sábado, 19 de dezembro de 2009

UM FILME É UM FILME É UM FILME
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O incrível homem que encolheu
(Jack Arnold, 1957)
Entre a ficção científica e o fantástico, um filme que, em sendo bastante modesto enquanto produção cinematográfica, consegue efeitos temáticos e visuais surpreendentes: a história de um jovem homem casado que, ao ser atingido por estranha nuvem de origem desconhecida, provavelmente radioativa, passa por um processo de encolhimento que o leva, aos poucos, ao fim dos fins físicos e mesmo metafísicos, para a angústia de todos nós. O roteiro é assinado por um dos principais escritores americanos de ficção científica dos anos 50 do século passado: Richard Matheson, autor do conhecido
Eu sou lenda.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2874
Natal, 19 de dezembro de 2009

Como posso caminhar tão só, se meus segredos
enchem um mundo?
(Adriana Monteiro de Barros, in Pianos invisíveis, 2008)


GRANDES FILMES LANÇADOS EM 1957,
numa relação crítico-afetivo-seridoense
sujeita a mangas e mangabas, cajus e cajás:

1. Morangos silvestres (Bergman)
2. O grito (Antonioni)
3. Glória feita de sangue (Kubrick)
4, Um rosto na noite (Visconti)
5. Trono manchado de sangue (Kurosawa)
6. A embriaguez do sucesso (Mackendrick)
7. Por ternura também se mata (Clair)
8. Aquele que deve morrer (Dassin)
9, O homem errado (Hitchcock)
10. Testemunha de acusação (Wilder)
11. Meias de seda (Mamoulian)
12. O incrível homem que encolheu (Arnold)
13. Kanal (Wajda)
14. Amargo triunfo (Ray)
14. Quando voam as cegonhas (Kolatozov)
16. Ascensor para o cadafalso (Malle)


DO POEMA
Jarbas Martins
[ in Contracanto. Natal, 1979 ]

O poema é o hábil gesto
que envergonha a mão.
Vestígio do incesto,
lesão.

É o canto imaginário
ou tubo de explosão,
emissor do contrário:
Não.

Mistério sem história
e iniciação
retido na memória
de um grão.

Armadilha, aresta,
redoma e desvão,
- o poema é o que resta.
Temporão.


JULIETA NUMA NOTA SÓ
Mariana Botelho
[ in Suave Coisa ]

eu te quero tanto que meus olhos se magoam


DE LÍRIO E ENCANTAMENTOS
Bosco Sobreira (CE)
[ in Policamente Incorreto, desativado ]

essa moça
me roubou a poesia
e a guardou
bem guardado
encantada em sendas
vales
montanhas
colinas
e
florestas
e
lírio
e amanheceres

vez em quando
(só por demais bem-querer)
ela ma devolve
inteira
(acrescida sempre de um muito mais)
quando se veste de
nua


HISTÓRIA
Hildeberto Barbosa Filho
[ in Eros no Aquário, 2002 ]

(para Eleonora Montenegro)

Faz tempo
que garimpo a alma
das palavras.

Faz tempo
que estou morrendo
na ânsia do último verso.


EXPRESSÕES POPULARES SERIDOENSES
[ Cf. Max Antonio Azevedo de Medeiros, 2007 ]

A merda virou boné : Deu tudo errado; Armou-se a maior confusão.
Afundar no mundo : Fugir; Desaparecer.
Agora vi bosta : Era só o que faltava.
Amarrar o gato : Embriagar-se.
Arear a fivela : Dançar agarrado, colado.
Arriar o barro : Defecar.
Até a gata miar : Até o fim.
Avoar no mato : Jogar fora; Jogar no lixo.
Besta de cagar rodando : Diz-se do sujeito inconveniente, bobo.
Bucho furado : Diz-se da pessoa tagarela, que fala muito.
Cabelo de cu de mocó : Diz-se dos cabelos avermelhados.
Cagar o cibazol : Falhar; Decepcionar.
Cair de cu trancado : Morrer subitamente.
Cão chupando manga : Diz-se do indivíduo encrenqueiro, feio, horrível.
Carregar água em balaio : Fazer esforço inútil; Perder tempo.
Casado na igreja verde : Amasiado; Amigado; Amancebado.
Chamar aos carretéis : Repreender energicamente.
Cheio de guere-guere : Cheio de manha, de lero-lero.
Chorar a morte da bezerra : Lastimar-se de um fato irremediável.
Chupar o ovo : Bajular; Adular. [Baba-ovo : Bajulador; Lambe-cú.]
Chuva de sapo pedir canoa : Chuva torrencial.
Com a bexiga lixa : Enfurecido; Com raiva.
Com a gota serena : Enfurecido; Com raiva.
Cor de burro quando foge : Cor estranha, indefinida.
Cortar a noite : Passar a noite acordado.
Cu de burro : Confusão; Desordem.
Cu de cana : Cachaceiro; Beberrão.

Nota: Algumas dessas expressões são de uso(mais ou menos) comum em várias regiões do Nordeste.

[ Fonte: Palavreado cá de nós. Caicó, 2007 ]


PEDRAS DE TOQUE DA POESIA BRASILEIRA
[ Cf. José Lino Grunewald, 1996 ]

fujo da dor, da lágrima maldita
e me aqueço sozinho ao fraco lume.
(Júlio Cesar Prado Leite, Soneto)

Noite. O céu como um peixe, o turbilhão desova
de estrelas a fulgir. Desponta a lua nova.
(Emiliano Perneta, Dor)

Nossos pés se encontram no caminho
e nós, em nossos pés.
(Francisco Marcelo Cabral, É noite)

[As] nuvens, colossais dromedários de chumbo.
(Duque Costa, A tempestade)

Oh, as operetas dos subúrbios brancos
deste cemitério.
(Ledo Ivo, Cantiga de cemitério)

Olhei-te todo o meu olhar!
(Duque Costa, Elogio exótico)

[O] outuno toca realejo
No pátio da minha vida
(Mário Quintana, Canção de outuno)

12 comentários:

teresa disse...

Meu querido professor, estou passando rapidamente, antes que o avião vá embora, pra te desejar um Natal bem gostoso e um Ano Novo cheio de promessas. Beijo grande.

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Gostei da lista de filmes. Votos de Feliz Natal e otimo 2010 para voce e o Balaio.
kandandu

Pedrita disse...

hahaha, adorei a foto do incrível homem q encolheu. acho q não vi. se vi não lembro mais, deve fazer um "tempinho". hehe. beijos, pedrita

NAMIBIANO FERREIRA disse...

meu caro, deixei uma breve resposta em Ondjira sobre a religiao em Angola, face a sua questao se celebramos o Natal.
kandandu

Francisco Sobreira disse...

Meu caro,
Não conheço O Incrível Homem Que Encolheu", um filme que se tornou um "cult", principalmente pelos efeitos visuais. Como não conheço Kanal, dessa ótima lista dos filmes lançados em 1957. Um abraço.

Mirse Maria disse...

Oi Moacy!

Agora, só às vezes dá para aparecer, mas depois passa.

Quanto ao filme, bem que algumas nuvens radioativas poderiam sobrevoar e fazer [dentro do possível] alguns homens políticos ou não, encolherem. Ótimo filme.

Morangos Silvestres é inesquecível! Que lista!!!! Bergman. Antonioni, Kurosawa, Hitchcock.... assim não há coração que aguente!

Os poetas desfilam maravilhas, mas destaco Jarbas Martins! MUITO BOM!

E meu dicionário cresce com os ditados seridoenses.

Grande sábado!

Beijos

Mirse

Marcelo Novaes disse...

Moa,



As expressão seridoenses são bem interessantes. Genias, as pedras de toque apresentadas.

Mariana Botelho transborda.






Abração,









Marcelo.

Sergio Andrade disse...

A frase final do "Incrível homem que encolheu" é minha preferida em todos os tempos: "Eu ainda existo!". Filmaço!!!

Um abraço.

Assis Freitas disse...

Balaio farto de grandezas. Tô apreciando.

Jens disse...

Vi, quando pivete, O incrivel homem que encolheu: adorei.

Jens disse...

Vi, quando pivete, O incrivel homem que encolheu: adorei.

Anônimo disse...

Gosto do Balaio Porreta.Tem pouca Literatuta e nenhuma FILOSOFIA. Filosofia na Internet é um chute no saco.Aliás devo declarar que nunca li Platão nem Sartre. Muito menos os hedonistas e os cínicos.Nem o cínico Diógenes da Cunha Lima.