segunda-feira, 30 de julho de 2007


Grandes momentos do cinema [Extra]:
Persona (Ingmar Bergman, 1966).
"Puro iluminamento: o mais colorido filme preto-e-branco da história do cinema, em minha opinião. Imagens, luzes e sombras: a mais perfeita harmonia. Sensibilidade, delicadeza e apuro formal: o cinema que procura se fazer cinema, como se estivéssemos saboreando o manjar dos deuses. Ao meu ver, um dos quatro melhores filmes de toda a história dos discursos cinematográficos" (Moacy Cirne: Luzes, sombras e magias, 2005, p.113). Com Bibi Andersson e Liv Ullmann. Fotografia (excepcional) de Sven Nykvist.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2077
Rio, 30 de julho de 2007



INGMAR BERGMAN (1918-2007)

Autor de pelo menos cinco obras-primas (O sétimo selo, 1956; Morangos silvestres, 1957; O silêncio, 1962; Persona, 1966; Gritos e sussurros, 1973) e de vários outros grandes filmes (Noites de circo, 1953; Sorrisos de uma noite de amor, 1955; O rosto, 1959; A paixão de Ana, 1970; O ovo da serpente, 1979; Fanny e Alexander, 1982), faleceu Ingmar Bergman, o cineasta sueco por excelência. Muito já se escreveu sobre a sua obra. Muito ainda se escreverá. Sobre O sétimo selo, por exemplo, a poeta norte-rio-grandense Carmen Vasconcelos escreveu: "Eis um filme para despertar. Despertar medos, pavores. É um rememorar, um vir à tona de símbolos esquecidos. Para onde foi nosso atavismo, nosso inconsciente coletivo? Para os símbolos, que são caminhos até o conhecimento. Não respostas à angústia primordial, pois elas não existem, mas caminhos ao conhecimento possível.// O sétimo selo é também um despertar do melhor de nós, ele convoca a nossa imaginação, nossa fantasia, aquilo que está dentro de nós e não nos deixa perecer na secura social das repetições" (in Clarões na tela, org. Marcos Silva e Bené Chaves, 2006, p.193). Todos nós choramos a sua morte. Quando o vi pela primeira vez (Sorrisos de uma noite de amor, em janeiro de 1960, em São Paulo, no cinema Olido), senti que estava diante de um gênio do cinema. Decerto, já ouvira falar dele, sobretudo através do cineasta paulistano Walter Hugo Khoury, que, então, considerava Juventude (1950) um dos maiores filmes que já vira.

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Em O silêncio, Sven Nykvist e eu decidimos ser absolutamente tudo menos castos. Este filme tem uma lascívia cinematográfica que ainda hoje me dá prazer. Foi muito divertido realizá-lo. (Ingmar BERGMAN. Imagens. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p.112)

17 comentários:

sergio andrade disse...

Belíssima homenagem ao Mestre, meu caro. Também fiz minha homenagem, publicando uma crítica do Biáfora no "Indicação do Biáfora". Forte abraço!

Lívio disse...

Uma grande perda, Moacy, do grande diretor. O caráter psicológico e altamente introspectivo de seus filmes sempre me atraiu. Independente de estarmos na Suécia ou no Brasil, algumas reflexões são universais e comuns a todos os homens.
O meu filme preferido do grande cineasta era GRITOS E SUSSURROS.
Abração de Lívio

Jens disse...

Foi-se o mestre; fica a obra.

sandra camurça disse...

Belíssima foto mas sou ignorante em se tratando de Ingmar Bergman. Conheço mais aquele diretor que se diz seu grande admirador: Woody Allen.

Um beijo.

sandra camurça disse...

Lamento :(

Bosco Sobreira disse...

Meu caro Moacy,
Bergman não morreu, cara!
Apresso-me em corrigir esse lamentável equívoco...
Um forte abraço.

alana disse...

Oi,
muito obrigada pela visita ao blog e pelo comentário - que eu bem poderia reproduzir em relação ao seu! A homenagem a Bergman está bela - gosto muito de "Persona", e da foto (que usei, também). Virei mais vezes, e seja sempre bem-vindo!

benechaves disse...

Moacy: qualquer homenagem que se fa�a ao grande mestre � merecida. Seus filmes s�o inesquec�veis, especialmente 'Persona', 'Morangos Silvestres', e 'Gritos e Sussurros'. Sem distanciar os outros tamb�m. Foi embora o Bergman, mas deixou uma obra de valor inquestion�vel para a posteridade.

Um abra�o...

Marco disse...

Muito bem lembrado, caro mestre Moacy. Acabo de saber do passamento do gênio Bergman. Ñem sei explicar o que senti quando vi O Sétimo Selo. E também Morangos Silvestres, dois filmes que eu situo entre os dez melhores que eu já vi na vida. (E olha que eu já vi muitos filmes...).
Cada fotograma de Bergman é um deslumbramento. Só quem viu sabe do que estou falando. Imagino ele lá no céu dos artistas, em papos eternos com Fellini, que ele tanto adorava (tinha a obra completa de Federico em sua ilha de Faro). Fique bem, grande mestre Bergman! O mundo fica menos interssante sem a sua arte.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Marcos A. Felipe disse...

Moacy, alguém deve tá fazendo algo lá por cima: hoje vi a notícia que Antonioni morreu ontem em Roma. Putz!!!!

Sonia disse...

É sim, Marcos, foi-se também Antonioni. O cinema fica mais pobre.

Lívio Oliveira disse...

Impressionante! Devem estar assistindo a alguma grande sessão lá no céu! Bergman e Antonioni! É demais!
Lívio

Milton Ribeiro disse...

O que dizer depois de um post extraordinariamente apaixonado como este e com o qual concordo totalmente?

Qualquer hora dessas, vou tentar escrever sobre meu filme preferido: Gritos e Sussurros.

Grande abraço e parabéns.

Sandra Leite disse...

Fantástico, Moacy!
Homenagnes pra sempre
Bergman continua , amigo!
É o fantástico da arte.
Adorei "O sétimo selo"
bjs....
Sandra

Raildon Lucena disse...

Grande Moacy...

Eu e mais alguns amigos (idades entre 22 e 29 anos) montamos, a partir de hoje, 01 de agosto de 2007, o que seria uma reedição dos antigos cineclubes de Caicó. De início, somos apenas três, mas desde quando quantidade rima com qualidade? A partir de hoje vamos nos reunir periodicamente para discutir o bom cinema. Para nós, será uma experiência nova, pois são poucos os que gostam de buscar as entrelinhas da 7ª arte. Devido o acervo limitado da nossa cidade, no tocante aos clássicos, pensamos em unir forças para procurar filmes interessantes para exibição e, posteriormente, discussão. Para a abertura, escolhemos o filme russo "O Retorno", que ainda não vimos.

É isso meu amigo. Um grande abraço do jornalista Raildon Lucena.

isabella benicio disse...

As perdas serão sentidas e irreparáveis, como toda perda significativa. Mas o mais bacana da Arte é que ela eterniza (obra, autor e as sensações que ambos nos provocam).
Beijo, Moacy.

Vera Bastos disse...

Olá! Sempre vejp vc lá no blog da Ana de Toledo e vim aqui conhecer o seu Balaio. ´Parabéns pela bonita homenagem e por sua sensibilidade.
Um abraço