terça-feira, 21 de agosto de 2007


A capital pernambucana de todas as cores
segundo a arte digital de Heraldo Cunha


AS SETE MARAVILHAS DO RECIFE
por
Sandra Camurça

1. Mercado de São José
2. Mercado da Boa Vista
3. Casa da Cultura
4. Capela Dourada da Rua do Imperador
5. Museu do Homem do Nordeste
6. Museu do Estado
7. Bairro do Poço da Panela


BALAIO PORRETA 1986
nº 2098
Rio, 21 de agosto de 2007



RECADO
de Graça Vilhena (PI)
[ in Poetas do Nordeste ]

Não velarei teu sono
e nem serei o aguador
de tuas palavras vidrosas.
Creio nos galos
cantando até à grimpa
e nos cachorros
viralatindo as madrugadas.

A noite não é silenciosa.


de Moacy Cirne
UM FILME PARA

Meu caro Michelangelo,
ontem revi A aventura. Mais uma vez.
Mais uma vez
senti a luz de teus desnudamentos.
E sonhei com o Cinema Pax.
E sonhei com o Seridó.
Ontem, uma vez mais,
a música de teus silêncios
transformou-se em energia
pura
para
meus atuais
olhos potiguanabarinos.
E sonhei com a mulher amada,
tão perto e tão potengi.
E sonhei com a Rua da Aurora,
tão longe e tão capibaribe.
Mais uma vez,
ontem,
busquei
uma ilha quase deserta
um mar cinzachúmbeo
uma cidade natalcaicó
um vazio cheio de espantos
uma alvorecência sem fim.
Resisti
ao tempo e às girafas.
E voltei a sonhar
arrecifes de jasmim
praias de maracujás
açudes de alfenim.
Hoje reverei Eclipse.
Mais uma vez.
Mais uma vez.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
(28b / 111)

História da vida privada no Brasil/3, por Nicolau Sevcenko, org. São Paulo : Companhia das Letras, 1999, 726p. [] Importante coletânea de textos: da belle époque à era do rádio. Vale a pena conferir: A dimensão cômica da vida privada na República (de Elias Thomé Saliba), Recônditos do mundo feminino (de Marina Maluf e Maria Lúcia Mott), Cartões-postais, álbuns de família e ícones da intimidade (de Nelson Schapochnik). Os demais textos são assinados por Maria Cristina Wissenbach, Paulo César Marins, Zuleika Alvim e o próprio Nicolau Sevcenko (A capital irradiante: técnica, ritmos e ritos do Rio). [Nota: O decálogo da esposa, publicado ontem, foi extraído do artigo de Marina Maluf e Maria Lúcia Mott.]


UM BLOGUE PORRETA

Diário Guache, de Cristóvão Feil.
Abertamente contra a mídia golpista.
A favor de um país republicano, democrático e participativo.

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ferida aurifulgente - infância, gritos
de amor na escuridão, e o cobertor
de onça cobrindo o medo das crianças.
(Maria Lúcia ALVIM. Fazendas)
[ in Pedras de toque da poesia brasileira, p. 69 ]

9 comentários:

Cristóvão Feil disse...

Salve, salve, Moacy!
Desde o "Diário Gauche", escrevendo em preto e branco o que é vermelho.
Saludos!

isabella benicio disse...

Recife: outro lugar que a vontade um dia há de conhecer.
Linda nostalgia um simples momento pode ocasionar, né? "...arrecifes de jasmim...", amei isso.
"...cobertor de onça cobrindo o medo das crianças", bacana também.
E nessa manhã cinza, convite puro à preguiça, te desejo um ótimo dia.
Beijo.

jqmf@uol.com.br disse...

A imagem de Heraldo Cunha é maravilhosa. Seu poema, então! O História da vida Privada no Brasil, em 4 volumes, é algo da melhor produção historiográfica brasileira dos últimos tempos. E que viva o Piauí! E são João do Sabugi também... Abraço. João Quintino

ACANTHA disse...

Que imagem deliciosa... Tomei a liberdade de agregá-la às minhas favoritas.
E, mais uma vez - mais uma vez, me perdi em seu Balaio, MOACY querido - lugar de apaixonante diversidade!

sandra camurça disse...

Ai, que a postagem de hoje tá demais, Moacy! A começar pela foto, ai, que lua arrebatadora! Os sobrados lindos da Rua da Aurora, que sonho...Nessa lista faltou muita coisa mas...fazer o quê? Os poemas estão lindos, especialmente o seu (sem puxa-saquice, viu?) a dica literária, o Diário Gauche,e o poema da Maria Lúcia Alvim.
Decididamente, Moacy, você sabe emocionar as pessoas.

Beijo daqui
do Recife que eu amo
das pontes, do rio, dos mercados, enfim, de todas as pernambucálias...rs.

Felipe, SM disse...

Caríssimo Moacy,
Como é bom sonhar! Como é saudável essa sua saudade! Você me passa a certeza de que, muito embora tenha ficado apenas em meus devaneios o tempo dos pardais e dos açudes de alfenim, ainda há razões infinitas para seguir colecionando muitos amores. O seu pela sétima arte há muito me contagiou.
Beijos. Felipe, SM

ana de toledo disse...

Passeando e reabastecendo de sabedoria e belezas!
Beijão, querido e generoso Moacy

Casti disse...

Mestre Cirne,essa arte digital é um show, os poetas do Nordeste idem, balaio sempre bom de ser olhado!

Bjão,
Casti

Bosco Sobreira disse...

O Balaio hoje tá uma beleza.
Belo poema, meu caro.
Forte abraço.