terça-feira, 19 de fevereiro de 2008


Nova Objetividade Brasileira,
no MAM / Rio
( in Tropicália ),
em 1967,
o ano de
Crônica de Anna Madalena Bach (Straub & Huillet),
Terra em transe (Glauber Rocha),
Week-end (Godard),
A chinesa (Godard),
A bela da tarde (Buñuel),
Mouchette (Bresson),
Corto Maltese (Pratt),
Saga de Xam (Devil & Rollin),
Hit Parade (Wolinski),
Mr. Natural (Crumb),
Cem anos de solidão (Márquez),
O rei da vela (Grupo Oficina),
Vibrações (Jacob do Bandolim),
Tropicalismo (Caetano & outros),
Poema/Processo (Rio e Natal).

BALAIO PORRETA 1986
n° 2237
Rio, 19 de fevereiro de 2008


Memória 1966
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 3
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Parecer literal
sobre o filme O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade

Entrecho: Baseado num poema de Carlos Drumond de Andrade. Romance proibido de uma jovem de uma cidade do interior de Minas com um padre récem-chegado à cidade onde desenvolve-se a trama.
Crítica artística: Filme horrível, muito pobre de técnica e com uma representação sofrível realizada pelos atores. Os diálogos monótonos tornam a projeção cansativa.
Apreciação técnica: Na cópia apresentada, o som esteve permanentemente falho, muitas vezes prejudicando o entendimento dos diálogos.
Apreciação moral: O filme deve ser, salvo melhor juízo, proibido para menores de dezoito anos, com cortes nas cenas a seguir enumeradas: 1) No trailler, quando da cena em que a moça tira a camisola para vestir roupa mais apropriada a fim de seguir o padre. 2) A cena da sedução do padre no campo (4ª parte) e 3) A cena do abraço dos protagonistas dentro da gruta (parte final).
Sugerimos: IMPRÓPRIO PARA MENORES DE 18 ANOS c/ 3 cortes.
Brasília, 14 de junho de 1966
[ Assinatura ilegível ]

Comentário do Balaio:
Trata-se de obra bastante delicada: um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo a nossa leitura crítica. Em tempo: como se trata de uma reprodução literal, conservamos os erros dos nomes próprios (Drumond em vez de Drummond, por exemplo), além de outros (ortografia, pontuação).


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Caos; Crônicas políticas, de Pier Paolo Pasolini. Int. & org. Gian Carlo Ferretti. Trad. Carlos Nelson Coutinho. São Paulo : Brasiliense, 1982, 232p. []

"Não sou um indiferente, nem tampouco simpatizo com o que (hipocritamente) é chamado de "posição independente'. Se sou independente, sou-o com raiva, dor e humilhação ... Meu caso não é de indiferentismo nem de independência: é de solidão" (6/8/68, p.37);
"É da democracia que nasce a democracia. ... E somente sobre a democracia é possível fundar o socialismo" (3/9/68, p.54);
"A passagem de uma cultura humanista para uma cultura técnica coloca em crise a própria noção de cultura" (28/12/68, p. 100);
"A resignação pode ser tão sublime como o heroísmo" (8/3/69, p.122);
"... ou somos utópicos ou desaparecemos" (9/8/69, p.174);
"Diz Brecht: 'Muitos dos que são perseguidos perdem a faculdade de reconhecer os próprios defeitos'. Pode ocorrer que seja esse o meu caso. Mas, se tivesse de admiti-lo, deveria demonstrar, em primeiro lugar, que sou perseguido. E eu o sou" (20/9/69, p.181).

5 comentários:

Carito disse...

Caro Moacy: como sempre - ótimo post, ótimas dicas, aqui se confirma o "navegar é preciso". Ah! É fácil encontrar o filme "O padre e a moça"?

Francisco Sobreira disse...

MOACY,
A "crítica artística" do Parecer da censura sobre "O Padre e a Moça" só não nos faz rir às gargalhadas, porque se trata de um fato de suma gravidade: censurar um dos maiores filmes brasileiros de todos os tempos, como bem diz você. Aqueles caras, além de restringirem a liberdade de expressão e pensamento, entendiam de cinema tanto quanto eu de chinês. Aqui em Natal, o filme esteve anunciado, mas não passou, por interferência do então Bispo Dom Nivaldo Monte. Depois ele foi exibido numa sessão promovida, se não me engano, pela Casa do Estudante. Na época, eu e Gilberto, que escreviámos no Correio do Povo, criticamos a atitude de Dom Nivaldo. O artigo de Gilberto foi até mais duro do que o meu. Coisas da ditadura militar...

Jacinta disse...

Lembrança de duros tempos. A ditadura, que tinha olhos para todos os lados, e uma grande pobreza no quesito "cultura"
Ah! a barata, na foto me dá a sensação de "porões da tal maldita"
Um abraço
Jacinta

Jens disse...

Moacy,
Acho que o censor sofria de retenção anal. Hehehe...
É, hoje dá pra rir, mas na época era o horror, o horror...
Um abraço.

ana de toledo disse...

O amigo não dá mais o ar de sua graça...sentimos saudades de seus comentários.
beijos