quarta-feira, 30 de maio de 2007

Amigos, na minha crônica de ontem, apresentei o único torcedor ceguinho do mundo. É tricolor de não sei quantas encarnações. E não perde uma do Fluminense. Mete-se nas arquibancadas com a sua bengalinha branca. Torce, como ninguém, os noventa minutos. Discute impedimentos, acusa pênaltis não marcados, é mais opinante do que ninguém. (...) Por coincidência, sentei-me ao seu lado, no jogo Fluminense x Bonsucesso. E, quando o pó-de-arroz entrou em campo, o Ceguinho gritou: "Ademar está mais magro". Para a óptica generosa do seu amor, Ademar sempre estará mais magro. E quando acabou o jogo, o Ceguinho levantou-se. ... O Fluminense ganhara de 4 x 0. E a noite do Ceguinho encheu-se de estrelas. (Nelson RODRIGUES. O profeta tricolor. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 33-5)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2029
Rio, 30 de maio de 2007


CITAÇÕES DE NELSON RODRIGUES

[] O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade.
Tudo pode passar, só o tricolor não passará, jamais.


[] Meu sentimento clubístico é anterior ao sexo,
anterior à memória.


[] A morte não exime ninguém
dos seus deveres clubísticos.


[] Um time pode jogar descalço, jogar de pé no chão.
Só não pode jogar sem alma.


[] Assim é o ser humano: na hora do palpite errado,
não lhe ocorre uma vaga dúvida metafísica.


[] O vídeo-tape, por ser burro,
não tem a imaginação do olho humano.


[] O que nós procuramos no futebol é o sofrimento.
As partidas que ficam, que se tornam históricas,
são as que mais doem na carne, na alma.

[ Citações extraídas do livro O profeta tricolor ]

Um comentário:

Espartilho de Eme disse...

Meu caro Moacy, obrigada pelos meus dedos fálicos passearem pelo teu balaio vermelho ou ocre e cru.
É sempre uma grande alegria receber seus comentários! Ando produzindo... Beijos, Maria Gomes