sábado, 30 de janeiro de 2010

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A costela de Adão

(George Cukor, 1949)
Spencer Tracy e Katharine Hepburn estão ótimos nesta deliciosa comédia romântica dos anos 40: um casal de advogados (ela, defendendo uma esposa traída que tentara matar o marido [Judy Holliday, na foto acima]; ele, atacando-a no processo jurídico estabelecido por lei) em atrito permanente, ou quase. A canção 'Farewell, Amanda', que fez bastante sucesso na época, foi escrita pelo famoso Cole Porter especialmente para o filme.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2917
Rio, 30 de janeiro de 2010

... no tempo do cinema mudo, a montagem evocava o que o realizador queria dizer; em 1938, a decupagem descrevia; hoje [1950], enfim, podemos dizer que o diretor escreve diretamente em cinema. A imagem - sua estrutura plástica, sua organização no tempo -, apoiando-se num maior realismo, dispõe assim de muito mais meios para infletir, modificar de dentro a realidade. O cineasta não é somente o concorrente do pintor e do dramaturgo, mas se iguala enfim ao romancista.
(André BAZIN. O cinema, ed. bras. 1991)


OS MELHORES FILMES VISTOS EM JANEIRO
( Cotações: de * [Bom] a *** [Excelente] )

Satantango *** (Tarr, 2006), em casa
A tomada do poder por Luís XIV *** (Rossellini, 1966), em casa
Muito cedo, muito tarde *** (Straub & Huillet, 1982), em casa
Decálogo, 2 ** (Kieslówski, 1988), no CCBB
Decálogo, 3 ** (Kieslówski, 1988), no CCBB
Ervas daninhas ** (Resnais, 2009), no Arteplex
Legião invencível ** (Ford, 1949), em casa
Diário de Sintra ** (Paula Gaitán, 2007), no Arteplex
Abraços partidos * (Almodóvar, 2009), no Espaço de Cinema

Revisões mais importantes

As férias do Sr. Hulot *** (Tati, 1953), em casa
Acossado *** (Godard, 1959), na Caixa
O desprezo *** (Godard, 1963), na Caixa
Conto de outuno *** (Rohmer, 1998), em casa
Conto de inverno *** (Rohmer, 1992), em casa
Pauline na praia *** (Rohmer, 1983), em casa
A inglesa e o duque *** (Rohmer, 2001), em casa
Conto de verão *** (Rohmer, 1996), em casa
A marquesa d'O *** (Rohmer, 1976), em casa
O raio verde *** (Rohmer, 1986), em casa
Menilmontant *** (Kirsanoff, 1926), em casa
Amor à tarde ** (Rohmer, 1972), em casa
O joelho de Claire ** (Rohmer, 1970), em casa
Os homens preferem as louras ** (Hawks, 1953), em casa


PARA UMA BIBLIOTECA PORRETA
( 33 / 43 )

O cinema (Bazin, ed. bras. 1991)
A rampa; Cahiers du Cinéma (Daney, ed. bras. 2007)
Bloodstar (Corben, 1976)
Um contrato com Deus (Eisner, 1978)
A cidade antiga (Coulanges, 1864)
O ramo de ouro (Frazer, 1890)
História da Antropologia (Boas, 1904)
A linguagem e o pensamento (Piaget, 1923)
Os 100 melhores contos de humor da literatura universal
(Flávio Moreira da Costa, 2001)
Almanhaque, 1, 2 e 3
(Aparício Torelly, o Barão de Itararé, 1949-55)


RECORDANDO O BARÃO DE ITARARÉ
[ in Almanhaque, 3, 2° semestre 1955 ]

O golpe
(Texto sob cartum: um cinquentão, careca,
e uma jovem aparentando 19-20 anos, ambos numa praia:)
- Senhorita, além de arquimilionário, ainda sou portador de um bruto distúrbio cardiovascular. Proponho-lhe, agora, solenemente, ser minha viúva, mas tudo dentro dos princípios constitucionais...

O dilúvio
A história é mais ou menos conhecida. Choveu quarenta dias e quarenta noites sem parar, sem uma folga. As águas subiram tanto que toda a terra ficou alagada e, como consequência lógica da tremenda inundação, morreram, mais ou menos afogados, todos os homens e todos os animais que não conseguiram tomar passagem na arca de Noé.
Agora, que já se passaram tantos séculos depois do terrível cataclisma, parece que ninguém poderá leval a mal esta pergunta:
- Que foi feito dos peixes?

Ladrões de automóveis
Um jornal americano publicou uma queixa levada a
uma delegacia de polícia:
- "Efetuando algumas compras, deixei meu auto na rua. Na minha volta, verifiquei que os ladrões levaram uma guitarra, 2 quilos de carne, 10 maços de cigarros e 8 pares de meias.
P.S. - Meu marido, que estava no carro, igualmente desapareceu".

Máximas
(ao pé da página)

Juramento é a mais solene e grave das mentiras
Boate é uma gafieira metida a besta
Nem tudo mel nem tudo fel
Cada um dança com as pernas que tem
Quem tem saúde de ferro pode um dia enferrujar
Para este mundo ficar bom, é preciso fazer outro
Não há amor sem beijo nem goiabada sem queijo
Há mulheres que amam um só homem. Um só de cada vez
- e mais, muito mais -
(Clique aqui para ver Máximas dos outros Almanhaques)


PARA UMA BIBLIOTECA PORRETA
( 34 / 43 )

História da Filosofia (Châtelet, org., 1973)
A galáxia de Gutemberg (McLuhan, 1962)
Moisés e o monoteísmo (Freud, 1939)
A invenção de Deus (Armstrong, 1991)
Cantos (Pound, 1919-70)
Folhas de relva (Whitman, 1855)
A sangue frio (Capote, 1966)
Trópico de câncer (Miller, 1934)
Fogo morto (José Lins do Rego, 1943)
Bordel Brasilírico Bordel (Jomard Muniz de Britto, 1992)


Fragmento inicial d'
O BURACO SOMOS NÓS
Jomard Muniz de Britto
[ in Bordel Brasilírico Bordel, 1992 ]

o buraco é veroz como a vida severina
e outras anônimas, te re si nas.
o buraco é o vazio mais pleno,
zen e sem.
o buraco sugere e supera todas as contradições
do homem brasileiro, latinoamericano, terceiro
mundista e outras menos famosas e fesceninas.
o buraco incomoda como o cão sem plumas,
o poema sujo, o olhar santiago, a maçã no escuro,
vampiro vampirizado pelo im-próprio talento.
o buraco é o processo mais experimental
de todos os bruxos e brinquedos de morte.
o buraco é o nosso teto, texto, terremoto
como projétil de vida, pornochanchadeiro,
tal e qual pre-vista patética dos pregressos,
frevo e merengue na beira dos mangues,
maracatu de mariaparecida no cume dos morros,
anjo avesso pelas avenidas do mundo.
...

A FOTO DA SEMANA
Haiti, depois do terremoto:
mulher, desesperada, implora por ajuda alimentícia
Foto:
Ramon Espinosa / AP

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6 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Tudo no gosto bom. Até furtei o barão para tuitá-lo.

Abraço, Mestre Moa!

Francisco Sobreira disse...

Caro Moacy,
Não conheço A Costela de Adão, que é um filme muito prestigiado. Também um filme com Tracy, Hepburn e Judy Hollyday, grande atriz de comédias, com direção de Cukor e, salvo engano, roteiro de Garson Kanin, não poderia dar errado. Conheço uma refilmagem, com Robert Redford e Debra Winger, (não me ocorre, agora, o nome do diretor), que não é ruim, mas, presumo, esteja bem abaixo do seu modelo. Um abraço.
P.S. - Parabéns pela NOTA.

Assis Freitas disse...

A foto da haitiana explode em significados. As máximas do Barão são conselhos oportunos. E o buraco, tem um filósofo que dizia que tudo em volta do buraco é beira. Sábado de beira-bar e talvez beira-mar.

Carito disse...

Adoro essas aulas aos sábados! A vida se irradia, se revela, na música do dia, na tela em sol maior!

Pedrita disse...

eu gostei muito da biografia do freud escrita pelo peter gay.

e quanto ao meu post, hellboy, eu amo o guilherme del toro, embora hellboy não sejam os meus preferidos. tenho com um dos grandes filmes da minha vida o labirinto do fauno q imagino que vá gostar. fala muito de revolução.

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Moacy, das suas revisões cinematográficas vi apenas esses: Acossado(Godard, 1959), O desprezo (Godard, 1963) e Conto de verão (Rohmer, 1996). Dos seus vistos em janeiro, nadica de nada. Abs.