sábado, 9 de fevereiro de 2008


O grafismo
de
Venâncio Pinheiro
(Natal, RN)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2227
Rio, 9 de fevereiro de 2008


OS ÚLTIMOS FILMES (RE)VISTOS

Cotações:
*** (excelente); ** (ótimo); * (especialmente bom)
Sem cotação: razoável e/ou interessante

Paranoid Park (Van Sant, 2007), no Arteplex/4
A Baía dos Anjos (Demy, 1963), no CCBB
[R] Lola ** (Demy, 1961), no CCBB
Em casa:
Dog star man * (Brakhage, 1962-64)
[R] Carta para Jane *** (Godard & Gorin, 1972)
[R] Diário de um pároco de aldeia *** (Bresson, 1950)


O VIDEOCINEMA DE MARCELO IKEDA: UMA PRIMEIRA LEITURA

Para se compreender melhor e de maneira mais consistente os "vídeos caseiros" de Marcelo Ikeda devemos partir de suas admirações cinematográficas: Straub & Huillet, Ozu, Akerman, Mekas, Dreyer, Bresson, Antonioni, entre pouquíssimos outros. Seus textos em Cinecasulofilia também contribuem para a compreensão de um universo particularmente difícil se levarmos em consideração, por exemplo, a narrativa romanesco-literária do século XIX e o cinemão americano do século XX.

O videocinema de Ikeda não faz a menor concessão ao sistema narrativo calcado, em última instância, na arte burguesa de origem ocidental. Por outro lado, Ikeda também rejeita alguns ícones da modernidade cinematográfica construída nos anos 50-60-70 do século passado, particularmente Godard. Como Bresson, como Straub, como Ozu, o autor de É hoje e Um filme abstrato - II não está interessado no espetáculo e sim na escrita - a escrita do filme enquanto objeto semiótico.

Poder-se-á dizer: Ikeda não está interessado no significado de seus conteúdos (quase sempre "vazios") e sim no significante de suas imagens. Imagens que, acrescente-se, num exercício straubiano, fazem de suas premissas estáticas as vertentes estéticas de sua proposta videocinematográfica, uma proposta que se quer limpa em termos sígnicos. Decerto, a relação
com o espectador de tal proposta implica um rompimento com padrões estéticos que passam por várias mediações.

A rigor, pensando bem, seriam mediações e interferências culturais que, numa perspectiva zen-oriental, fazem de sua obra - já bastante extensa - uma porta aberta para que se sinta o cinema de forma diferenciada em sua frieza antinarracional. É verdade que seus primeiros vídeos eram por demais amadorísticos, ou mesmo por demais narcísisticos. Não era fácil deles se aproximar: qualquer tentativa de leitura passava por um processo que não era propriamente o do anticinema experimental.

Mas nos últimos dois anos, sem abandonar a radicalidade de suas idéias no campo da linguagem cinematográfica, ou videocinematográfica, ao contrário (até aprofundando-a, num certo sentido), Marcelo Ikeda investiu no despojamento estético e ontológico de sua obra-em-progresso. Os já citados É hoje, Um filme abstrato - II e o recentíssimo Diário de uma prostituta mostram, de modo indiscutível, o amadurecimento de uma escrita que tem sua marca estilística, em sendo visceralmente autoral.

Diário de uma prostituta, então, é quase modelar: muito bem fotografado, bem estruturado, em enquadramentos rigorosos, o videofilme nos revela, através de apenas três planos, numa leitura (em tom e timbre adequados) do próprio Marcelo Ikeda, três momentos da vida da rapariga Surfistinha, segundo anotações ("escandalosas" ou não) de seu diário. Sejamos objetivos: a obra em pauta nos atinge, antes de mais nada, pelo rigor/vigor do "comportamento estético-narrativo" e pela secura do fazer fílmico.

Diante do Diário de uma prostituta e dos outros dois, quer nos parecer que a força videocinematográfica do diretor carioca cada vez mais se afirma no circuito alternativo do país. Afinal, ainda segundo a leitura por nós realizada, o que temos são três pequenos grandes filmes. Não é pouco para a nossa história das imagens seqüenciadas. Não são mais simplesmente "vídeos caseiros". Além de tudo, há, em todos eles, uma coerência admirável. A coerência de um Autor que pensa o cinema em estado bruto.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Notas sobre o cinematógrafo [1950-58; 1960-74], de Robert Bresson. São Paulo : Iluminuras, 2005, 144p. []

"Opor ao relevo do teatro a superfície lisa do cinematógrafo" (p.27).
"Um conjunto de boas imagens pode ser detestável" (p.28).
"Tenha certeza de ter esgotado tudo o que se comunica pela imobilidade" (p.29).
"Não corra atrás da poesia. Ela penetra sozinha pelas articulações (elipses)" (p.34).
"Cinematógrafo: nova maneira de escrever, logo sentir" (p.35).
"Nada de excesso, nada que falte" (p.41).
"O CINEMA SONORO INVENTOU O SILÊNCIO" (p.42).
"Um som não deve jamais socorrer uma imagem, nem uma imagem socorrer um som" (p.52)
"Atores. Quanto mais eles se aproximam (na tela) com sua expressividade, mas eles se afastam. As casas, as árvores se aproximam; os atores se afastam" (p.54)
"Provocar o inesperado. Esperá-lo" (p.79)
"Tenha o olho do pintor. O pintor cria olhando" (p.102).

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Foto de
Nuno Milheiro
in Olhares


BALAIO PORRETA 1986
nº 2226
Rio, 8 de fevereiro de 2008


CLASSIFICADO AMOROSO
Moacy Cirne
[ in Balaio, n° 328, 31/10/1991,
versão: 13/03/2006 ]

Troca-se um crepúsculo azul, devaneio caicoense dos anos 50, por um sonho barroco, ligeiramente escandaloso, de qualquer época, de qualquer lugar, de qualquer tudo. Tratar com Moacy Cirne, poeta e cangaceiro da anticultura, no Balaio Incomun, em São Saruê dos Delírios Nordestinos.


DE MURILO MENDES
[ in O discípulo de Emaús, 1945 ]

[] Prefiro a nuvem ao ônibus.
[] A poesia é a teoria dos homens e a prática dos deuses.
[] É muito difícil saber pecar em profundidade.
[] Só se aprende o que se precisa saber.
[] O sonho é o pensamento em férias.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Grandes clássicos DC: Alan Moore. São Paulo : Panini Comics, 2006, 304p. [] Coletânea de histórias-em-quadrinhos escritas por Alan Moore, publicadas originalmente entre 1985 e 1988, desenhadas, entre outros, por Jim Aparo, Brian Bolland, Klaus Janson e Dave Gibbons. Só a presença de A piada mortal, editada em julho de 1988, com arte de Brian Bolland, verdadeira obra-prima das HQs, já seria suficiente para fazer desse gibi uma preciosidade: o confronte entre Batman e Coringa, aqui, adquire tons expressivos de uma comédia de terror, unindo, no final, os dois personagens numa inesperada e mesma densidade ontológica. Afinal, não há muita diferença entre Batman e Coringa: a loucura dos dois (melhor desenvolvida em outra obra-prima - O Asilo Arkham) surpreende, inclusive, pela eficácia narrativa da história. Registre-se, também, que há outros bons momentos gráficos no volume dedicado a Moore: momentos com Super-Homem, Lanterna Verde, Vigilante, Monstro do Pântano. Além do mais, trata-se de um volume muito bem editado.

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Clique aqui
para ver, através do Kino Kaos (in Via Política),
Sangue, de Moacy Cirne e Luiz Rosemberg Filho:
um vídeo antibelicistapornôpolíticodelirante
(não recomendável para menores).

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


Poemacolagem de
LUIZ ROSEMBERG FILHO
in
Via Política


BALAIO PORRETA 1986
n° 2225
Rio, 7 de fevereiro de 2008


SANGUE NA VIA POLÍTICA

Depois do carnaval, o Sangue. Como assim? De que se trata? De um vídeo. Sim, de um vídeo. Mas que vídeo é este? Um vídeo que pensa a relação entre a poesia e a história? Um vídeo que se pretende político? Que se pretende acinematográfico? Um vídeo que investe em vivencialidade e antibelicismo? Um vídeo que transforma a poesia em politicidade? Que faz da indignação a sua matriz temática? Ou que repensa a articulação política/sexo a partir de um dado poema? Um vídeoporrada, sem maiores preocupações narrativas (no sentido hollywoodiano-tradicional)? Pois é, um vídeo. Simplesmente. Um vídeo de Luiz Rosemberg Filho. E codirigido por um certo poeta e cangaceiro do Seridó. Terra de cabas da peste. Um vídeo, enfim, que pode ser visto (embora não seja recomendável para crianças e pré-adolescentes) através do Kino Kaos, a nova seção do excelente Via Política.


SEM MAGIA
Márcia Maia
[ in Tábua de Marés ]

a lua de janeiro
me emudece

(os cães ladram
perfumam a noite os jasmins)


PERFIL
Romário Gomes
[ in Cacos ]

leonino
seridoense
poeta

amante
humano
angelical

caatingasertãoadentro
sou rude
quaseanimal


POEMA
Sandra Camurça
[ in O Refúgio ]

minhas pernas abrem asas
me arregaço
me rasgo
e tua boca-língua atrevida
lambe lábios
grandes lábios
banhados
de desejos e folia

domingo, 3 de fevereiro de 2008



No Rio,
a Portela e a Mangueira
na Marquês de Sapucaí
(Carnaval de 2004)
em fotos de
Fernando Rabelo
para o Jornal do Brasil


SAMBA DO CRIOULO DOIDO
(Sérgio Porto, 1968)

Este é o samba do crioulo doido. A história de um compositor que durante muitos anos obedeceu ao regulamento e só fez samba sobre a História do Brasil. E tome de Inconfidência, Abolição, Proclamação, Chica da Silva e o coitado do crioulo tendo que aprender tudo isto para o enredo da escola. Até que, no ano passado, escolheram um tema complicado: a atual conjuntura.
Aí o crioulo endoidou de vez e saiu este samba:

Foi em Diamantina, onde nasceu JK,
Que a princesa Leopoldina arresolveu se casar.
Mas Chica da Silva tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa a se casar com Tiradentes.
Laiá, laiá, laiá,
O bode que deu vou te contar.
Laiá, laiá, laiá.
O bode que deu vou te contar.
Joaquim José, que também é da Silva Xavier,
Queria ser dono do mundo e se elegeu Pedro II.
Das estradas de Minas seguiu pra São Paulo e parou na Anchieta.
O vigário dos índios aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta.
Da união deles ficou resolvida a questão.
E foi proclamada a escravidão.
E foi proclamada a escravidão.
Assim se conta esta história.
Que é dos dois a maior glória,
Mas Leopoldina virou trem
E Dom Pedro é uma estação também.
Ô, ô, ô, ô, ô, ô,
O trem tá atrasado ou já passou.
Ô, ô, ô, ô, ô, ô,
O trem tá atrasado ou já passou.


OS GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (8 - Fim)

O Galo da Madrugada (Alírio Moraes, 1981), frevo-canção
Folia no matagal (Eduardo Dusek & Luís Carlos Góes, 1981), marcha
Último regresso (Getúlio Cavalcanti, 1982), frevo-de-bloco
Bum bum paticumbum prugurundum (Beto Sem Braço & Aloisio Machado, 1982), samba-enredo
Festa do interior (Moraes Moreira & Abel Silva, 1982), marcha-frevo
Banho de cheiro (Carlos Fernando, 1983), frevo-canção
Tributo ao Mestre Vivo (Dimas Sedicias, 1984), frevo-de-rua
Do Galo ao Bacalhau (Cláudio Almeida, 1987), frevo-de-rua
Agonia de um bloco (Getúlio Cavalcanti, 1988), frevo-de-bloco
Energia (Lula Queiroga, 1993), frevo-canção
Revendo Olinda (Getúlio Cavalcanti, 1995), frevo-de-bloco
Recife Antigo (Fernando Azevedo, 1996), frevo-de-rua
Nascimento do passo (Antonio Nóbrega & Wilson Freire, 1997), frevo-canção
Lucivalter no frevo (Inaldo Moreira, 2002), frevo-de-rua
Vivaldiando (Hugo Martins, 2003), frevo-fantasia
Passo de anjo (Joaão Lyra & Spok, 2004), frevo de rua
Cinema mudo (Fred Monteiro, 2004), frevo-de-rua
Fervo (Antonio Nóbrega & Wilson Freire, 2006), frevo-canção


DISCOS QUE ME EMOCIONAM

100 anos do frevo - É de perder o sapato, por vários autores [Biscoito Fino BF 648 (2007)]. Recriações quase sempre magistrais de alguns frevos antológicos, em CD duplo: o primeiro é dedicado ao frevo-de-rua; o segundo, ao frevo-canção. No primeiro figuram algumas obras-primas inquestionáveis: Último dia (Levino Ferreira), Gostosão (Nelson Ferreira), Mordido (Alcides Leão), Duda no frevo (Senô), Frevo da meia-noite (Carnera), executadas, na maioria das vezes, pela Spokfrevo Orquestra. No segundo CD temos algumas saborosas jóias da frevança pernambucana: Frevo n° 1 (de Antônio Maria, por Maria Bethânia), Energia (de Lula Queiroga, por Lenine), Homem da meia-noite (de Carlos Fernando & Alceu Valença, pelo próprio Alceu), De chapéu-de-sol aberto (de Capiba, por Vanessa da Mata), Madeira que cupim não rói (de Capiba, por Claudionor Germano), Evocação (de Nelson Ferreira, por Antonio Nóbrega). E assim por diante. Para se ouvir em qualquer época do ano.

ATENÇÃO:
O BALAIO SÓ VOLTARÁ A SER ATUALIZADO
NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA.

sábado, 2 de fevereiro de 2008


Carnaval de rua no Rio:
o bloco Gigantes da Lira, em 2005,
aqui em Laranjeiras.

Imagem de
Alex Ferro

in
A história bem na foto


BALAIO PORRETA 1986
n° 2223
Rio, 2 de frevereiro de 2008


Cinema
OS ÚLTIMOS FILMES (RE)VISTOS

Cotações:
*** (Excelente); ** (Ótimo); * (Especialmente bom)
Sem cotação: Razoável e/ou interessante

4 meses, 3 semanas, 2 horas ** (Mungiu, 2007), no Arteplex/2
Onde os fracos não têm vez * (Cohen, 2007), no Odeon
[R] Dia de ira *** (Dreyer, 1943), na Caixa/2
Em casa:
Mãe e filho *** (Sokurov, 1997)
Alexandtra ** (Sokurov, 2006)
Um filme abstrato - Parte II ** (Marcelo Ikeda, 2007), vídeo/curta
Pai e filho (Sokurov, 2003)


OS GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (7)

Bloco da solidão (Evaldo Gouveia & Jair Amorim, 1971), marcha-rancho
Festa para um Rei Negro [Pega no Canzê] (Zuzuca, 1971), samba-enredo
Nino, o pernambuquinho (Duda, 1971), frevo-de-rua
De chapéu de sol aberto (Capiba & Ferreira dos Santos, 1972), frevo-canção
Chuva, suor e cerveja (Caetano Veloso, 1972), frevo
Ninguém tasca (Martinho da Muda & João Quadrado, 1973), samba
Frevo e ciranda (Capíba, 1974), frevo-canção
Mordido (Alcides Leão, 1975), frevo-de-rua
Mosquetão (José Nunes, 1976), frevo-de-rua
Sonhar com rei dá leão (Neguinho da Beija-Flor, 1976), samba-enredo
Pombo corrreio (Dodô, Osmar & Moraes Moreira, 1977), marcha
É de perder os sapatos (José Nunes, 1978), frevo-de-rua
Trombone de prata (Capiba, 1979), frevo-canção
O homem da meia-noite (Carlos Fernando & Alceu Valença, 1979), frevo-canção
Queimadinho (J. Michilis, 1979), frevo-de-rua
Frevo mulher (Zé Ramalho, 1980), frevo-baião
Sonho de um sonho (Martinho da Vila, Rodolfo & Graúna, 1980), samba-enredo


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Frevo - 100 anos de folia, de Camilo Cassolini, Luiz Augusto Falcão e Rodrigo Aguiar. São Paulo : Timbro, 2007, 240p, [] Ricamente ilustrado (desenhos, pinturas, fotos, reclames), parcialmente colorido, trata-se de uma história não no sentido factual, mas de um levantamento iconográfico - são antológicas as fotos de Pierre Verger, por exemplo, ou as reproduções dos quadros de Lula Cardoso Ayres, entre outros - e de uma colagem de citações preciosas: citações de Câmara Cascudo, Guerra Peixe, Mário de Andrade, Mauro Mota, José Lins do Rego, Caetano Veloso, Antônio Maria, Clarice Lispector, Osman Lins, Gilberto Freyre. Em texto enxuto, os Autores enfocam a trajetória histórico-social do frevo, de seus primórdios marginalizados, ainda no século XIX, à apropriação feita pelas elites pernambucanas. Um belo álbum, sem dúvida.
E vejam que maravilha, já em 1913, no jornal A Província, de Recife:
O frevo, palavra exótica
Tudo que é bom diz, exprime
É inigualável, sublime,
Termo raro, bom que dói...
Vale por um dicionário,
Traduz delírio, festança,
Tudo salta, tudo dança,
Tudo come, tudo rói...
(p.40).

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


Em Recife,
mais de um milhão de foliões no
Galo da Madrugada:
frevura pura

Foto de
Paullo Roberto


Acorda Recife, acorda
Que já é hora de estar de pé
Levanta, o carnaval começou
No bairro de São José
No bairro de São José

(Paulo Fernando Gama)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2222
Rio, 1 de frevereiro de 2008


OS GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (6)

A lua é dos namorados (Klecius Caldas, Armando Cavalcanti & Brasinha, 1961), marcha
Índio quer apito (Haroldo Lobo & Milton de Oliveira, 1961), marcha
Rancho das Flores (Vinicius de Moraes, a partir de J.S. Bach, 1961), marcha-rancho
Vou ter um troço (Arnô Provenzano, Otolindo Lopes & Jackson do Pandeiro, 1962), marcha
Valores do passado (Edgar Moraes, 1962), frevo-canção
Lágrimas de clarinete (Lourival Oliveira, 1962), frevo-de-rua
Madeira que cupim não rói (Capiba, 1963), frevo-canção
Marcha de quarta-feira de cinzas (Carlos Lira & Vinicius de Moraes, 1963), marcha-rancho
Chica da Silva (Anescar & Noel Rosa de Oliveira, 1963), samba-enredo
Bigorrilho (Paquito, Romeu Gentil & Sebastião Gomes, 1964), samba-coco
Cabeleira do Zezé (João Roberto Kelly & Roberto Faissal, 1964), marcha
Marcha do remador (Antônio Almeida & Oldemar Magalhães, 1964), marcha
Aquarela brasileira (Silas de Oliveira, 1964), samba-enredo
Mulata iê-iê-iê (João Roberto Kelly, 1965), marcha
Joga a chave, meu amor (João Roberto Kelly & J. Rui, 1965), marcha
Tristeza (Haroldo Lobo & Niltinho, 1966), samba
Máscara negra (Zé Keti & Hildebrando Pereira Matos, 1967), marcha-rancho
O mundo encantado de Monteiro Lobato (Darci, Luís & Batista da Mangueira, 1967), samba-enredo
Duas épocas (Edson Rodrigues, 1967), frevo
Amor de carnaval (Zé Keti, 1968), samba
Até quarta-feira (H. Silva, Paulo Sette & Marcos Moran, 1968), marcha
Oh! Bela (Capiba, 1969), frevo-canção
Levanta a cabeça (Osvaldo Nunes & Ivan Nascimento, 1969), samba
Avenida iluminada (Newton Teixeira, Brasin ha & Zé Keti, 1969), marcha
Clovinho no frevo (Clóvis Pereira, 1969), frevo-de-rua
Atrás do trio elétrico (Caetano Veloso, 1969), marcha-frevo


VASSOURINHAS

Em postagem recente, chamei a atenção para Felinho (Félix Lins de Albuquerque, 1895-1980), "criador das famosas variações do frevo Vassourinhas", variações essas que, tomando como base sonora o saxofone, determinaram o seu andamento eletrizante, quando anunciei, de modo impreciso, que as mesmas se deram nos anos 40. Pois bem, depois de inúmeras consultas, confirmei: as Variações sobre a marcha-frevo Vassourinhas (assim mesmo: marcha-frevo!), por Felinho, aconteceram em 1944, sob a direção de Nelson Ferreira, num programa da Rádio Clube de Pernambuco. A partir daí, Vassourinhas, como frevo, tornar-se-ia a marca mais contagiante do carnaval pernambucano. Mas há outra dúvida: afinal, quando foi composta originalmente a marcha-frevo (por Joana Batista e Mathias da Rocha)? Segundo alguns estudiosos, teria sido em 1889, ano de fundação do Clube Vassourinhas. Segundo outros - entre os quais Antonio Nóbrega - a data correta é 1909, ou mais precisamente 6 de janeiro de 1909. Essa é a data de um recibo no valor de três mil réis assinado pela própria Joana Batista tendo em vista a feitura da música em pauta, por ela "compositada". Quero crer que em 2009 Recife comemorará os 100 anos de Vassourinhas! Haja frevura!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


Ilustração para a revista
Careta (Rio),
em fevereiro de 1909
in
Memória Viva

O grande sucesso carnavalesco do ano,
no Rio, seria a polca
No bico da chaleira,
de Juca Storini,
consagrando, então,
a expressão "chaleira" como sinônimo de bajulador.
Enquanto isso, no Recife,
igualmente em 1909,
explodia o frevo
Vassourinhas,
de Joana Batista e Mathias da Rocha.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2221
Rio, 31 de janeiro de 2008


OS GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (5)

Fala Mangueira (Mirabeau & Milton de Oliveira, 1956), samba
Quem sabe, sabe (Carvalhinho & Joel de Almeida, 1956), marcha
Turma do funil (Mirabeau, Milton de Oliveira & Urgel de Castro, 1956), marcha
Exaltação à Mangueira (Enéas Brites da Silva & Aloísio Augusto da Costa, 1956), samba
Formigão (Felinho, 1956), frevo
Saudade de Pernambuco (Genival Macedo, 1956), frevo
Na onda do passo (Gennaldo, 1956), frevo
Evocação (Nelson Ferreira, 1957), frevo-de-bloco
É de fazer chorar (Luiz Bandeira, 1957), frevo-canção
Fantasia de capim (Dozinho, 1957), frevo-canção
Vai com jeito (João de Barro, 1957), marcha
Pisando em brasa (Gennaldo, 1957), frevo
Madureira chorou (Carvalhinho & Júlio Monteiro, 1958), samba
Os rouxinóis (Lamartine Babo, 1958), marcha-rancho
Frevo nº 3 (Antônio Maria, 1958), frevo-canção
Evocação n° 2 (Nelson Ferreira & Osvaldo Santiago, 1958), frevo-de-bloco
Voltei, Recife (Luiz Bandeira, 1959), frevo-canção

Chora doutor (J. Piedade, Orlando Gazzaneo & J. Campos, 1959), samba
Vai ver que é (Carvalhinho & Paulo Gracindo, 1959), marcha
Meu carnaval (J. Maia & Max Nunes, 1959), marcha-rancho
Me dá um dinheiro aí (Homero, Ivan & Glauco Ferreira, 1960), marcha
Frevo do bairro de São José (Nelson Ferreira, 1960), frevo-de-troça


SOBRE O FREVO

"Contrariando a opinião de alguns puristas, pode-se dizer que existem três tipos de frevo: o frevo-de-rua, inteiramente instrumental; o frevo-canção, com introdução instrumental, vibrante, sincopada, e duas partes cantadas; e o frevo-de-bloco, de forma idêntica à do frevo-canção, porém de andamento mais lento. A diferença entre os dois últimos corresponde, digamos, à diferença entre a marchinha e a marcha-rancho. Pertence à terceira categoria a bela composição Evocação, em que Nelson Ferreira recorda velhos carnavais recifenses, citando nominalmente agremiações (Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos) e personagens lendários (Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon) da história do frevo. Lançado sem maiores pretensões pela gravadora pernambucana Mocambo, com o pessoal do bloco Batutas de São José, Evocação se tornaria o maior sucesso do Carnaval de 1957, sobrepujando a produção do eixo Rio-São Paulo" (Jairo SEVERIANO & Zuza Homem de MELLO. A canção no tempo; 85 anos de músicas brasileiras, v.I. São Paulo : Ed. 34, 1997, p.329-30).

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008


LAN
e o carnaval carioca
Imagem
extraída do álbum
É hoje! (1978)
in
Artes


BALAIO PORRETA 1986
n° 2220
Rio, 30 de janeiro de 2008


OS GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (4)

Tomara que chova (Paquito & Romeu Gentil, 1951), marcha
Último dia (Levino Ferreira, 1951), frevo

Lágrimas de folião (Levino Ferreira, 1951), frevo
Frevo n° 1 (Antônio Maria, 1951), frevo-canção
Retrato do Velho (Haroldo Lobo & Marino Pinto, 1951), marcha
Madalena (Ari Macedo & Airton Amorim, 1951), samba
Papai Adão (Klecius Caldas & Armando Cavalcanti, 1951), marcha
Às três da tarde (Lídio Macacão, 1951), frevo
Freio a óleo (José Menezes, 1951), frevo
Lata d'água (Luís Antônio & Jota Júnior, 1952), samba
Maria Candelária (Klecius Caldas & Armando Cavalcanti, 1952), marcha
Sassaricando (Luís Antônio, Jota Júnior & Oldemar Magalhães, 1952), marcha
Relembrando o Norte (Severino Araújo, 1952), frevo
Clarins da madrugada (Baltazar de Carvalho, 1952), frevo
Confete (David Nasser & Jota Júnior, 1952), marcha
Cachaça (Lúcio de Castro, Heber Lobato, Marinósio Filho & Mirabeau, 1953), marcha
Zé Marmita (Luís Antônio & Brasinha, 1953), samba
Barracão (Luís Antônio & Oldemar Magalhães, 1953), samba
A fonte secou (Monsueto Menezes, Raul Moreno & Marcléo, 1954), samba
História da maçã (Haroldo Lobo & Milton de Oliveira, 1954), marcha
Abre-alas (Belém, B. Lobo & Hinha, 1954), samba

Piada de salão
(Klecius Caldas & Armando Cavalcanti, 1954), marcha
Isquenta muié
(Nelson Ferreira, 1954), frevo
Maria Escandalosa (Klecius Caldas & Armando Cavalcanti, 1955), marcha
Mora na filosofia (Monsueto Menezes & Arnaldo Passos, 1955), samba
Recordar (Aldacir Louro, Aloísio Marins & Adolfo Macedo, 1955), samba
Ressaca (Zé da Zilda & Zilda do Zé, 1955), marcha
Tem nego bebo aí (Mirabeau & Airton Amorim, 1955), marcha
Micróbio no frevo (Genival Macedo, 1955), frevo-canção
Vão me levando (Dozinho, 1955), frevo-canção
Tiradentes (Mano Décio da Viola, Estanislau Silva & Penteado, 1955), samba-enredo


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

É hoje!, de Lan (desenho) & Haroldo Costa (texto). Pref. Lena Frias. São Paulo; Rio de Janeiro : Irmãos Vitale, 1978. [] Maravilha das maravilhas: o traço do caricaturista Lan sobre as expressões emblemáticas (como o botequim, os instrumentos musicais, as mulatas) e as grandes figuras que fazem e/ou fizeram o carnaval e as escolas-de-samba do Rio, sublinhado pelos textos precisos de Haroldo Costa. "... o primeiro [livro] no gênero a fazer o registro gráfico do samba no Rio de Janeiro. Dia a dia. A vida e a vida do samba carioca" (Lena Frias). São muitos os "retratados", sempre de forma expressiva: Cartola, Nelson Cavaquinho, Isabel Valença, Jamelão, Nega Pelé (que ilustra a presente postagem), Dona Neuma, Xangô da Mangueira. E mais: Natal da Portela, Zé Keti, Paulinho da Harmonia, Mestre Fuleiro, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Dona Ivone Lara. E muito mais. E muito mais: Casemiro Calça Curta, Noel Rosa de Oliveira, Djalma Sabiá, Geraldo Babão, Duduca, Elton Medeiros, Martinho da Vila, Sérgio Porto.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008


Imagem:
Monica Fuchshuber
(2004)

Clique aqui
para ver o sítio
da designer e ilustradora


É FREVO, MEU BEM
(Capiba, 1950)

Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém

É Maracatu?
Não, mas podia ser
Não será o Baião?
Não, mas podia ser
É o Bumba-Meu-Boi?
Não, mas podia ser
É a Dança de Roda?
Quero ver dizer!

É uma dança que vai e que vem
Que mexe com a gente
É Frevo, meu bem!

É uma dança que vai e que vem
Que mexe com a gente
É Frevo, meu bem!

( Para ouvi-lo, recomendamos a interpretação de
Claudionor Germano
em
Mestre Capiba, por Raphael Rabello e convidados
[ Acari Records, 2002, grav. 1994-95 ] )


BALAIO PORRETA 1986
n° 2219
Rio, 29 de janeiro de 2008


OS GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (3)

Mexe com tudo (Levino Ferreira, 1941), frevo
Alá-lá-ô (Antônio Nássara & Haroldo Lobo, 1941), marcha
Aurora (Mário Lago & Roberto Roberti, 1931), marcha
O bonde de São Januário (Wilson Batista & Ataulfo Alves, 1941), samba
Helena, Helena (Antônio Almeida & Constantino Silva, 1942), samba
Praça Onze (Herivelto Martins & Grande Otelo, 1942), samba
Ai, que saudades da Amélia (Ataulfo Alves & Mário Lago, 1942), samba
Nega do cabelo duro (Rubens Soares & David Nasser, 1942), batucada
Nós, os carecas (Roberto Roberti & Arlindo Marques Júnior, 1942), marcha
Buliçosa (Zumba, 1942), frevo
Cinco horas da manhã (Ari Barroso, 1943), samba
Vassourinhas (Joana Batista & Matias da Rocha, 1909; Variações [Felinho, 1944]), frevo
Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves & Mário Lago, 1944), samba
Cecília (Roberto Martins & Mário Rossi, 1944), marcha
A hora é essa (Zumba, 1944), frevo
Isaura (Herivelto Martins & Roberto Roberti, 1945), samba
Que rei sou eu (Herivelto Martins & Valdemar Ressurreição, 1945), samba
Coitado do Edgar (Haroldo Lobo & Benedito Lacerda, 1945), samba
Espanhola (Benedito Lacerda & Haroldo Lobo, 1946), marcha
Entre na fila (Levino Ferreira, 1947), frevo
Morena cor de canela (Capiba, 1947), frevo-canção
Anda Luzia (João de Barro, 1947), marcha
Odalisca (Haroldo Lobo & Geraldo Gomes, 1947), marcha
O periquito da Madame (Nestor de Holanda, Carvalhinho & Afonso Teixeira, 1947), marcha
É com esse que eu vou (Pedro Caetano, 1948), samba
Cadê Zazá (Roberto Martins & Ari Monteiro, 1948), marcha
Tira-teima (Carnera, 1948), frevo
Chiquita Bacana (João de Barro & Alberto Ribeiro, 1949), marcha
Pedreiro Valdemar (Roberto Martins & Wilson Batista, 1949), marcha
Jacarepaguá (Paquito, Romeu Gentil & Marino Pinto, 1949), marcha
Balzaqueana (Antônio Nássara & Wilson Batista, 1950), marcha
General da Banda (Sátiro de Melo, Tancredo Silva & José Alcides, 1950), samba
Nega maluca (Fernando Lobo & Evaldo Rui, 1950), samba
A coroa do rei (Haroldo Lobo & David Nasser, 1950), saamba
Daqui não saio (Paquito & Romeu Gentil, 1950), marcha
Lá vai veneno (Zumba, 1950), frevo
Frevo da meia-noite (Carnera, 1950), frevo
Gostosão (Nelson Ferreira, 1950), frevo
Hino da Pitombeira (Alex Caldas, 1950), frevo-de-rua
É frevo, meu bem (Capiba, 1950), frevo-canção
Sonhei que estava em Pernambuco (Clóvis Mamede, 1950), frevo-canção

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008


Recife Carnaval Frevo

Foto de
Nivaldo Almeida Filho
in
TrekEarth Com



BALAIO PORRETA 1986
n° 2218
Rio, 28 de janeiro de 2008



TEM UM LANCE DE LUA NO NÉON
Angela Melim
[ in Vale o escrito. Rio, 1981 ]

Tem um lance de lua
no néon, a lua é fria
a mulher ri
agulha
o salto da sandália devagar
mergulha - de verniz, cintila - e voa
fura
todas as letras do hotel gritam no céu.


OS GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (2)

Cidade maravilhosa (André Filho, 1934), marcha
O orvalho vem caindo (Noel Rosa & Kid Pepe, 1934), samba
Linda lourinha (João de Barro, 1934), marcha
Ride palhaço (Lamartine Babo, 1934), marcha
A cuíca tá roncando (Raul Torres, 1835), batucada
Vou cair no frevo (Capiba, 1935), frevo-canção
É bom parar [Por que bebes tanto assim, rapaz?] (Rubens Soares, 1936), samba
Pierrô apaixonado (Noel Rosa & Heitor dos Prazeres, 1936), marcha
Cadê Mimi (João de Barro & Alberto Ribeiro, 1936), marcha
Pirata (João de Barro & Alberto Ribeiro, 1936)
Querido Adão (Benedito Lacerda & Osvaldo Santiago, 1936), marcha
Mamãe eu quero (Jararaca & Vicente Paiva, 1937), marcha
Como vais você (Ari Barroso, 1937), marcha
Lig-Lig-Lig-Lé (Paulo Barbosa & Osvaldo Santiago, 1937), marcha
Abre a janela (Arlindo Marques Jr. & Roberto Roberti, 1938), samba
Pastorinhas (João de Barro & Noel Rosa, 1938), marcha
Touradas em Madri (João de Barro & Alberto Ribeiro, 1938), marcha
Yes, nós temos bananas (João de Barros & Alberto Ribeiro, 1938), marcha
Periquitinho verde (Antônio Nássara & José de Sá Roris, 1938), marcha
Seu condutor (Alvarenga, Ranchinho & Herivelto Martins, 1938), marcha
A jardineira (Benedito Lacerda & Humberto Porto, 1939), marcha
Quem tem amor não dorme (Capiba, 1939), frevo-canção
Florisbela (Antônio Nássara & Erastóstenes Frazão, 1939), marcha
Sei que é covardia (Ataulfo Alves & Claudionor Cruz, 1939), samba
Ó seu Oscar (Wilson Batista & Ataulfo Alves, 1940), samba
Não sei o que fazer (Capiba, 1940), frevo-canção
Linda flor da madrugada (Capiba, 1940), frevo-canção


DISCOS QUE ME EMOCIONAM

Pernambuco falando para o mundo, de Antonio Nóbrega [Brincante BR 0003, grav. 1998]. Com Adriano Busko,Bré e Gabriel Almeida, na percussão; Antonio Bombarda e Oswaldinho, no acordeão; Cláudio Faria e Enoque Chagas, no trompete; Daniel Allain e Eugênia Nóbrega, na flauta e flautim; Spok, no sax alto; Marco César, no bandolim, cavaquinho e viola; Antonio Nóbrega, no violino e rabeca. E outros. Entre as várias faixas, do mais saboroso requinte popular, há uma versão quase camerística do célebre Vassourinhas e uma seleção de Capiba absolutamente inolvidável, incluindo De chapéu-de-sol aberto, Oh! Bela, Cala a boca menino, Frevo e ciranda, além de Trombone de prata. Há, ainda o frevo Formigão, de Felinho (Félix Lins de Albuquerque, 1895-1980). Para que tenhamos idéia da importância de Felinho, basta dizer que ele é o criador, nos anos 40, das variações rítmicas que fizeram e fazem de Vassourinhas (1909) o sucesso maior do carnaval pernambucano como entendemos até hoje. Enfim, um disco para se ouvir não apenas nos dias de folia: um disco para se ouvir em qualquer época do ano.

domingo, 27 de janeiro de 2008


Pierrô, Arlequim e Colombina
(1922)
Di Cavalcanti
[óleo sobre tela: 78 x 65cm ]


BALAIO PORRETA 1986
n° 2217
Rio, 27 de janeiro de 2008



VERDADE
Yasmine Lemos
[ in Rascunhos ]

O que eu escrevo
Muitas vezes nem eu acredito
O que eu te falo
Nem eu mesmo me digo
O que eu sinto:
Tenha medo profundo!
É o meu amor,
O meu mundo.


UMA CITAÇÃO ESPORRENTA
Se Deus existe, ele é ateu.
(Bruno Gaudêncio, in Mal Estar Imperfeito ]


GRANDES SUCESSOS CARNAVALESCOS
a partir de 1922 (1)

Ai seu Mé (Freire Júnior & Careca, 1922), marcha
Eu só quero é beliscá (Eduardo Souto, 1922), marcha
Macumba gegê (Sinhô, 1923), samba
O casaco da mulata (Careca, 1924), samba
Zizinha (José Francisco de Freitas & outros, 1926), marcha
Café com leite (Freire Júnior, 1926), maxixe
Pinta, pinta melindrosa (Freire Júnior, 1926), marcha
Dondoca (José Francisco de Freitas, 1927), marcha
Dorinha, meu amor (José Francisco de Freitas, 1929), samba
Na Pavuna (Homero Dornelas & Almirante, 1930), samba
Pra você gostar de mim [Taí] (Joubert de Carvalho, 1930), marcha
Iaiá, Ioiô (Josué de Barros, 1930), marcha
Frevo pernambucano (Luperce Miranda & Oswaldo Santiago, 1930), frevo
Com que roupa (Noel Rosa, 1931), samba
Se você jurar (Ismael Silva & outros, 1931), samba
Vamo se acabá (Nelson Ferreira, 1931), frevo
A E I O U (Lamartine Babo & Noel Rosa, 1932), marcha
O teu cabelo não nega (Irmãos Valença & Lamartine Babo, 1932), marcha
Arrasta a sandália (Aurélio Gomes & Osvaldo Vasques, 1933), samba
Fita amarela (Noel Rosa, 1933), samba
Linda morena (Lamartine Babo, 1933), marcha
Moreninha da praia (João de Barro, 1993), marcha
Até amanhã (Noel Rosa, 1933), samba
Formosa (Antônio Nássara & J. Rui, 1933), marcha
É de amargar (Capiba, 1933), frevo-canção


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Ameno Resedá; o Rancho que foi Escola, de Jota Efegê. Pref. Edison Carneiro. Rio de Janeiro : Letras e Artes, 1965, 182p. [] Documento historiográfico sobre a associação carnavalesca que marcou época nos cortejos momescos cariocas das primeiras décadas do século XX. Fundado em 1907 - curiosamente, quando o frevo era "batizado" na Recife de todos os dengos e de todas as pernambucálias nordestinas -, o Ameno Resedá, nascido na Ilha dePaquetá, é aqui lembrado com "inestimável documentação material e humana" (Edison Carneiro). Sua trajetória até 1932, quando chegou ao fim, é traçada de forma amorosa por Jota Efegê. Para os pesquisadores do carnaval carioca, um livro imprescindível.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Soneto Visual
de
Avelino de Araújo
(RN)

Republicado igualmente
in Poema Processo


BALAIO PORRETA 1986
n° 2216
Rio, 26 de janeiro de 2008


OS ÚLTIMOS FILMES (RE)VISTOS
Cotações:
*** (excelente); ** (ótimo); * (especialmente bom)
Sem cotação: razoável e/ou interessante

O sol ** (Sokúrov, 2005), no CCBB
Sempre bela * (Oliveira, 2006), no CCBB
Ouro carmin (Panahi, 2003), no CCBB
Vício e beleza (Cheng-Sheng, 2001), no CCBB
Em casa:
Jeanne Dielman, 23 Quai de Commerce, 1080 Bruxelles *** (Akerman, 1975)
Dans le noir du temps *** (Godard, 2002), curta/episódio
O vento nos levará * (Kiarostami, 1999)
Diário de uma prostituta ** (Marcelo Ikeda, 2007), curta/vídeo
[R] A carruagem de ouro *** (Renoir, 1952)


PARA UMA FILMOGRAFIA BÁSICA

Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (Bélgica/França, 1975)
de Chantal Akerman
com Delphine Seyrig
[] Uma obra-prima não se constrói fácil, assim como, muitas vezes, não se faz fácil a sua leitura. Um filme como Jeanne Dielman ..., da diretora belga Chantal Akerman, com suas 3:20h em pouquíssimos ambientes cenográficos, é rigoroso exemplo da mais perfeita e ousada (anti)narratividade minimalista: formalmente contidos são os seus planos e enquadramentos, as suas cores interiores, os gestos de seus personagens, a sua trilha sonora (composta, basicamente, de pequenos ruídos e inevitáveis silêncios), a sua ação dramática aparentemente - mas só aparentemente - nula (a lembrar os "tempos mortos" de Antonioni, a tessitura formal de Straub & Huillet, o absurdo temático de corte camusiano). O tédio e o gesto gratuito da mulher (DS) no final são, ao mesmo tempo, perturbadores e sufocantes. O filme em nenhum momento se deixa seduzir; neste particular, aproxima-se de Straub e não de Antonioni. A diretora, com seu rigor exasperante, dilacerado, visceral, faz do cinema a própria especificidade cinematográfica. Por outro lado, seu olhar sobre o mundo pequeno-burguês de uma dona-de-casa viúva, que recorre à prostituição para sobreviver com um mínimo de dignidade possível, é cruel e desencantado. E o final, trágico, até mesmo por seu absurdo, não poderia ser outro. Neste sentido, o último plano do filme, por mais frio e racional que seja (de resto, como os demais planos da obra), carrega, em seu interior, as marcas de uma emoção inesperada, sobretudo porque a tragédia que o contém não estava anunciada nas 3:15h da trama conteudística até aquele momento, lenta e pausadamente construída como se fora a dolorosa engenharia de alguns raros sentimentos não-explicitados. Sem dúvida, um filme para poucos; um filme como poucos.


DICIONÁRIO DO DIABO
/Fragmentos/
de Ambrose Bierce (1842-1913)

Advogado : Pessoa hábil em burlar a lei.
Deplorável : O estado de um inimigo ou adversário após um choque imaginário conosco.
Diplomacia : A arte honrosa de mentir pela pátria.
Fidelidade : Virtude própria dos que estão prestes a ser traídos.
História : Crônica quase sempre falha, de acontecimentos quase sempre sem importância, causados por governantes quase sempre velhacos e por soldados quase sempre imbecis.
Liberdade : Um dos mais preciosos bens da imaginação.
Paciência : Forma menor de desespero, disfarçada como virtude.
Patriotismo : No famoso dicionário do Dr. Johnson, o patriotismo é definido como o último refúgio dos patifes. Com todo o respeito devido a um esclarecido mas inferior lexicógrafo, peço licença para sugerir que seja o primeiro.
Santo : Um pecador revisto e corrigido.
Virtudes : Certas abstenções.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008


A arte de
JOAN MIRÓ
(1893-1983)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2215
Rio, 25 de janeiro de 2008


DO QUE PASSOU
Lara de Lemos
[ in Dividendos do tempo. Porto Alegre, 1995 ]

Não me tragam memórias
de velhos tempos idos.

Deixem-me a sós comigo.

Cada poema tem o seu motivo,
cada gota de vinho tem seu travo
que não se repete noutro copo.

É preciso degustá-lo
sem agravos
e esquecer o que não foi bebido.


Cinema
RECOMENDAMOS, EM NATAL
Medos privados em lugares públicos ** (Resnais, 2006)


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Joan Miró, de João Cabral de Melo [Neto]. Rio de Janeiro : Ministério da Educação e Saúde - Serviço de Documentação, 1952, 48p. /Os Cadernos de Cultura/ [] Um pequeno grande livro: exercício de admiração ou leitura amorosa? Análise criativa ou crítica impressionista? Um pouco de tudo? Um pouco sobre tudo? Em última análise, o que se tem, nestas páginas (incluindo duas ilustrações coloridas do pintor nascido em Barcelona), é um olhar crítico-amoroso voltado para uma dada sensualidade plástico-expressional. O rigor formal de Cabral, na poesia, abre-se conceitualmente para o rigor informal de Miró, na arte: dois gênios que, em pleno século XX, souberam compreender os signos emblemáticos de um verdadeiro humanismo criador: a sua linha composicional, se, num primeiro momento, é "elegante ou harmoniosa" (nas palavras de Cabral, p.23), num segundo momento, anos 40, busca "a criação de novas melodias" (p.23). Trata-se, bem entendido, de uma melodia gráfica, capaz de fazer da surpresa pictórica o espaço aberto, e mesmo essencial, de uma vibração sígnica instigante entre a linha e a cor. "Em Miró, mais do que em nenhum outro artista, vejo uma enorme valorização do fazer. Pode-se dizer que, enquanto noutros o fazer é um meio para chegar a um quadro, para realizar a expressão de coisas anteriores e estranhas a esse mesmo realizar, o quadro, para Miró, é um pretexto para o fazer. Miró não pinta quadros. Miró pinta" (p.33).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008


Poema concreto
de
Décio Pignatari
(1957)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2214
Rio, 24 de janeiro de 2008


DRUMMONDIANA
Alice Ruiz
[ in Antonio Miranda ]

e agora maria?

o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria

[ Cf. José, de Carlos Drummond de Andrade ]


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Poesia pois é Poesia, de Décio Pignatari. São Paulo : Duas Cidades, 1977, 208p. [] Do verso à poesia concreta e a o poema semiótico: a explosão criativa do grupo Noigandres, uma das bases do concretismo literário entre nós (as outras são as vertentes produtivas de Wlademir Dias Pino e Ferreira Gullar). O que se vê aqui? O verso pouco usual de O carrossel (1950) e Rumo a Nausicaa (1952). E a poesia concreta propriamente dita: terra (1956), coca cola (1957), LIFE (1957), OrganismO (1960). Além de poemas francamente visuais como Cr$isto é a solução (1967), os ideogramas verbais (1968) e o D. Quimorte (1968). Há outras experiências, talvez menos significativas. Registre-se, de igual modo, a expressividade de seus poemas políticos: é o caso da antipropaganda da coca-cola. No fundo, o poema quer dizer: "Não beba coca-cola, que não passa de cloaca". E embora o cruzeiro tenha sido substituído pelo real, não se pode negar a atualidade de Cr$isto é a solução. Afinal, em nome de Cristo, alguns pseudo-religiosos enriquecem ilicitamente, explorando a ingenuidade e a boa-fé de muitos. Haja vista o exemplo da Igreja Universal do Reino de Deus. Haja vista o exemplo da igreja Renascer em Cristo.


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