quinta-feira, 12 de junho de 2008


Redinha, nas beiradas da noite, em Natal

Foto de
Pedro Morgan


BALAIO PORRETA 1986
nº 2338
Rio, 12 de junho de 2008

É melhor pescar a sabedoria do que as pérolas.
(Jó 28, 18)


UM POEMA, O ORIGINAL E UMA TRADUÇÃO

ÉPIGRAMME
La Fontaine

Aimons, foutons, ce sont plaisirs
Qu'il ne faut pas que l'on sépare;
La jouissance et les désirs
Sont ce que l'âme a de plus rare.
D'un vit, d'un con, et de deux coeurs,
Naît un accord plein de douceurs,
Que les dévots blâment sans cause.
Amarillis, pensez-y bien:
Aimer sas foutre est peu de chose
Foutre sans aimer ce n'est rien.

EPIGRAMA
Trad.
José Paulo Paes

Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os desejos são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisto, oh minha amada.
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.

[ in Poesia erótica em tradução.
São Paulo : Companhia das Letras, 1990, p. 98-99 ]


PARABÉNS AO SPORT

O Sport Club de Recife está de parabéns
pela conquista, ontem, da Copa do Brasil 2008.

quarta-feira, 11 de junho de 2008


Recife
dos meus amores

Foto de
Paula Vasconcelos


BALAIO PORRETA 1986
n° 2337
Rio, 11 de junho de 2008


Meus seios acordaram meninos.
(Maria Maria)


BEIJOS & BIFES
Ronaldo Werneck
[ in Noite americana - Doris: day by night, 2006 ]

vem, vam'bora, vamos juntos, marcela,
trampo de tédio e amor: poesia.
é curta a noite, curta, bela-bela

bafos e beijos, bifes sem critério
e chope e vozes altas e ousadia.
vasto chão, vão imantado: mistério


BECO ESCURO
Jeanne Araújo

Tudo já tive e tudo perdi.
Desenvolvi o gosto pelo sal,
constrangida pela meia de seda
que aparecia.
Era o céu disfarçado de beco escuro.
Ele tocou minhas coxas
por baixo da saia.
Eu arregalei os olhos
de susto e desejo.
Meu peito palpitante
disse: te quero,
como a água que procura um atalho
para se perder no mar.
Depois foi o amor subindo
pelas têmporas, negro,
sufocando o coração.
Tudo já tive e tudo perdi.
Só o amor me sacrifica tanto.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Poesia pois é poesia, de Décio Pignatari.
São Paulo : Duas Cidades, 1977, 208p.
De 1947 a 1975, do verso à poesia concreta, um livro fundamental para se compreender o universo criador do poeta paulista. Há poemas antológicos, conhecidos de todos nós, tais como terra (1956), [não] beba coca cola (1957), LIFE (1957), OrganismO (1960), Cr$isto é a solução (1967). Enfim, o concretismo literário, no Brasil, passa pela obra-em-progresso de Décio Pignatari. Mas não nos esqueçamos de seus bons versos: "O amor é para mim um Iroquês/ De cor amarela e feroz catadura/ Que vem sempre a galope, montado/ Numa égua chamada Tristeza" (O lobisomem, 1947). Outro exemplo: "Onde eras a mulher deitada, depois/ dos ofícios da penumbra, agora/ és um poema:// Cansada cornucópia entre festões de rosas murchas" (O jogral e a prostituta negra, 1949).


Futebol/Curiosidade
OS TRÊS GRANDES DO RECIFE

Sport Club do Recife, fundado em 13/5/1905;
37 títulos pernambucanos, o primeiro deles em 1916;
o mais recente, em 2008.
Santa Cruz Futebol Clube, fundado em 3/2/1914.
24 títulos pernambucanos, o primeiro deles em 1931;
o mais recente, em 2005.
Clube Náutico Capibaribe, fundado em 7/4/1901.
21 títulos pernambucanos, o primeiro deles em 1934;
o mais recente, em 2004.
E há ainda o América, que conquistou 6 títulos, entre 1919 e 1944.
Aparentemente encontra-se, há bastante tempo, na 2ª divisão.

terça-feira, 10 de junho de 2008


Foto de
António Maia

in
Olhares

Quem seria capaz de identificar o lugar?
Coimbra? Olinda? Jardim do Seridó?
João Pessoa? Fortaleza? Caicó?
Lisboa? Martins? Guarabira?


BALAIO PORRETA 1986
n° 2336
Rio, 10 de junho de 2008

As idéias, elas não têm pureza, são sujas de humano, de mundo. ... Eu quero uma para me instigar. Eu quero uma para me fustigar.
(Carmen Vasconcelos)



POEMAS de
SÉRGIO DE CASTRO PINTO
(PB)

escrever/não escrever

escrever é um suicídio branco.
um consumir-se
no fogo brando das palavras.

não escrever, um suicídio em branco.
um consumar-se sem metáforas.

recado a pound

pound, eu não sou
nenhuma antena.

eu sou a pane e a interferência
dos meus fantasmas

no tubo de imagens dos poemas.

[in O cerco da memória. João Pessoa, 1993 ]


Memória
EU, TOM JOBIM

ATIVIDADE PROFISSIONAL
Músico.

ATIVIDADES OUTRAS
a) Fabricante de soltador de papagaios.
b) Pescador: com um caniço na mão a gente pode ficar o tempo que quiser, à superfície das águas, sem ser chamado de louco.
c) Chofer de VW, com delírio ambulatório.

PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES
Caixa alta: vagabundagem. Flanar pelas tardes de Ipanema.
Caixa baixa: "tremendous work".

QUALIDADES PARADOXAIS
Sou um boêmio doméstico, um tanto burro, um vagabundo trabalhador e um bagunceiro organizado.

PONTOS VULNERÁVEIS
Sou vulnerável em todos os pontos: depende do mV2 do projétil. Mas uso couraça.

ÓDIOS INCONFESSOS
Contra os letristas estrangeiros, quando deturpam as letras alheias.

PANACÉIA CASEIRA
Deixar de fumar, água e sal, saco de água quente, saco de gelo, banho frio, aspirina, banho quente, whisky-librium.

SUPERSTIÇÕES INVENCÍVEIS
Medo de avião.

TENTAÇÕES IRRESISTÍVEIS
Para um homem amarrado e amordaço, elas não existem.

MEDOS ABSURDOS
Para quem tem medo nada é absurdo. Absurdo é ter medo. Mas há surdos que não têm medo.

ORGULHOS SECRETOS
Paulo e Elizabeth, meus filhos.

[ Texto de Tom Jobim, in Senhor. Rio, dezembro de 1962 ]

segunda-feira, 9 de junho de 2008


Dança com Sol IV
Arte de
ILÉA FERRAZ
in
Blog da Cidinha


BALAIO PORRETA 1986
n° 2335
Rio, 9 de junho de 2008


Como é que é? "Não existem índios e brancos, existem os brasileiros!" Quando ouvi esta frase declamada em tom profético por colunista-cineasta conhecido não deixei de pensar que, há 500 anos, portugueses e espanhóis devem ter dito a mesmíssima coisa. Resultado? Bem, acho que dá para contar nos dedos quantos índios sobraram.
(Marcelo F. Carvalho)


SUGESTÃO PARA O JANTAR
Luiz Antonio Simas
[ in Histórias do Brasil ]

Não conheço uma comilança em nossa história que tenha sido mais impressionante que o famoso baile da Ilha Fiscal, organizado pelo gabinete ministerial do Visconde de Ouro Preto e realizado no dia 9 de novembro de 1889. A derradeira festa da monarquia brasileira foi um regabofe para 4000 convidados, com tudo que tem direito. Reproduzo aqui, para que os leitores tenham a dimensão do monumental furdunço, o menu do evento e outras informações:
Cardápio:
- 64 faisões;
- 1300 frangos;
- 800 quilos de camarão;
- 500 quilos de lagosta;
- 1200 latas de aspargos;
- 1000 latas de trufas;
- 300 peças de presunto de parma;
- 520 perus;
- 12 mil sorvetes,
- 25 mil sanduíches;
- 500 pratos de doces portugueses.
Bebidas:
- 10 mil litros de cerveja;
- 258 caixas de champanhe;
- 258 caixas de vinho.
Pessoal do serviço:
- 90 cozinheiros;
- 150 garçons.
Fundo de recursos:
- O baile foi realizado com a realocação de parte das verbas do fundo de auxílio às vítimas da seca no Nordeste.
É mole?

RECOMENDAMOS

Os sons dos negros no Brasil [1988], de José Ramos Tinhorão. São Paulo : Ed. 34, 2008, 152p. [] Apesar de seu tom conservador quando se trata da nova música brasileira (a partir da bossa nova), Tinhorão é um dos nossos pesquisadores mais sérios e mais competentes. Suas avaliações crítico-historiográficas de canções, danças e folguedos populares que marcam a sonoridade tupiniquim (batuques, lundus, maxixes, choros, sambas etc.) são inestimáveis. No presente livro, alguns títulos dos capítulos já dizem tudo: Os primeiros sons de negros no Brasil - batuques e calundus nos séculos XVII e XVIII; A razão das umbigadas - o lundu, a fofa e o fado nos séculos XVIII e XIX; Autos e folguedos de negros; Os cantos de trabalho dos negros do campo e das cidades. Enfim, um livro importante para todos aqueles que se preocupam com a história cultural do país.

domingo, 8 de junho de 2008


Foto:
Armindo Dias
[ in 1000 Imagens ]
Original em p&b


BALAIO PORRETA 1986
n° 2334
Rio, 8 de junho de 2008


Amo amores que não existem
Sinto dores que ninguém vê
(Marília Jackelyne)


OS LEITORES DE ANTÔNIO MARIA

O cronista pernambucano Antônio Maria [1921-1964], que marcou a Copacabana dos anos 50 e 60 (quando o Rio virou Estado: Guanabara, GB), continua em evidência. Pois bem: resolvemos homenageá-lo, hoje, mais uma vez, republicando algumas cartas de seus leitores (algumas verdadeiras, outras inventadas por ele mesmo), com suas respostas, extraídas do jornal carioca Última Hora, reunidas na edição de O jornal de Antônio Maria [Rio: Saga, 1968, 142p., sel. Ivan Lessa]. Divirtam-se:

De GARRIDO (GB): Desconfio que há um mistério na vida de minha mulher. Deu para sair toda manhã, às seis horas. Diz que vai à missa.
Sossegue, Garrido. Dificilmente, uma mulher engana às seis da manhã. Você só deverá inquietar-se, quando ela passar a ir à missa das três da tarde.
Em 12/2/1962.

De LAÍS PIMENTA (GB): E foi por isso, exclusivamente, por isto, que abandonei o meu marido.
O exclusivamente por isto a que se refere Laís foi o seguinte: o marido chegou em casa, despiu-se completamente, surrou a sogra, o sogro e trancou-se no quarto da empregada, com empregada e tudo, durante 72 horas.
Em 8/2/1962.

De RAIMUNDO PINHEIRO (São Luís): Se a mulher que o senhor ama ficasse feia do dia para a noite, o senhor continuaria a amá-la?
Raimundo, o poblema é seu. Não tente transferi-lo para mim. Faça a pergunta a você mesmo, corajosamente. E não saia de perto, no momento da resposta. Agora, francamente, não acredito que sua mulher tenha ficado feia, só porque cortou os cabelos. Já devia ser, antes.
Em 3/10/1963.

De MARIZA FREITAS (GB): Meu namorado sua muito, debaixo dos braços.
Só debaixo dos braços, Mariza? Então, não há motivo para desgostos. Divirta-se na área enxuta, que é a maior parte do seu namorado.
Em 3/10/1963.

De REINALDO (Porto Alegre): Noivo, há 2 anos, e só agora descobri que Berenice (noiva) só tem 3 dedos, na mão esquerda.
Mas se ela tiver 7 na mão direita dá no mesmo, Reinaldo. O negócio é ter 10 dedos na hora de mostrar. Verifique e volte a escrever-me.
Em 6/12/1961.

De INALDO CAMPELO (GB): Tenho 58 anos e minha mulher, 31. Até quando ela me será fiel?
Ah, não sei, Inaldo. Mas você só deverá precaver-se no dia em que ela começar a dizer, com insistência: "Saia, meu bem. Vai dar uma voltinha. Vá se distrair".
Em 12/2/1962.

De TERESINHA (Recife): Quando eu era menina, vi meu pai correndo atrás de minha mãe, com um martelo na mão. Esta cena nunca mais saiu da minha lembrança.
Nada autoriza a imaginar que seu pai desejasse dar uma martelada em sua mãe. É possível que sua mãe, de brincadeira, houvesse escondido o prego.
Em 9/10/1961.

De JANDIRA (São Luís): Meu filho, Eleutério, veste-se mal, porque quem lhe escolhe as roupas é o pai.
E o nome, foi a senhora quem escolheu?
Em 8/2/1962.

FRAGMENTO INICIAL DA CRÔNICA
AMANHECER EM COPACABANA, de ANTÔNIO MARIA
publicada em 12/9/1959

Amanhece em Copacabana, e estamos todos cansados. Todos, no mesmo banco da praia. Todos, que somos eu, meus olhos, meus braços e minhas pernas, meu pensamento e minha vontade. O coração, se não está vazio, sobra lugar que não acaba mais. Ah, que coisa insuportável, a lucidez das pessoas fatigadas! Mil vezes a obtusidade dos que amam, dos que cegam de ciúmes, dos que sentem falta e saudade. Nós somos um imenso vácuo, que o pensamento ocupa friamente. E, isto, no amanhecer de Copacabana. (O jornal de Antônio Maria, p.66-67)

ATENÇÃO:
Para ver e sentir o clima da Copacabana dos velhos tempos,
cf. o blogue CopacabAna de Toledo.

sábado, 7 de junho de 2008


Barry Lyndon,
de Stanley Kubrick,
lançado em 1975,
o ano de
O passageiro (Antonioni),
Jeanne Dielman ... (Akerman),
Salò (Pasolini),
A viagem dos comediantes (Angelopoulos),
Nashville (Altman),
Assuntina das Amérikas (Luiz Rosemberg Filho).


BALAIO PORRETA 1986
n° 2333
Rio, 7 de junho de 2008

Escrever é muito difícil. Dói-me. Exaure-me. É um beco escuro que me amedronta e apavora, ao mesmo tempo em que me fascina.
(Jeanne Araújo)


DIVAGAÇÕES & PROVOCAÇÕES

Será que existe, em toda a história do cinema, filme mais plástico - uma verdadeira pintura clássica em movimento, digna do Século das Luzes - do que Barry Lyndon? Baseado em Thackeray, estrelado por Marisa Berenson e Ryan O'Neal, com trilha musical a partir de Bach, Händel, Mozart & outros, magistralmente fotografado por John Alcott, Barry Lyndon, uma das obras-primas de Kubrick, é pura emoção cinematográfica, é pura emoção artística.

Chegou a hora de rever O dragão da maldade contra o santo guerreiro (Glauber Rocha, 1969), em cartaz em duas salas do Arteplex (duas sessões, uma em cada sala), aqui no Rio. Para mim, cinco minutos de qualquer filme de Glauber valem mais, por exemplo, do que toda a obra de um tal de Fernando Meirelles, assim como um só minuto, escolhido aleatoriamente, de Terra em transe, Deus e o diabo ou O dragão da maldade, é mais importante do que todo o humor abestalhado de Marcelo Madureira.

No campo específico do bangue-bangue, a cada nova revisão mais crescem e crescem Era uma vez no Oeste (Leone, 1968) e Rastros de ódio (Ford, 1956) - duas obras-primas inesquecíveis -, e mais diminui e diminui Shane/Os brutos também amam (Stevens, 1953) - apenas um filme bom, ou especialmente bom, como queiram. O melhor Stevens continua sendo Assim caminha a humanidade (1956). Há que se rever, contudo, Um lugar ao sol (1951).

Para que serve uma Academia de Letras? A rigor, para nada. A não ser, talvez, para acolher, na maioria dos casos, a vaidade ridícula e boçal de muitos de seus "imortais". E se há alguns bons escritores que nela se perdem, ou podem se perder, há, sobretudo, escritores que, superficiais, nela se apequenam mais e mais. É o caso, na ABL, de um Murilo Melo Filho. É o caso, na Academia Norte-rio-grandense de Letras, de uma Ana Maria Cascudo.

Será Ulisses (Joyce, 1922) um livro chato? Eis a discussão do momento no ótimo Substantivo Plural. Chato ou não, é um dos romances mais importantes do século XX, certamente um dos três maiores. Não é um livro fácil, é verdade. Não é um livro para as massas, é verdade. Mas O Capital (séc. XIX), de Marx, também não é um livro para as massas. E se trata de uma obra fundamental para a história da economia e dos movimentos operários, sem dúvida. Também é verdade: ninguém é obrigado a gostar de Ulisses, de Moby Dick, de O processo, de Crônicas marcianas, de Dom Casmurro, de Grande sertão: veredas, de Canto de muro, da Bíblia, entre muitos outros. Mas não se pode ignorá-los, simplesmente.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Metaplagiando Milton Ribeiro
PORQUE HOJE É SEXTA,

a beleza de Nicole Kidman
BALAIO PORRETA 1986
n° 2332
Rio, 6 de junho de 2008

As mulheres são feitas para serem amadas,
não para serem compreendidas.

(Oscar Wilde)


Repeteco
Humor involuntário

AS REGRAS DO SEXO NOS ESTADOS UNIDOS

A revista Istoé que se encontrava nas bancas [em julho de 2004] publicou uma curiosa e engraçada matéria sobre As absurdas regras do sexo no país de W.C. Bushit, o maior e mais completo escrotonojentofeladaputosobostaico do mundo, hoje. Vale a pena conferir três delas, dignas da babaquice americana, recorrendo ao próprio semanário paulistano:

[] Em Nevada, "É ilegal a qualquer membro da legislatura conduzir negócios oficiais fantasiado de pênis, quando o Legislativo estiver em sessão", segundo a Lei. Mas, conforme a Istoé, "Não explica ... se o ilustre representante público pode ostentar o traje viril caso o plenário esteja em recesso".

[] Em Minnesota, por exemplo, "está totalmente proibido a um homem manter relações sexuais com um peixe vivo. No Brasil, o povão teria apelidado de Lei JK, em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek e sua canção predileta. A lei, porém, é omissa no trato de peixes mortos".

[] Em Nova York, a sodomia não é proibida: "É perfeitamente legal até mesmo o chamado fist sex - o ato de introduzir toda a mão ou braço no esfíncter de alguém. A exigência que se faz é que o consentimento para a perfomance seja dado na frente de testemunhas ou em documento autenticado por notário. Imagina-se que os possuidores de sangue frio suficiente para se engajar numa manobra sexual destas não terão constrangimento em levar mais dois dedinhos de prosa no cartório para oficializar o contrato".

quinta-feira, 5 de junho de 2008


BALAIO PORRETA 1986
n° 2331

Rio, 5 de junho de 2008


Images:
1. Comemoração de Conca, após o 2º gol, ontem,
foto de João Marcelo Gaercez
in Globo Esporte
2. Torcida tricolor,
em jogo do campeonato carioca,
com interferência semiótica
de nossa autoria.

quarta-feira, 4 de junho de 2008


Maracanã que te quero Fluminense
Fluminense que te quero Maracanã

Foto:
O Globo


BALAIO PORRETA 1986
n° 2330
Rio, 4 de junho de 2008


O homem é a soma de suas obsessões.
(Nelson Rodrigues)


ALGUNS DESEJOS
Sheyla Azevedo
[ in Bicho Esquisito ]

Escrever como se as palavras tivessem acabado de ser inventadas. Sorrir com vontade. Chorar quando der vontade. Olhar como se fosse o último pôr-do-sol da sua vida. Respeitar cada movimento do universo. Conspiração involuntária. Dormir serena e acordar com o canto dos passarinhos.


Humor
VIRGINDADE 2005
[ in Contravento, de Alcir Vidal ]

Primeira noite de um par recém-casado.
Quando vão para a cama, a moça diz ao rapaz:
- Sabe, amor, eu não disse a você,
mas eu não sei fazer nada de nada.
- Não se preocupe, minha linda. Você tira a roupa
e deita sobre a cama, abre as pernas
e deixa que eu faço o resto.
E ela, muito meigamente, responde:
- Não! Trepar, eu trepo bem pra caralho.
O que eu não sei é lavar, passar, cozinhar...


Bravo!
100 CANÇÕES ESSENCIAIS

Depois dos polêmicos números especiais sobre filmes e livros essenciais, a e revista
Bravo! apresenta uma "seleção" de canções brasileiras, segundo os editores da própria publicação paulistana. Os 25 primeiros títulos são os seguintes:
1. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro)
2. Águas de março (Tom Jobim)
3. João Valentão (Dorival Caymmi)
4. Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
5. Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
6. Tropicália (Caetano Veloso)
7. Último desejo (Noel Rosa)
8. Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto teixeira)
9. Construção (Chico Buarque)
10. Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
11. As rosas não falam (Cartola)
12. Samba do avião (Tom Jobim)
13. Vingança (Lupicinio Rodrigues)
14. Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
15. Alegria, alegria (Caetano Veloso)
16. Desafinado (Tom Jobim)
17. A mesma rosa amarela (Capiba e Carlos Pena Filho)
18. Ai, que saudades da Amélia (Ataulfo Paiva e Mário Lago)
19. A flor e o espinho
(Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha)
20. Domingo no parque (Gilberto Gil)
21. Eu te amo (Chico Buarque e Tom Jobim)
22. Feitio de oração (Noel Rosa e Vadico)
23. Retrato em branco e preto (Tom Jobim e Chico Buarque)
24. O mundo é um moinho (Cartola)
25. E o mundo não se acabou (Assis Valente)
Em 2001,
o Balaio consultou
330 amigos e/ou leitores.
Os três primeiros colocados foram:
1. Carinhoso
2. Asa branca
3. As rosas não falam.
Para o nosso gosto, um resultado muito mais interessante.
Numa avaliação puramente pessoal,

nos "100 mais" da Bravo!,
registre-se o surpreendente 3º lugar para
João Valentão.
Outra observação de ordem crítica: será que
Trem das onze (Adoniran Barbosa), em 29º,
Feitiço da vila (Noel Rosa e Vadico), em 35°,
Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola), em 39°,
Nervos de aço (Lupicinío Rodrigues), em 41º.
Ronda (Paulo Vanzolini), em 43°,
Assum Preto ((Luiz Gonzaga e Humberto teixeira), em 44°,
Ouro de tolo (Raul Seixas), em 50°,
A noite do meu bem (Dolores Duran), em 58°,
Lábios que beijei (J. Cascata e e Leonel Azevedo), em 61°,
Manhã de carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria), em 67°,
Com que roupa (Noel Rosa), em 90°,
Sampa (Caetano Veloso), em 91°,
e, entre outras,
Cantiga de amigo (Elomar), em 100°
não mereceriam melhor colocação?
E o que dizer de algumas ausências,
como
Arrumação (Elomar)?
Ou Evocação (Nelson Ferreira)?
Ou Sebastiana (Rosil Cavalacanti)?
Ou Maria Betânia (Capiba)?
E o que dizer, igualmente, da ausência de
Lamento (Pixinguinha e Vinicius de Moraes)?
Ou das ausências de
Sivuca, Luiz Melodia, Geraldo Azevedo e Vital Farias?
Mais um ponto para discussão: Milton Nascimento comparece apenas com a canção O que será (co-autoria de Chico Buarque), num modesto 75° lugar. Diga-se o mesmo de Tom Zé, presente com a música Senhor Cidadão, em 74° lugar.

terça-feira, 3 de junho de 2008


De volta ao Rio

Foto
in
CopacabaAna de Toledo


BALAIO PORRETA 1986
n° 2329
Rio, 3 de junho de 2008


Só se aprende o que se precisa saber.
(Murilo Mendes)


Repeteco
UMA ESCOLHA DIFERENTE
[ in Balaio, n° 1466, 23 de janeiro de 2002 ]

Em 1995, nas comemorações dos 100 anos do Cinema, muita gente procurou apontar seus melhores filmes, seus melhores diretores, seus melhores intépretes, e assim por diante. Mas o cronista Luís Fernando Veríssimo fez uma escolha bastante particular (cf. Comédias da vida pública, 1996, p.332-33), como veremos a seguir, ao destacarmos alguns tópicos de sua curiosa "seleção":

[] Melhor Tarzan: Johnny Weissmuller
[] Melhor Robin Hood: Errol Flynn
[] Melhor Sherlock Holmes: Basil Rathbone
[] Melhor Drácula: Bela Lugosi
[] Melhor monstro de Frankenstein: Boris Karloff
[] Melhor Hamlet: Laurence Olivier
[] Melhor Julieta: Grande Otelo
[] Melhor grito de pavor: Barbara Stanwick
[] Melhor homem branco desestruturado pelos trópicos:
Trevor Howard

[] Maior exemplo de desperdício, sem contar a batalha naval em Cleópatra:
aquele filme em que a Nastassia Kinski
passa o tempo todo dentro de uma fantasia de gorila

[] Melhor bandido: Dan Dureya
[] Melhor suor: Charles Laughton
[] Melhores ombros: Joan Crawford
[] Melhores seios:
Martine Carol (o esquerdo)
Laura Antonelli (o direito).
Acréscimos do Balaio, em 2004:
[] Melhor briga: a de John Wayne com Victor McLaglen,
em Depois do Vendaval
[] Melhor Sansão: Oscarito, em Nem Sansão, nem Dalila
[] Melhor doidelo: Doidelo (Smiley Burnette), nos faroestes de
Durango Kid

[] Mais belas pernas: as de Cyd Charisse

sábado, 31 de maio de 2008

Eis-me aqui em praça pública, em Natal/2007,
reconstruindo os 40 anos do poema/processo

BALAIO PORRETA 1986

n. 2328

Natal, 31 de maio de 2008

Todo escritor faz preceder à construção de sua obra um modelo teórico. ... Nesses termos, todo escritor é também um teórico da literatura, visto que ele é obrigado a fazer opções, a cada momento, entre inúmeros recursos possíveis, para dar um fecho a seu trabalho. (Nelson Patriota)

DUAS PERGUNTAS, ENTRE OUTRAS,

DE LÍVIO OLIVEIRA PARA ANTONIO CARLOS SECCHIN:

[P] Traduzir é mesmo trair? [R] Sim, mas há traições maravilhosas. [P] O que deve fazer um jovem que busca ser escritor? [R] Ler o máximo, escrever o mínimo. [cf. Substantivo Plural ]

POR FALAR EM TRADUÇÕES E TRAIÇÕES, recomendamos a Antologia poética de tradutores norte-rio-grandenses (Natal : EDUFRN, 2008, 176p., organizada por Nelson Patriota. Entre os traduzidos/tradutores, com maior ou menor intensidade poética, figuram Derek Walcott/Carlos de Souza, Robert Herrick/Carmen Vasconcelos, Rosalía de Castro/Diva Cunha, Góngora/Francisco Ivan, Paul Valéry/Iracema Macedo, Jorge Luis Borges/Jarbas Martins, Edgar Allan Poe/Luís Carlos Guimarães, César Vallejo/Lívio Oliveira, Walt Whitman/Luís da Câmara Cascudo, Baudelaire-Rimbaud/Marcos Silva, John Donne/Nei Leandro de Castro, Robert Frost/Nelson Patriota, Edwin Arlington Robinson/Paulo de Tarso Correia de Melo. Em tempo: trata-se de uma edição bilingüe.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Ponta do Morcego,
que divide a Praia do Meio de Areia Preta,
em Natal,
em provável foto dos anos 20 do século passado
(Acervo: José Farias Castro)
BALAIO PORRETA 1986
n. 2327
Natal, 30 de maio de 2008
... em Natal eu sou o único pecador pecador profissional. Os outros são amadores. (Luís da Câmara Cascudo /ou Cascudinho, para os boêmios da cidade/)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Barra de Tabatinga,
ao sul de Natal
Foto de
Helder Lima Freire

BALAIO PORRETA 1986

n. 2326

Natal, 29 de junho de 2008

Há luz e sombra no ano de 1968. ... Há leveza e esperança, mas também solidão e desespero. (Pablo Capistrano)

terça-feira, 27 de maio de 2008

A Igreja do Galo e o Convento de Santo Antônio,
no centro de Natal
Foto
de
BALAIO PORRETA 1986
nº 2325
Natal, 27 de maio de 2008
Eu fui louca o suficiente para construir castelos. E fui santa o bastante para destruí-los. (Jeanne Araújo)
UMA PEQUENA HISTÓRIA COM ARIANO SUASSUNA
O relato a seguir foi "costurado", oralmente, como palestrante, pelo escritor paulista Ignácio de Loyla Brandão, no ENE 2006, em Natal:
"... nas última Jornada de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, o Ariano Suassuna foi chamado para receber um título de Doutor Honoris Causa e ele deu uma aula-magna. Claro, uma aula-magna à moda do Ariano, que é uma pessoa de vasta cultura e vasto humor e vasto mau humor e tudo. Mas fascinante. E Ariano estava falando exatamente dessas pessoas com nomes às vezes complicados e que nos deixam suando nas noites de autógrafos, porque você não sabe bem como se chamam e pensa que não ouviu.
Ele estava na mesa [depois da aula], estava sentado, e a fila vinha vindo, e ele escrevendo. Aí veio o primeiro e falou o nome: Roulrouldrown. 'Como, meu filho?' Roulrouldrown. 'Soletra, por favor'. O cara soletrou, ele escreveu. Veio o segundo: Roultronn. 'Por favor, soletra'. O cara soletrou e aí Ariano ouviu alguém, para o terceiro, atrás na fila: 'Chegando lá, soletra o nome porque o homem é analfabeto'. O cara chegou e disse: 'O meu nome é Hugo - H, U, G, O'. Ariano escreveu."
[in Vozes e reflexões; Anais do I ENE, p.299]