sexta-feira, 26 de setembro de 2008


Clique na imagem
para ver o trêiler de
La frontière de l'aube
(Garrel, 2008),
que deverei ver amanhã,
dentro da programação
do Festival do Rio 2008


BALAIO PORRETA 1986
n° 2436
Rio, 26 de setembro de 2008

La frontière de l’aube é, como era de se esperar, um desdobramento a mais do universo garreliano. A magnífica fotografia em P&B de William Lubtchansky, cujo altíssimo contraste opõe o preto e o branco (a ausência e a presença absoluta da cor) como se buscasse fixar a essência que paira na superfície dos corpos ou a aura que a fotografia “sugaria” dos seres, de acordo com as crenças dos antigos, a serviço de uma história de amores “revolucionários” – porque desesperados, intensos e utópicos. No campo do emocional, um desolamento sem fim, um sentido de frustração inescapável, de impotência de realização plena, que impregna mesmo as cenas de amor mais doces.
(Tatiana MONASSA, in Contracampo)


Cinema
FESTIVAL DO RIO & ORIENTE DESCONHECIDO

Uma bela coincidência: ao mesmo tempo, entre nós, em vários cinemas, durante duas semanas (e possivelmente mais uma para a tradicional "repescagem"), o Festival do Rio, com 350 filmes - até o momento só me defini por nove deles -, e a mostra Oriente Desconhecido, no CCBB, já iniciada, que inclui algumas preciosidades de Hou Hsiao-hsien e Apichatpong Weerasethakul, entre outros. Por enquanto, vi duas delas: Tropical malady (Weerasethakul, 2004) e Millennium Mambo (Hou, 2001). Hoje pretendo ver Blissfully yours (Weerasethakul, 2002). Na próxima semana - recomendado especialmente por Marcelo Ikeda - verei Three times (Hou, 2005). O problema maior vai ser conciliar os horários das duas programações. De qualquer modo, excetuando-se quatro títulos do Festival (um deles é o de Garrel; os demais são os de Rohmer [Les amours d'Astrée et de Céladon], Wajda [Katyn] e do próprio Huo [A viagem do balão vermelho], cujos ingressos já estão garantidos, além de Liverpool [Alesandro Alonso], El castillo de la pureza [Arturo Ripstein] e Blue [Darek Jarman], e mais dois ou três), a minha prioridade volta-se para o Oriente Desconhecido.


CERIMÔNIA DE POSSE
Ana de Santana (Caicó, RN)
[ in Em nome da pele, 2008 ]

Sobre o lençol,
o corpo estendido
cedilha-se ao toque
das folhas da benzedeira
Pelos vasos frêmitos
entranham ungüentos
e escapam perfumes
De rezas, beijos e ais
a boca não se desafaz
No limite dos atabaques
etéreas veias explodem
lactealagando-se de curas
a carne adoecida de amar

OURINÁRIO NUMBER ONE
Muirakytan Macedo (Caicó, RN)
[ in Partícula elementar, inédito ]

Posto que exausto,
Senhor saiba:
- Festim de bula e bíblia,
malamanha pasto!

Você, funcionário,
Ledo galo de bronha:
Deserto das pérolas,
Debulhando rinhas.

Igual a você, o outro,
Pústula de ofício
Injetas corante nas veias
Pulhando alma em ócio.

3 comentários:

benechaves disse...

Moacy: alguns desses filmes deveriam chegar por aqui, não? Natal é foda! Se não sair em dvd...
Olha: vi 'Mãe e Filho' e gostei muito. É uma obra de arte. Desde a primeira imagem temos a impressão de que são quadros de uma belíssma pintura. É um filme para se rever outras vezes.
A fita de Bergman 'Depois do ensaio' acho que peca pela teatralidade, não deixando de ser, contudo, de importância na obra do cineasta sueco.

Um abraço...

Eliene Dantas disse...

Bom dia Moacy, passei para olhar as novidades porque o Balaio já faz parte da minha vida. Bj com carinho

Jens disse...

Oi Moacy.
Acredito que estejas com a alma em festa com a realização do Festival de Cinema do Rio. Aproveita.
Um abraço.