terça-feira, 10 de abril de 2007

TUA BOCA

tua boca é o meu sonho
a caminhar, passos lépidos
pelo meu corpo.

é o teu desejo ,
o meu desejo, chuva miúda
a chover pelo meu ventre abaixo.

Silvia Chueire

[ in Eugenia in the Meadow ]
  
BALAIO PORRETA 1986
nº 1992
Rio, 10 de abril de 2007
  
Repeteco
DOIS SERTANEJOS E UM AVIÃO


Aconteceu por volta de 1951-52, no interior do
Maranhão. A história é contada pelo potiguar
Oswaldo Lamartine de Faria. Num campo de pouso
dois sertanejos observavam, "desconfiados e curiosos",
um avião bi-motor, com 10 lugares e bastante espaço
para coisas e mais coisas, pronto para levantar vôo,
depois que o piloto e os passageiros voltassem a seus
lugares. Mas vamos ao relato de Oswaldo:
"O comandante voltou à cabine, subiram os passageiros,
aeronave na cabeça da pista, aceleração, corrida e decolagem.
Aí um disse para o outro:
-- Cumpadre, cuma é que aquele condenado assobe cum todo
aquele peso?!!!
-- E você não viu? Ele toma carreira desembestada inté faltá
terra nos pés...".

[ in Em alpendres d'Acauã; conversa com Oswaldo Lamartine de Faria.
Natal: Imprensa Universitária: Fundação José Augusto, 2001, p.43 ]
 
DOIS POEMAS DE MOACY CIRNE (RN)

Antes de mim,
entre o Seridó e o Barra Nova,
Caicó já existia.
As fotos de José Ezelino,
uma só poeira um só antigamente,
não me deixam mentir.

[*][*][*]

Um calor dos seiscentos mil diabos
fervia
as minhas fantasias com Ava Gardner.

[ in Rio Vermelho /Natal, 1998/ ]
 
UMA INTERPRETAÇÃO ANTOLÓGICA
Na história do cinema, há interpretações que dignificam qualquer filme
marcado pela excelência dramática e narrativa. Claro, é possível a
existência de obras que, com interpretações corretas e sensíveis, não
diminuem o seu valor estético-semiótico. Mas há atuações que, mesmo
levando em conta os predicados formais e estruturais de determinadas
obras, engrandecem o seu significado fílmico. Entre as atrizes, por
exemplo, há que ver as interpretações maiores de Falconetti em
A paixão de Joana d’Arc
(Dreyer, 1928), Gloria Swanson em
Crepúsculo dos deuses
(Wilder, 1950), Bette Davis em A malvada
(Mankiewicz, 1950), Emmanuelle Riva em Hiroshima, meu amor
(Resnais, 1959), Jeanne Moreau em Jules et Jim (Truffaut, 1962).
E Gena Rowlands em Uma mulher sob influência (Cassavetes, 1974),
só agora lançado comercialmente no Brasil. Aqui, em Mabel/Rowlands,
a personagem “bebe com exagero, tem comportamentos estranhos e
durante o filme ela terá um surto, será internada num hospital
psiquiátrico e estrelará sua própria festa de volta para casa. ...
Sua loucura queima no meio das confusões do lar. Nada flui facilmente”
(Roger Ebert, in A magia do cinema, p.346). Uma mulher sob
influência
não é só uma obra-prima de John Cassavetes; é uma
obra-prima de Cassavetes e Gena Rowlands. Sim, é verdade,
alguns consideraram o desempenho de Rowlands excessivo,
com seus tiques e suas interjeições sonoras, mas não era
exatamente essa a proposta de Cassavetes?

7 comentários:

adelaide amorim disse...

Moacy, como se consegue seu livro Rio Vermelho? Gosto desses poemas e gostaria de ler mais. um abraço e obrigada pela visita.

Bosco Sobreira disse...

Meu caro Moacy,
Eu vou um pouco além da Adelaide: onde é possível conseguir teus livros de poesia?
Forte abraço.

Moacy disse...

Adelaide e Bosco, meus caros: Infelizmente, meus livros de poesia encontram-se esgotados. Eventualmente, podem ser encontrados em sebos. De Natal, bem entendido. Caso eu consiga algum deles, vocês estarão em minha lista de prioridades. Mas, pra falar a verdade, acredito que chegou ao fim o meu ciclo de edição de lançamento de livros de poemas (com possíveis exceções para o poema/processo). Um grande abraço.

Francisco Sobreira disse...

Moacy,
Desses exemplos luminosos da interpretação feminina que vc cita, só não conheço o de Gena Rowlands. Eu estou querendo me lembrar de outros (e há ´tantos, tantos e tantos), mas, no momento, só me ocorre o das atuações de Liv Ulmann e Bibi Andersson em "Persona". Um grande abraço.

Moacy disse...

Sobreira: De fato, sua lembrança é perfeita. Acredito que são nomes que podem ser acrescentados à lista (pequena) apresentada por mim. Um abraço.

Jens disse...

Belos poemas. Cada vez melhor.

Felipe Nóbrega disse...

Juntando-se a lista das atrizes eu citaria Jessica Lange em "Frances" acho ela genial - e com certeza nunca mais alcançou aquele nível de interpretação. Não assisti esse filme de Geena, acho ela uma atriz pouco valorizada e com nunca teve a quantidade de papéis bons que merecia - cito "A outra" (como apaixonado por Allen que sou) como um ótimo momento dela no cinema.
inté!!!