quinta-feira, 14 de agosto de 2008


Ponta Negra:
a Natal que todos conhecem
Foto:
autoria desconhecida,
como desconhecida, para muitos,
é a Natal dos velhos tempos:
o Grande Ponto,
por exemplo,
em foto de Jaeci Emereciano


BALAIO PORRETA 1986
n° 2399
14 de agosto de 2008

Natal é uma cidade cercada de mar e de verde. Além da vegetação que cobre as dunas, há cajueiros, mangueiras, siriguelas, jambeiros, sapotizeiros, coqueiros e pitombeiras. Para realçar as cores do mar e das árvores, um sol que cobre
a cidade o ano inteiro.

(Maria Conceição Pinto de GÓES.
A aposta de Luiz Ignácio Maranhão Filho, 1999)


POESIA QUE TE QUERO POEMA
POEMA QUE TE QUERO POESIA


de JOÃO ANDRADE (RN)

Não escrevo
porque quero,
os versos se formam
em mim,
eu só espero.

[][][]

Sou como as estações,
no inverno, inverno
na primavera,
primavero

[ in Preá. Natal, nº 9, dezembro de 2004 ]


A POESIA POPULAR DE ZÉ LIMEIRA (PB)

Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraíba falada,
Cantando nas Escritura,
Saudando o pai da coalhada,
A lua branca alumia,
Jesus, José e Maria,
Três anjos na farinhada.
Jesus foi home de fama
Dentro de Cafarnaum,
Feliz da mesa que tem
Costela de gaiamum,
No sertão do Cariri
Vi um casal de siri
Sem compromisso nenhum.
Napoleão era um
Bom capitão de navio,
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo,
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio.

Memória
OS DEZ MELHORES POEMAS BRASILEIROS

Exatamente no dia 2 de janeiro de 2000, o suplemento Mais da Folha de S.Paulo, consultados Alcir Pécora, Aleksandar Jovanovic, Augusto Masi, Décio Pignatari, Irlemar Chiampi, Ivo Barroso, José Lino Grunewald, Leonardo Fróes, Nelson Ascher e Sebastião Uchoa Leite, apresentava os melhores poemas brasileiros de todos os tempos, sendo os mais votados os que seguem:

1. A máquina do mundo, de Carlos Drummond de Andrade
2. O inferno de Wall Street, de Joaquim de Sousândrade
3. Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga
4. Cântico dos cânticos para flauta e violão, de Oswald de Andrade
5. Procura da poesia, de Carlos Drummond de Andrade
6. O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto
7. Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira
8. Tecendo a manhã, de João Cabral de Melo Neto
9. Cobra Norato, de Raul Bopp
10. O cacto, de Manuel Bandeira

Nota 2008:
Quais seriam os 10 melhores poemas produzidos
no Rio Grande do Norte?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008


Clique na imagem
para ver o curta de animação tcheco
Mídia,
de Pavel Koutský,
realizado em 2000,
exibido no Anima Mundi 2001:
uma violenta sátira,
com elementos grotescos,
ao universo da mídia

Ilustração:
plano de um outro curta de Koutský
(Curriculum vitae, 1986)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2398
Rio, 13 de agosto de 2008


[A minha] É uma poesia de crítica e denúncia permanentes,
a partir da ternura pela vida e, especialmente,
pelos seres que, ao contrário de nós, vivem aquém da opção
e da consciência ativa.

(Mauro GAMA, in Rio Movediço, 05/08/2008)


DRÁCULA
Mauro Gama
[ in Zoozona, 2008 ]

Abre. Retira as trancas as réstias de
alho ou de luz os olhos a cruz e
abre abre-te toda a mim e ao mundo
da noite. Quero-te a polpa bem nua
trago-te os lírios da lua e os dentes os
meus carentes caninos : sou o vampiro - já
sabes - moro na gruta do luto vôo em
meu manto de encanto e chego cego de
amor. Ou dor? Estou morto há séculos e
séculos só do teu sangue ainda vivo
teu doce sangue de seda teu
sangue que hoje me seda no
negro vôo no crivo da minha
sede noturna. Tens de só ser para
mim na força que ora te enfurna
nas minhas ganas nas minhas
membranas na minha urna sem
nada teu que não seja entrega
sem nada em troca exigir : só
prazer meu do teu deus que só em
ouvir tem seu rumo que só em
ferir tem seu sumo. Mas isso não por
favor : não te assumas Ah! Não amor
desamor por que me atacas assim? Não
tens piedade ou preceito? Que fazes com
a claridade? E com essa estaca em meu peito?

Nota:
Zoozona (São Paulo: A Girafa, 2008),
um dos grandes livros de poesia do ano,
será lançado, amanhã, na Travessa de Ipanema,
a partir de 19:30h.


POEMA
de Moacy Cirne

o cheiro suculento da pinha
infância que se memória
abre-se para o canto das pedras
sob as chuvas de fevereiro e caicó.
fruticorpo orgasmo,
a pinha
se oferece à boca lenta e atenta
com seu aroma raro
seu aroma claro
e um branco de auroras arrependidas,
assim: a pinha.

[ in Balaio Incomun 1178,
de 7 de agosto de 1999 ]

POEMA
de Hildeberto Barbosa Filho

Odisséia

Só um poeta
é capaz de atravessar
desertos
em busca de um oásis
de palavras.

[ in Eros no Aquário. João Pessoa, 2002 ]

terça-feira, 12 de agosto de 2008


Clique na imagem
para ver
uma raridade:
o trêiler dramatizado de
Cidadão Kane,
feito pelo próprio
Orson Welles

Na foto:
Orson Welles diante do cinema
com Cidade Kane em cartaz
durante o lançamento, nos EUA, em 1941
in
My Wasted Blues


BALAIO PORRETA 1986
n° 2397
Rio, 12 de agosto de 2008


Só sofri uma vez influência de alguém: antes de filmar Citizen Kane, vi 40 vezes No tempo das diligências [1939]. Não precisava seguir o exemplo de alguém que tinha alguma coisa a dizer, mas de alguém que me mostrasse como dizer o que tinha a dizer: para isso, John Ford é perfeito.
(Orson WELLES, em entrevista para o Cahiers du Cinéma, set./1958)


TUA AUSÊNCIA SOLTA
Romério Rômulo

tua face é tanta e tão ausente
me cala o corpo agudo em tal instante.


TEXTOPOEMA
Mario Cezar
[ in Tramela ]

a palavra atinge o cerne da carne?


O ESTRANGEIRO
Hayi L'Assaqilah
[ in Poesia palestina de combate ]

Não se apoderem de meus olhos
Sou o estrangeiro
em busca de uma pátria
meu coração se esmigalhou
sobre as montanhas da neve, do sangue e da geada
caminhei com as crianças
me abandonaram
na noite da fome, do sangue e da geada
levantaram sobre minhas costas
as tábuas do meu ataúde

Não me exterminem
sou o estrangeiro
em busca de uma pátria...
que erro cometeu meu povo
para que viva hoje
numa terra em ruínas
que erro cometeu o pássaro
para que o joguem de um bosque a outro
que erro cometeu meu coração
para que derramem sobre ele
a catástrofe e tanta dor.


OS LÁBIOS CORTADOS
Samih Al Qassim
[ in Poesia palestina de combate ]

Eu poderia ter contado
a história do rouxinol assassinado
poderia ter contado
a história...
se não me tivessem cortado os lábios.

Nota:
Cf. Poesia palestina de combate. Pref. Farid Suwwan.
Rio de Janeiro: Achiamé, s/d, 152p.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008


Nossa homenagem
a
Eugenio Colonnese
(1929-2008),
criador de
Mirza, a Mulher Vampiro,
em 1967

Maiores informação sobre Colonnese
na postagem de 08/08/08
in
Blog dos Quadrinhos


BALAIO PORRETA 1986
n° 2396
Rio, 11 de agosto de 2008

"[Colonnese] Foi um exemplo de profissionalismo e dedicação à nona arte. Deixará um vácuo, que dificilmente será preenchido" - Waldomiro Vergueiro.
(Citado por Paulo Ramos, in Blog dos Quadrinhos)


DE ORIGEM SERIDÓ
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

Acho que sou de pano,
de cabelo de milho,
de bagem de algaroba,
de barro do Riacho,
de semente de algodão.

Acho que sou a goteira,
a noite e a tarde de chuva,
a aurora, a madrugada. Ou
uma boneca de pano
com sachê no coração.

DIVAGAÇÕES & PROVOCAÇÕES

Com todo o seu lirismo muitas vezes excessivo, Vinicius de Moraes é um bom poeta. Sem dúvida. Mas, lirismo por lirismo, romantismo por romantismo, verso por verso, sou mais o pernambucano Carlos Pena Filho. Sei, sei, certas comparações são impertinentes. Mesmo assim, leio com mais prazer o poeta recifense. Vejam que preciosidade:

Poema
[ in Livro geral, 1959]

Senhora de muito espanto,
vestindo coisas longínquas
e alguns farrapos de sono,

eu vim para te dizer
que inutilmente contemplo
na planície de teus olhos
o incêndio do meu orgulho.

Senhora de muito espanto,
sentada além do crepúsculo
e perfeitamente alheia
a realejos e manhãs.

Eu vim, para te mostrar
que se inagurou um abismo
vertical e indefinido
que vai do meu lábio arguto
ao chumbo do teu vestido.

Senhora de muito espanto
e alguns farrapos de sono,
onde o céu é coisa gasta
que ao meu gesto se confunde.

Um dia perdi teu corpo
nas cores do mapa-mundi.

O poeta Eucanaã Ferraz, no Estadão de ontem, em entrevista para o caderno Cultura, deu uma resposta perfeita à seguinte pergunta: "Os livros de auto-ajuda são mesmo todos ruins, ou isso é puro preconceito da crítica?". Assim respondeu Eucanaã: "A literatura inquieta, perturba, desvia, liberta. A auto-ajuda, diferentemente, estabiliza, pacifica, é prescritiva, didática, e sua escrita pertence à farmacologia, não à literatura". Resta saber se os farmacêuticos e os químicos aceitarão como colegas Paulo Coelho & similares.

E o que dizer dos escritores genéricos como Jô Soares e tantos outros? Será que servem, ao menos, para despertar o interesse na literatura? A rigor, de uma forma ou de outra, são escritores que existem em função da mídia. Ou que por ela são fabricados. Nada dizem, nada acrescentam, nada questionam.

[][][]

Para completar a edição de hoje,
sem maiores provocações,
eis uma foto de
Luís Azevedo, in Olhares:

domingo, 10 de agosto de 2008


Clique na imagem
para ver o curta experimental
É hoje
[2006],
de Marcelo Ikeda:
carnaval e desilusão
carnaval e solidão
carnaval e anticarnaval

Foto:
Sambódromo, no Rio
(autoria desconhecida)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2395
Rio, 10 de agosto de 2008


Oh, que som é este, que faz vibrar o ouvido,
Lá embaixo no vale, rufando, rufando?
São apenas os soldados escarlates, querida,
Os soldados chegando.
(W.H. AUDEN, Oh, que som é este?, trad. Jorge Wanderley)


POEMA DE WESCLEY J. GAMA

o azul-escuro do teu cansaço

revela a trajetória insana
do teu nariz ao vento,

dos teus pés
a minar
a selva urbana.

estás à procura
do fremente estar

à espreita
da reliquia dos olhos

de alguém que passa

no mesmo palpitar.

[ in A Taberna ]


POEMA DE NEL MEIRELLES

fertilidade

depois da chuva
brotam poemas
entre
os paralelepídedos
e as calçadas

[ in Fala Poética /desativado/ ]

COMO SE FALAVA EM NATAL
NA SEGUNDA METADE DOS ANOS 40


Arriado : Apaixonado
Arrotando goga : Gabando-se
Baiuqueiro : Jogador de baralho
Bater a linda plumagem : Voar; tomar caminho
Boca da noite : Fim de tarde
Caningado : Repetitivo; insistente
Comer corda : Aceitar e acreditar em elogios fáceis
Dar esbregue : Repreender
Dar o cavaco : Afobar-se; irritar-se
Enfarpelado : De roupa nova
Estar com a goitana : Estar furioso
Faltar areia nos pés : Ficar desnorteado
Jerimunlândia : A terra norte-rio-grandense
Lambedeira : Faca; peixeira
Marretar : Roubar
Muxicão : Beliscão
Pinicar a burrinha : Esporear
Queimar as pestanas : Ler; estudar muito
Torres : A formação de nuvens carregadas prenunciando chuvas

[ Fonte: Esquina da Tavares de Lira com a Dr. Barata,
reportagens de Djalma Maranhão.
Natal: Sebo Vermelho (Glossário organizado por Cláudio Galvão) ]

sábado, 9 de agosto de 2008



Clique na imagem
para ver um dos mais sensíveis e delicados
filmes de animação de todos os tempos:
Pai e filha,
de Michael Dudok de Wit


BALAIO PORRETA 1986
n° 2394
Rio, 9 de agosto de 2008


Todo aquele que ama o cinema entra, mais cedo ou mais tarde, em contato com Ozu. Ele é o mais quieto e delicado dos diretores, o mais humanístico, o mais sereno.
(Roger Ebert. A magia do cinema, 2002)


UM CINEMA EXTREMAMENTE SENSÍVEL

O cinema de animação já tem o seu Yasujiro Ozu, o famoso diretor japonês de Pai e filha (1949). Era uma vez em Tóquio (1953) e Ervas flutuantes (1959). Trata-se do holandês radicado na Inglaterra Michael Dudok de Wit, que, criando na área da animação cinematográfica desde 1978, começou a causar admiração em escala mundial nos anos 90, sobretudo com o ótimo O monge e o peixe, de 1994. Mas seria em especial com Pai e filha, realizado em 2000, e cujo título homenageia o mestre nipônico, que De Wit atingiria o máximo em poesia e delicadeza, ao trabalhar a dicotomia solidão/fantasia a partir de um grafismo minimalista de surpreendente efeito dramático-visual. Pai e filha é uma jóia rara, um momento tocante na história do cinema de animação.


SAGRADO
Jeanne Araújo

Se permitires que eu trace
em tua pele distraída
pequenos cursos luminados,

Se permitires que eu caminhe
secretamente entre teus seios
como uma tênue labareda,

Se permitires, enfim, abrir terraços
e alamedas no teu corpo nu
de estreitas paisagens

Se permitires, eu invocarei
o silêncio das tardes
e o vazio das capelas
e catarei poesia entre teus olhos
e cantarei poemas em teu sacrário.

TORRE DE PICHE
Sheyla Azevedo
[ in Bicho Esquisito ]

Meu gato passa horas sentado em algum lugar ermo, numa escolha criteriosa de silêncio e solidão.

O tempo todo, a todo tempo, pessoas também fazem isso. Só não sei se com a mesma determinação dos gatos.

No trabalho. Na rua. No trânsito. No supermercado. No ônibus. Somos uma multidão de irmãos órfãos.

Tenho cá minhas dúvidas sobre se a solidão é uma escolha ou uma condição. Mas nunca gostei de resolver equações. Portanto, abstenho-me.

No máximo me permito, vezencuando, perguntar se há alguém do outro lado que possa dividir sua solidão com a minha.

Mas, geralmente, minha língua em repouso balbucia um dialeto incompreensível para quem prefere as janelas abertas e as cortinas balançando ao vento.

Sempre tive mais fascínio pelas sombras, que medo da descoberta de que o medo é só algo que já está dentro e que não sabemos lidar muito bem.

Hoje, um estilete cego desfia as folhas do caderno onde guardo as lembranças do meu dia. Por isso assim, me fragmento.

Sou peixe no aquário. Presa na torre de piche.

Bom para os gatos.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008


Clique na imagem
para ver o trêiler de
Um filme falado,
de
Manoel de Oliveira


BALAIO PORRETA 1986
n° 2393
Rio, 8 de agosto de 2008

o poema
é texto de palavra atada e fugidia.
rasgo de alma, fosse chuva e sol.
(Romério Rômulo, 13/07/08)


REMANSO
Carlos Gurgel (RN)
[ in On The É ]

assim
reescrevo todos teus olhos e carnes
como declaração de tudo que é pleno e belo:
assim é você


POEMA DE MAX MARTINS (PA)

O amor ardendo em mel

Morder! Morder o
hímem adocicado
- frêmito de lâmina
entre duas coxas
do polo ao pólem.
E o apolo laminar morder
Morder os bicos dos figos
antes que murchos
antes dos dentes
sempre morder
e jamais sugar
da lua a sua ferrugem.
Morder somente a sua semente
antes de agora
antes da aurora
morder
e arder em mel
o amor.

[ in Anti-retrato /1960/,
republicado em Não para consolar /1992/ ]

Memória
OS MELHORES CONTOS
segundo MURILO RUBIÃO

[in Revista Vozes, setembro 1978]

1. O poço e o pêndulo (Poe)
2. Os exilados de Poker Flat (Harter)
3. Quatro encontros (James)
4. Missa do Galo (Machado de Assis)
5. Acender um fogo (London)
6. Bola de sebo (Maupassant)
7. A luz da outra casa (Pirandello)
8. Os assassinos (Hemingway)
9. O capote (Gogol)
10. Uma rosa para Emily (Faulkner)

OS MELHORES FILMES
segundo ROBERT BENAYOUN

[in Top 100 movies, 1988]

1. Vidas amargas (Kazan)
2. A regra do jogo (Renoir)
3. Luzes da cidade (Chaplin)
4. Cidadão Kane (Welles)
5. Ano passado em Marienbad (Resnais)
6. Amarcord (Fellini)
7. Viridiana (Buñuel)
8. A aventura (Antonioni)
9. Andrei Rublev (Tarkóvski)
10. Relíquia macabra (Huston)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


Imagem:
Magdalena Olek
in
AltPhotos


BALAIO PORRETA 1986
n° 2392
Rio, 7 de agosto de 2008

Para mim, nem homem nem mulher podem ser trancados em coisa nenhuma. Tampouco masculino e feminino podem prescindir de sua essência humana.
(Carmen VASCONCELOS, in Substantivo Plural, 14/07/08)


Repeteco
CONTRAMEMÓRIAS 1998

Como outros potiguares e outros marcianos, também fiz a minha VIAGEM INSÓLITA através do Diário de Natal. E o fiz em 10 de maio de 1998:

Você é o que queria ser quando era adolescente?
Eu queria ser extraterrestre; hoje sou apenas poeta e cangaceiro.

Você se arrepende de alguma coisa?
Talvez sim, talvez ficção.

O que gostaria de ter feito e não fez?
Navegado pelo Seridó, entre Jardim e Caicó.

Qual o seu sonho atual?
Viajar para a Natal dos anos 20 e para o Rio dos anos 40.

Em que situações você mente?
Como poeta, posso mentir. Como cangaceiro, não minto jamais.

Conte um segredo de viajante.
Já estive em Saturno, São Saruê e Solaris, o planeta das águas encantatórias.

Qual o livro que você leu de um fôlego só e leria novamente?
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.

Quem mais o influenciou?
O cinema, o rádio, os quadrinhos...

O que você acha de pessoas loquazes?
Quando incompetentes, não me interessam.

É aborrecido envelhecer?
Para quem sabe ouvir, ler, sentir e ver, não existe o envelhecer.

Pessoas arrogantes e prepotentes merecem o quê?
O desprezo.

Você gosta de ouvir pessoas que não sabem ouvir?
Decididamente, não.

De que você tem medo?
À maneira de Faulkner, eu diria que entre a dor e o nada, tenho medo do nada.

Que tipo de música faz você sonhar com o paraíso?
Händel, Bach, Haydn, Mozart, Coltrane, Pixinguinha.

O que lhe seduz no jogo da criação?
A provocação.

Que tipo de música faz você ter pesadelos?
Axé music, axé music, axé music.

Gosta das festas do Grand Monde?
O Grand Monde é um mundo pequeno. Suas festas nada me dizem.

O imaginário apavora?
Ao contrário. O imaginário - sobretudo o imaginário em transe - é uma porta aberta para o delírio criativo. E mais do que nunca o delírio é uma necessidade existencial.

Como você convive com seus sonhos?
Procurando vivê-los, na exata medida do impossível.

Você é daquelas pessoas que acham arte moderna um amontoado de rabiscos?
Claro que não. Só que a verdadeira arte, de Bosch a Hélio Oiticica, sempre foi moderna.

O que você acha do dinheiro.
Dinheiro? Como professor universitário, não sei mais o que é dinheiro...

O que você prefere: Tambaba ou Museu do Louvre?
Tambaba e o Museu do Louvre, Pirangi e o CCBB, Búzios e o Paço Imperial.

A arte é necessária ou só frescura?
Viver é necessário?...

O que você faria se ficasse sozinho numa ilha onde só se ouve forró e axé music?
Prefereria ficar surdo para o resto da vida.

Qual a pessoa que você mais detesta?
FHC ou ACM. Os dois se equivalem. Ou se completam.

O que você nunca faria novamente?
Dançar um tango canadense na Matriz de Caicó, em plena Festa de Santana.

O que a boca diz quando a alma grita?
Te quero mais do que a um poema.

Qual a palavra que nunca deve ser dita?
Depende.

Qual o mal deste final de século?
A ditadura da mediocridade.

O que dói em Natal?
A miséria, como em qualquer outro lugar. E o turismo que privilegia, por exemplo, um reles foguetinho de Barreira do Inferno.

Nota 2008:
1. Decerto, a referência ao forró se aplica a um certo tipo de forró feito hoje, de coloração reeira, e não ao forró pé-de-serra.
2. Entre os nomes mencionados, em termos musicais, é preciso acrescentar Monteverdi, Charpentier, Marais, Beethoven, Jacob do Bandolim, Luiz Gonzaga, Urbano Medeiros...
3. A Búzios citada no texto não é a Búzios do Rio Janeiro, e sim a Búzios ao sul de Pirangi, nas proximidades de Natal.
4. Igualmente dói em Natal o predomínio do "colunismo social" nos principais jornais da cidade.
Ah, sim, e o turismo sexual.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008


O nascimento de Vênus
1. por Sandro Botticelli, 1485
2. por Raoul Dufy, séc. XX


BALAIO PORRETA 1986
n° 2391
Rio, 6 de agosto de 2008

O pensamento deve elevar-se; o coração, ficar na terra.
(Joaquim NABUCO. Pensamentos soltos)


POEMA
Margarida Finkel
[ in No tear dos ventos, 1980 ]

Na noite futura
calarás
tu que conheces
tantas palavras
calarás
e subirão da terra
as flores do teu silêncio


POEMA
Ada Lima
[ in Menina Gauche ]

Ainda trago nas costas
as cicatrizes
das asas que me foram postas.

Não há invenção mais cruel que os altares.


O LUGAR PERFEITO
Sheyla Azevedo
[ in Bicho Esquisito ]

Umas duas, três ou cinco vezes durante o dia parto rumo ao nada. É um local ermo no meu trabalho, onde ficam as lixeiras, um sumidouro estourado, uma escada absolutamente imunda, e umas vinte mil piubas de cigarro.

Já quando saio dos corredores frios e infindáveis - onde muitas vezes eu passo e me deparo com pessoas tão abandonadas à própria sorte que não aparentam ter outra alternativa senão sentarem-se rente ao chão, como mendigos a estender a mão para quem está no andar de cima – tento me despir do que vou deixando para trás. É quase como um ritual necessário para que eu possa voltar a praticar a apnéia diária do trabalho. Lá, fumando meus cigarros, em meio ao lixo, à lama do sumidouro mal projetado, e sentada na escada imunda, é como se me libertasse para respirar.

Tenho reparado que é nesse lugar onde minhas humanidades mais têm se exacerbado: quando estou com fome, sinto-me faminta; quando estou cansada, pareço não me sustentar nas pernas; quando tenho uma idéia, parece a mais brilhante; se estou triste, me sinto em casa. É como se em todos os outros lugares - até mesmo no meu quarto, na companhia do meu gato mimado e condescendente com minha carência – eu representasse o papel de mim mesma, só que do lado de fora.

Uma, duas, três ou quantas vezes forem preciso, parto rumo ao nada. Para sobreviver.

[][][]

No blogue do POEMA/PROCESSO,
depois de A ave, de WDP,
mais um Seridoísmo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008


Clique na imagem
para ver um dos melhores
e mais inquietantes curtas
da história do cinema,
segundo a minha leitura
crítico-afetivo-libertinária:
Prólogo
(2004),
do cineasta húngaro
Bela Tarr


BALAIO PORRETA 1986
n° 2390
Rio, 5 de agosto de 2008

As vitórias da técnica parecem ser adquiridas por meio da perda do caráter. No mesmo ritmo em que a humanidade domina a natureza, o homem parece se tornar escravo de outros homens ou de sua própria infâmia. Até mesmo a pura luz da ciência parece incapaz de brilhar a não ser sobre o pano de fundo sombrio da ignorância.
(Karl MARX. Discurso, 1856)


QUEM É BELA TARR

Nascido em 1955, na Hungria, o cineasta Bela Tarr é, hoje, um dos mais prestigiados diretores do cinema europeu. Seu curta Prólogo é uma pequena obra-prima. Mas são seus longas que têm causado espanto e admiração, como o extraordinário Danação, de 1988, e o cultuado Satan's tango, de 1994 (por enquanto, só conheço-o parcialmente), que mereceu o seguinte comentário da ensaísta americana Susan Sontag: "Devastador, fascinante, em cada minuto de suas sete horas. Ficaria feliz de vê-lo todo ano pelo resto de minha vida".


REGIONALISMO/UNIVERSALISMO

O ótimo Substantivo Plural, editado em Natal por Tácito Costa, abriu espaço para uma discussão ainda atual, nem que seja por questões econômicas e editoriais. Abriu espaço, como o faz, aliás, para qualquer tema de ordem cultural, entre seus leitores, muitos deles poetas, historiadores e ficcionistas. No caso, a discussão das implicações regionais no interior do "ser universal". Ou vice-versa, bem entendido. Sobre o assunto também tenho minhas (in)certezas.

Quando faço um poema/processo, por exemplo, por mais universal que seja, carrego o sertão dentro de mim. Do mesmo modo, quando escrevo sobre quadrinhos, humor gráfico, literatura fantástica e ficção científica. Sim, sim, é verdade: quando vejo um filme de Antonioni, por mais europeu que possa ser, vejo-o com os olhos de um homem marcado pelo cheiro da terra molhada nos invernos & veredas do sertão, do meu sertão.

Quando escuto Bach, Monteverdi, Charpentier, Beethoven, Coltrane, Parker, Davis ou Pixinguinha, ou Paulinho da Viola, ou Naná Vasconcelos, com suas diferenças musicais e culturais, sinto-me completo e realizado como ser humano. Um ser humano nascido e criado em pleno Seridó. Ouvindo cordel e Luiz Gonzaga, saboreando canjica, pamonha e queijo de coalho - fatos culturais que, até hoje, fazem parte da minha vida. Seja no Rio, seja em Caicó.

Tem mais, muito mais. Quando vou ao Maracanã torcer pelo Fluminense, um eterno amor (nas vitórias e nas derrotas), ou ao Frasqueirão para ver o ABC, sou mais caba da peste do que nunca. Ou quando, em política, luto pelo socialismo, sou ao mesmo tempo regional e universal. Karl Marx e Luiz Maranhão, Antonio Gramsci e Astrojildo Pereira - todos eles me são importantes para uma dada visão de mundo. Afinal, marxista sou, seridoense sempre fui.

Mas é preciso avançar, é preciso sonhar, é preciso ousar: realizo-me, com a plenitude do meu seridoísmo, ao lerouvir&ver Godard, Joyce e Graciliano Ramos, Welles, Eisner e Guimarães Rosa, Renoir, Kafka e Henfil, Visconti, McCay e Clarice Lispector, Glauber Rocha, Pratt e Cervantes, Maiakóvski, João Cabral e Murilo Mendes, Miguel Cirilo, José Bezerra Gomes e Luís Carlos Guimarães. E Urbano Medeiros. E outros muitos. E outros mundos. Sempre e sempre.

Se carrego em cada palavra um Itans, em cada gesto um Poço de Santana, em cada olhar um Cinema Pax, em cada emoção um Rio Carioca, em cada espanto uma vontade de viver, por que me prender à dicotomia regional/universal? Por quê? Por quê? "Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena", já dizia um poeta. Dos maiores. Dos mais universais. Sendo português. Sendo Fernando Pessoa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008


Desenho
de
Mozart Couto
(Juiz de Fora, MG),
um dos grandes quadrinhistas brasileiros,
in
Blog do Desenhador


BALAIO PORRETA 1986
n° 2389
Rio, 4 de agosto de 2008


Poesia e erotismo nascem dos sentidos, mas não terminam neles. Ao se soltarem, inventam configurações imaginárias - poemas e cerimônias.
(Octavio PAZ. A dupla chama; amor e erotismo, 1993)


QUADRINHOS & CINÉFILOS

Por incrível que possa parecer, e apesar do entusiasmo declarado de cineastas como Alain Resnais e Federeico Fellini, e de argumentistas como Cesare Zavattini, há inúmeros cinéfilos - e críticos da chamada "sétima arte" - que ainda não descobriram o mundo e a linguagem das histórias-em-quadrinhos: seu grafismo, seu iluminamento, sua especificidade narrativa, seu alcance estético-informacional. Há que dizer que muitos dos recursos formais rotineiros utilizados no cinema a partir de 1915/16 (alguns deles, depois dos anos 30), tais como o primeiro plano, o plongê, a profundidade de campo e mesmo o formato panorâmico do enquadramento, já tinham sido "inventados" pelas HQs antes de 1910. Diante de autores como Eisner, McCay, Miller, Moebius, Herriman, Crepax, Pratt, e mais 15 ou 16 nomes de expressão artística inequívoca, somos levados a considerar os quadrinhos uma arte tão importante quanto o cinema, por exemplo. Decerto, há vários níveis de "aproximação" e "afastamento" das duas linguagens, quer por suas diferenças técnicas e estéticas, quer por suas semelhanças políticas e culturais. Sem que caiamos em leituras comparativas equivocadas (Batman-filme/Batman-HQ), é preciso acrescentar: apesar de tudo, são universos semióticos diferentes.
E assim devem ser vistos.



PELE E VELUDO
Lívio Oliveira

Lembrei-me dos dias

no quintal

em que me lambuzava

com você,

febril,

nas mangas alaranjadas,

róseas, rubras

dos meses quentes,

ancestrais.


A pele em veludo

e suave seda

se desfazia,

aos pedaços,

sob mordidas selvagens,

rudes, famintas,

buscando o sumo oculto,

sumo ácido e doce

que banhava o peito

adolescente.


Derramava-se em mim,

naquelas tardes,

o líquido leve das mangas,

escorrendo da língua

e dos lábios.


E me embevecia,

sorvendo junto,

sofregamente,

o colostro,

mel de teus seios.

domingo, 3 de agosto de 2008

Capa do lp
Vibrações,
de Jacob do Bandolim
e Época de Ouro,
gravação de 1967
para a RCA Victor,
um dos maiores discos
da música brasileira,
em todos os tempos:
a obra-prima das obras-primas
do nosso choro.
Inesquecível, simplesmente.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2388
Rio, 3 de agosto de 2008

A cultura jovem [dos anos 60] tornou-se a matriz da revolução cultural no sentido mais amplo de uma revolução nos modos e costumes, nos meios de gozar o lazer e nas artes comerciais, que formavam cada vez mais a atmosfera respirada por homens e mulheres urbanos. Duas de suas características são portanto relevantes. Foi ao mesmo tempo informal e e antinômica, sobretudo em questões de conduta pessoal. Todo mundo tinha de "estar na sua", com o mínimo de restrição externa, embora na prática a pressão dos pares e a moda impusessem tanta informalidade quanto antes, pelo menos dentro dos grupos de pares e subculturas.
(Eric HOBSBAWM. A era dos extremos, 1994)


ALGUMAS GÍRIAS CARIOCAS DOS ANOS 60 (3/3)
Fonte: Stanislaw Ponte Preta, 1964

Pamparra : Muito; abundante.
O mesmo que: Às pampas.
Pé-de-boi : Sujeito teimoso.
Perereca : Vagina.
Podre de chique : Elegantíssimo.
Qual é o pó? : "O que há de novo?"
Rolha : Pessoa discreta.
Sacanocrata : Pessoa sacana.
Suruba : Bacanal.
Tico-tico : Dinheiro miúdo.
Toca : Vagina.
Torrar : O mesmo que chatear.
Umas e outras : Qualquer espécie de bebida.
Urubusservar : Observar com má intenção.
Vigário : O mesmo que vigarista.
Ximbica : Carro velho.
Ziriguidum :
Palavra usada pelos sambistas,
nos breques de samba.
E mais -
Botar o bloco na rua :
Designa aquele que morreu e,
conseqüentemente,
levou muitas pessoas ao seu enterro.

[ in Rio de Janeiro em prosa & verso, 1965 ]

sábado, 2 de agosto de 2008


Bamako
(2006),
de
Abderrahmane Sissako:
uma das expressões máximas do
cinema africano
de conteúdo político, hoje:
sensibilidade e objetividade
[ Clique na imagem para ver o trêiler do filme ]


BALAIO PORRETA 1986
n° 2387

Rio, 2 de agosto de 2008


teu corpo é mel que escorre

em minha boca vadia

(Patrícia Gomes, in
Sensualizarte, 01/03/08)


CINEMA 2008
OS MELHORES FILMES VISTOS,

até o momento:

Nos cinemas & centros culturais:

  1. Danação *** (Tarr, 1988)
  2. Tilai ** (Ouedrago, 1990)
  3. O vento ** (Sisé, 1982)
  4. Bamako ** (Sissako, 2006)
  5. Sangue negro ** (Anderson, 2007)
  6. Serras da desordem ** (André Tonacci, 2007)
  7. 4 meses, 3 semanas, 2 dias ** (Mungiu, 2007)
  8. O sol ** (Sokurov, 2005)
  9. Estômago ** (Marcos Jorge, 2007)
  10. A banda * (Kolirin, 2008)
  11. Onde os fracos não têm vez * (Cohen, 2007)
  12. Antes que o diabo saiba que você está morto * (Lumet, 2007)
  13. SOS Saúde * (Moore, 2007)
  14. Desejo e reparação * (Wright, 2007)
  15. Uma garota dividida em dois * (Chabrol, 2007)
  16. A sociedade do espetáculo * (Debord, 1973)

Em casa:

  1. Jeanne Dielman... *** (Akerman, 1975)
  2. Mãe e filho *** (Sokurov, 1997)
  3. Lições de história *** (Straub & Huillet, 1972)
  4. Vinyl *** (Warhol, 1965)
  5. Dans le noir du temps *** (Godard, 2002), curta
  6. Diaries, notes and sketches ** (Mekas, 1969)
  7. Sarabanda ** (Bergman, 2003)
  8. Velvet Underground & Nico ** (Warhol, 1967)
  9. Diário de uma prostituta ** (Marcelo Ikeda, 2007), curta/vídeo
  10. Madame Bovary * (Renoir, 1933)
  11. A carta * (Luiz Rosaemberg Filho, 2008), curta/vídeo

MEMÓRIA 1966

Clique na imagem
(de Guto Costa, em 2006)
para ver, ouvir e se emocionar
- a partir de uma dica em Cantigueiro -

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


A onça pintada das matas brasileiras

Imagem Google


BALAIO PORRETA 1986
n° 2386
Rio, 1 de agosto de 2006

As transformações mais significativas só se deixam revelar
nos desdobramentos mais extremos.
(Fábio FRANÇOIS, in Odisséia Banal, 20 julho 2008)


ONÇA
Mauro Gama
[ in Zoozona. SP, 2008 ]

Hé...Aar-rrá...Aaáh
Guimarães Rosa


O crivo de luz e sombra
milênios a fio na mata
fez essa roupa mosqueada
esse seu tenro tapete
de suas próprias pegadas:
pé ante pé entre as folhas
e os olhos fundos do tato
a brasa viva dos olhos
ouvidos filtrando vidros
e mundos o faro em furos
e afagos um fio - mas quase
um silvo - do gosto de esquivas
caças o azul o verde as
negaças e laços do ar
sobre os pêlos e súbito
o fulvo estremecimento o
frêmito o brilho ríspido
de uma armadilha no vento
e garras e dentes repentes
a raiva rápida os ruivos
riscos rabiscos faíscas na selva
- que se resolve nos antros brancos
dos cometas e poetas - um vão
de luz sob o orvalho e o trabalho
de uma caneta na mão.

Lançamento:
Zoozona,
edição d'A Girafa, de São Paulo,
será lançado no Rio
n'A Travessa, de Ipanema,
no dia 14 de agosto, a partir de 19:30h.
Nota:
Mauro Gama, que participou da Instauração Práxis, nos anos 60, é o autor de Corpo verbal, Anticorpo e Expresso na noite.