quinta-feira, 6 de setembro de 2007


O sol deixa na queda
Um céu de panos roxos
O chão que imita pedra.

Manhã na alma.
A tarde arde
A noite acalma.
...
(Diógenes da Cunha Lima,
in Os pássaros da memória, 1994)

[ Foto de Carlos Carvalho, in Photo Net ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2114
Rio, 6 de setembro de 2007



ENTÃO TÁ
de Ademir Antonio Bacca (RS)
[in Germina Literatura ]

Que tua boca
Diga não
Mesmo que teus olhos
Digam sim.

Que teu corpo
Diga não
Mesmo quando tua boca
Disser sim.

Que teus olhos digam não
Quando tudo em ti
Disser sim.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS (30c / 111)

Cien años de soledad [1967], de Gabriel García Márquez. [Madrid :] Real Academia Española ; Asociación de Academias de la Lengua Española, 2007, 610p. [] Edição comemorativa dos 40 anos da obra máxima de García Márquez, reconhecidamente uma das mais vibrantes de toda a América Latina. Com textos de Carlos Fuentes e Mario Vargas Llosa, entre outros, além de oportuno glossário. A edição brasileira, traduzida por Eliane Zagury, traz o selo d'O Globo.

Os frutos da terra [1917], de André Gide. Trad. Sérgio Milliet. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1982, 200p. [] Poeticamente: "Que a importância esteja em teu olhar, não na coisa olhada" (p.18). E mais: "Todo ser é capaz de nudez; toda emoção, de plenitude" (p.20); "O sábio é quem com tudo se espanta" (p.26); "Surdem da terra mais nascentes do que as sedes que temos de beber" (p.99). Completa a edição Os novos frutos, de 1935.

Prosa do observatório, texto & fotos de Julio Cortazar. Trad. Davi Arrigucci Júnior. São Paulo : Perspectiva, 1974, 82p. [] "Cortázar revém, reinventado, reinventando: sinuoso, elástico, irônico, erótico, revolucionário: enguias, estrelas, estrias nos açudes celestes em que a perseguição persiste com a proposição de um novo perscrutar: metáforico, metafísico, féerico, fálico, telescópico: abarcante desejo cósmico de abraçar num só ato tudo de uma vez" (DAJr.)

A poética de Maiakóvski, de Boris Schnaiderman. São Paulo : Perspectiva, 1971, 300p. [] Ensaios, ensaios: para uma arte revolucionária da civilização industrial. Maiakóvski, a tradição e a modernidade. A poesia, a prosa e o "texto" como experiência. Poética e vida, vida e poética. Seleção de artigos & documentos, entre os quais Como fazer versos, de 1926: "A poesia é uma forma de produção. Dificílima, complexíssima, porém produção" (p.201).

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Nossos desejos já atravessaram muitos mundos;
Nunca se fartaram.
E a natureza inteira se atormenta
Entre a sede de repouso e a sede de volúpia.
(André GIDE. Os frutos da terra, p.77)

10 comentários:

Sílvia Câmara disse...

Moacy, escolhas perfeitas: foto e poema. Ademais, a "Biblioteca dos meus sonhos" está, de fato, dos sonhos.
Um abraço desde a Bahia

Anônimo disse...

Que espetáculo estes poemas, amigo! De muito bom gosto as escolhas.
Abraço do amigo
Benno

ana de toledo disse...

O Balaio está sempre impecavelmente porreta, elegante, lindo!

midc disse...

prosa do observatório é o meu aleph pessoal derna da primeira leitura, férias na visconde de pirajá, defronte da pça gal osório, já se vão 20 anos - nele encontro tudo q os outros livros têm, e também aquilo q não possuem... se eu fosse um bíugueits distribuiria grátis nos sinais...

Douglas disse...

O Porreta é Balaio.
Abraços.

Fernanda Passos disse...

Os poemas são belíssimos e já li alguns autores citados por hj.
Garcia Máquez é fantástico. Além de Cem anos de solidão, recomendaria Doze contos peregrinos. Maiakóvski conheco, mas ainda n li o autor que citaste aí. Enfim, como disse Douglas o Porreta é balaio.
Um bj professor.

Lisbeth Lima disse...

Moacy,
"então tá"! Gide é um dos meus autores preferidos... a sua biblioteca é mesmo uma seleta sofisticada de literatura... Um abraço, Lisbeth

lívio alves araújo de Oliveira disse...

Moacy, eu não sabia sobre os haicais de Diógenes. Foi uma surpresa para mim!
Abraço de Lívio

isabella benicio disse...

É difícil a gente não se tornar repetitva por aqui. Mas o que fazer se adoro o teu garimpo poético, tanto o literário como o de imagens? Mais um post impecável.
Beijo e bom feriado!

Marco disse...

Caro mestre Moacy,
Li neste ano o "Cem Anos de Solidão". Maravilha!
Olha, tem prêmio pro Balaio lá no Antigas Ternuras. Bom feriado, bom final de semana. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.