quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Iniciei a viagem
Às duas da madrugada
Tomei o carro da brisa
Passei pela alvorada
Junto do quebrar da barra
Eu vi a aurora abismada

Manoel Camilo dos Santos:
Viagem a São Saruê (PB, 1954)

[ Foto de Hilton Pozza, in 1000 Imagens ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2106
Rio, 29 de agosto de 2007



METADE PÁSSARO
de Murilo Mendes (MG)
[ in O visionário, 1933 ]

A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas.

A mulher do fim do mundo
Chama a luz com um assobio,
Faz a virgem virar pedra,
Cura a tempestade,
Desvia o curso dos sonhos,
Escreve cartas ao rio,
Me puxa do sono eterno
Para os seus braços que cantam.


UM BLOGUE PORRETA

Isso é Bossa Nova, de Sandra Leite.
Leitura amorosa das artes: pintura e escultura.
Eventualmente, da música (Chico Buarque e outros).
Uma escrita da felicidade vivencial.

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Quero que a mágoa se amoite
longe do nosso viver
e os sonhos belos da noite
não morram no amanhecer.
(José Lucas de BARROS, 2007,
Serra Negra do Norte, RN)

11 comentários:

Sandra Leite disse...

Moacy

Extremamente honrada por suas palavras sobre o Isso é Bossa Nova. Ele é tão novinho e já tem amigos tão legais, tão cultos e leais! Adoro seu talento, suas palavras....
Moço-poeta, muito obrigada por tanto carinho.
Saiba que é recíproco, viu? :-)

beijossss

isabella benicio disse...

Belos poemas a acompanhar a beleza dessa "aurora abismada" de hoje.
Um ótimo dia, Moacy. Beijo.

Fernanda Passos disse...

Moacy, seus comentários lá no poesia na veia me deixam desconcertada de tão profundos que são. Confesso que não sei se(às vezes)são críticas construtivas ou negativas.De toda forma, nunca deixe de ir. Sua presença por lá é muito importante pra mim.
Hoje a aurora do balaio me presentou com poemas belíssimos. Todos. Aliás, sempre que venho aqui gosto do teu gosto poético.

Bj.

Fernanda Passos disse...

Obrigada Moacy. Gullar é um cara muito bom. Sinto-me envaidecida por tua consideração sobre o meu jogo de palavras. Procurei aliar forma e conteúdo. Experimentei. Aliás, é isso que faço sempre. Não tenho um estilo. Não ainda. Sou infanta nessa arte. Será que terei um estilo? Sempre me questiono sobre isso.
sabe Moacy, escrevo a esmo. Não conheço métricas, tudo que se possa dizer de um arsenal teórico/poético. Nunca estudei isso. Estudei mesmo foi filosofia.
Mas, assim como essa, a poesia também corre em minhas veias.
Um beijo.

sandra camurça disse...

Massa a postagem, Moacy! Ó, tem rastros de formigas no refúgio.
Beijos.

Jens disse...

Moacy: mais uma vez o Balaio nos presenteia com bom gosto em imagens e versos. Valeu.
Um abraço.

sandra camurça disse...

Ah, diz pra Fernada que o estilo dela pode ser um contra-estilo. Que eu também não sei nada de poesia e que ela é ÓTIMA!
Besos.

Márcia(clarinha) disse...

Quisera que todos meus dias fossem da cor da aurora...quisera.
beijos

Marco disse...

Caro mestre Moacy,
Os poemas escolhidos são belíssimos! O do Murilo Mendes, então, é esplêndido! Li mais de uma vez.
Parabéns pra Sandrinha que é uma ótima pessoa.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Casti disse...

Mestre Cirne, a aurora abismada... Também fico abismada com a diversidade de coisas maravilhosas que aqui sempre encontro.

Bjão
Casti

Douglas disse...

Nunca sei o que o falar, mas ainda assim queria registrar a minha passagem por aqui...
O Balaio é Porreta.
Abraços, Douglas