quarta-feira, 11 de abril de 2007

TEIA

Se nesta cama te ensino a morrer

É porque a morte é febre que tece

- tempestade que anuncia mundos de seda.

[ Marize Castro. Esperado ouro. Natal, 2005 ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 1993
Rio, 11 de abril de 2007


CINCO FILMES QUE MARCARAM O CINEMA PAX, DE CAICÓ

Funcionando como Cinema Pax desde os anos 30 do século passado, sempre na Praça da Liberdade, em Caicó, RN, a sala de exibição de Seu Clóvis, com suas 298 cadeiras de madeira, com um único projetor, e uma tela pequena e relativamente suja, teve seu apogeu nos anos 50. Por diversos motivos, selecionamos os cinco filmes que marcaram a sua brava história de “Cinema Paradiso” (não levando em conta, aqui, os seriados e os filmes de Tarzan, capa & espada e bangue-bangue). Ei-los, pois:

  1. O ébrio (Gilda de Abreu, 1946), com Vicente Celestino, exibido por volta de 1950/51. Provavelmente, o primeiro grande sucesso do cinema brasileiro na terra seridoense; no final, todos, absolutamente todos, inclusive os homens, choravam copiosamente diante do dramalhão estrelado por Vicente Celestino. Na época, minha família residia na Praça Dr. José Augusto.

  1. Gilda (Vidor, 1946), com Glenn Ford e Rita Hayworth, exibido por volta de 1952. O primeiro filme proibido para menores de 18 anos em Caicó; só que no dia seguinte, foi liberado para a “gandaia” por Seu Clóvis. Seja por Gilda, isto é, a sensual Rita Hayworth, seja pelo clima noir do filme, seja pela proibição inédita, terminou sendo um sucesso inesquecível. Até hoje.

  1. Sansão e Dalila (DeMille, 1949), com Hedy Lamarr e Victor Mature, exibido em 1954. Seis sessões em cinco dias: nunca acontecera algo assim na Vila do Príncipe. Das cidades vizinhas, pessoas as mais diversas, em caravana, nos visitavam só para ver o espetáculo bíblico hollywoodiano. De todos os filmes ruins que vi, é o meu preferido. Aliás, já o vi umas oito vezes; cinco, em Caicó.

  1. Rashomon (Kurosawa, 1950), com Toshiro Mifune, exibido em 1956. A inclusão, aqui, é puramente pessoal: embora já conhecesse Luzes da cidade (Chaplin, 1931) e O terceiro homem (Reed, 1949), ambos vistos em Natal em janeiro de 1953 (o filme de Carlitos foi apresentado no Pax por volta de 1955), Rashomon abriu-me as portas para o saber cinematográfico.

  1. Velhas lendas tchecas (Trnka, 1953), filme animado de marionetes, exibido em 1959. Trata-se de uma obra excelente; talvez seja o melhor filme de animação feito até o momento. Mas, pelos mais diferentes motivos (entre os quais, o péssimo som do velho Pax [a cópia exibida era dublada]), Velhas lendas recebeu, em Caicó, a maior vaia que se possa imaginar. Fiquei indignado, claro.

AS MELHORES CACHAÇAS DO BRASIL

A revista Playboy, do mês de abril, nas bancas, depois de ouvir vários especialistas, apontou as melhores cachaças brasileiras produzidas industrialmente. Eis as 20 mais conceituadas:

1.Vale Verde (Betim, MG);

2. Anísio Santiago [Havana] (Salinas, MG);

  1. Canarinha (Salinas, MG);
  2. Germana (Nova União, MG);
  3. Claudionor (Januária, MG);
  4. Boazinha (Salinas, MG);
  5. Casa Bucco (Passo Velho, RS);
  6. Armazém Vieira (Florianópoilis, SC);
  7. Magnífica (Miguel Pereira, RJ);
  8. Piragibana (Salinas, MG).

E mais: Maria Izabel (Parati, RJ); Indaiazinha (Salinas, MG);
Sapucaia Velha (Pindamonhagaba, SP); Corisco (Parati, RJ);
Mato Dentro (São Luiz do Paraitinga, SP); Lua Cheia (Salinas, MG);
Abaíra (Chapada Diamantina, BA); Seleta (Salinas, MG);
GRM (Araguari, MG); Volúpia (Alagoa Grande, PB).

Modestamente, o Balaio de igual modo tem suas preferências etílicas:

  1. Topázio (Entre Rios de Minas, MG);
  2. Ferreira (Januária, MG);
  3. Seleta (Salinas, MG);
  4. Claudionor (Januária, MG);
  5. Germana (Nova União, MG);
  6. Vale Verde (Betim, MG);
  7. Lua Cheia (Salinas, MG);
  8. Samanaú (Caicó, RN);
  9. Rainha (Bananeiras, PB);
  10. Anísio Santiago [Havana] (Salinas, MG).

ALGUNS NOMES CURIOSOS PARA A DANADA DA CACHAÇA

Uns e outros: Abre, abrideira, a-do-ó, água-benta, água-bruta, água-de-briga, água-de-cana, água-que-gato-não-bebe, água-que-passarinho-não-bebe, águas de setembro, aninha, a-que-matou-o-guarda, arrebenta-peito, azougue, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brasa, brasileira, caiana, calibrina, cambraia, cana, cândida, canguara, canha, caninha, canjebrina, canjica, capote-de-pobre, catuta, caxaramba, caxiri, caxirim, cobertor, cobreira, corta-bainha, cotréia, cumbe, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, desmancha-samba, dicionário, dindinha, dona-branca, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-de-senhor-de-engenho, friinha, fruta, gás, girgolina, gole, gororoba, gorobeira, gramática, guampa, guarda-chuva, homeopatia, imaculada, já-começa, jeribita, jurubita, jinjibirra, jora, junça, jura, legume, limpa, lindinha, lisa, maçangana, malunga, malvada, mamãe-de-aruana, mamãe-de-luanda, mamãe-sacode, mandureba, marafo, marato, maria-branca, mata-bicho, mé, meu-consolo, minduba, miscorete, moça-branca, monjopina, montuava, morrão, morretiana, mundureba, óleo, orontanje, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, porongo, prego, pura, purinha, quebra-goela, quebra-munheca, rama, remédio, retrós, roxo-forte, saideira, samba, sete-virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, siúba, sumo-de-cana, suor-de-alambique, táfia, teimosa, terebintina, tiquira, tiúba, tome-juízo, trago, três martelos, uma, uminha, urina-de-santo, xinapre, zuninga.


Um sítio porreta: Museu da Cachaça, em Pernambuco.

3 comentários:

sandra camurça disse...

Danou-se...Isso é que é gostar de cana...Valeu pela dica do sítio do Museu da Cachaça.

Um cheiro.

Bosco Sobreira disse...

Bem, meu caro, eu não sabia desses seus conhecimentos etílicos... Mais uma razão para apressar sua vinda ao Ceará, onde se "cultua" a melhor cana do mundo.
Forte abraço.

Jens disse...

O Cine PAX me lmebra o Cine Ipanema dos tempos de infância, com seus filmes de capa e espada e seriados de faroeste - tinha um tal de Caveira, bandido sagaz, que se recusava a morrer e ser preso.
***
Legal a compilação dos nomes pelos quais é conhecida a "marvada".
Um abraço.