sexta-feira, 7 de setembro de 2007


Arte digital através da fotografia
de
Mariah [ in Olhares ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2115
Rio, 7 de setembro de 1822

CHEGANÇA
de Sílvia Câmara (BA)
[ in Brisa Poética
]

A poesia vem
invade
inverte
preenche.
Ah! Deus
a poesia subverte.
Amém!


TRÊS POEMAS
de Moacy Cirne (RN/RJ)
[ in Cinema Pax, 1983 ]

FORDIANA

banguebanguelafumenglória
de mocinhos e bandidos
no sertão marciano

longelonge do meu seridó

EISENSTEINIANA

a revolução
(sangue, suor e carne)
é violenta como o vermelho
dos crepúsculos de
outubro
e doce como o cheiro de
terra molhada

GLAUBERIANA

o cantador tece a trama
com os olhos fixos
no sertão
o poeta desenha a epopéia
com os pés fixos
no chão


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS (31a / 111)

Nosferatu, de Philippe Druillet. Paris : Dargaud, 1978, 64p. [] Do expressionismo cinematográfico de Murnau ao expressionismo quadrinhográfico de Druillet, com referências existenciais e futuristas que atestam a qualidade estética de um preto&branco marcante. Uma obra-prima dos quadrinhos franceses dos anos 70.

Le petit cirque, de Fred. Paris : Dargaud, 1973, 64p. [] Entre a fantasia e a poesia, com toques metalingüísticos que beiram o surrealismo, mesmo que ingênuo, eis um quadrinho cujos traços e cores (em tom pastel) surpreendem pela qualidade e pela sensibilidade gráfica. Fred, para quem não sabe, é o criador do extraordinário Philémon.


UM CERTIFICADO PARA O BALAIO

O blogueiro, cronista e autor teatral Marco, do ótimo Antigas Ternuras, concedeu um Certificado Blog para o Balaio. E agora é preciso indicar cinco blogues que o mereçam. Não é tarefa fácil já que, por exemplo, mais de 30 já receberam o nosso Blogue Porreta e mais uns 20 ou 25 ainda deverão recebê-lo nos próximos meses. Mesmo assim, sem desmerecer os demais, claro, apontamos cinco que, de acordo com o estabelecido, nomearão mais cinco. E assim por diante. E assim por diante. E assim por diante.

Eis os cinco, portanto, entre aqueles
que já foram contemplados com o Blogue Porreta:
Marconi Leal, do próprio
O Refúgio, de Sandra Camurça
Toca do Jens, de Jens
Isso é Bossa Nova, de Sandra Leite
Poesia na Veia, de Fernanda Passos

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Nunca estamos em nós; estamos sempre além. O temor, o desejo, a esperança jogam-nos sempre para o futuro, sonegando-nos o sentimento e o exame do que é, para distrair-nos com o que será, embora então já não sejamos mais. (Michel de MONTAIGNE. Ensaios [1580]. Trad. Sérgio Milliet. Porto Alegre : Gobo, 1961, p.105/v.1)


13 comentários:

Sandra Leite disse...

Moacy,

Lendo tanta palavra-esculpida sinto-me atraída.
Quanto talento!
Agora, o Isso é Bossa Nova ter sido indicado por você é uma honra sem limites!
Sem parágrafo, travessão e muito menos palavras.
E agora? O que faço?

beijoooooooooo

sandra camurça disse...

Moacy,

Lendo tanta palavra-esculpida sinto-me distraída...rs.
Já conhecia estes poemas teus, maravilhosos!
Grata, meu amigo. Adorei!

Beijos.

sandra camurça disse...

Rapaz, só agora eu li, essa frase de Montaigne é sensacional.
Ah, Já fiz o dever de casa, viu?
Um beijo.

Suely Felipe disse...

Bom dia Moacy,

Aqui perto de mim está fazendo um dia silencioso. Até os pardais aderiram ao feriado cívico! De tantas coisas boas que encontro neste seu Balaio, sem dúvidas, "A biblioteca dos meus sonhos" é a seção que mais me atrai. Tenho enriquecido muito os meus conhecimentos através de suas indicações. Que lindas as palavras da Sílvia Câmara! Podes crer! A poesia subverte!
Um ótimo final de semana!
Abraços fraternos.
Suely Felipe

Fernanda Passos disse...

E entre tantos blogs porretas eis que o Poesia na Veia se faz presente entre os presenteados pelo mais que porreta Moacy. Sem palavras, apenas posso dizer de meu orgulho em ter sido lembrada por ti, pessoa de grande bagagem intelectual e por quem guardo grande estima.
Tu nem sabes como todo o apoio que vens me dando é importante nesse meu caminhar.
Um Beijo grande.
E muito obrigada.

Bosco Sobreira disse...

Meu caro,
Só pra dizer da emoção de ler teu poema-homenagem ao grande Glauber.
Um forte abraço.

Pedrita disse...

não li nosferatu, só vi várias versões em filmes. quanto a reler livros: eu raramente releio um livro. tenho uma dificuldade enorme de reler porque sinto culpa daquilo que ainda não li e uma sensação de perda de tempo. mesmo sabendo que na releitura vou descobrir outras facetas da mesma obra, raramente consigo. bejios, pedrita

Espartilho de Eme disse...

Essa CHEGANGA contagia como a poesia. EISENSTEINIANA, um trocadilho e uma revolução. Um beijo, Mocay

Sandra Leite disse...

Amigo Moacy,

Cumpri minha tarefa com as indicações (isso é difícil demais).
Um beijo...

Maria Muadié disse...

Assalariado

vende a vida inteira
pelo pão de cada dia
a liberdade bóia, fria.

Goulart Gomes

Sílvia Câmara disse...

Moacy, fico gratíssima por você postar um poema meu no Balaio.
Agora sim, meu texto vai ficar Porreta.
É incrível essa rede virtual, de repente estamos em contato com centenas de pessoas.
Aproveito para dizer que seus pousos no Brisa são sempre muito bem-vindos.
Um abraço desde a Bahia, amigo

Marconi Leal disse...

Moacy, obrigado pela lembrança. Grande abraço.

Marco disse...

Muitíssimo bem escolhido os blogs. Assino em baixo. Carpe Diem.