domingo, 25 de outubro de 2009

OBRAS-PRIMAS DO CINEMA
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Terra em transe
(Glauber Rocha, 1967)
A metáfora do populismo, em plena ditadura militar brasileira, num país fictício chamado Eldorado, que, naquele momento, era o reflexo emblemático de qualquer republiqueta da América Latrina (Brasil, inclusive): um verdadeiro vulcão cinematográfico, como já o fora, aliás, Deus e o diabo na terra do sol.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2822
Natal, 25 de outubro de 2009

Eis os filmes que, produzidos e lançados por outros países, eu possivelmente levaria para uma temporada de três meses na utópica São Saruê: 1. A aventura; 2. Um dia no campo; 3. Persona; 4. Eclipse; 5. Ano passado em Marienbad; 6. Crônica de Ana Madalena Bach; 7. Madre Joana dos Anos; 8. Contos da lua vaga; 9. Andrei Rublev; 10. 2001: uma odisséia no espaço; 11. O homem da câmera; 12. Cidadão Kane; 13. Viver a vida; 14. Rocco e seus irmãos; 15. Era uma vez no Oeste; 16. Rastros de ódio.
Entre os brasileiros, selecionados ontem, recordemos:
1. Deus e o diabo na terra do sol; 2. Terra em transe;
3. Vidas secas; 4. Porto das Caixas.

(Moacy Cirne, 2009)


PAIXÃO
Ana de Santana
[ in Danaides: inventário de signos, 2005 ]

Nas brenhas do verbo
esgarça-lhe fibras e fendas,
Com os dentes, repuxar fiapos,
soltar fios, criar filhos entre fonemas.

Do verbo, retirar água e vinho, um e outro
escorrendo pelo amor da espada fincada.
Molhado o pão, escrito o verso,
dá-se o milagre,
desfaz-se
a farsa.
Solidão.


A leitura da semana
CENAS BRASILEIRAS:
o cinema em perspectiva multidisciplinar,
de Marcos Silva & Bené Chaves (orgs.).
Natal: EdUFRN, 2009, 422p.
(2)

"Ele tem sangue no olho! Nascido de um pesadelo, Zé do Caixão [em À meia noite levarei sua alma, de José Mojica Marins, 1964] espreita o populacho, escumando de ódio frente à estupidez e ignorância da raça humana." (Alex de Souza, p.177)

"Seria estupidez negar a importância dessa obra na história do cinema brasileiro, poré, hoje, passados mais de quarenta anos, São Paulo S/A [Luís Sérgio Person, 1965] soa como uma sonata antiquada." (Marcius Cortez, p.183)

"Terra em transe é um filme bem representativo daquele que se pode considerar um dos principais legados deixados por Glauber Rocha: a memória do cinema como imagem do Brasil, como tratado sobre o social ..." (J. Charlier Fernandes, p.208)

"Nada é por acaso em O Anjo Nasceu (Júlio Bressane, 1969). O final do longa é angustiante na medida em que revela a dor e o sofrimento de Santamaria, agonizando dentro de um carro em fuga." (Paulo Jorge Dumaresq, p.217)

"Problematizando o herói, Joaquim Pedro [em Macunaíma, 1969] não o transformou em vilão nem inventou a crítica, que já estava no livro, embora Hollanda e Johnson destaquem sua potência na obra cinematográfica." (Marcos Silva, p.226)

"O País de São Saruê (Vladimir Carvalho, 1971) prima pelo realismo da fotografia e pela beleza dass cenas." (Rogério Cruz, p.267)

"O filme Inocência (Walter Lima Jr., 1982) está longe de ser admirável; tem alguns momentos fortes e um ou outro achado excepcional. O conjunto, de todo modo, funciona de modo bastante satisfatório." (Gilberto Stabile, p.372)


HORTELÃ
Nydia Bonetti
[ in Longitudes ]

chaleira antiga sobre o fogão
a água ferve

na louça branca a erva fresca
- espera

em breve vai arder e liberar
sabores e aromas

o que então era incolor e frio
- vai colorir de verde

este raminho de hortelã, ser
queria tanto



Memória 1993
Pesquisa DataBalaio

OS 30 MOMENTOS CAPITAIS DA HISTÓRIA DAS ARTES
segundo Sebastião Nunes (MG),
poeta e desbravador de linguagens
[ in Balaio n° 562, de 1/nov/1993]

1. O castelo (Kafka)
2. O mito de Sísifo (Camus)
3. Nova antologia pessoal (Borges)
4. Ulysses (Joyce)
5. Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha)
6. Eu e outros poemas (Augusto dos Anjos)
7. O guardador de rebanhos (Pessoa/Caieiro)
8. Limite (Mário Peixoto)
9. Ano passado em Marienbad (Resnais)
10. O anjo exterminador (Buñuel)
11. Paixão dos fortes (Ford)
12. Cantaria barroca (Affonso Ávila)
13. Week-end (Godard)
14. Justine (Sade)
15. A República (Platão)
16. O castigo (Carlos Zéfiro)
17. Morte em Veneza (Thomas Mann)
18. Vidas secas (Graciliano Ramos)
19. Dom Quixote (Cervantes)
20. Amazona (Sérgio Sant'Anna)
21. As quatro estações (Vivaldi); 22. Mapa (Uatki)
23. Ou não (Walter Franco)
24. Concerto de Brandenburgo n° 1 (Bach)
25. Serenata para 13 instrumentos de sopro (Mozart)
26. O jardim das delícias (Bosch)
27. Cristo morto (Andrea Mantegna); 28. Corrida de touros (Miró)
29. Ad parnassum (Paul Klee); 30. A noite estrelada (Van Gogh).

8 comentários:

Assis Freitas disse...

O cinema brasileiro perdeu a característica autoral, salvo raras exceções não existem mais diretores no sentido feliniano da palavra. São produzidos filmes de consumo rápido com estrelas globais e apelo publicitário via vênus platinada. Tudo é descartável, até a crítica atual: se é que existe. Bom domingo.

Marcos disse...

Prezado Assis:

Vc tem razão no que diz respeito à maioria dos filmes produzidos em nosso país nos últimos anos. Mas existem exemplos de filmes excepcionalmente bons sendo realizados hoje ou recentemente no Brasil. Lembro dois do mais alto nível: "O céu de Suely", de Karim Aïnouz (2006), e "Moscou", de Eduardo Coutinho (2009).
Quero acrescentar que as dificuldades para o cinema autoral se manifestam também noutros países, da Itália ao Japão.
Abraços:

Marcos Silv

Marcelo Novaes disse...

Moa,




Nydia fez sua cerimônia do chá com comedimento e elegância, cumprindo muito bem o rito.







Abração,










Marcelo.

Mirse Maria disse...

Bom Dia, Moacy!

Se eu soubesse que ia rever Glauber, teria dormido melhor.
Lindo esse filme!


Nydia Bonetti- Delicioso cha de hortelã. Parabéns!

Bom domindo, Moa!

Beijos

Mirse

Bené Chaves disse...

Moacy: lembrar que 'Terra em transe' foi exibido aqui em Natal no mes de dezembro de 1968, em plena ditadura, em pleno AI-5. Eu o vi, precisamente, no dia 18.
E eu levaria para Gupiara, alguns dos filmes que você citou, mais 'Hiroshima meu amor', 'Um corpo que cai', 'Oito e meio', 'Luzes da cidade' e poucos outros.

Um abraço...

Jefferson Bessa disse...

Furação Glauber Rocha. Grande homenagem a um artista que produziu sua estética - de primeira linha.

Abraços.
Jefferson.

Nydia Bonetti disse...

E o elenco de 'Terra em transe', Moacy. De arrepiar. Esta cena que destacou é emblemática. beijos

BAR DO BARDO disse...

nydia = infusão de luz