terça-feira, 10 de junho de 2008


Foto de
António Maia

in
Olhares

Quem seria capaz de identificar o lugar?
Coimbra? Olinda? Jardim do Seridó?
João Pessoa? Fortaleza? Caicó?
Lisboa? Martins? Guarabira?


BALAIO PORRETA 1986
n° 2336
Rio, 10 de junho de 2008

As idéias, elas não têm pureza, são sujas de humano, de mundo. ... Eu quero uma para me instigar. Eu quero uma para me fustigar.
(Carmen Vasconcelos)



POEMAS de
SÉRGIO DE CASTRO PINTO
(PB)

escrever/não escrever

escrever é um suicídio branco.
um consumir-se
no fogo brando das palavras.

não escrever, um suicídio em branco.
um consumar-se sem metáforas.

recado a pound

pound, eu não sou
nenhuma antena.

eu sou a pane e a interferência
dos meus fantasmas

no tubo de imagens dos poemas.

[in O cerco da memória. João Pessoa, 1993 ]


Memória
EU, TOM JOBIM

ATIVIDADE PROFISSIONAL
Músico.

ATIVIDADES OUTRAS
a) Fabricante de soltador de papagaios.
b) Pescador: com um caniço na mão a gente pode ficar o tempo que quiser, à superfície das águas, sem ser chamado de louco.
c) Chofer de VW, com delírio ambulatório.

PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES
Caixa alta: vagabundagem. Flanar pelas tardes de Ipanema.
Caixa baixa: "tremendous work".

QUALIDADES PARADOXAIS
Sou um boêmio doméstico, um tanto burro, um vagabundo trabalhador e um bagunceiro organizado.

PONTOS VULNERÁVEIS
Sou vulnerável em todos os pontos: depende do mV2 do projétil. Mas uso couraça.

ÓDIOS INCONFESSOS
Contra os letristas estrangeiros, quando deturpam as letras alheias.

PANACÉIA CASEIRA
Deixar de fumar, água e sal, saco de água quente, saco de gelo, banho frio, aspirina, banho quente, whisky-librium.

SUPERSTIÇÕES INVENCÍVEIS
Medo de avião.

TENTAÇÕES IRRESISTÍVEIS
Para um homem amarrado e amordaço, elas não existem.

MEDOS ABSURDOS
Para quem tem medo nada é absurdo. Absurdo é ter medo. Mas há surdos que não têm medo.

ORGULHOS SECRETOS
Paulo e Elizabeth, meus filhos.

[ Texto de Tom Jobim, in Senhor. Rio, dezembro de 1962 ]

7 comentários:

Francisco Sobreira disse...

Vou chutar 3 cidades: Olinda, Lisboa e Coimbra. E acho que você já publicou esses bons poemas de Sérgio Castro Pinto. Um abraço.

Mme. S. disse...

eu não consigo imaginar. mas, seja em que lugar for, é um regalo para os olhos... um cheiro, S.

Romário Gomes disse...

A imagem é especialmente bela! Um abraço.

marilia jackelyne disse...

De onde quer que seja, a foto é um delírio para os olhos.

Abração

marilia

aindapodiaserpior.blogspot.com

Tião disse...

Moacy: a frase de Carmem Vasconcelos é, por si só, estimulante. Mas queria falar mesmo era de Antônio Maria. Tenho uma pequeno episódio particular com o cronista. Trabalhava na Faz Propaganda e, nas horas vagas, lia um livro de crônica de Maria que havia na biblioteca de Ricardo Rosado. Lá pras tantas, me aparece numa das crônicas uma moça, potiguar, vivendo no Rio de Janeiro, que havia vindo de uma cidade nordestina chamada... Parelhas! E mais: havia, de fato, anos atrás, muitos anos atrás, em Parelhas, uma moça com o mesmo nome daquela que aparecia na crônica de Maria. E mais ainda: não era um nome comum, qualquer. Era um desses nomes compostos tão comuns entre pessoas humildes, um nome que nunca mais encontrei pela vida afora. Aquilo me impressionou bastante. A coincidência da cidade e do nome da moça na crônica. Vindo de um mundo tão distante, o de Antônio Maria do Rio de Janeiro dos anos 50. Mistérios, meu caro.

Maria Maria disse...

Moacy, tenho um cd de Gracindo Jr e Bibi Ferreira, interpretando Antonio Maria, muito interessante. Ah, seu blog está cada vez melhor, viu? Visita o espartilho, tem novidades. Beijos

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Moacy,
O Brasil ficou "fora de tom", sem Tom, não é mesmo?! Adoro Tom Jobim.
Aproveito para dizer-lhe que conheci sua doce São José do Seridó e escrevi sobre ela e sua gente no À Flor da Terra. Quanto a Igreja aqui publicada com ar de mistério...Olinda? João Pessoa? Jardim? Caicó? Não...Creio Moacy, que aquele templo está além...seria no céu?!
Abraço grande, do tamanho do balaio.