quarta-feira, 11 de julho de 2007


A foto digital de Dmitry Chebotarev, a partir do Meu Porto,
leva-nos a sonhar: estaríamos dentro de uma película
de ficção científica, à procura de um planeta com
duas belas luas: duas luas e muitos devaneios,
muitos devaneios e muitas surpresas???


BALAIO PORRETA 1986
nº 2059
Rio, 11 de julho de 2007



DE SILÊNCIOS E AUSÊNCIAS
Míriam Monteiro
[ in Meu Porto ]

Um rio
ciciante de poemas
me atravessa,
e eu transbordo
silêncios.

À margem
brinco de não ser,
esperando
o que me desconstrua,
o que rompa algemas.

Inebriada de silêncios,
nem percebo
que o amanhecer tarda
e a poesia
já não vem.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 livros indispensáveis (23b / 111)

Cartas a um jovem poeta & A canção de amor e morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Trad. Paulo Rónai & Cecília Meireles. Porto Alegre: Globo, 1966, 110p. [] Se A canção de amor, recriada por Cecília Meisreles, é a prosa poética de Rilke em sua delicadeza mais acentuada, as Cartas, traduzidas por Paulo Rónai, e escritas entre 1903 e 1908, são uma lição de vida e literatura, de sinceridade e espaço intelectual. São Cartas importantes, que representam, para o jovem escritor/poeta, o que existe de verdade e de mais puro em suas palavras.

De poesia e poetas, de T.S Eliot. Trad. Ivan Junqueira. São Paulo: Brasiliense, 1991, 362p. [] Coletânea de 16 ensaios luminosos, quase todos escritos nos anos 40 e 50 do século passado. Ensaios que nos falam da função social da poesia, de sua musicalidade, das fronteiras da crítica. Que se voltam para Virgílio, Milton, Johnson, Byron, Goethe, Kipling, Yeats. "Podemos dizer que a tarefa do poeta, como poeta, é apenas indireta com relação ao seu povo: sua tarefa direta é com sua língua, primeiro para preservá-la, segundo para distendê-la e aperfeiçoá-la" (p.31), escrevia Eliot em 1945.

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Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, - o único existente. (Rainer Maria RILKE. Cartas a um jovem poeta. Trad. Paulo Rónai. Porto Alegre: Globo, 1966,p.25)

9 comentários:

kapa disse...

"uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade" ... necessidade de pôr para fora um sentimento que enche e não tem mais espaço cá dentro...isto feito da forma como cada um a sabe expressar melhor : seja um livro, uma pintura, uma obra com uma qualquer forma :) (eu pensando alto. Por isso eu gosto de viajar pelos blogs, faz-me pensar nas coisas e "ouvir" como eu as interpreto, no fundo, como as sinto.)

Francisco Sobreira disse...

De fato, Moacy, essa foto enseja a pensar num filme de ficção-científica, Bela, como as que você, numa feliz idéia, já disse isso, vêm colocando no seu blogue. E o livro de Rilke é fundamental como lição de poesia e de orientação para o jovem que quer se aventurar nessa difícil forma de expressar os seus sentimentos, sua angústia, seus fantastams, etc, etc. Um abraço.

Anônimo disse...

Moacy:
Duas Luas a me refletirem, aqui:
uma (ou duas ou quantas os sentidos permitirem) na imagem de Dmitry Chebotarev e outra que me reflete no poema. Não poderia haver maior ou melhor presente.
Então, beijo, um beijo com gosto de Lua...

Míriam Monteiro - http://migram.blog.uol.com.br

Casti disse...

Mestre Cirne:
Passando e admirando a lua,as cartas, tudo!

Bjão,
Casti

Patrícia Gomes disse...

Linda imagem, Moacy, me fez lembrar um pouco do filme Fonte da Vida... ;oD
beijos!

Estado de Lítio

Regina disse...

Moacy,
Lindo por do sol. Maravilha mesmo.
Beijão,
regina Pouchain

sandra camurça disse...

Serão duas luas, dois sóis ou uma lua e um sol? Maravilhosa a foto!

Gostei muito da citação de Rilke.

Grata pela informação sobre Jô Oliveira. Mas rapaz, você gostou mesmo da pseudoxilogravura? Acho que tá mais pra um quadro negro rabiscado. Gostei da idéia mas não consegui o efeito desejado. Tõ me arriscando...
Beijos.

Marco disse...

Mestre Moacy,
esta foto pode suscitar muitos pensamentos. De ficção científica a um sonho technicolor. De qualquer forma a imagem é bela. E Rilke é sempre muito bom.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

ana de toledo disse...

Conheci Rainer Maria Rilke em 82 na Puc, no curso de Letras!
Beijão