segunda-feira, 4 de agosto de 2008


Desenho
de
Mozart Couto
(Juiz de Fora, MG),
um dos grandes quadrinhistas brasileiros,
in
Blog do Desenhador


BALAIO PORRETA 1986
n° 2389
Rio, 4 de agosto de 2008


Poesia e erotismo nascem dos sentidos, mas não terminam neles. Ao se soltarem, inventam configurações imaginárias - poemas e cerimônias.
(Octavio PAZ. A dupla chama; amor e erotismo, 1993)


QUADRINHOS & CINÉFILOS

Por incrível que possa parecer, e apesar do entusiasmo declarado de cineastas como Alain Resnais e Federeico Fellini, e de argumentistas como Cesare Zavattini, há inúmeros cinéfilos - e críticos da chamada "sétima arte" - que ainda não descobriram o mundo e a linguagem das histórias-em-quadrinhos: seu grafismo, seu iluminamento, sua especificidade narrativa, seu alcance estético-informacional. Há que dizer que muitos dos recursos formais rotineiros utilizados no cinema a partir de 1915/16 (alguns deles, depois dos anos 30), tais como o primeiro plano, o plongê, a profundidade de campo e mesmo o formato panorâmico do enquadramento, já tinham sido "inventados" pelas HQs antes de 1910. Diante de autores como Eisner, McCay, Miller, Moebius, Herriman, Crepax, Pratt, e mais 15 ou 16 nomes de expressão artística inequívoca, somos levados a considerar os quadrinhos uma arte tão importante quanto o cinema, por exemplo. Decerto, há vários níveis de "aproximação" e "afastamento" das duas linguagens, quer por suas diferenças técnicas e estéticas, quer por suas semelhanças políticas e culturais. Sem que caiamos em leituras comparativas equivocadas (Batman-filme/Batman-HQ), é preciso acrescentar: apesar de tudo, são universos semióticos diferentes.
E assim devem ser vistos.



PELE E VELUDO
Lívio Oliveira

Lembrei-me dos dias

no quintal

em que me lambuzava

com você,

febril,

nas mangas alaranjadas,

róseas, rubras

dos meses quentes,

ancestrais.


A pele em veludo

e suave seda

se desfazia,

aos pedaços,

sob mordidas selvagens,

rudes, famintas,

buscando o sumo oculto,

sumo ácido e doce

que banhava o peito

adolescente.


Derramava-se em mim,

naquelas tardes,

o líquido leve das mangas,

escorrendo da língua

e dos lábios.


E me embevecia,

sorvendo junto,

sofregamente,

o colostro,

mel de teus seios.

4 comentários:

Mulher na Janela disse...

o poema de Lívio é límpido e doce, colostro de poesia!

beijos seridoenses!

Iara

Cláudia Magalhães disse...

Rapaz! Lívio botou pra quebrar nesse poema! Belo! Esse meu amigo é talentoso demais!
Obrigada, Moacy, pela visita e palo comentário tão incentivador! Amo as suas visitas, querido!
Ah, passei a semana escutando Coltrane... É liiiiiindo!
Beijos, amigo querido. Apareça no meu Paraíso Perdido... Vou amar...

Lívio Oliveira disse...

Fico feliz de ter amigas como Maria e Cláudia!
Abraços!
Lívio

Lívio Oliveira disse...

Também fico feliz por ler as palavras de uma das melhores poetisas do RN: Iara!