quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A cidade
(1919)
Fernand Léger


PARA UMA BIBLIOTECA PORRETA
( 57 / 66 )

Funções da pintura (Léger, 1965)
Manifestos do surrealismo (Breton, 1924-53)
História social da literatura e da arte
(Hauser, 1951)
Conceitos fundamentais na história da arte (Wölfflin, 1915)
A arte moderna (Argan, 1970)
O século de Picasso (Cabanne, 1982)
Sociologia da arte (Francastel, 1970)
Do espiritual na arte (Kandinsky, 1912)
História da música (Vários autores, 1986)
A música no Renascimento (Reese, 1952)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2942
Natal, 24 de fevereiro de 2010


BEIJO
Virgínia Schall
[ in Poesia Erótica ]

sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras


OLHO D'ÁGUA
Líria Porto
[ in Tanto Mar ]

hora dessas
abro o açude
e inundo o mundo
de lágrima


SEM TI
Eliana Mora
[ in Germina Literatura ]

Sou chama
Aquela
que não precisou da fricção de dois gravetos
para arder


POEMAS de
Zemaria Pinto
[ in Fragmentos de silêncio. Manaus, 1995 ]

garçom, traga-me uma navalha
e um chope espumando nuvens

[][][]

o pouso silente
da borboleta de seda
celebra a manhã

[][][]

paixão

a nona sinfonia explode
tua lâmina me rompe o ventre
e faz jorrar o sangue da minha carne
plantando-me tua semente

a paixão violenta - o grito
a lágrima sufocada - ah, a alegria
língua que lambe o mundo

o beijo a dentada
contigo, eu pelo espaço:
Beethoven & boleros

sou uma égua de fogo

POEMA
de

Miguel Cirilo
(São José do Seridó)
[ in Os elementos do caos, 1964)

- faltam dois galos vermelhos
para a morte nos unir:
amor que dorme, desperta,
não é hora de dormir.

me dá arsênico e rosa:
quero morrer sem sentir.
amor, já se acende a aurora:
ajuda-me a não fugir.

- abraça-me com o desgosto
da vida que não te dei.
- pelo muito que me deste:
não foi só a ti que amei.

entregaste-me uma sombra,
talvez com medo de mim.
- amor, a morte me assombra...
- só posso te amar assim...


QUEM ERA TERRORISTA
NO BRASIL DOS ANOS 60-70?
Emir Sader
[ Clique aqui para ler o artigo na íntegra ]

Quem era terrorista? José Agripino ou Dilma? Os militares que destruíram a democracia ou os que a defendiam? Quem usava a picanha elétrica, o pau-de-arara, contra pessoas amarradas, ou quem lutava, na clandestinidade, contra as forças repressivas? Quem era terrorista: Iara Iavelberg ou Sergio Fleury? Quem estava do lado da Iara ou quem estava do lado do Fleury? Dilma ou Agripino? Quem estava na resistência democrática ou quem, por ação ou por omissão, estava do lado da ditadura do terror?

11 comentários:

Carito disse...

caro moacy: falamos hoje na siciliano sobre "a cidade" (ficção científica) e agora você nos traz "a cidade" (fricção cubista)... e nova fricção: eliana mora na filosofia e nos chama para arder, o açude acude no porto de líria, delira espumando nuvens no chope de zemaria, virgínia é um gênio num mundo de segundos, o amor está no ar cênico de miguel...

Assis Freitas disse...

Poesia arrebatadora e arrasadora: Virginia, Líria, Eliana, Zemaria e Miguel. Abraço.

Marcelo Novaes disse...

Moa,



Sua biblioteca contempla o conjunto das artes, quase equanimemente. Visão de Humanista, e não de especialista.



A chama sem fricção [externa] da Eliana Mora é uma imagem bastante interessante.






Abração.

Adriana Godoy disse...

Conferido e aprovado. beijo.

Adriana Karnal disse...

Moacy,
A Líria inunda...vou ver o q tenho dessa lista na minha biblioteca pra ficar porreta...bj

Mirse Maria disse...

Oi Moacy!

Saudades, amigo!

Virginia, Líria, Eliana, Zemaria e Miguel, Maravilhosos. Destaco Líria!

Terrorista é todo aquele que se julga no direito de usar a força contra o ser humano, e/ou seus direitos. Óbvio que quem estava do lado da omissão atuando, estava do lado da ditadura do terror.

Saudações alvinegras

Mirse

nina rizzi disse...

então, "a cidade não mora mais em mim"... tenho um romantismo em relação ao campo, sabe... as pessoas nas cidades andam às pressas, alienadas pelo que há de citadino, industrial, mercantil... no campo a gente trabalha e se cansa, sim, mas se re-encontra com a terra e até podemos parar pra ver a mesma terra, 'inda que seca, beber da água e, porquê não, rolar na relva... não obstante, moro na 4ª metrópole do brasilzão de emu deusdiabo..., como diz o homoludens "sertão rebelde na cidade". e eu adoro léger.

e eu, engafarradora de nuvens feito Humberto teixeira, leio Emir e me lembro de outras nuvens, as do tião de las nubes:

"Tem gente que não me perdoa, mas continuo achando que a maior obra de arte do século 21 até agora – incluindo literatura, cinema, música, teatro e todo o resto – foi mesmo a explosão das torres gêmeas. Tudo perfeito. A hora escolhida, a beleza crua dos aviões detonando os edifícios, a transmissão em tempo real, a monumentalidade da realização... e até algumas vítimas inocentes (sic: ninguém é inocente, não é mesmo, João Paulo Sartre?) para temperar com sangue o grandioso espetáculo da manhã em chamas, que mergulhou em pânico e espanto os sentimentais, e encheu de sádico prazer os que não rezam pela cartilha do Tio Sam." (aqui ó: http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id_usuario=12#texto)

e como sempre fico com essa sensação do não-dito por ser demais sentido, saio daqui assim, co'zóins cheios d'água.

um beijo, ois cheiros.

Mme. S. disse...

Boas perguntas!

Jens disse...

Poemas rubros de paixão.
Vou lá conferir o artigo do Sader.

Abraço.

líria porto disse...

hoje eu só cheguei agora - obrigada, moa, por incluires meu poeminha no balaio, pelos versos todos, e pelo artigo importantíssimo do emir sader!

"apesar de você (deles) amanhã há de ser outro dia..."

besos

Iara na Janela disse...

o poema da eliana me ardeu!

lindo demais!

esse balaio tá com a muléstia né?

beijos.