sábado, 23 de fevereiro de 2008


As férias do Sr. Hulot,
de Jacques Tati,
lançado em 1953,
o ano de
Contos da lua vaga (Mizoguchi),
A roda da fortuna (Minnelli),
Era uma vez em Tóquio (Ozu),
Noites de circo (Bergman),
Viagem à Itália (Rossellini),
Os boas vidas (Fellini),
Velhas lendas tchecas (Trnka).


BALAIO PORRETA 1986
n° 2241
Rio, 23 de fevereiro de 2008



OS ÚLTIMOS FILMES (RE)VISTOS

Cotações:
*** (excelente); ** (ótimo); * (especialmente bom)
Sem cotação: razoável e/ou interessante

Sangue negro ** (Anderson, 2007), no Arteplex/6
Em casa:
Diaries, notes and sketches [Walden] *** (Mekas, 1969)
Eu te amo * (Marcelo Ikeda, 2006), vídeo/curta
Um filme abstrato - Parte 1 * (Marcelo Ikeda, 2005), vídeo/curta
[R] West side story *** (Wise & Robbins, 1961)
[R] As férias do Sr. Hulot *** (Tati, 1953)


Memória 1975
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 7
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Parecer sobre
A família do barulho, de Júlio Bressane

"Trata-se de uma família de náufragos do Novo Mundo suas novas relações de amizade e convivência. Como pano de fundo uma jogada gangstérica com petróleo travestis e odaliscas". Isto segundo a sinopse apresentada na ficha técnica. Pelo que apresenta, o filme pode receber inúmeras interpretações. O que não tem explicação é colocar tanta besteira e idiotices junto, em um mesmo filme. Homosexualismo, lesbianismo, além de grossuras e agressões compõem a base de uma estória sem pé nem cabeça, relatada da forma mais absurda possível.
Como retrato absurdo de uma família, onde a degeneração atinge níveis inconcebíveis, em cenas desconexas. Insinuações claras de imoralidades, linguagem chula e alguns palavrões totalmente desnecessários, homosexualismo, lesbianismo e outras idiotices do mesmo calibre levam-me a opinoar, digo, opinar pela NÃO LIBERAÇÃO.
Brasília, 24 de março de 1975
J. Antonio S. Pedroso


O SUBPENSAMENTO VIVO DE
MARCONI LEAL

/Dois fragmentos/

A história é sempre contada pelos vencedores. Vejam, por exemplo, o diabo como foi injustiçado.

Durante décadas tentei manter um diálogo com deus. Desisti faz alguns anos. Não dá. Ele se acha muito superior.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


Postal de 1917
[ in Brazil Post Card ],
o ano
da Revolução Russa,
do primeiro samba gravado (Pelo telefone)
e do lançamento da revista Eu Sei Tudo.
É também o ano
da fundação de
São José do Seridó
(Rio Grande do Norte)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2240
Rio, 22 de fevereiro de 2008



PERFUME
Linaldo Guedes
[ in Zumbi Escutando Blues ]

entre
serras
cercas
e cenas mudas
repousa
o hálito
barroco de teu corpo.


PÁREO
Nel Meirelles
[ in Fala Poética ]

meu cavalo
serpenteia
pelas campinas
do teu ventre

o galope
germina
o trote
denso
do gozo


Memória 1969
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 6
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Fragmento final
do Parecer sobre o filme Brasil, Ano 2000, de Walter Lima Jr.

VETAMOS inteiramente essa obra, em cujo bôjo somente encontramos ofensas à cultura, ao progresso e à dignidade da nação brasileira.
O velho chavão de "País subdesenvolvido" é usado pelos boçais, pelos incultos e pelos ignorantes que infestam os nossos meios de comunicação. E foi repetido pelo produtor dessa obra medíocre que tenta sobreviver no cenário artístico nacional esbravejando contra a terra que lhe serviu de berço.
Há um interesse incontido dos adéptos do chamado cinema nôvo em produzir filmes com roteiro intricado, de compreensão difícil e repleto de simbolismo (?).
Propalam que num País subdesenvolvido tais filmes se destinam a uma casta intelectualizada... anciosa por "dias melhores", "ávida por sensações estranhas", indócil ante o inesperado.
Em todos os setores encontramos os seus seguidores. Os que rezam na mesma "cartilha". E a Polícia aí está pronta para repelir a ação dessa casta repugnante, indesejável e ordinária.
O filme "Brasil Ano 2000" é um dígno representante desse grupelho.
Votamos pela sua INTERDIÇÃO SUMÁRIA.
Brasília, 24 de abril de 1969
Manoel F. de Souza Leão Neto

Comentário do Balaio:
Simplesmente assustador...


A VOLTA DO FOCO POTIGUAR

Marcos A. Felipe, um dos melhores críticos nacionais da nova geração de estudos cinematográficos, colaborador da revista Preá (Fundação José Augusto), de saudosa (e recente) memória - para usar um lugar comum -, está de volta ao universo virtual com o blogue Foco Potiguar. Vale a pena conferir.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Luxúria,
de
Jean-Baptiste Valadie

[ in Passion Estampes ]
via
Bené Chaves


BALAIO PORRETA 1986
n° 2239
Rio, 21 de fevereiro de 2008


CELESTE
Patrícia Gomes
[ in SensualizArte ]

Em meu céu
Jorrou teu gozo
E, louca, saboreei
O mel...


ÊXODO
Gilberto Mendonça Teles
[ in Plural de Nuvens / Plurale di nuvole. Napoli, 2006 ]

Chegamos à planície, onde teus olhos
inventarão o azul dos horizontes
escandidos nas unhas, como os versos
na fábula dos dias impossíveis.
Aqui o tempo enrola seus casulos
de terras e de mares estrangeiros.
E o mito desenrola-se nas sedas
da longa solidão que desfazemos.
Nestes campos noturnos nosso povo
construirá seu reino na linguagem
da Terra Prometida, que buscávamos
neste êxodo sem fim, que agora finda.


Memória 1971
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 5
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Parte final do parecer sobre Bangue Bangue, de Andrea Tonacci:

Mensagem: Indefinida - pela falta de sequência, e uso abusivo de simbolismo
Impressão última: É um filme que consegue extenuar o público, pela falta de imaginação de um produtor, que com pretenções de fazer um cinema com têrmos diferentes acaba por montar uma verdadeira "bomba". A linguagem que é um instrumento de comunicação, êle procurou eliminar quase que totalmente, e para piorar a situação nem ao menos a imagem consegue transmitir algo definido; os personagens são inespressivos e obscuros. Creio que na época em que estamos seja uma afronta levar ao publico tal imbecilidade, parecendo-me o melhor remédio a interdição pura e simples, mas considerando que tal ponto de vista não encontrará apoio na legislação vigente, em face de nada apresentar que venha em desencontro com as normas da censura, poderá o mesmo ser liberado para maiores de dezoito anos. É o meu parecer.
Brasília, 16 de fevereiro de 1971
[ilegível] ... Sampaio Pinhati

Comentário do Balaio:
Recentemente, Bangue bangue - um dos grandes filmes nacionais dos anos 70 - foi considerado por jovens blogueiros um dos maiores títulos de nossa cinematografia. Aliás, suas pretensões não são inexpressivas. Ao contrário. Inexpressivo é o tal de Pinhati.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


Copacabana,
via
Ana de Toledo


BALAIO PORRETA 1986
n° 2238
Rio, 20 de fevereiro de 2008



SEDE
Ana Lima
[ in Menina Gauche ]

Uma ninfa e um marujo
habitam em mim.

Sinto fome
de algo
que não tem nome.

Tenho sede
de coisas inexistentes
que vivem nas pontas dos meus dedos
palpitantes
e suados

como alguém em derradeira agonia.


Memória 1969
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 4
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Parecer literal
sobre o filme A mulher de todos, de Rogério Sganzerla

Trata-se de película típica de festivais, em que o seleto público recebe um roteiro pormenorizado sobre as intenções do autor, diretor, etc.
Como diz o autor (fls.12 do processo), o filme é "uma aventura pornográfica, em homenagem às fitas alemãs ou suecas - classe "B"; é outro pejorativo cujo estilo obsceno serve para melhor retratar NOSSA REALIDADE - não por moralismo mas por ideologia".
Realmente, o autor satiriza tudo e, em algumas cenas o PAULISTA, mostrando-o como um bossal homem das cavernas; cita uma ilha dos PRAZERES, que poderia ser a do GUARUJÁ, e seus frequentadores.
Toda a película, enfim, tem um cunho satírico, atravéz de símbolos imaginados pelo autor.
Quanto aos cortes, com base no relatório dos censores WILSON QUEIROZ e JOSÉ AUGUSTO COSTA e em minha observação, são os seguintes:
1ª PARTE - cortar a cena em que aparece um jornal exibindo o título "DELFIM NETO DIZ QUE 69 SERÁ O ANO DE OURO".
- cortar a cena em que a mulher aparece dansando, c/ os seios nús.
- cortar a cena em que a mulher aparece mordendo o pescoço de seu amante (foi deixada a cena imediatamente anterior, menos chocante, que é o início da que indicamos para corte).
2ª PARTE - cortar a cena em que a mulher é filmada no barco com os seios nús.
- cortar a cena das nudistas, em que as mesmas são filmadas óra apresentando só os seios nús, óra apresentando o púbis nú.
- trilha sonora: retirar as palavras "peitudas" e "bundudas".
- cortar as cenas em que aparece uma seringa hipodérmica e em que o jovem casal toma injeções de entorpecente.
- trilha sonora: retirar a frase "não existe liberdade individual sem liberdade coletiva".
3ª PARTE - cortar a cena em que a jovem agarra, sôfregamente, o homosexual pelas costas.
4ª PARTE - cortar a cena em que a jovem é filmada de cócoras dando a impressão de estar urinando.
- cortar a cena em que a mulher tira a blusa, exibindo os seios nús (da cena toda deixar apenas 12 fotogramas).
5ª PARTE - deixar apenas 24 fotogramas da cena total em que aparece um jovem cortando o pulso.
Brasília, 6 de de outubro de 1969
- G. Montebello -

Comentário do Balaio:
De todos os pareceres que lemos até o momento, este é um dos mais terríveis, por revelar, sem meias palavras, o clima de sufoco da época em questão, incluindo observações que seriam hilárias se não fossem trágicas.. E, sem maiores surpresas, através de ridículos erros gramaticais, por apresentar o preparo intelectual (nulo, ou quase) dos censores e ditadores de plantão. Em tempo: 12 fotogramas equivalem a meio segundo de projeção.


RECOMENDAMOS
a leitura de Diário de férias - 3 (sobre o filme Sangue negro)
[ in Sopão do Tião ].

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008


Nova Objetividade Brasileira,
no MAM / Rio
( in Tropicália ),
em 1967,
o ano de
Crônica de Anna Madalena Bach (Straub & Huillet),
Terra em transe (Glauber Rocha),
Week-end (Godard),
A chinesa (Godard),
A bela da tarde (Buñuel),
Mouchette (Bresson),
Corto Maltese (Pratt),
Saga de Xam (Devil & Rollin),
Hit Parade (Wolinski),
Mr. Natural (Crumb),
Cem anos de solidão (Márquez),
O rei da vela (Grupo Oficina),
Vibrações (Jacob do Bandolim),
Tropicalismo (Caetano & outros),
Poema/Processo (Rio e Natal).

BALAIO PORRETA 1986
n° 2237
Rio, 19 de fevereiro de 2008


Memória 1966
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 3
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Parecer literal
sobre o filme O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade

Entrecho: Baseado num poema de Carlos Drumond de Andrade. Romance proibido de uma jovem de uma cidade do interior de Minas com um padre récem-chegado à cidade onde desenvolve-se a trama.
Crítica artística: Filme horrível, muito pobre de técnica e com uma representação sofrível realizada pelos atores. Os diálogos monótonos tornam a projeção cansativa.
Apreciação técnica: Na cópia apresentada, o som esteve permanentemente falho, muitas vezes prejudicando o entendimento dos diálogos.
Apreciação moral: O filme deve ser, salvo melhor juízo, proibido para menores de dezoito anos, com cortes nas cenas a seguir enumeradas: 1) No trailler, quando da cena em que a moça tira a camisola para vestir roupa mais apropriada a fim de seguir o padre. 2) A cena da sedução do padre no campo (4ª parte) e 3) A cena do abraço dos protagonistas dentro da gruta (parte final).
Sugerimos: IMPRÓPRIO PARA MENORES DE 18 ANOS c/ 3 cortes.
Brasília, 14 de junho de 1966
[ Assinatura ilegível ]

Comentário do Balaio:
Trata-se de obra bastante delicada: um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo a nossa leitura crítica. Em tempo: como se trata de uma reprodução literal, conservamos os erros dos nomes próprios (Drumond em vez de Drummond, por exemplo), além de outros (ortografia, pontuação).


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Caos; Crônicas políticas, de Pier Paolo Pasolini. Int. & org. Gian Carlo Ferretti. Trad. Carlos Nelson Coutinho. São Paulo : Brasiliense, 1982, 232p. []

"Não sou um indiferente, nem tampouco simpatizo com o que (hipocritamente) é chamado de "posição independente'. Se sou independente, sou-o com raiva, dor e humilhação ... Meu caso não é de indiferentismo nem de independência: é de solidão" (6/8/68, p.37);
"É da democracia que nasce a democracia. ... E somente sobre a democracia é possível fundar o socialismo" (3/9/68, p.54);
"A passagem de uma cultura humanista para uma cultura técnica coloca em crise a própria noção de cultura" (28/12/68, p. 100);
"A resignação pode ser tão sublime como o heroísmo" (8/3/69, p.122);
"... ou somos utópicos ou desaparecemos" (9/8/69, p.174);
"Diz Brecht: 'Muitos dos que são perseguidos perdem a faculdade de reconhecer os próprios defeitos'. Pode ocorrer que seja esse o meu caso. Mas, se tivesse de admiti-lo, deveria demonstrar, em primeiro lugar, que sou perseguido. E eu o sou" (20/9/69, p.181).

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Verão índio,
de Pratt & Manara,
hq lançada em 1983,
o ano de
Nostalgia (Tarkóvski),
Prénom Carmen (Godard),
Pauline na praia (Rohmer),
O selvagem da motocicleta (Coppola),
O dinheiro (Bresson),
Sonhar, talvez (Manara),
Nausicaa (Miyasaki) e
Caprichos & relaxos (Paulo Leminski).


BALAIO PORRETA 1986
n° 2236
Rio, 18 de fevereiro de 2008


SER, HAVER
Afonso Henriques Neto
[ in Eles devem ter visto o caos. Rio, 1998 ]

há um certo sono
que é vento.
há um vago acento
à busca de letra
onde pousar.
há um distúrbio cego
no ar.
há dados do encanto
lançados ao tempo.
há número
só de morrer.
há ossos e amores
para viver.
há sempre o que há
falando não.
há um agudo sim
no coração.


Memória 1970
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 2
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Reprodução literal do
Parecer sobre Manhã cinzenta, de Olney São Paulo

a) Gênero: Protesto - Subversão.
b) Argumento: Filme nacional de protesto, documentando os choques estudantis com policiais,na Guanabara, notadamente no ano de 1968, quando aqueles tumultos chegaram ao auge. O filme tem um objetivo: indispor o povo contra as autoridades constituídas, em especial contra os militares, pois mostra supostas atrocidades praticadas contra estudantes e operários, ao mesmo tempo em quer sugere serem os dirigentes revolucionários remanescentes do regime nazista capultado com o fim da Segunda Guerra Mundial. Documenta, ainda os choques de rua, numa visão deturpada daqueles acontecimentos.
É um filme altamente subversivo, seja do ponto de vista das cenas que apresenta, seja dos diálogos que encerra, formando, no conjunto, uma mensagem nociva ao regime.
Por esse motivo, [ilegível] o filme infringe o que dispõem a letra "d" do art. 41 do Decreto 20.493, de 24 de janeiro de 1946, vigente; o art. 3° da Lei n. 5.536, de 21 de novembro de 1968; e, ainda, o que dispõe o Decreto 898, de 1969 - Dep. de Segurança Nacional.
Assim, opino no sentido de que será o mesmo INTERDITADO e apreendidas todas as suas cópias, seja em 16 mm, seja em 35 mm.
É o meu parecer.
Brasília, 24 de novembro de 1970
Wilson de Queiroz Garcia
Técnico de Censura


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Verão índio [1983], de Hugo Pratt (texto) & Milo Manara (desenhos). Lisboa: Meribérica/Liber, 1994, 160p. [] Explosão de cores, erotismo e formas históricas e sensuais: um dos grandes clássicos da arte seqüencial (cinema/quadrinhos) do século XX. Numa América sentida, em termos romanescos, por James Fenimore Cooper (redimensionado/relembrado por Hugo Pratt), no início do século XVII, temos uma vibrante história - exemplarmente narrada - que envolve paixão e coragem, crítica ao puritanismo religioso e crítica aos valores (pseudo)morais do "homem branco" em contato com a natureza. Simplesmente, uma obra-prima das HQs. Em tempo: Milo Manara, nascido na Itália em 1945, é um dos maiores autores eróticos dos aproximadamente 180 anos da linguagem quadrinhística.

domingo, 17 de fevereiro de 2008


A volta de
SANDRA CAMURÇA
in
O Refúgio


BALAIO PORRETA 1986
n° 2235
Rio, 17 de fevereiro de 2008


A volta de
JEANNE ARAÚJO

Jitiranas

Há alguns dias
em que teu rosto me cobre,
me persegue nas ruas,
nas paredes do quarto.
Leveza de olhos
em meio a foices e vitrais.
Jitiranas ramificadas,
meus dedos em riste,
teus não abissais.


Memória 1977
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 1
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro]

Reprodução literal do Parecer 2495/77
sobre o filme Assuntina das Amérikas, de Luiz Rosemberg Filho:

Filme tendencioso, com cenas estanques e simbólicas, que com o propósito de mostrar a arte brasileira nos anos 70, desvirtualiza-se desse objetivo criticando e ironizando o sistema atual, através de cantos, diálogos e mensagens subliminares.
Toda a película, entremeada de músicas e danças, apresenta constantes cenas de nús, movimentos e posições eróticas, felação, homossexualismo e pornografia. Dentre deste contexto enfoca, ao mesmo tempo, pessoas ensanguentadas, amordaçadas a "flashes" de uma viatura policial, ouvindo-se na trilha sonora ruídos de sirenes, tiros de metralhadora e chicotadas. Agravando todas estas implicações, as músicas cantadas "exaltam o Brasil" num flagrante contraste com as sequências e situações expostas.
Com base no exposto acima, opinamos pela NÃO LIBERAÇÃO tendo em vista o que dispõe o Dec. 20493, art. 41, letras "c" e "o".

Brasília, 24 de junho de 1977
Aldmeriza Rike de Castro
Hellé Prudente Carvalhedo

Nota do Balaio:
Assuntina das Amérikas, segundo a nossa leitura, é um dos filmes mais emblemáticos realizados no Brasil nos anos 70. O parecer da censura, como geralmente acontece, seria ridículo se não fosse terrível.

sábado, 16 de fevereiro de 2008


Um filme, um cartaz:
Depois do vendaval,
de John Ford,
realizado em 1952,
o ano de
Cantando na chuva (Kelly & Donen),
A carruagem de ouro (Renoir),
Othello (Welles),
Matar ou morrer (Zinnemann),
Viver (Kurosawa),
A vida de O'Haru (Mizoguchi),
Umberto D (De Sica),
Cidade (Simak),
O velho e o mar (Hemingway)
e da revista Mad.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2234
Rio, 16 de fevereiro de 2008


OS ÚLTIMOS FILMES (RE)VISTOS

Cotações:
*** (excelente); ** (ótimo); * (especialmente bom)

O barbeiro demoníaco da Rua Fleet * (Burton, 2007), no Arteplex/3
Em casa:
Depois do vendaval *** (Ford, 1952)
O homem que matou o facínora *** (Ford, 1962)
Três homens em conflito *** (Leone, 1966)


DIAGNósTICO (do meu PoEma)

Mario Cezar
[ in Coivara ]

inútil, como o esquecimento


LEITURA & LEITURAS

Vira e mexe, nacionalismo, de Leyla Perrone-Moisés.
Façamos, agora, algumas anotações do segundo capítulo do livro (Paradoxos do nacionalismo literário na América Latina), para possíveis reflexões:
"A imagem de uma América Latina única, pobre mas alegre, ignorante mas vital, é a que convém, justamente, ao olhar das culturas hegemônicas. Desde o Descobrimento, sempre nos vimos pelo olhar do Outro" (p.41);
"Como observa Octavio Paz: Em geral, a vida de uma literatura se confunde com a da língua na qual ela é escrita; no caso de nossas literaturas, sua infância confunde-se com a maturidade da língua. Nossos primitivos não vêm antes, mas depois de uma tradição de séculos. Nossas literaturas começam pelo fim" (p.42);
"De modo geral, o nacionalismo, para se afirmar, é purista: rejeita o outro e acaba por tender ao racismo. Um nacionalismo que reconhece e exalta a mestiçagem defronta-se com o problema da definição dos limites na acolhida na alteridade" (p.44);
"Em 1928, Oswald de Andrade propôs uma solução para o problema das influências estrangeiras, que consistiria, não na sua recusa, mas na sua incorporação deliberada. A metáfora usada foi a da antropofagia, prática comum entre os primeiros habitantes do Brasil" (p.45).


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

John Ford; aquele que procura (1894-1973), de Scott Eyman & Paul Duncan. Köln ; London; Los Angeles; Madrid : Taschen, 2005, 192p. [] A prestigiosa coleção da Taschen procurou se superar com o mestre do filme Depois do vendaval. E quase conseguiu. Os grandes espaços abertos do oeste americano encontraram lugar para uma filmografia dramática e épica, ora com John Wayne, ora com James Stewart. Qual o meu Ford preferido? Talvez A paixão dos fortes (1946). Talvez Rastros de ódio (1955). A verdade é que o cineasta americano, um dos maiores do cinema, tem sete ou oito obras-primas que me parecem indiscustíveis. Em tempo: na edição portuguesa, os títulos, muitas vezes são curiosos e/ou interessantes para os cinéfilos brasileiros. Assim, o clássico Stagecoach (no Brasil: No tempo das diligências) em Portugal se chama Cavalgada heróica.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


A arte de
Egon Schiele,
em 1917,
o ano da Revolução Russa


BALAIO PORRETA 1986
n° 2233
Rio, 15 de fevereiro de 2008



(TECE)LÃ
Fernanda Passos
[ in Poesia na Veia ]

Amanheço anoi(tecida)
Tricotando sonhos ao raiar do dia
Como se fossem tramas de seda
Numa mente ensandecida.


O BEIJO DA PALAVRA
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

O beijo de Tritão
lê os meus fonemas
e ouve meus sons
de sereia.

O beijo de Zeus
em várias línguas
faz em mim
oceano e areia

O beijo de Eros
me despe as palavras
e a paixão, em fogo,
me incendeia.


LEITURA & LEITURAS

Vira e mexe, nacionalismo, de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo : Companhia das Letras, 2007, 246p.
Do primeiro capítulo (A cultura latino-americana, entre a globalização e o folclore), para que se possa discutir temas que são atuais, cada vez mais atuais:
"A razão principal pela qual o nacionalismo (e o supranacionalismo) latino-americano corre o risco de se tornar nocivo ao desenvolvimento cultural de nossos países é que ele repousa sobre uma concepção inaceitável de cultura. Nenhuma cultura é auto-suficiente e estanque. Toda cultura é o resultado de intercâmbios e mesclas bem-sucedidas" (p.22);
"Esquecer nossas origens é perder nossa identidade. Manter o que resta das culturas originais e garantir os direitos das populações que as conservam é não apenas uma obrigação ética, mas também uma maneira de cuidar de uma riqueza cultural que nos pertence. Agora, querer reduzir nossa identidade ao que nos restou dos índios ou ao que nos trouxeram os africanos é uma regressão, que pode nos levar a um racismo às avessas" (p.24).
"Ligado ao nacionalismo populista, vem o culto do folclore. É óbvio que o folclore é uma riqueza cultural que deve ser preservada; Mas querer restringir as culturas latino-americanas a seus aspectos folclóricos significa impedi-las de evoluir, de inovar" (p.25).


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Jazz, par John Fordham. Préf. Sonny Rollins. [Paris :] Hors Collection, 1995, 216p. [] Excelente levantamento histórico-iconográfico (incluindo inúmeras reproduções de capas de discos famosos) do gênero musical que revolucionou a arte popular de consumo norte-americana. De forma clara e objetiva, este belo álbum contém informações, em geral corretas, sobre a história, os instrumentos, os grandes músicos, os principais discos. Aliás, vale a pena citar a galeria dos gigantes do jazz, segundo a perspectiva crítica de Fordham. Ei-los, em ordem cronológica, desde os tempos do ragtime: Scott Joplin, Jelly Roll Morton, Louis Armstrong, Bix Beiderbecke, Sidney Bechet, Duke Ellington, Coleman Hawkins, Billie Holiday. E mais, e mais: Lester Young, Count Basie, Charles Mingus, Dizzy Gillespie, Miles Davis. E para completar: Thelonious Monk, Art Blakey, Sonny Rollins, John Coltrane, Ornette Coleman e Keith Jarrett,

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Cartaz de
Alphonse Mucha
em
1897,
o ano de
Un coup de dés (Mallarmé),
Os frutos da terra (Gide),
Os Sobrinhos do Capitão (Dirks) e
De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?
(Gauguin)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2232
Rio, 14 de fevereiro de 2008


FENECER
Marize Castro
[ in Marrons, crepons, marfins. Natal, 1984 ]

Feneço na ausência
dos homens cor de bronze
do prepúcio de púrpura.

Quem me lapidou
esqueceu de me tirar
o veneno.

Ateio
fogo na minha própria
teia.

Como quem preserva fortalezas
corto minhas/alheias
veias.

Feneço, infinitivamente,
na presença dos homens
que têm grandes pés e nenhuma fé.
Que me rasgam a carne
e me sepultam em suas glandes.

Não fosse eu
uma pessoa de múltiplos escudos
viveria a vida toda
com um único vestido
de veludo.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Que é a literatura? [1948], de Jean-Paul Sartre. Trad. Carlos Felipe Moisés. São Paulo : Ática, 1989, 232p. [] Não adianta negar: Sartre continua sendo uma das minhas referências intelectuais. Daí o meu respeito e a minha admiração por sua obra. Um obra capaz de problematizar idéias que merecem ser pensadas até hoje, concordemos ou não com elas:
"... na verdade, a poesia não se serve de palavras; eu diria antes que ela as serve. Os poetas são homens que se recusam a utilizar a linguagem" (p.13);
"O poeta está fora da linguagem, vê as palavras do avesso, como se não pertencesse à condição humana, e, ao dirigir-se aos homens, logo encontrasse a palavra como uma barreira" (p.14);
"... a operação de escrever implica a de ler, como seu correlativo dialético, e esses dois atos conexos necessitam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor com o leitor que fará surgir esse objeto concreto e imaginário que é a obra do espírito. Só existe arte por e para outrem" (p.37);
"Escrever é doar" (p.85);
"Idealismo, psicologismo, determinismo, utilitarismo, espírito de seriedade, eis o que o escritor burguês deve refletir em primeiro lugar para o seu público" (p.91);
"Para uns, a literatura é a subjetividade levada ao absoluto, uma fogueira de alegria onde se retorcem os ramos negros dos seus sofrimentos e dos seus vícios ... Outros se constituem em testemunhas imparciais de sua época. Mas não testemunham aos olhos de ninguém ..." (p.99).
Nas páginas finais, encontramos um Sartre mais sartreano do que nunca, antes de aproximar-se do marxismo-maoísmo:
"Nada nos garante que a literatura seja imortal; hoje, a sua chance, a sua única chance, é a chance da Europa, do socialismo, da democracia, da paz. É preciso tentá-la; se nós, os escritores a perdermos, tanto pior para nós. ... o mundo pode muito bem passar sem a literatura. Mas pode passar ainda melhor sem o homem" (p.217-18).

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


Martins, Martins,
no Rio Grande do Norte

Foto de
Fábio Pinheiro
in
Swik Net


BALAIO PORRETA 1986
n° 2231
Rio, 13 de fevereiro de 2008


REENCONTRO COM O POETA
JOSÉ BEZERRA GOMES
Luís Carlos Guimarães
[ in O sal da palavra. Natal, 1983 ]

Na madrugada de 6 de outubro
sonho com o poeta José Bezerra Gomes
a falar sobre a Utopia de Thomas More.
O poeta interrompe os comentários
ao livro do Chanceler de Henrique VIII
e atrás dos óculos seus olhos miúdos
piscam para a eternidade.
Com um sorriso de inocência e sarcasmo
o poeta revela, paradoxal,
seu compromisso com a vida
-
essa cadela danada,
essa massa falida.
Ainda no sonho vejo a sua letra desigual
machucando o poema no papel,
a dizer que a poesia não é vã,
que valeu o seu grito no exílio.


OS MELHORES FILMES DE ELY AZEREDO

Ao contrário de José Lino Grunewald, sobretudo, e de Moniz Vianna, o carioca Ely Azeredo não era exatamente um dos nossos críticos cinematográficos favoritos nos anos 60, entre os que militavam na imprensa do Rio. Mas tinha os seus méritos. As suas (in)certezas estéticas. O seu estilo. Na Tribuna da Imprensa, o suplente Sérgio Augusto parecia-nos mais interessante. Mas essa é outra história.

O fato é que Ely Azeredo, ainda atuante, vai publicar um livro sobre cinema. Cinema brasileiro. Em se tratando de suas opiniões, decerto será um livro discutível. Mas o importante é que seja publicado (com o aval do Instituto Moreira Sales). Precisamos de obras sobre o nosso cinema. Curiosamente, O Globo de hoje, na coluna Gente Boa, relaciona os seus cinco filmes preferidos. Cinco obras-primas, segundo o nosso entendimento. Eis a (pequena) lista:

1. Morangos silvestres (Bergman, 1957)
2. O passageiro - Profissão repórter (Antonioni, 1975)
3. 2001: uma odisséia no espaço (Kubrick, 1968)
4. O anjo exterminador (Buñuel, 1962)
5. Memórias do subdesenvolvimento (Alea, 1968)

A título de comparação, vejamos os seus "10 Mais" (entre os "20 Melhores") para a revista Filme Cultura, out-nov 1967: 1. Vampiro (Dreyer, 1932); 2. Cidadão Kane (Welles, 1941); 3. A paixão de Joana d'Arc (Dreyer, 1928); 4. Em busca do ouro (Chaplin, 1925); 5. A regra do jogo (Renoir, 1939); 6. Luzes da cidade (Chaplin, 1931); 7. O grito (Antonioni, 1957); 8. Morangos silvestres (Bergman, 1957); 9. Ouro e maldição (Stroheim, 1924); 10. No tempo das diligências (Ford, 1939).


SANGUE NO BAZAR

Depois do Rio Grande do Sul, da Espanha e de alguns países árabes, chegou a vez do Rio Grande do Norte. O vídeo Sangue está sendo igualmente veiculado na coluna Bazar, do jornalista cultural Alex de Souza, no jornal online No Minuto. O que nos deixou, a mim e a Rosemberg, bastante satisfeitos. Atenção: como já anunciamos, Sangue não é aconselhável para menores, em função dos 69 segundos finais.


RECOMENDAMOS
a leitura da análise crítica de Francisco Sobreira
sobre o filme de Alain Resnais Medos privados em lugares públicos,
in Luzes da Cidade.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


Foto de
Nuno Belo
in
1000 Imagens


BALAIO PORRETA 1986
n° 2230
Rio, 12 de fevereiro de 2008


SANGUE NO TLAXCALA

Depois do Via Política, chegou a vez do sítio espanhol Tlaxcala - de tendência anarco-socialista - disponibilizar para os internautas o vídeo Sangue, dirigido por mim e por Luiz Rosemberg Filho. Temos informações, inclusive, que o vídeo já foi pirateado para sítios árabes. E que está sendo considerado, por muitos, como um inesperado acontecimento político. Na verdade, trata-se de uma "obra caseira", sem pretensões narrativas no sentido cinematográfico mais romanesco-tradicional, baseada num poema de minha autoria, publicado aqui, no Balaio, quando Bush se reelegeu nos Estados Unidos da América da Morte. Claro que Rô e eu estamos bastante contentes: 1) pelo vídeo-em-si, com sua proposta antibelicista e antipornográfica; 2) pela importância política do Tlaxcala; 3) pelas numerosas pessoas que poderão vê-lo, pois o sítio espanhol apresenta, em média, um acesso a cada 12 segundos: mais de um milhão de internautas já o acessaram nos últimos dois anos. Decerto, quantidade não significa qualidade, mas, neste caso, significa, sim, vontade política. E vontade política é o que não falta a Sangue/Sangre.


BROUHAHA: UM MURMÚRIO A FAVOR DO NOVO

O mais recente número da Brouhaha, editada com brilhantismo e competência pela Fundação Capitania das Artes, de Natal - RN (endereço: revistabrouhaha@hotmail.com), é um duplo choque: pela homenagem ao poema/processo e pela ousadia gráfica, justamente a partir das propostas críticas e teóricas do movimento (contra)literário lançado em dezembro de 1967, no Rio e na capital do Rio Grande do Norte. É preciso espantar pela radicalidade, de 1967 a 2007: eis, assim, a heróica e brava Brouhaha. Com seu olhar crítico & informativo para aqueles que fizeram e/ou ainda fazem o poema/processo. Capaz de lançar uma "pedrada simbólica" contra os equívocos acadêmicos, por exemplo, do ilustre professor Antonio Candido. Só que o poema/processo, como obra-em-construção, como obra-em-progresso: os poemas possessos da realidade brasileira, quer me parecer maior do que possíveis equívocos críticos conjunturais desse ou daquele professor de letras. Louve-se, por fim, o trabalho editorial de Moisés de Lima, Afonso Martins e outros. Uma revista-marco. Simplesmente.


UM PENSAMENTO, UM BLOGUE

"O sonho é mais forte do que a experiência".
(Gaston BACHELARD. A psicanálise do fogo, 1938)

Citação sugerida a partir da leitura da mais recente crônica (Algumas razões para sonhar) de Sheila Azevedo publicada no blogue natalense Bicho Esquisito, de sua responsabilidade.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008


Minerva,
de
Auguste Rodin


O artista francês é um dos selecionados
por Gilles Néret in
Erotica Universalis


BALAIO PORRETA 1986
n° 2229
Rio, 11 de fevereiro de 2008


POEMAS de
Lúcia Nobre
[ in O bom trepador. Rio, 2000 ]

Bom trepador
menage à trois
quatro cinco seis seis sete oito nove dez

Bom trepador
sexo oral vaginal anal
tudo é carnaval

Bom trepador
segreda coisas obscenas
como poemas


POEMA de
Chico Doido de Caicó (RN)

Gosto de mulher de tudo que é jeito
Até das muito bonitas
Que não sabem foder muito bem
E até mesmo daquelas
Que nunca deram o xibiu
Para o meu consumo


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Erotica Universalis, de Gilles Néret. Köln : Taschen, 1994, 756p. [] Expressiva coletânea de desenhos e ilustrações de cunho erótico, incluindo cenas antigas, clássicas, românticas e modernas. Algumas das imagens são conhecidas; outras, nem tanto. Há reproduções, por exemplo, de Jacques Callot (1592-1635), Bartholomaeus Spranger (1546-1611), Jean-Honoré Fragonard (1723-1769), além de vários anônimos dos século XVII e XVIII. Há também reproduções de Auguste Rodin, William C.B., Jules Adolphe Chauvet, Achille Deveria, Gustave Coubert, Paul Gauguin, Gustave Doré, Henri de Toulouse-Lautrec, Honoré Daumier, Martin Van Maele, René Magritte, Pablo Picasso. Enfim, um carnaval para os olhos. Mesmo sem as mulheres de Manara, Crepax, Serpieri, Nico Rosso, Carlos Zéfiro e outros quadrinhistas.


SANGUE
no
Via Política
(com poesia, guerra e cenas de sexo explícito)

Direção: Moacy Cirne & Luiz Rosemberg Filho

Igualmente no
Tlaxcala

domingo, 10 de fevereiro de 2008


Outras terras, outras gentes:
Catedral de Pedra, em Luang Prabang (Laos)
Foto de
Daniel Japiassu
in
Uma Coisa e Outra


BALAIO PORRETA 1986
n° 2228
Rio, 10 de fevereiro de 2008




DESABAFO
Carito
Um poema para meu pai
Jessé Dantas Cavalcanti (25/02/1921-06/02/2008)
[in Os Poetas Elétricos ]

Vou mandar tudo pra lá
Para a concha
In
China

Para assim poder escutar
Os silêncios
Do seu
Mar

Um mar de orientes
Para nos orientar
E nos salvar de de qualquer
Ocidente

Brinco com as palavras
Porque você me ensinou
A ser
Feliz!


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

A história da linguagem [1969], de Julia Kristeva. Trad. Maria Margarida Barahona. Lisboa : Edições 70, 1974, 458p. /Colecção Signos/ [] Língua/linguagem: o signo lingüístico e a materialidade da própria lingua(gem). Antropologia e lingüística: história e conhecimento dos signos transnacionais. As especulações medievais. Os humanistas e gramáticos do Renascimento. Psicanálise, linguagem e semiótica. Assim anunciam seus principais capítulos. Embora introdutório, um livro de grande alcance epistemológico. "A pergunta 'O que é a linguagem?' pode e deve ser substituída por outra: 'Como é que a linguagem pôde ser pensada?'. Pondo assim o problema, recusamo-nos a procurar uma pretensa 'essência' da linguagem, e apresentamos a prática lingüística através desse processo que a acompanhou: a reflexão que suscitou, a representação que dela se elaborou" (p.18).

La révolution du langage poétique, de Julia Kristeva. Paris : Seuil, 1974, 644p. [] Um dos "nossos" livros fundamentais nos anos 70: uma leitura estrutural das obras de Lautréamont e Mallarmé. A semiótica e o simbólico & o dispositivo semiótico do texto. O processo de significância: as teorias gerais do sentido. A semiótica ("as pulsões de suas articulações", cf. p.41ss) e o domínio da significação. Reconhecemos: não se trata de uma leitura fácil, mas vale a pena enfrentar suas dificuldades, seus problemas, suas enunciações. Althusser já dizia, no final dos anos 60: "Não há leitura inocente". Kristeva dirá: "Toda linguagem poética é trabalhada pela contradição entre o signo e os processos pré-simbólicos" (p.607). É preciso refletir sobre sua precisão crítica. É preciso pensar: as facilidades verbais e/ou conteudísticas são muitas vezes enganosas. Terrivelmente enganosas.


RECOMENDAMOS ESPECIALMENTE
a leitura de
É o Estado, estúpido!, de Emir Sader (no Blog do Emir),
in Carta Maior