terça-feira, 13 de maio de 2008



O Viaduto do Chá e o
centro comercial de
São Paulo
na segunda metade dos anos 30

Fotos de Claude Lévi-Strauss

(in Saudades do Brasil, cf. Via Política)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2313
Rio, 13 de maio de 2008


"Mulher não tem idade. A idade da mulher é moldada pelo carinho do homem"
(Luís da Câmara Cascudo)


AS PEDRAS TAMBÉM CANTAM
Sandra Camurça
[ in O Refúgio ]

Sou pedra bruta
que se machuca
nas arrebentações
das líquidas paixões

Sou pedra dura
que perdura,
quebra-mar
que de tanto a(mar)
aprendeu a cantar


POEMA
Romário Gomes
[ in Cacos ]

O Seridó
é verdecinza
geografia
do meu poema
um nome
um sertão particular


QUANDO ME DEITAS
Jeanne Araújo

Quando me deitas
vais abrindo meus caminhos lentamente
tocando os vãos, desvãos inacabados,
cheios de silêncios mórbidos.
Teu olhar me suga, vertiginosamente,
enquanto murmuras águas marinhas,
algas e um tanto de sal.
Pareces pequeno.
No entanto, consegues envolver-me
despojada e extrema
no teu peito vasto.

Quando me deitas
e percorres lentamente meus caminhos,
minhas flores se entregam nesse claustro
de anseios e sussurros.
E as tuas palavras, as mais doces,
vão queimando os muros,
lençóis e o pequeno quarto.
Pareces pequeno.
No entanto, abranges inocente,
todos os meus cantos e recantos.
E tudo é gozo de tanto tempo.
E tudo é cio e umidade.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Anthropologie structurale, de Claude Lévi-Strauss. Paris : Plon, 1958, 452p. [Exemplar adquirido na Leonardo Da Vinci, Rio, em 1967. Há edição brasileira] Uma das "bíblias" da antropologia contemporânea, leitura obrigatória para aqueles que pensavam o mundo - e suas representações mitológicas - nos anos 60, a partir de fenômenos culturais moldados pela história e pela etnologia. O Autor de Tristes trópicos (1955) e O pensamento selvagem (1962), obras igualmente fundamentais, ao estudar, por exemplo, a relação magia/religião (p.183-266), marcou época no interior de uma biblioteca básica que inclui nomes como Franz Boas, A. M. Hocart, A. L. Kroeber, B. Malinowski, M. Mauss, A. R. Radcliffe-Brown e outros.

8 comentários:

Mme. S. disse...

Sandra Camurça, Romário Gomes,Jeanne Araújo, Moacy, Balaio, Porreta, espaço Moacy, Porreta, Balaio, cultura.

sandra camurça disse...

Puxa, Moacy, só você mesmo pra me lembrar desse poema.
De resto, ótima postagem! Lindas fotos!
Nuito grata
Um beijo

Romário Gomes disse...

Grato, de novo. E dessa vez com a revista Brouhaha (do poema/processo) em mãos.

Claudia Perotti disse...

Imagens tão belas de uma passado não muito distante!

Belíssimos e bem escolhidos textos!

Beijinhossssssssssss

Maria Maria disse...

Jeanne Araújo é um fenômeno! Beijos, Moacy

Anônimo disse...

Romário é um espetáculo para nós seridoenses e não tardará a ser espetáculo para todo o Brasil. abraço Moacy

eliene dantas

Vais disse...

Maravilha Moacy,
A Sandrinha quebrou tudo! não conhecia este, 'que de tanto a(mar) aprendeu a cantar';
o da Jeanne, gostei bastante, 'E tudo é gozo de tanto tempo.'
e a melodia enche o ar
Ah, Moacy ahahahah o papo dos burros, do carvalho!
Beijo

Vais disse...
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