domingo, 16 de setembro de 2007


Ouro sobre Azul
Foto de
Paulo Medeiros
[ in Olhares ]


BALAIO INCOMUN 1986
nº 2124
Rio, 16 de setembro de 2007



PRIMEIRO MANDAMENTO
de Paulo de Tarso Correia de Melo (RN)
[ in Rio dos Homens, 2002 ]

Coronel Chiquinho não chegava
a desejar mal ao próximo.
Apenas perguntava:

Com tanta cascavel desocupada
por aí, como é que gente ruim
no mundo não se acaba?


Memória 1980
OS MAIS IMPORTANTES FILMES BRASILEIROS
segundo Sérgio Augusto, jornalista cultural
[ in Revista Vozes, agosto 1980 ]

Fragmentos da vida (José Medina)
Ganga bruta (Humberto Mauro)
Nem Sansão, nem Dalila (Carlos Manga)
Rio, 40 graus (Nelson Pereira dos Santos)
O grande momento (Roberto Santos)
Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos)
Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha)
São Paulo S/A (Luís Sérgio Person)
A falecida (Leon Hirszman)
Terra em transe (Glauber Rocha)
O bandido da luz vermelha (Rogério Sganzerla)
Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade)


DISCOS QUE ME EMOCIONAM (4 / 120)

Kind of blue, de Miles Davis [Columbia CK 40579 (grav. 1959) ]. Jazz que te quero jazz: um disco-essência / um disco-sentimento / um disco-encantalamento / um disco-magia. Há pelo menos duas faixas deslumbrantes: All blues e Flamenco sketches. Acompanham Davis - em seu melhor momento - nada mais nada menos do que os músicos John Coltrane, Cannonball Adderley, Bill Evans, Wynton Kelly (numa faixa), Paul Chambers e Jimmy Cobb. Ou seja, a nata da nata. Um clássico irresistível do jazz modal. Entre meus 20 ou 22 discos preferidos, da música medieval a Luiz Gonzaga, Kind of blue é presença certa.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Poesia pois é Poesia, de Décio Pignatari. São Paulo : Duas Cidades, 1977, 192p. [] Toda a produção do poeta paulista (que acaba de completar 80 anos, como me lembrou em boa hora o amigo e professor Alceste Pinheiro), do verso à poesia concreta, de 1950 a 1975. Um dos mais inventivos escritores brasileiros do século XX, autor de algumas jóias literárias do experimentalismo tupiniquim. É o caso dos antológicos terra, beba coca cola, LIFE, OrganismO, Cr$isto é a solução, entre outros poemas emblemáticos: poemas que investem semioticamente numa alta voltagem estética. Acrescente-se, a título de informação (para os menos avisados): ao lado de Wlademir Dias Pino e poucos outros, Pignatari foi um dos fundadores da poesia concreta em 1956. Nos anos 60 tornar-se-ia um verdadeiro "guerrilheiro da luta literária"

31 poetas, 214 poemas; do Rig-Veda e Safo a Apollinaire, de Décio Pignatari (org., trad. & notas). São Paulo : Companhia das Letras, 1996, 132p, [] Transcriações poéticas de alto nível, aproximando a concisão oriental com a precisão ocidental, incluindo Safo, Catulo, Horácio, Juvenal, poetas da dinastia Tang, trovadores dos séculos XII-XIV, Burns, Byron, Heine, Leopardi, Rimbaud, Apollinaire. E mais. Com biografemas e comentários. Enfim, uma bela coletânea. Décio Pignatari, que nasceu no dia 20 de agosto de 1927, em se tratando de poesia e semiótica literária, é um dos nossos grandes nomes. Indubitavelmente. Assim sendo: "Que venha a noite e soe a hora/ Os dias se vão não vou embora" (Apollinaire, p.110-111).


Fragmentos de DON JUAN
de George Gordon Byron (1788-1824)
[ in 31 poetas, 214 poemas, trad. Décio Pignatari ]

III, 88
Palavra é coisa. Uma gota de tinta,
Caindo como orvalho numa idéia,
...

IV, 00
Afilhado da Fama, à procura da essência,
No tempo e língua, o poeta proclama:
A vida é a menor parte da existência

XIII, 6
Ódio é prazer comprido, vida e meia:
Ama-se às pressas, com vagar se odeia.

[][][]

11 comentários:

Francisco Sobreira disse...

Caro Moacy,
Da lista de Sérgio, só não conheço Fragmentos da Vida. Eu sei que lista é um negócio complicado, mas acho inconcebível a presença de Nem Sansão Nem Dalila. De outros filmes citados não gosto. Um abraço.

Pedrita disse...

o bom é que o canal brasil sempre passa esses filmes em sua programação. belíssima foto no post abaixo. beijos, pedrita

midc disse...

kind of blue, além do título, belíssimo, é o davis insuperável. pau a pau com a love supreme, coltrane. (ou, p ficar mais bonito, à direita e à esquerda do todopoderoso, a dupla acima.)
ainda na discografia milesdavisiana, sketches of spain, colado na rabeira de kind; e, numa distância segura, bitches brew.

Moacy Cirne disse...

Pois é, SOBREIRA, lista é lista. De minha parte, depois de ter revisto "Nem Sansão, nem Dalila" mais de uma vez, considero-o importante, sim. Assim é a vida. Caro MARIO: "A love supreme" é outra obra-prima maravilhosa: um Coltrane insuperável. De Davis, também gosto muitíssimo de "Birth of the cool". Abraços.

Jens disse...

Oi Moacy:
Concordo com a indagação do coronel Chiquinho: pô cascáveis, mexam-se! (uma passadinha no Congresso não seria de todo mal... Pensando bem, talvez fosse improdutiva - cobra nâo morde cobra).
Hoje tem Gre-Nal. Dá-lhe, Inter!
Bom domingo.

Sandra Leite disse...

Da lista memorável do Sérgio:

Senti falta de:

- Dos fimes do Walter Salles Jr, em especial terra estrangeira

- e na música, Bill Evans, também jazzista

Mas é memorável, como disse....

beijos

Moacy Cirne disse...

SANDRA: Os filmes de Walter Salles foram realizados depois de 1980; Bill Evans participou do disco de Miles Davis. Um abraço.

isabella benicio disse...

Realmente, t� mais do que na hora das cascav�is se soltarem por a�. Iam fazer festa por a� a come�ar por alguns pr�dios de Bras�lia.
Foto e fragmentos desses de fazer a gente viajar.
Boa semana pra ti. Beijo.

Natália Nunes disse...

Os românticos as vezes me assustam.
E eu gostei da meditação do Coronel haha.

Abraços!

Lyani disse...

Ol� Moacy!
Obrigada pela visita e pelas palavras!
Venho humildemente a seu blog, e fiquei lisonjeada de ler o coment�rio principalmente depois de visitar o seu. Magn�fico.
Virei mais vezes...
Beijos e boa semana.

ACANTHA disse...

Simplesmente adorável esse coronel Chiquinho!!!