quarta-feira, 8 de agosto de 2007



Foto de Ilona Wellman [in PhotoNet ]

"Conhecer a beleza de uma coisa significa:
conhecê-la necessariamente de modo errado".
(NIETZSCHE, citado por Susan Sontag,
in Ensaios sobre a fotografia)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2084
Rio, 8 de agosto de 2007


ONDE
de Zila Mamede (RN)
[ in Corpo a corpo, 1978 ]

Entre a ânsia
e a distância
onde me ocultar?

Entre o medo
e o multiapego
onde me atirar?

Entre a querência
e a clarausência
onde me morrer?

Entre a razão
e tal paixão
onde me cumprir?


OS 100 FILMES ESSENCIAIS DA BRAVO! (3)

41. Dr. Fantástico (Kubrick); 42. Roma, cidade aberta (Rossellini); 43. A doce vida (Fellini); 44. Chinatown (Polanski); 45. A felicidade não se compra (Capra); 46. E o vento levou (Fleming & outros); 47. Tempos modernos (Chaplin); 48. A um passo da eternidade (Zinnemann); 49. O sacrifício (Tarkóvski); 50. Laranja mecânica (Kubrick).

Se não fosse pelo filme de Fleming - que, de qualquer maneira, tem seus admiradores ferrenhos - ou pela surpresa que é a presença de From here to eternity - em função das muitas ausências de obras mais expressivas -, nada teríamos a comentar. A não ser, mais uma vez, as discutíveis colocações assinaladas: afinal, por que - por exemplo - o título de Capra ocupa o 45º lugar e Laranja mecânica aparece em 50º? Ou, ainda, será Chinatown (44º) realmente melhor do que O sacrifício (49º)? E por que ignoraram Andrei Rublev, do mesmo Tarkóvski?

51. A General (Keaton & Bruckman); 52. O homem-elefante (Lynch); 53. O mágico de Oz (Fleming); 54. Querelle (Fassbinder); 55. A primeira noite de um homem (Nichols); 56. Morte em Veneza (Visconti); 57. A última sessão de cinema (Bogdanovich); 58. Os bons companheiros (Scorsese); 59. Blade Runner - O caçador de andróides (Scott); 60. A malvada (Mankiewicz).

Embora gostemos de todos eles - sobretudo A General, Morte em Veneza e A malvada -, somente o filme de Keaton & Bruckman tem lugar garantido em nossos 100 Mais. Não, não pretendemos divulgá-los. Pelo menos, por enquanto. Mesmo porque estamos em permanente processo de revisão: a cada seis meses, em média, há mudanças em nossos preferidos.


UM BLOGUE PORRETA

Jean Scharlau.
Uma rápida olhada para o abismo:
política e cultura, política e literatura, política e antropologia.

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Gosto, não gosto: isso não tem a menor importância para ninguém; isso, aparentemente, não tem sentido. E, no entanto, tudo isso quer dizer: meu corpo não é igual ao seu. Assim, nessa espuma anárquica dos gostos e desgostos, espécie de picadinho distraído, desenha-se pouco a pouco a figura de um enigma corporal, atraindo cumplicidade ou irritação. Aqui começa a intimidação do corpo, que obriga o outro a me suportar liberalmente, a ficar silencioso e cortês diante de gozos ou recusas de que não partilha. (Roland Barthes por Roland Barthes. Trad. Leyla perrone-Moisés. São Paulo : Cultrix, 1977, p.126)

9 comentários:

isabella benicio disse...

Hoje me bateu contundente a beleza do poema de Zila Mamede e a reflexão de Roland Barthes. Ótimos, os dois. Quanto aos filmes, tô anotando um monte pra ver e rever.
Bom dia pra ti, Moacy!

Patrícia disse...

Mesmo sem poder estar muito presente, sempre que posso gosto de passar por aqui e deixar minha retina sorrir de satisfação com o que sempre vejo por aqui.
beijos!

Fernanda Passos disse...

A poesia de Zila expressa a angústia inerente ao fato de termos de fazer escolhas constantemente. Sobretudo porque essas escolhas implicam uma conseqüência. Entre escolher ou não tenho uma terceira alternativa? O não escolher já é uma escolha?

Já mudei a foto da poesia e respondi a você lá mesmo.
Um grande beijo.

Jens disse...

Belíssima foto. Parabéns à fotógrafa Ilana pela sensibilidade e a ti, pelo bom gosto em publicá-la no Balaio.
***
Bette Davis em A Malvada: soberba!
***
Um abraço.

Jens disse...

PS: legal incluir o Jean entre os porretas. Sem dúvida, ele merece.

sergio andrade disse...

Moacy, recebi hoje o DVD. E adorei a surpresa, já comecei a ler :) Muito obrigado mesmo, meu caro. Forte abraço!

Analuka disse...

Olá. Grata pelo pouso em meu jardim azul e pelas palavras-pólen deixadas por lá!... Também gostei do que encontrei por aqui, especialmente os poemas selecionados, e as citações retiradas dos livros de Susan Sontag e Roland Barthes, autores que me agradam (mesmo que não importe a ninguém se ou que gosto e não gosto!)...
Sim, poderias usar alguma de minhas imagens ou escritos em teu blog, é só a gente combinar, escreva para meu e-mail e trocaremos algumas idéias.
Abraços alados!

joice disse...

Nossa, a foto é bela demais. ela sozinha já é um poema de tirar o fôlego.
Quanto ao Jean Scharlau, blogue porreta mesmo! adoro o jeito e o ritmo do texto dele.
Um abraço, Moacy. é sempre muito bom vir aqui.

sandra camurça disse...

Desta lista gosto de muitos. Mas Blade Runner...adoro! adoro! Beijos.