-Ximbinho, ao som de Urbano Medeiros, ao som do pernambucano Luiz Gonzaga, um dos gênios maiores da música brasileira. Potengi (dos meus pecados) que se abisma diante dos versos de Luís Carlos Guimarães: "O rio se nutre/ de nuvens. Da/ nascente à foz/ sulca o pulso da// terra, semovente". Ou que se encontra com a magia de Newton Navarro: "A noite caminha com pés de/ água, sobre o dorso do rio". Ou, ainda, que se revela por inteiro na poesia de Diva Cunha: "Esse rio/ que atravessa séculos/ não é Grande, nem Pequeno/ apenas potengi no nome/ que lhe tiraram/ das águas os índios". Enfim, as quatro margens da fotografia e dos iluminamentos poéticos. Que revelam as várias margens do Potengi (dos meus alumbramentos), com sua história e seus mistérios. E seus encantolamentos.

terça-feira, 13 de maio de 2008



O Viaduto do Chá e o
centro comercial de
São Paulo
na segunda metade dos anos 30

Fotos de Claude Lévi-Strauss

(in Saudades do Brasil, cf. Via Política)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2313
Rio, 13 de maio de 2008


"Mulher não tem idade. A idade da mulher é moldada pelo carinho do homem"
(Luís da Câmara Cascudo)


AS PEDRAS TAMBÉM CANTAM
Sandra Camurça
[ in O Refúgio ]

Sou pedra bruta
que se machuca
nas arrebentações
das líquidas paixões

Sou pedra dura
que perdura,
quebra-mar
que de tanto a(mar)
aprendeu a cantar


POEMA
Romário Gomes
[ in Cacos ]

O Seridó
é verdecinza
geografia
do meu poema
um nome
um sertão particular


QUANDO ME DEITAS
Jeanne Araújo

Quando me deitas
vais abrindo meus caminhos lentamente
tocando os vãos, desvãos inacabados,
cheios de silêncios mórbidos.
Teu olhar me suga, vertiginosamente,
enquanto murmuras águas marinhas,
algas e um tanto de sal.
Pareces pequeno.
No entanto, consegues envolver-me
despojada e extrema
no teu peito vasto.

Quando me deitas
e percorres lentamente meus caminhos,
minhas flores se entregam nesse claustro
de anseios e sussurros.
E as tuas palavras, as mais doces,
vão queimando os muros,
lençóis e o pequeno quarto.
Pareces pequeno.
No entanto, abranges inocente,
todos os meus cantos e recantos.
E tudo é gozo de tanto tempo.
E tudo é cio e umidade.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Anthropologie structurale, de Claude Lévi-Strauss. Paris : Plon, 1958, 452p. [Exemplar adquirido na Leonardo Da Vinci, Rio, em 1967. Há edição brasileira] Uma das "bíblias" da antropologia contemporânea, leitura obrigatória para aqueles que pensavam o mundo - e suas representações mitológicas - nos anos 60, a partir de fenômenos culturais moldados pela história e pela etnologia. O Autor de Tristes trópicos (1955) e O pensamento selvagem (1962), obras igualmente fundamentais, ao estudar, por exemplo, a relação magia/religião (p.183-266), marcou época no interior de uma biblioteca básica que inclui nomes como Franz Boas, A. M. Hocart, A. L. Kroeber, B. Malinowski, M. Mauss, A. R. Radcliffe-Brown e outros.

segunda-feira, 12 de maio de 2008


MulherPoema
a partir
de
foto
de
Amanda Com
in
Olhares


BALAIO PORRETA 1986
n° 2312
Rio, 12 de maio de 2008



A MULHER LIBERTA
Nei Leandro de Castro

A mulher liberta se deixa prender na cama
E se faz escrava do homem a quem ama.
Pés e mãos atados, ela é livre, leve, louca
E usa como nunca o sexo, as mãos, a boca
Para prender o macho no seu corpo nu.
A mulher liberta libera tudo, mesmo o cu
- Não importa se seja virgem, apertadinho -
Para ser penetrado com doçura
, com carinho,
Para o gozo e o prazer, gozo do amante

Que não lhe dá sossego um só instante.

A mulher liberta goza de todo jeito:

Pela frente, por trás, na boca, nos peitos,

Desde que o sexo, a pica do seu amor

Faça o que ela quiser, seja onde for.


PÊSSEGO A 40º
por
Fugu F
[ in Fruit de la Passion, desativado ]

Daqui a pouco chega o tempo quente dos figos e pêssegos, das frutas que se abrem e oferecem. Com os figos é fácil. Só de olhar e tocar com a ponta dos dedos, já sei se estão bons, já adivinho o que prometem - e cumprem.

Mas os pêssegos são maliciosos. Expostos nas barracas, sob 35º de sol, me chamam de longe, pelo cheiro. Arrepiam a penugem quando os toco. Exibem rosados promissores sob a luz forte da rua. No entanto, só ao cravar-lhe os dentes posso saber se cumprem o que insinuam.

Minha boceta tem alma de pêssego, mas Fugu tem o condão de transformá-la em figo bíblico. Quando, depois de me abrir em gozo tantas vezes, atendo a seu olhar insistente e mergulho meus dedos entre as pernas, o que encontro me surpreende.
Um calor de feira livre, um defazer-se de lábios em gomos firmes, uma profusão de sumos e cheiros, o grelo como uma semente nova, pronta para germinar.

Fugu faz brotar em mim uma nova fruta. Alegre, devoradora, oferecida, engole meus dedos, explode contra o indicador como uma tempestade tropical. Pernas ainda abertas, olhos ainda fechados, sinto quando ele retoma seu território.

A fruta engole o tronco de onde brota o paraíso.

E inaugura mais um verão.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Les erotiques de l'art, de Ruth Westheimer. New York ; Paris : Abbeville, 1993, 180p. [] Um belo álbum, com texto preciso, levemente amoroso, e reproduções preciosas. Uma história não-cronológica da arte através do erotismo: os gregos, os romanos, Caravaggio, Velázquez, Goya, Manet, Renoir, Degas, Courbet, Cézanne, Bonnard, Picasso, Magritte, Haring, Kosloff. E tantos outros & outras tantas, entre pinturas, esculturas, gravuras - antigas, clássicas, modernas, contemporâneas. "O plano [da obra] obedece à progressão da relação amorosa, do primeiro olhar ao repouso após o ato sexual" (os editores).

domingo, 11 de maio de 2008


Anoitecer no Potengi, em Natal,
in
Grande Ponto


BALAIO PORRETA 1986
n° 2311
Rio, 11 de maio de 2008



CONSTRUÇÃO DE MIRAGEM
Antonio Mariano (PB)
[ in Guarda-chuvas esquecidos ]

para Alfredo Bosi

Vi,
na outra margem
do rio,
uma garça
rindo
pra mim.

Em tempo,
confirmo:
menti.

Entrevi
o que sei dessa imagem
desgarçada
no imaginário,
rindo
de mim.


RETRATO
Adelaide Amorim (RJ)
[ in Inscrições ]

o dia passou veloz
trouxe a janela de maio
e uma voz antiga como a brisa

guardei o dia
no álbum dos retratos mais amados


FEIRA DE CITAÇÕES BOROGODOSAS

[] O assombro é a causa de todo descobrimento.
(Cesare Pavese, 1908-1950)

[] A vida só pode ser compreendida olhando para trás:
mas só pode ser vivida olhando para a frente.
(Soren Kierkgaard, 1813-1855)

[] O desejo é a própria essência do homem.
(Baruch de Spinoza, 1632-1677)

[] Jamais sofri uma mágoa que uma hora de leitura não tenha curado.
(Montesquieu, 1689-1755)

[] A verdade é sempe mais importante que o dogma.
(Henry Lefebvre, 1905-1991)

[] A vida necessita de pausas.
(Carlos Drummond de Andrade, 1902-1987)

[] Maravilhar-se é o primero passo para o descobrimento.
(Louis Pasteur, 1822-1895)

Fonte: Palavras que iluminam, pesquisa de Leandro Sarmatz.
São Paulo: Superinteressante, s/d.

sábado, 10 de maio de 2008


Cartaz de
Era uma vez no Oeste,
de Sergio Leone


BALAIO PORRETA 1986
nº 2310
Rio, 10 de maio de 2008


DIVAGAÇÕES & PROVOCAÇÕES

No mundo do cinema, com seus mitos e suas fantasias, há faroestes que crescem com o tempo, de forma acentuada, consagrando-se como verdadeiras obras-primas. Segundo as minhas leituras crítico-afetivo-libertinárias, há que apontar, neste sentido, por ordem cronológica, os filmes My darling Clementine (Ford, 1946), Johnny Guitar (Ray, 1954), Rastros de ódio (Ford, 1956), Rio Bravo (Hawks, 1959) e Era uma vez no Oeste (Leone, 1968). Outros tendem a crescer, como Por uns dólares a mais (Leone, 1965) e Três homens em conflito (Leone, 1966). Há também aqueles clássicos que continuam clássicos inesquecíveis: No tempo das diligências (Ford, 1939), Rio Vermelho (Hawks, 1948), Matar ou morrer (Zinnemann, 1952) e O homem que matou o facínora (Ford, 1962). E há, ainda, aqueles que, a cada nova revisão, mais e mais decepcionam: Shane / Os brutos também amam (Stevens, 1953) é um deles.

Embora Charles Chaplin seja, sem dúvida, um clássico da tragicomédia - e filmes como Em busca do ouro (1925), Luzes da cidade (1931) e Tempos modernos (1936) sejam obras-primas praticamente indiscutíveis -, para mim, nos últimos 16 ou 18 anos, o nome que, nos anos 20, em se tratando de comédia, deve ser saudado como "o" grande gênio é o de Buster Keaton. Por um motivo muito simples: enquanto Chaplin investia mais no Humanismo através de suas propostas temáticas (com resultados ótimos, acrescente-se), Keaton investia mais no Cinema enquanto linguagem (haja vista Sherlock Jr. [1924], Sete amores [1925] e A General [1927], além de O homem das novidades [1928], onde teve participação decisiva como verdadeiro e "oculto" co-diretor).

Não se fazem mais críticos de cinema como José Lino Grünewald (Rio, cf. Um filme é um filme, pela Companhia das Letras, 2001), Francisco Luiz de Almeida Salles (SP, cf. Cinema e verdade, pela Companhia das Letras, 1988) e Paulo Emilio Salles Gomes (SP), ou mesmo, em tom menor, como Moniz Vianna (Rio). Vez por outra aparece um crítico interessante, claro. Mas eles são cada vez mais raros. E o que seria um bom crítico de cinema? Aquele capaz de relacionar o con/texto fílmico com a História, a Filosofia, a Poesia, a Literatura, o Social e a Estética das formas cinematográficas. Hoje, os críticos cedem lugar aos teóricos, e os temos com boa envergadura intelectual. É o caso de Ismail Xavier, em São Paulo.

Não, não vi, nem me interessei por Tropa de elite (José Padilha, 2007), embora tenha apreciado o seu filme anterior (Ônibus 174). Em compensação, vi e gostei muitíssimo de Estômago (Marcos Jorge, 2007), com João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana e Paulo Miklos. Preparo-me para ver Condor (Roberto Mader, 2007), um documentário sobre a terrível Operação Condor, quando policiais e torturadores do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Chile, nos anos 70, uniram-se contra a esquerda e a democracia da América Latina. Enquanto isso, o melhor lançamento cinematográfico do ano, até a presente data, é o emocionante Serra da Desordem (André Tonacci, 2006).


A DOR NO MUNDO ATRAVÉS DA PSICANÁLISE

O Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos, situado em Copacabana - Rio, Rua Barão de Ipanema, 56 (fone: [21]2257-9454; emeio: ebep@dh.com.br), promoverá nos próximos dias 16 e 17 a Jornada A Dor no Mundo. Em discussão (16/5), as Estéticas da dor, com Lia Rodrigues e outros; os Refúgios da dor, com Eliana Schueler Reis e outros; as Escritas da dor, com Antonio Torres, Andrea Menezes Masagão e Nelma de Mello Cabral. No dia seguinte: mais debates, mais informações, mais reflexões. Como dizem seus promotores: "A dor, física ou psíquica, sempre emerge como um limite: seja o limite impreciso entre o corpo e a psique, seja entre o eu e o outro, seja entre o apaziguamento e o desamparo". Vale a pena conferir.


RECOMENDAMOS
a leitura do artigo Os caninos do vampiro
(sobre o senador José Agripino Maia, do DEMo - RN, e a ministra Dilma Rousseff),
por Fávio Aguiar, em CartaMaior.

sexta-feira, 9 de maio de 2008


No sertão da Paraíba
nuvens carregadas
prenunciam chuva

Foto de Lisbeth Lima
in
Flor de Craibeira


BALAIO PORRETA 1986
nº 2309
Rio, 9 de maio de 2008


CARTA ABERTA À CHUVA
Sheyla Azevedo (RN)
[ in Bicho Esquisito ]

Olho pela janela e vejo milhares de casinhas turvas, um pedaço do mar cor cinza claro, a ponte de nós todos envolta em névoa, tão sem rumo, feita de extremos. É a chuva tomando conta da paisagem. Sinto como se fosse um retrato meu. Uma imensidão de elementos, nem sempre conexos, nem sempre visíveis, detalhes que se perdem, outros que se intensificam. Nada muito definido. Só depois da chuva é que se pode ter a real dimensão dos fatos.

No dia da enxurrada, saí de casa minutos antes pela manhã e fazia sol. De repente, estava quase sendo tragada pela força daquele mundaréu de água, o vestido encharcado, os pertences desbotando, a alma umedecida pela impotência, o coração naufragando em espanto, medo e respeito pela natureza das coisas. Ainda tenho dúvidas se não morri naquele dia. Ainda tenho dúvidas se não sou agora uma alma errante, à espera da redenção ou do castigo.

Uma tristeza profunda tem insistido em mim desde então. Uma tristeza que não tem crime nem culpados e, portanto, sem explicação. E, quando não há culpados, o vazio é tanto que às vezes é preciso dar atenção para o pedaço que está faltando para se compreender o inteiro. Devo confessar que não é uma das melhores sensações. Foi a chuva naquele dia que me trouxe a dimensão da minha paisagem. Eu ali, tão pequena, tão insignificante diante do pranto da cidade. Quase envergonhada por aceitar o quinhão de buracos e crateras que se abriam nas minhas costelas.

Não dá para confessar o inconfessável. Há um lugar onde as palavras não chegam. E aí os gestos ficam mais lentos e mais pesados, os cílios carregados de sal. As páginas insistem em ficar em branco e a poesia dá lugar ao tempo fechado.

Às vezes é preciso desapegar, despertencer. Deixar simplesmente que a chuva arrebente as comportas. A chuva atravessa em mim e segue seu caminho.


BRISA
Cláudia Gonçalves (RS)
[ in Entrelinhas ]

O breu
do meu cais
abre-se
em luz
entre
rochas
escorre
esperança
onde
monstros
não
habitam
mais.


UMA LEITURA INTERESSANTE

Querem saber quem é o senador José Agripino Maia (DEMo-RN), o tal que desrespeitou a história da militância política da Ministra Dilma Rousseff, dois dias atrás? Leiam o artigo Os rabos-de-palha de um filhote da ditadura publicado número de abril da revista Caros Amigos (de São Paulo). Trata-se de um levantamento jornalístico-biográfico bastante esclarecedor.

quinta-feira, 8 de maio de 2008


João Pessoa: Tambaú, à noite
Foto de
Lorenna Brasilino
in
Google Earth


BALAIO PORRETA 1986
n° 2308
Rio, 8 de maio de 2008



MARCHA DO VAZIO
Linaldo Guedes
[ in Zumbi Escutando Blues ]

Marcha da Maconha, que depois virou Marcha da Democracia, terminou, infelizmente, em Marcha da Confusão. Manifestantes e policiais se confrontaram na orla da Tambaú [em João pessoa, PB] neste final de semana e a marcha acabou manchada (desculpem o trocadilho). Uma pena que essas coisas ainda aconteçam em pleno século XXI. Mas, independente de qualquer coisa, podemos afirmar, também, que um outro nome para a manifestação seria o de Marcha do Vazio.

Estamos em pleno Maio de 2008. Ou seja, 40 anos depois do ano que não terminou, segundo Zuenir Ventura, e que se tornou em emblemático pela quantidade de eventos e movimentos culturais, políticos e sociais que eclodiram em todo o mundo, com jovens indo às ruas e fazendo valer seus protestos sobre quaisquer assunto que gerasse a sua revolta.

Era época da contracultura, do movimento hippie, da liberação feminina, das manifestações culturais em todos os segmentos, do “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, de ditaduras, de Glauber Rocha, Tropicalismo e outros ismos que agitaram o ano de 1968.

Parecia que naquela época os jovens tinham porque lutar. Maio de 68, por exemplo, se tornou emblemático por conta de uma greve geral que aconteceu na França. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, por que não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe. Começou como uma série de greves estudantis que irromperam em algumas universidades e escolas de ensino secundário em Paris, após confrontos com a administração e a polícia. A maioria dos insurretos eram adeptos de idéias esquerdistas, comunistas ou anarquistas. Muitos viram os eventos como uma oportunidade para sacudir os valores da "velha sociedade", dentre os quais suas idéias sobre educação, sexualidade e prazer.

E hoje, em maio de 2008, contra quem lutamos? Pela discriminalização da maconha. Nada contra (claro, claro, claro), que o cidadão tenha o seu direito ao fuminho da cada dia. O livre-arbítrio ainda deve prevalecer acima de tudo. Mas é como se na falta de rebeliões ideológicas, sociais, culturais e políticas os jovens de hoje estejam se preocupando com coisas que não têm a força de alterar os destinos da humanidade.

Não temos mais ditadura, nem instabilidade econômica. Na música e na literatura, tudo tão homogêneo, sem laivos de rebeldia justificada. Aliás, a cultura brasileira de uma forma geral anda tão doce quanto jiló. Tudo tão passivo e comportado, assim como a ausência de ideais mais consistentes por parte da juventude. Por isso a Marcha do Vazio. Do vazio de idéias e ideais. Afinal, ser jovem é protestar. Independente de por qual motivo seja.

(artigo publicado na edição de 6 de maio do jornal A União)


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

O mergulhador, de Vinicius de Moraes (poemas) & Pedro de Moraes (fotos). Rio de Janeiro : Atelier de Arte, 1968, 108p. [Há uma nova edição no mercado] Os poemas de Vinicius, aqui selecionados, são por demais conhecidos: Soneto de fidelidade, Soneto do maior amor, A hora íntima, Soneto do amor total, Soneto de separação, O operário em construção & outros. Mas o que pretendo destacar, neste belo álbum, é o material fotográfico (em p&b) de Pedro de Moraes: sensível, criativo, apurado; perfeito em seus enquadramentos, em suas composições. Infelizmente, não foi possível reproduzi-lo. A foto da mulher nua da p.76, por exemplo, é de uma beleza quase sublime. À altura dos melhores sonetos amorosos de Vinicius.

quarta-feira, 7 de maio de 2008


Crepúsculo no Guaíba, em Porto Alegre

Foto de
Maurício Maciel
in
Google Earth


BALAIO PORRETA 1986
nº 2307
Rio, 7 de maio de 2008


WILLIAM SHAKESPEARE, MEU GHOST WRITER
Milton Ribeiro
[ in Improvisações sobre Literatura... ]

Estava em casa, lendo numa mesa de fórmica branca, daquelas que se faziam anos 60 e 70, quando Shakespeare chegou. Em meu sonho, ele falava um português machadiano. Sentou-se tranqüilamente em meu antigo quarto com aquela mesma cara das pinturas, só que um pouco mais corado, e declarou que gostaria que eu começasse uma carreira de poeta. Propôs-se a ser um ghost writer.

- Aliás - riu-se Shake -, já o sou… Mas agora quero ser seu ghost writer.

Sorri e disse-lhe que não lia muita poesia e que era incapaz de um verso (aqui fui honesto), mas que, obviamente, concordava com o esquema. (Um belo oportunista ou um homem preocupado em divulgar altíssima cultura? O primeiro, certamente.) Então, ele passou a me ditar os poemas mais sublimes e perfeitos, dos quais não lembro, é claro. Só lembro da profunda emoção que me causaram e da dificuldade que tinha para escrever com o lápis na fórmica, pois as lágrimas me atrapalhavam. Enquanto fungava, ouvia e copiava a maior e mais inédita das obras. Às vezes, perguntava-lhe onde deveria mudar de linha ou onde acabava a estrofe, essas coisas técnicas. Minha caligrafia era belíssima. (Minha letra é horrorosa.)

Depois de muitos sonetos - a mesa de meu sonho era imensa -, meu novo amigo cansou e pediu-me para levá-lo até a porta. Enquanto o acompanhava, ele garantiu que voltaria.

- Voltarei! - falou ele bem alto, para minha alegria.

Não parecia um espectro. Quando voltei, nossa empregada estava de joelhos sobre a mesa, esfregando-a com produtos de limpeza bastante eficientes. (Não vi suas marcas, então não posso indicá-los.) Vi a mesa branca, ainda úmida, e caí em abissal desespero. Acordei apavorado. Não é sempre que se perde um ghost desses.


O FUTEBOL E A PLAYBOY

O número de maio da revista Playboy (nas bancas) dedica algumas de suas páginas ao futebol tupiniquim. E faz suas apostas no Brasileirão 2008, a partir de uma suposta consulta a "dezenas de jornalistas esportivos". Os quatro primeiros seriam: 1. o Flamengo (campeão); 2. o São Paulo; 3. o Internacional; 4. o Palmeiras. E os quatro últimos (os rebaixados) seriam: 17. a Portuguesa; 18. o Vasco; 19. o Ipatinga; 20. o Náutico (p.98-99). Ah, sim, de acordo com a Playboy, a baiana Marta Rocha teria conquistado em 1958 "o glorioso título de vice-campeã no disputado concurso de Miss Universo" (p.39). A Playboy errou feio: o fato em questão deu-se em 1954.

terça-feira, 6 de maio de 2008


O Maracanã
e, em segundo plano,
a Mangueira

Imagem
a partir de foto de
M. Cavalcanti


BALAIO PORRETA 1986
n° 2306
Rio, 6 de maio de 2008


GLOSSÁRIO CARIOCA DOS ANOS 30 E 40 DO SÉCULO PASSADO

Abafante : Pessoa que encanta pelos predicados físicos
Atrasado : Carente de relações sexuais
Babaca : Vagina
Baile : Discussão acalorada
Bate-fundo : Briga
Brasileira : Tuberculose
Cabaçuda : Mulher virgem
Circuncisfláutico : Posudo
Estácio : Tolo, palerma
Flozô : Fazer-se de difícil
Fruta : Pederasta passivo
Gado : Prostituta
Leros : Palavrório, lengalenga
Minete : Sexo oral em mulher
Neruscóide de pitibiróides : Nada de nada; o mesmo que néris de pitibiriba
Pau pequeno : Caixa de fósforos pequena
Peru : Vinte mil réis
Piçuda : Irritada, furiosa
Pirantes : Os pés
Quirica : Vagina
Solinjada : Navalhada (da navalha da marca Solingen)
Tiragem : Grupo de policiais
Veado : Pederasta passivo
Vê-oito : Calcinha de mulher

[ Fonte: Desabrigo e outros trecos (1943), de Antônio Fraga ]


DIVAGAÇÕES & PROVOCAÇÕES

O assunto que segue não é novo, mas... e daí? O monumento do Cristo Redentor, escolhido pelos internautas em 2007 como uma das sete maravilhas do mundo moderno, não me parece sequer uma das sete maravilhas do Rio. (Outra coisa é a vista da cidade a partir do Corcovado.) Para mim, mararavilhas seriam: 1. o Maracanã, em dia de clássico; 2. a Lapa, à noite, sobretudo às sextas e aos sábados; 3. a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, no Largo da Carioca; 4. Vila Isabel, aos domingos; 5. a Rua do Ouvidor, às 5 da tarde, de segunda à sexta; 6. o Paço Imperial & arredores; 7. o Jardim Botânico. E mais, como "menção honrosa", segundo as minhas preferências atuais: 1b. a Rua do Catete; 2b. a Igreja de São Bento; 3b. a Rua Pires de Almeida, em Laranjeiras; 4b. o Convento de Santo Antônio, no Largo da Carioca; 5b. o Real Gabinete Português, no Centro; 6b. o Aterro do Flamengo; 7b. a Av. Atlântica, em Copacabana. Para completar: 1c. o Saara, no Centro; 2c. o Campo de Santana; 3c. a Biblioteca Nacional; 4c. o Museu de Arte Moderna; 5c. o Teatro Municipal; 6c. o Cinema Odeon; 7c. Livrarias & sebos (Folha Seca, Berinjela, Al-Farabi, Luzes da Cidade, Travessa, Leonardo Da Vinci). Há outros lugares. Há outros lugares. A Quinta Boa Vista, por exemplo. Ou o Engenhão, por mais novo que seja. E o Palácio da Cultura, no Centro? E a Casa de Ruy Barbosa, em Botafogo? E os Arcos da Lapa? E as ruas & o casario de Santa Teresa? E a Mangueira? Resumo da ópera: pensando melhor, a estátua do Cristo Redentor não merece figurar sequer entre as 70 maravilhas do Rio.

Jesus Cristo em algumas ocasiões me fascina. Como personagem histórico, a partir das infomações (nem sempre confiáveis, é verdade) contidas nos Evangelhos. Assim como me fascinam a poesia e o cristinianismo de Murilo Mendes, a intensa religiosidade e musicalidade de Joahann Sebastian Bach e John Coltrane, a ficcionalidade bíblica de Deus e de Lúcifer, o cinema de Antonioni e Godard, a música de Pixinguinha e Luiz Gonzaga, a arquitetura de Gaudí, a pintura de Bosch, o espetáculo das torcidas no Maracanã. E o cheiro da terra molhada em nosso sertão, após as primeiras chuvas de um ano de inverno.

Qual o maior poeta da história literária do Rio Grande do Norte? Jorge Fernandes? Zila Mamede? Nei Leandro de Castro? Luís Carlos Guimarães? Sanderson Negreiros? Todos eles são grandes poetas - e outros nomes decerto poderiam ser citados. De minha parte, tenho um carinho todo especial pela obra de José Bezerra Gomes. Poemas como Sempre sábado e Todos, para mim, são quase definitivos.


OS DOIS POEMAS DE JOSÉ BEZERRA GOMES
citados nas
Divagações & Provocações

Sempre sábado
Naquele
sábado
a música
daquele
sábado

Todos
Irmãos

domingo, 4 de maio de 2008


Parabéns ao
FLAMENGO
pelo 30° título Carioca

Foto de Alexandre Cassiano
n'O Globo, em 2007


BALAIO PORRETA EXTRA
às 18:05h
nº 2305
Rio, 4 de maio de 2008


Parabéns igualmente ao
INTERNACIONAL,
no Rio Grande do Sul,
e ao
PALMEIRAS,
em São Paulo

Copacabana à noite,
anos 20,
quando tivemos, no futebol,
os seguintes campeões cariocas:
1920 - Flamengo
1921 - Flamengo
1922 - América
1923 - Vasco
1924 - Fluminense
1925 - Flamengo
1926 - São Cristóvão
1927 - Flamengo
1928 - América
1929 - Vasco

Foto
através de
CopacabAna de Toledo


BALAIO PORRETA 1986
nº 2304
Rio, 4 de maio de 2008



MARACANÃ

Hoje é dia de Maracanã para duas grandes torcidas:
as do Flamengo e do Botafogo.
Esperamos que os dois times façam um grande jogo,
mesmo levando em conta o nervosismo de uma decisão.


OLHARES
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

Meus livros
vêem o retrato do tempo:
as nuvens em crisálida,
as asas se multiplicando,
o vôo dos sentidos.

Meus livros
olham a janela
e se embriagam
de poeira e luz.


FEIRAS DE CITAÇÕES ESPORRENTAS

A arte é a mais bela das mentiras.
(Claude Debussy)

O importante na obra de arte é o espanto.
(Charles Baudelaire)

Eu não procuro. Eu encontro.
(Pablo Picasso)

A arte existe para perturbar. A ciência tranqüiliza.
(Georges Braque)

A música é um ruído que pensa.
(Victor Hugo)

Um quadro que não choca não vale nada.
(Marcel Duchamp)

Uma rua de Paris é um rio que vem da Grécia.
(Gilberto Amado)

A pintura é uma poesia muda
e a poesia é uma pintura cega.
(Leonardo Da Vinci)

[ Fonte: Dualibi das citações, 2000 ]


A RELEITURA DO DIA

À sombra das chuteiras imortais, de Nelson Rodrigues. Sel. & notas: Ruy Castro. São Paulo : Companhia das Letras, 1993, 198p. [] O lirismo. O imponderável. A prosa poética. O sublime. A emoção. O estilo. O olhar metafórico. O iluminado. A pureza. A epopéia. A paixão. A vida. As obsessões. O Fluminense. O Flamengo. O Botafogo. O Vasco. O América. O Bangu. Os clássicos. As vitórias. As derrotas. Os grandes jogos. Os jogos sem importância. Os personagens. O cronista antológico das crônicas futebolísticas. "Na ótica privilegiada de Nelson, futebol sempre foi e há de ser arrebatamento. Paixão avassaladora. Chuteiras sangrando pela doce abstração de um gol" (Armando Nogueira).

sábado, 3 de maio de 2008


One plus one
(1968)
[aqui exibido no
Festival Internacional de Cinema, em 69]
:
um filme de
Jean-Luc Godard,
o mais emblemático dos cineastas
em função do Maio Francês,
que realizara antes, em 1967,

La chinoise
,
lançado no Rio em 68,
o ano de

2001: uma odisséia no espaço
(Kubrick)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2303
Rio, 3 de maio de 2008



Maio Francês
A RELEITURA DO MOMENTO
Les murs ont la parole; Journal Mural Mai 68,
citations recueillies par Julien Besançon. Paris : Tchou Éditeur, 1968.
São mais de 1000 frases escritas
com revolta, suor e lágrimas - e amor juvenil -
nos muros da Sorbonne, do Odéon, de Nanterre,
em Paris, no famoso Maio Francês de 1968.
Eis aqui a história viva do momento/movimento em frases
que revelam as mais diversas tendências políticas e sociais:

| Exagerar é começar a inventar |
| A poesia está nas ruas |
| Somos todos "indesejáveis" |
| Decreto o estado de felicidade permanente |
| Morte aos acomodados |
| Todos os reacionários são tigres de papel |
| Aqui se pensa |
| Se você pensa pelos outros,
os outros pensarão por você |
| Ser livre em 1968 é participar|
| Nenhuma liberdade aos inimigos da liberdade |
| Tudo é dadá |
| Abrace teu amor, sem descuidar-se de teu fuzil |
| Abaixo a sociedade espetacularizada-mercantilizada |
| Um homem não é estúpido ou inteligente: ele é livre ou não é |
| A arte é merda |
| A felicidade é uma idéia nova para as Ciências Políticas |
| A liberdade é o direito ao silêncio |
| O tédio transpira |
| Todo poder abusa. O poder absoluto abusa de forma absoluta |
| Eu sou buceta |
| Violai vossa ALMA MATER |
| Aqui, o espetáculo da contestação. Contestemos o espetáculo |
| A vida está além |
| A ação instaura a consciência |
| A política se faz na rua |
| Um pensamento estagnado é um pensamento apodrecido |
| Revolução, eu te amo |
| As restrições impostas ao prazer excitam
o prazer de viver sem restrições |
| Nem Senhor, nem Deus. Deus sou eu |
| A Revolução deve se fazer nos homens
antes de se realizar nas coisas |
| Nem robô, nem escravo |
| Reforme o meu cu |
| Inventai novas perversões sexuais |
| É proibido proibir. A liberdade começa por uma proibição:
a de prejudicar a liberdade de outra pessoa |
| A floresta precede o homem, o deserto o segue |
| A novidade é revolucionária, a verdade também |
| O álcool mata. Tome LSD |
| Contestação permanente |
| Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo |
| Deus é um escândalo, um escândalo que rende. Baudelaire |
| Criatividade Espontaneidade Vida |
| A morte é necessariamente uma contra-revolução |
| A vontade geral contra a vontade do general |
| A insolência é a nova arma revolucionária |
| A liberdade é a consciência da necessidade |
| Abaixo o orientalismo neo-exótico |
| Meus desejos são a realidade |
| Sonho ser um imbecil feliz |
| Sejam realistas, exijam o impossível |

| A imaginação no poder |
| Liberdade da Universidade.
Não ao totalitarismo |
| Viver no presente |
| A Revolução deve parar de ser
para EXISTIR |
| A Sorbonne será a Stalingrado da Sorbonne |
| Exagerar, eis a arma |
| Roma... Berlim... Madrid... Varsóvia... Paris |
| A arte morreu. Godard nada poderá fazer |

[ Nota: algumas dessas frases são releituras de textos
anarquistas e socialistas
]

[][][]

No blogue do POEMA/PROCESSO:
Homenagem ao Maio Francês

sexta-feira, 2 de maio de 2008


Ponte Pedra Lavrada
(ou Ponte de Zé de Bastos),
no município de Jardim do Seridó,
sobre o Rio Seridó,
inaugurada em
13/03/1927,
ano de
Aurora (Murnau)
A General (Keaton & Bruckman)
Outubro (Eisenstein)
O fim de São Petersburgo (Pudóvkin)
Napoleão (Gance)
O lobo da estepe (Hesse)
Livro de poemas (Jorge Fernandes)

Foto de
Novinha de Chico Assis


BALAIO PORRETA 1986
n° 2302
Rio, 2 de maio de 2008


VOCABULÁRIO SERIDOENSE
[ Fonte: Palavreado cá de nós,
de Max Antonio Azevedo de Medeiros ]

Abestado : Desatinado; Bobo
Abudegado : Afobado; Nervoso
Acatruzar : Aborrecer; Importunar
Boi : Menstruação
Cubar : Observar; Avaliar

Cu-de burro : Encrenca; Confusão
Cu-de-cana : Bêbado; Cachaceiro
Embuaceiro : Briguento
Embuchar : Engravidar
Empiriquitado : Enfeitado; Elegante
Enrabichado : Apaixonado; Enamorado
Entupigaitar : Atrapalhar-se; Desorientar-se
Estrupício : Coisa esquisita; Coisa complicada
Farinheiro : Ânus
Foba : Ânus
Fresco : Homossexual
Frucudo : Folgado; Divertido
Fuanga : Prostituta
Furunfar : Manter relações sexuais
Impofento : Antipático
Lambisgóia : Indivíduo magro
Mangar : Caçoar; Zombar
Marafaia : Prostituta
Papudinho : Cachaceiro
Pei-bufo : De imediato; Nesse momento
Perseguida : Vagina
Porta-jóia : Vagina
Prativai : Pênis
Trozoba : Pênis
Truviscado : Embriagado
Vuco-vuco : Loja que vende quinquilharias
Xirimbaba : Adulador; Puxa-saco
Xiringar : Dar uma esguichada; Jogar um jato d'água
Zurupenga : Sonolento; Embriagado; Adoidado

Nota:
Algumas dessas expressões são
usadas em todo o Rio Grande do Norte,
ou mesmo em Estados vizinhos.

quinta-feira, 1 de maio de 2008


Lênin:
o revolucionário por excelência

(Imagem: autoria desconhecida)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2301
Rio, 1 de maio de 2008



LIVROS PARA SE CONHECER O BRASIL
segundo
ANTONIO CANDIDO
[ in Fundação Perseu Abramo, em 30/9/2000 ]

O povo brasileiro (1995), de Darcy Ribeiro
Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda
História dos índios do Brasil (1992),
de Manuela Carneiro da Cunha, org.
Ser escravo no Brasil (1982), de Kátia de Queirós Mattoso
Casa grande e senzala (1933), de Gilberto Freyre
Formação do Brasil contemporâneo (1942), de Caio Prado Júnior
A Amélica latina - Males de origem (1905), de Manuel Bonfim
Do Império à República (1972), de Sérgio Buarque de Holanda
Os sertões (1902), de Euclides da Cunha
Coronelismo, enxada e voto (1949), de Vitor Nunes Leal
A revolução burguesa no Brasil (1974), de Florestan Fernandes

OUTROS LIVROS
segundo o
BALAIO

Vaqueiros e cantadores (1939), de Luís da Câmara Cascudo
Capítulos de história colonial (1907), de J. Capistrano de Abreu
Visão do Paraíso (1959), de Sérgio Buarque de Holanda
A integração do negro na sociedade de classe (1964),
de Florestan Fernandes
O abolicionismo (1883), de Joaquim Nabuco
Formação econômica do Brasil (1959), de Celso Furtado
Os donos do poder (1958), de Raymundo Faoro
Sobrados e mucambos (1936), de Gilberto Freyre
A revolução de 30 (1970), de Boris Fausto
A formação das almas (1990), de José Murilo de Carvalho
História da vida privada no Brasil (1998-99),
de Fernando Novais, org.
O colapso do populismo no Brasil (1967), de Octávio Ianni
Liberalismo e sindicato no Brasil (1976), de Luís Werneck Vianna
Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa
Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos
Formação da literatura brasileira (1959), de Antonio Candido
Geografia da fome (1946), de Josué de Castro
O negro no futebol brasileiro (1947), de Mário Filho
O escravismo colonial (1977), de Jacob Gorender
Cangaceiros e fanáticos (1962), de Rui Facó
Dicionário do folclore brasileiro (1954), de Luís da Câmara Cascudo

[][][]

No blogue do POEMA/PROCESSO:
Homenagem a Che Guevara