terça-feira, 20 de março de 2007

MADUREZ
de Adelaide Amorim
[ in Inscrições ]

Posso ser ilha
se as pontes ruírem.
Comungo o mundo e esqueço
invento o sangue
as veias esvazio
graduo o peso segundo o solstício.
Por mãe de renascença tive a espera
sou vegetal, minério
bicho novo.
Tenho a força do vôo e do horizonte
um sol dentro do corpo
e me improviso.
Posso ser ilha
se as pontes ruírem.



BALAIO PORRETA 1986
nº 1975
Rio, 20 de março de 2007
Poema/Processo, 40 anos



RIODEJANEIRANDO, MAIS UMA VEZ

Sim, é verdade. Sim, não é verdade. Ou melhor: é verdade. Ou nonada seria? Em verdade, em verdade, vos digo: Estou de volta: Rio, Natal e Caicó são os meus lugares. Penso no Seridó e estou de volta. Pois é. Estou de volta, já de olho na programação de cinema do Rio e de São Saruê. E talvez de São Paulo. E talvez do Internacional. E talvez do Atlético Mineiro. E talvez do Santinha, do ABC, do Fluminense. Estou de volta, entre laranjais tricolores e outubrários, riodejaneirando. Mais uma vez. Com novas leituras, novos abismos, novas esperanças: violetas, cajus e crepúsculos. E mais? E mais. Preparo-me para ouvir a música medieval que embala meus sonhos renascentistas. Ou barrocos. Tanto faz. Tanto faz. Caicó não é aqui. Natal, Olinda, Recife e João Pessoa, e Campina Grande, e Jardim do Seridó, e Currais Novos, e Acari, e Parelhas ficam longe. Aqui é o Rio de janeiro, fevereiro e março. E abril. E maio. De junho a dezembro. No mês de julho, no mês de Sant'Anna. Estou perto, estou longe, estou à esquerda da esquerda. Neste exato momento, o que andam a fazer Theo G. Alves, Iara Maria Carvalho, Jeanne Araújo, Wescley J. Gama, Ana de Sant'Anna, poetas do Seridó? Bordam nuvens douradas que antecipam o inverno azul de seus desejos mais ardentes? Não sei. Não sei. Enquanto isso, releio Nietzsche: "Aquele que se sabe profundo esforça-se por ser claro, aquele que deseja parecer profundo à plebe esforça-se por ser obscuro" (A gaia ciência. São Paulo: Hemus, 1981, p.154). Não sou claro, não sou obscuro. Sou claroescuro. Ora carioca, ora natalense; ora natalense, ora caicoense. Mas sempre seridoense.

4 comentários:

adelaide amorim disse...

Estar aqui no Balaio me deixa feliz da vida, Moacy! Um beijo estalado em agradecimento, viu?

Bosco Sobreira disse...

Meu caro Moacy,
Belo Poema e belo canto aos seus cantos.
Forte abraço.

Jens disse...

Brasileiro, Moacy. Sobretudo um brasileiro porreta.
Um abraço.

Márcia disse...

Você de volta aí, e eu de volta aqui, no meu Recife, pensando em como vai ser bom sábado em Currais Novos e com saudade do povo de natal e de lá.
Toamara, pelo menos, que meu Santinha melhore e melhore e melhore.;)
Beijo grande.