sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cidades do Mundo que eu gostaria de conhecer (6)
Dublin - Irlanda
[ Foto: Geoff Sowrey ]
Fundada pelos vikings nos primeiros anos da Era Cristã,
que a dominaram até 1170,
sua população atual beira os 1.660.000 habitantes,


BALAIO PORRETA 1986
n° 2841
Natal, 13 de novembro de 2009

Sou a ausência de nomes. Me valho da leitura dessa terra seca para redescobrir o pesadelo dos índios. Durmo o sono despedaçado dos abismos da noite. Tenho curiosidade pelo que já passou. Sou artífice de uma ciência que não tem espelho. (Só dúvidas.) Não sou eu mesma nem os olhos do outro.
(Shyela AZEVEDO, in Vagamundo. Bicho Esquisito)


ARGÊNTEA
Marize Castro
[ in Lábios-espelhos. Natal, 2009 ]

Escuto o tempo.
Sou toda urgência.
Toda terra.
Escamada por dentro
e por fora.
Preciso do antigo:
do que se transformou em céu
e se fez floresta.



PALUMBO & PAULO MOURA

Hoje, na FIERN (Av. Salgado Filho), à noite, é dia do Projeto Nação Potiguar, com o excelente Paulo Moura lançando dois discos do norte-riograndense K-Ximbinho. Marcam presença musical Carlos Zens e outros. E é dia também, no mesmo progama, do lançamento da revista mensal Palumbo, sob a responsabilidade editorial de uma porrada de gente boa: Tarcísio Gurgel, Albimar Furtado, Dácio Galvão, Afonso Laurentino e Osair Vasconcelos.


DOIS TEXTÍCULOS

Dalton Trevisan
[ in 111ais, 2000 ]

- Esse desenho tão bonito, minha filha, o que é?
- Ai, mãezinha. Você não vê? É o barulho do sol acordando.

[][][]

- Maria, como é que você dobrou o João, esse flagelo das mulheres?
- Não dobrei o João - eu dobrei os joelhos.


O APAGÃO É AQUI
João da Mata Costa
O apagão é mais embaixo

O apagão é no embotamento de muitos
O apagão é na oimissão
O apagão é na educação
O apagão é na falta de cultura.
O apagão é a antecipação das eleições.
O apagão é na torcida organizada contra o governo Lula que não conseguiu emplacar.
O apagão é na nossa miséria intelectual.
O apagão é na falta de segurança.
O apagão tambem está aqui.
Falta de água. Água nitretada. Praias poluídas.
Ao lado da minha sala de trabalho onde fico o dia inteiro:
o banheiro não funciona,
O bujão d´água foi encontado no vaso sanitário e estamos sem água.
E falo de uma Universidade
O apagão é a falta de solidariedade
para com um colega que está sendo processado no exercício da sua profissão e a maioria fica calado.
O apagão é Micarla fazendo propaganda em horário nobre
para dizer o que não fez.
Dá enjoo ouvir essa mulher mil vezes durante o dia.
O apagão é Wilma dizendo o que não fez.
O apagão é essa decoração horrorosa de Natal em Natal.
O apagão é a falta de leitura, saúde e alegria de viver
etc. etc. etc.



Provisoriamente:
OS MELHORES FILMES DOS ANOS 2000
(até o momento)
segundo a nossa leitura crítico-afetivo-libertinária

1. Uma visita ao Louvre (Straub & Huillet, 2003)
2. A cidade de Sylvia (Guerín, 2007)
3. A inglesa e o duque (Rohmer, 2001)
4. Juventude em marcha (Costa, 2006)
5. Arca russa (Sokúrov, 2002)
6. Amantes constantes (Garrel, 2004)
7. A viagem do balão vermelho (Hou, 2007)
8. O homem de Londres (Tarr, 2007)
9. Bamako (Sissako, 2006)
10. Tropical malady (Weerasethakul, 2004)
11. Dogville (Von Trier, 2003)
12. LavourArcaica (Carvalho, 2001)


MADUREZ
Adelaide Amorim
[ in Inscrições ]

Posso ser ilha
se as pontes ruírem.
Comungo o mundo e esqueço
invento o sangue
as veias esvazio
graduo o peso segundo o solstício.
Por mãe de renascença tive a espera
sou vegetal, minério
bicho novo.
Tenho a força do vôo e do horizonte
um sol dentro do corpo
e me improviso.
Posso ser ilha
se as pontes ruírem.



HUMOR NATALENSE
Registrado por Veríssimo de Melo, em 1959:

Antigo proprietário em Estremoz [ao lado de Natal], Carmelo Pignataro tem muitas estórias pitorescas de boêmia e cachaça. Ouvi contar que, uma noite, Carmelo chegou em casa pelas três horas da madrugada. Vinha de uma farra grossa. Como é lógico, sua exma. esposa recebeu-o contrariada e reclamou:

- Agora, Carmelo? Três horas da madrugada?
Ao que ele contestou:
- Três horas, não! Uma hora da manhã!
Por coincidência, no mesmo instante, o relógio da parede bateu as três horas fatais.
A senhora, vitoriosa, exclamou:
- Eu não disse que eram três horas?
Carmelo teve ainda esta saída genial:
- Mas, minha mulher, você deixar de acreditar em mim, que sou seu marido, para acreditar num simples relógio de parede!...

[ in Pequena antologia do humor natalense, de Veríssimo de Melo. Natal: Sebo Vermelho /2a. ed./, 2003 ]

12 comentários:

Pedrita disse...

outra cidade q nunca pensei em conhecer, mas gosto muito de algumas bandas irlandesas. beijos, pedrita

Mme. S. disse...

Eu nem gostava muito dele, mas já que agora está no Balaio, ponto pro Trevisan. E esses dois fragmentos escolhidos por ele estão muito bons!
um beijo querido, obrigada pela referência.

Jens disse...

Oi Moacy.
Eu também gostaria de conhecer Dublin, de preferência num 16 de junho, e refazer o roteiro percorrido por Leopold Bloom em Ulysses, com destaque especial para as paradas para abastecimento etílico.

Dalton: conciso e genial.

Um abraço.

Assis Freitas disse...

111 Ais é um livro de microcontos do Dalton sensacional. Tudo a ver com hoje sexta-feira 13, a presença do Vampiro de Curitiba. Balaio sanguinário.

Marcelo Novaes disse...

Moa,


João da Mata falou tudo.




Abração,









Marcelo.

líria porto disse...

bem te leio, bem-te-vi!
besossssssss

BAR DO BARDO disse...

D8 b8m e d8 melh8r...

nina rizzi disse...

é em dublin que eu faço meus parimentos mais híbridos-poéticos...

os textículos são barrentos como o pantanal de manuel, por isso, nado e me desaconteço nesses versos. sim, eu deliro no vazio. e daí, né?

adoro esta parte do cordel: "O apagão é essa decoração horrorosa de Natal em Natal." ele se garante, mas ainda não me deu as letras pra dulcineia. dom quixote é que está desaparecido (tá ouvindo DaMata? rsrs)...

bem, eu também preciso do antigo. vou sonhar o antigo.

um beijo, visse.

Mirse Maria disse...

Oi Moacy!

A imagem que tenho dos irlandeses vem do belíssimo filme "In The Name of The Father"... Deve ser bonito mesmo!

Sheyla Azevedo e Jõao da Mata arrasaram!

Parabéns aos demais poetas!

O Humor Natalense, formidável! Vou imitar!

Beijos

Mirse

DAMATA disse...

Sexta Feira 13

E eu nem lembrava que era 13. Show de Paulo Moura e Gereba. Só podia pegar o ingresso na loja particular Pax Turismo ligado a uma das promotoras do evento. Uma loja de passagens.
O ingresso só começaria a ser distribuído ás 9h. Cheguei 0930h e não tinha mais ingressos. Disseram que foi formado fila. Mentira.
Um amigo chegou às 9h e não tinha fila nenhuma.
Disseram que todos os ingressos haviamsido distribuídos, hoje; mentira.
É promíscua certas associações. È um falta de vergonha o que é feito com a cultura nessa cidade. Pessoas, grupos se apropriam do dinheiro público para se promoverem.
Que façam a coisa com critérios. Que façam esse show em um outro lugar maior.
Sou um estudioso da MPB e fiquei privado de assistir um show de dois velhos colegas.
É assim que são distribuídos brindes.
É assim que são comprados votos.
É assim o meu mais veemente protesto

DAMATA disse...

Dublin, um cidade que virou literatura nas áginas do Ulisses, de James Joyce.
Umi dia na vida de Blomm. Bloomsday.
Um dia comemorado no mundo inteiro.
Nesse dia o Sr Bloom percorre as vielas dessa cidade mágica. Cidade
Mulher. As 4 horas o Sr Bllom está sendo chifrado. O relogio de cuco toca. Cuuuuuuuuuuuukold. Corno.
O cemitério, a igreja, o bar, o prostíbulo,a biblioteca, etc
Uma vida tornada eterna.
Um grande e bela cidade
A bela torre do Martelo

dade amorim disse...

Legal o Trevisan aqui -
O cordel - tudo verdade - é isso mesmo - apagão geral
Dos filmes, só vi 3, e concordo: o Rohmer, Dogville, um trauma e bom demais, e Lavoura Arcaica, nossa.
O poeminha, nem lembrava direito dele, valeu, Moacy!

Beijo beijo.