quarta-feira, 25 de abril de 2007

Repeteco / Memória 1993

BALAIO INCOMUN
Folha Porreta
Moacy Cirne
VIII / 577
Rio, 9 dez 93



O BALAIO ADVERTE:
ESTE NÚMERO NÃO É RECOMENDÁVAL
PARA CONSERVADORES E PSEUDOMORALISTAS

[] UM TEXTO DUCARALHO,
DE AUTORIA ANÔNIMA,
PRODUZIDO POR ALUNAS DA UFF
[ do Curso de Farmácia ]

Verbete da gota serena:

PAPACUS BRASILIENSIS PENETRATTIS (Família dos Bucetivacus). -- Animal carnívoro, de tamanho variável, muito voraz, porém cego. Habita em lugares úmidos e de vegetação rasteira. Possui sob o pescoço uma espécie de sacola, onde carrega o seu estranho veneno que, ao invés de matar, cria vidas. Agressivo e perigoso quando provocado, é de fácil domesticação por mulheres pacientes e carinhosas.

Exímio pescador de piranhas, alimenta-se também de pombas e galinhas; há aqueles que preferem frangos e veados. Em certos dias, estando difícil a caça, atrasando, conseqüentemente, sua alimentação, é atacado por uma doença marcada pela ansiedade que o faz babar durante o sono, o que é normal nesta espécie.

É um animal de trato melindroso; até a imaginação excita-o. Se receber muito cafuné, assanha-se como se estivesse irritado, erguendo-se com os músculos tesos. O sangue sobe-lhe à cabeça, então. No auge da excitação, chega ao ponto de cuspir constantemente. Se ficar muito tempo sem tomar banho, adquire no pescoço um sebo de odor fétido e insuportável, que acaba por espantar a caça. Fato curioso é que sua carne quanto mais dura mais é apreciada; contudo, é o leite desse animal que mantém até hoje a humanidade.

Em estado adulto adquire espessa juba, revolta e sedosa, que o destaca de qualquer outro animal. Após os 60, 70 ou 80 anos, de acordo com a natureza do bicho, torna-se eventualmente inofensivo; não baba, não cospe, ficando triste e cabisbaixo, nada mais levantando, nada mais comendo.

O papacus brasilensis penetrattis é conhecido por vários nomes: aço, badalo, bibico, bilunga, biscoito, bitoca, borracha, cajado, catrino, caralho, caralhau (em Chico Doido de Caicó), cacete, careca, carimbo, catatau, chibata, cipó, cobra, dardo, engate, espada, esguicho, espiga, estaca, estoque, espeto, estrovenga, farfalho, fariseu, ferrão, frangalho, fodecu (em Chico Doido de Caicó), gaita, ganso, gregório, inhame, jacarandá, jeba, jamanta, jiribaita, lança-perfume, langanho, macaxeira, mangará, manjuba, miraguaia, nervo, passarinho, pau, pica, picaralho (em Chico Doido de Caicó), piroca, poste, prego, quiabo, ripa, rola, serpente, são-longuinho, sipaúba, sulambra, torongo, totoca, traíra, trangolho, treco, tripa, troçulho, tubiba, vara, ximbório, zeca, zé-cego, zé-fidélis, zezinho.

Nota:
O presente texto foi adaptado pelo Balaio, que, para completar, acrescentou o último parágrafo, a partir de dicionários populares existentes no mercado brasileiro.

4 comentários:

Jens disse...

Irreverente, engraçado. Muito bom.

sandra camurça disse...

Genial! Adorei Adorei Adorei!!!

Agora, com todo respeito, Moacy, o seu "zezinho" ainda cospe e baba, né? ;)

Não precisa me responder essa pergunta indiscreta, viu?

Ah, respondi seu comentário no refúgio.

Beijão.

Carol Montone disse...

Divertido.......
Adorei o nome do seu blog...
Um beijo
Carol Montone

Felipe Nóbrega disse...

Puxa! nota 10

inté1 (muitas risadas...)