quarta-feira, 26 de setembro de 2007

EM NATAL, A FUNDAÇÃO CULTURAL CAPITANIA DAS ARTES
e a Fundação José Augusto são as instituições que melhor mobilizam o patrimônio e o acervo artístico e literário da cidade e, por extensão (no caso da segunda), do próprio Estado. Ou, pelo menos, assim deveria ser. De uma forma ou de outra, seja com chuvas e trovoadas, seja com mangas e mangabas. Em se tratando da Capitania das Artes, com o apoio decisivo do Prefeito da capital, assim tem sido. E da melhor maneira possível. Infelizmente, ao que parece indicar, com o apoio politiqueiro do governo estadual, a Fundação José Augusto, segundo todas as evidências, perdeu-se por completo. Ou quase. O próprio PT/Partido dos Trabalhadores, que assumiu a sua presidência, não está sabendo contornar os problemas que a atingem, paralisando, em grande escala, suas políticas públicas de agenciamento e atuação culturais. É duro dizer, mas o PT e a FJA estão sendo dominados pela incompetência e pela burrocracia. O que fizeram com a Preá, por exemplo? Com o Teatro Alberto Maranhão (subordinado à FJA, não?)? Com as edições de livros significativos? Com o incentivo a manifestações de raiz popular? Com as casas de cultura do interior? Em alguns casos, nada; em outros, quase nada.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2129
Natal, 26 de setembro de 2007


A LÍNGUA DOS POETAS
de Antônio Mariano
[ in Guarda-chuvas esquecidos. João pessoa, 2005 ]

Língua era lâ-
mina
aconchegante,
e explosiva,
conforme a boca.

Maleabilíssima
a língua do poeta:
tátil às vezes,
tática sempre.


FEIRA DE CITAÇÕES ESPORRENTAS
A arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade.
(Pablo PICASSO)
Uma simples linha pintada com o pincel pode levar à Liberdade e à Felicidade.
(Joan MIRÒ)
Fecho meus olhos para ver.
(Paul GAUGUIN)
Onde reina o amor, o impossível pode ser alcançado.
(Provérbio Indiano)
Certas mulherem amam tanto seu marido que, para não gastá-lo, usam o de suas amigas.
(Alexandre DUMAS Fº)
Você não pode confiar em seus olhos quando sua imaginação está fora de foco.
(Mark TWAIN)

12 comentários:

midc disse...

infelizmente o pt ainda não disse ou mostrou a q veio - e muito provavelmente não o fará antes q finde o atual governo, ou, já demonstra agora: mudou p q tudo fique na mesma... alhos por bugalhos, pés pelas mãos. só um tecnocrata e um trator dão jeito nafundação.

Fernanda Passos disse...

Moacy, meu caro, espero que estejas aproveitando muito essas tuas férias. A poesia de hoje é certeira.A língua do poeta é sempre tática. Ele tem a capacidade de dizer o indizível. Bela escolha. E quanto às citações, a mais ferina é a das esposas que tentam resguardar seus maridos de tão forma e sempre por amor, que acabam usando os das amigas. (kkkkkk)
Essa realmente foi boa.
Beijos e saudades de seus comentários sempre tão esclarecedores, inteligentes e francos.

Bosco Sobreira disse...

Pra repetir o dsejo de boa estada em Natal e dizer que gostei do poema, das citações e do Editorial.
Em Tempo: Caicó mesmo, meu caro.
Forte abraço.

ACANTHA disse...

Este Balaio está mesmo Porreta, Moacy.. Posso citar uma frase?
"Se você tem conhecimento, deixe os outros acenderem suas velas nele." Margaret Fuller
É o que você faz, MOACY..

Cláudio Lettera disse...

Moacy Cirne,

Seu comentário sobre as principais fundações culturais do Estado, Capitania das Artes e Fundação José Augusto, é mais do que oportuno, é necessário.
Enquanto a Capitania empreende uma política cultural séria e eficiente, abrindo leque extenso para a produção e divulgação dos fazeres artísticos da cidade de Natal e conseqüentemente do Estado, a FJA - órgão máximo do que deveria ser o norte da nossa cultura - empacou de vez.
Em quase 50 anos de existência, nada pode ser comparado ao seu definhamento de hoje.
Se Josué de Castro, médico e sociólogo, grande estudioso da desnutrição nordestina, fosse vivo, com certeza o diagnóstico da FJA seria ( pegando-lhe no pulso): doença séria e misteriosa, indo de uma atrofia progressiva, marasmática, a um estado de apatia, melancolia, falta de coragem, baixo coeficiente intelectual, prostração e abatimento moral.
Não posso admitir que tudo ainda seja ressaca do ‘folioduto’.
O caso - por mais escabroso - está sob investigação nos tribunais superiores, depois de receber a sentença condenatória do Tribunal de Justiça do Estado, através do voto unânime de suas 3 desembargadoras.
Mesmo com toda essa dificuldade, a instituição segue no mesmo endereço, sua direção foi renovada, os recursos orçamentários estão aí, o corpo de funcionários continua nos seus birôs, e então, como explicar (apenas 3 pontos):
1) A Inatividade e sucateamento das Casas de Cultura do Estado, retumbante discurso político de campanha, onde se despejou soma vultosa do erário público;
2) O Abandono total e absoluto da principal biblioteca pública do Estado, a Câmara Cascudo, hoje entregue às traças (no sentido literal) e à ferrugem;
3) A Inexistência de uma política editorial para o Estado. Neste item vale ressaltar o contra-senso da desativação da revista Preá, sem explicação. E o que é pior: substituída por um reles panfleto sem qualquer valor estético e/ou conteudístico.

Até quando a única valia neste triste Rio Grande continuará sendo o voto o voto o voto?

Abraço, Cláudio Lettera – Advogado

c.lettera@digizap.com.br

Marco disse...

caro mestre Moacy
a sua preocupação com as artes da bela Natal é mais que válida. Uma cidade tão bonita como essa praticamente tem vocação para a artes.
O poema é muito bonito. As citações são excelentes. especialmente a de Twain.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Jens disse...

Parafraseando Mário de Andrade: incompetência e burocracia, os males do Brasil são. (Ah, tem a corrupção também).
Um abraço.

isabella benicio disse...

Mesmo de longe, teu Balaio continua muito bom de remexer.
Acantha foi perfeita no comentário.
Que tua viagem continue boa, Moacy.
Beijo grande!

Romário Gomes disse...

Imaginem em que lugar fica o Seridó Potiguar: Mossoró, por exemplo, tem a Fundação Vingt-un Rosado, em Natal está a sede da Fundação José Augusto, que embora inoperante, volta e meia faz alguma coisa por lá; e o Seridó? Nenhum órgão responsável pela parte cultural na região. As coisas ficam mais difíceis para nós.

Sandra Leite disse...

saudade, saudade, saudade....
Explica isso?
bjs e divirta-se

Milton Ribeiro disse...

Adorei o tal Berilo. Grande id�ia!!!

Fernanda Passos disse...

Saudades amigo.
beijo.