segunda-feira, 13 de agosto de 2007


OITICICA ENCONTRA ITAJUBÁ
de Adriano de Sousa (RN)
[ in Blog de Adriano ]

O que é a poesia?
Não sei, e se soubesse não contava pra ninguém.
O que é o poema?
Tudo aquilo que você chama de poema.
Isso é uma citação?
Sim. Aqui não usamos argumentos; só citações.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2089
Rio, 13 de agosto de 2007



A EXCOMUNHÃO DAS IRIDOMYRMEX HUMILIS
por Luiz Antônio Simas (RJ)
[ in Histórias do Brasil ]

Leio, em alguns registros da história da província do Maranhão, que, em 1713, os religiosos de um convento em Piedade travaram dura batalha contra centenas de formigas. Os impertinentes insetos himenópteros estavam invadindo a despensa do convento para comer a farinha dos padres.
As ditas cujas, pelos relatos dos apavorados religiosos, pertenciam a espécie das iridomyrmex humilis, as famosas formigas-açucareiras, que se caracterizam pelo péssimo hábito de invadir casas em busca de qualquer tipo de alimento. Eram elas, sem dúvidas, que estavam atazanando o juízo dos homens de Deus.
Após infrutíferas tentativas de eliminar os insetos, os padres resolveram processar as formigas no Tribunal da Divina Providência, cuja sede no Maranhão era presidida pelo vigário-geral. As formigas foram julgadas e condenadas severamente. O tribunal estabeleceu que os religiosos deveriam demarcar uma área para que as formigas se locomovessem; se as vilãs da história ultrapassassem o espaço determinado, seriam submetidas ao ritual de excomunhão - a mais vil das condenações.
Os leitores que acham que essa memorável passagem do direito canônico nacional terminou aí, estão enganados. O tribunal determinou que a sentença fosse lida por um padre na boca do formigueiro. Tenho amigos advogados que, certamente, concordarão que o procedimento correto era mesmo o de comunicar a sentença a quem de direito.
Acontece que as formigas, tremendamente subversivas, não respeitaram a decisão das autoridades canônicas; as hereges continuaram invadindo a despensa do convento, sem demonstrar receio algum do risco de excomunhão a que estavam sujeitas.
Diante do comportamento ilegal das formigas, o tribunal determinou a excomunhão de todo o formigueiro do convento. A sentença foi lavrada e o rito de condenação sumariamente executado, com a presença do vigário-geral. As formigas excomungadas, com a pança cheia de farinha, devem estar, até hoje, enchendo a paciência do coisa ruim, nas profundas do reino do pé-de-bode.

UM BLOGUE PORRETA

Histórias do Brasil
, de Luiz Antônio Simas.
Humor & crítica em alta voltagem:
uma história nada convencional de nossos heróis,
canalhas, mártires, malandros, santos, sambistas etc.

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dentro de ti medita um
sol mediterrâneo
(Cláudia Roquette-Pinto,
tomatl
,
in Pedras de toque da poesia brasileira, de José Lino Grünewald, p.44)

4 comentários:

ACANTHA disse...

Adoro formigas subversivas...
Gostei demais do poema.
E seu blog é muito, muito especial, MOACY querido.

Pedrita disse...

a família do pedro nava chegou ao brasil pelo maranhão. beijos, pedrita

isabella benicio disse...

Me impressiona o teu dom de colher coisa boa, Moacy! Adorei a citação de Adriano, o toque final perfeito de Cláudia e, quanto às formigas do Luiz Antônio, inevitável me lembrar do Nel que volta e meia escrevia sobre as ditas cujas. Sempre bom passsear por aqui. Beijo!

Anônimo disse...

Moacy querido...estou atrás de um dos teus livros(uma introdução politica aos quadrinhos), mas não os encontro de jeito maneira...como posso adquirí-lo?
por favor entre em contato: miselenitas@hotmail.com ...é um caso de vida ou morte
obrigado
samira