quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Primado da matéria sobre o pensamento (1932)
Foto de Man Ray
[ incluída no álbum publicado pela Taschen ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2145
Rio, 24 de outubro de 2007



OFÍCIO
de Antônio Morais de Carvalho (PB)
[ in Jogo de sentidos, 1986 ]

Não quero o poema-perfeito:
O fastio dos Deuses,
A bondade do Diabo,
O Verbo,
A Bomba!

Não quero o poema-perfeito:
Eu sei que o ultrapasso
Ao tocar o seu mistério.

Não quero o poema-perfeito,
O último-poema:
A poesia
É meu ofício cotidiano.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Man Ray, de Manfred Heiting (ed.). Köln London Los Angeles Madrid Paris Tokyo : Taschen, 2004, 224p. [] O norte-americano Man Ray, nascido em 1890 e falecido em 1976, tornar-se-ia, ao se aproximar dos dadaístas e surrealistas, o maior nome da vanguarda fotográfica do século XX. As fotos do presente livro/álbum são a prova documental de tal afirmativa. Há também ótimos textos de Katherine Ware e Emmanuelle d'Ecotais. Além de oportunas citações do próprio Ray, tais como: "Tudo pode ser transformado, deformado e eliminado pela luz. Ela é exatamente tão flexível quanto o pincel" (p.170); "Para mim não existe diferença entre o sonho e a realidade. Eu não sei nunca se o que faço é produto do sonho ou do estado despertado" (p.186). São citações programáticas, pode-se dizer. A obra de Man Ray - que de igual modo realizou (nos anos 20) filmes que primam pela pesquisa no campo da linguagem - é um desafio para todos nós.

8 comentários:

astier basilio disse...

maravilha essa poema
de morais,
meu grande
amigo,
e poeta com a lucidez
de promover
o seu anonimato.
Abração
astier

Jens disse...

Beleza de foto.

Mme. S. disse...

Concordo com os dois acima...
abraços, Sheyla

Fernanda Passos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mario cezar disse...

moacyr.
digo teu nome para não esquecer
a
arquitetura do
vôo.

Fernanda Passos disse...

"o primado da matéria sobre o pensamento". É isso aí. Existo e daí derivam todas coisas referentes a mim, enquanto ser. Sempre em uma relação dialética. Imagem fantástica.
Eu não faço da poesia meu ofício cotidiano, mas nunca almejei o poema perfeito.Aliás, penso que nunca saberei fazê-lo. Onde habitam os homens, a perfeição é ausente.
Bj.


E com relação às minhas poesias, vc está certo. Sensualidade(não sei se cósmica)/angústia existencial. Embora eu não seja existencialista - filosoficamente falando - enquanto alguém que se propôs a escrever no âmbito da arte, essa angústia, esse mistério, esse querer perpassam meus escritos. Você tem um olhar certeiro. De quem entende mesmo.
Obrigada por seus comentários. São sempre muito bem-vindos.
Beijos novamente.

sandra camurça disse...

Noooossa! Curti tudinho: da foto à Biblioteca.

Um beijo.

Regina disse...

Foto maravilhosa!
Beijo,
Regina