quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A ROSA DE GAZA
Georges Bourdoukan

Você sobreviveu ao genocídio
Você sobreviveu aos massacres
Você sobreviveu à humilhação

Mas não conseguiram fazê-la odiar!

Destruíram sua casa
Destruíram sua escola
Destruíram sua infância

Mas não conseguiram fazê-la odiar!

Bela menina de Gaza
Tens muito a ensinar
Teu gesto redime a humanidade

Pois até os brutos podem se comover

Bela menina de Gaza
Bela rosa de Gaza
Teu gesto é a glória de seu povo

Bela menina-rosa de Gaza


BALAIO PORRETA 1986
n° 2545
Rio, 22 de janeiro de 2009

Se os americanos inteligentes, nesses tempos deprimentes, ainda se agarram à vida e tentam esticá-la o mais que podem, não o fazem por lógica, mas por instinto.
(H.L. MENCKEN, 1924, in O livro dos insultos, 1988)


Repeteco
UM DIÁLOGO

por Georges Bourdoukan

Dois burros conversavam quando um perguntou ao outro:
- Imagina você que quando um humano quer ofender outro humano o acusa de burro. Por que será?
- Não tenho a mínima idéia.
- Quando será que isso começou?
- E quem sabe?
- Realmente é estranho isso... Humano chamar outro de burro como ofensa.
- Talvez porque chamá-lo de humano fosse ofensa maior.
- Você acha?
- Claro! Você já viu algum burro explorar outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro oprimindo outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro abandonar a cria?
- Não.
- Você já viu algum burro sem teto?
- Não.
- Você já viu algum burro sem terra?
- Não.
- Você já viu algum burro torturando outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro declarando guerra a outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro invadindo o país de outro burro?
- Não.
- Você já viu algum burro matando ou morrendo em nome de Deus?
- Não.
- Então, qual ofensa é maior, chamar de burro ou de humano?

[ in Caros Amigos. São Paulo, nº 106, janeiro 2006, p.33 ]

11 comentários:

Karina Meireles disse...

Todo essa racionalidade estourando pelas veias, nos faz perder totalmente o rumo-razão
contraditorio como nossa propria "humanidade"
é queria falar mais de flores ao inves de guerra..
menina-rosa
bela
doce
forte

pequena com força de gigante!
..

concordo com o ultimo dito no "devaneios"

adrianna coelho disse...


caramba! o poema do bourdoukan me comoveu, até as lágrimas...

e a foto... a bela menina de gaza...
é por isso que só as crianças entrarão no reino dos céus...

beijos, moa!

romério rômulo disse...

moacy:
salve a menina de gaza!salve o
bourdoukan!
romério

Hercília Fernandes disse...

Belíssima postagem, Moacy. Apesar da guerra, fruto da ignorância humana...

Creio que a literatura, nesses momentos de crise, também contribui para nos conscientizar de nossa "BESTilidade".

Que razão é essa que não encaminha o homem à fraternidade?...
O projeto iluminista fracassou, assegura os filósofos. Então, está mais do que na hora de repensarmos os nossos valores.

Parabéns por suas preocupações humanitárias que, no caso específico, não é = a humanistas.

Abraço fraterno,

H.F.

Mme. S. disse...

Adorei o raciocínio dos burros. Algo aparentemente banal e simples, nos fazendo pensar um pouco no quanto deveríamos ser mais burros e menos humanos. Um beijo, meu caro.

RUBENS GUILHERME PESENTI disse...

tenho acompanhado o bourdoukan pela revista caros amigos, realmente ele é um grito pra ser ouvido.

Marcelo F. Carvalho disse...

Lindíssima postagem, Mestre!

Maria Clara Pimenta disse...

Olá Moacy,

venho parabenizar a sabedoria e sensibilidade do autor (Georges Bourdoukan); e a sua por realizar a postagem no Baleio.

O poema e o diálogo nos oferecem bons caminhos de reflexão. Nesses tempos de guerra, a literatura é um excelente canal para acordar o homem de sua ganância e imbecilidade.

Abraços nos dois!!!

Maria Clara.

Sandra Porteous disse...

Lindo poema. Um libelo contra a guerra e o genocídio.
Beijos,
Sandra

Cosmunicando disse...

Moa, parei na menina de Gaza e na rosa do Bourdoukan... nem li o resto ainda, simplesmente parei.
beijos

Anônimo disse...

fodido este bourdokan




giulianoquase.