sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Na tradução deve ir-se até ao intraduzível: só então nos daremos conta da nação estrangeira e da língua estranha. (GOETHE. Máximas e reflexões. Lisboa: Guimarães editores, 1987, p.238)


BALAIO PORRETA 1986

n° 1951

Rio, 9 de fevereiro de 2007

Poema/Processo, 40 anos

Contato: balaio86@oi.com.br


POEMA DE
CARMEN VASCONCELOS
(RN)

Aprendizagens
"Não há nada de novo debaixo do sol"
(Eclesiastes, 1,9)

Chego ao sol, meu pasmo é imenso!
Quero enfeitiçar o amanhecer.

Tranço cabelos, destranco roupas,
fico tramando proximidades.

Guardo nesgas da noite nos poros,
trago cartas, cristais, oráculos
e pulsares varados de vidência.

Não me seguro em pensamentos,
o mundo é coisa de sentir.

Abro janelas em mim, e portas,
mas conservo cortinas, transparências,
para reter os avisos do vento.

Todos os dias teço aprendizagens,
todos os dias renasço de assombro.
O sol é um deus que sabe doar-se.

[ in Preá nº 12, Natal, FJA, 2005 ]


POEMA/PROCESSO PARA SER BEBIDO
(de Moacy Cirne)
Nas seguintes opções/versões:

1. Poema da goiaba escandalosa:

Uma vitamina de goiaba, batida durante 44 segundos, em liquidificador azulpotengíaco, com polpa de cupuaçu, sorvete de mangaba e um pouco de licor de menta. Deve-se bebê-lo em noite de lua cheia ao som de Carlos Zens. Ou de Naná Vasconcelos. Em outras palavras: a ave voa dentro do poema de Wlademir Dias Pino.

2. Poema do caju doidão:

Uma garrafa de cachaça de boa qualidade (Topázio, Seleta, Ferreira, Providência, Samanau), tendo-se como parede uma cesta de caju amigo. Convém bebê-lo numa tarde de sábado ao som de Jackson do Pandeiro. Ou de Luiz Gonzaga. Em outras palavras: nos alpendres d'Acauã pousa o sertão de Oswaldo Lamartine.

3. Poema do abacaxi prateado:

Um suco de abacaxi, batido durante 66 segundos, em liquidificador azulseridoense, com três morangos e bastante licor de laranja. Recomenda-se que seja bebido em horas cruvianas, ao som de Hermeto Paschoal. Ou de Tom Zé. Em outras palavras: os pássaros da madrugada recolhem a chuva alfa-silabária da poesia de Regina Pouchain.

4. Poema do sonho americano:

Coca-cola batida com pepsi, fanta laranja, cebola, pimentão, sal, açúcar refinado, um pouco de petróleo e banana com casca e tudo o mais. Para ser bebido exclusivamente por W.C. Bushit e seus amigos hollywoodianos, não importa a hora, não importa o lugar, não importa a cor do crepúsculo, ao som de fuzis neuróticos. Ou de metralhadoras esquizofrênicas. Em outras palavras: mais cedo ou mais tarde o império do mal americano explodirá numa tarde cinzenta de abril.

[ Projeto inaugural: julho de 2005 ]


UM DISCO PORRETA
Relendo Jacob do Bandolim,

de Joel Nascimento
[ RGE 6127 2 (1998) ]

2 comentários:

Marconi Leal disse...

Tomei as quatro versões do poema, Moacy, e estou bêbado de poesia. Abração.

Aline disse...

Casa nova :)
Tem um café esperando por você na minha :)

Um beijo.