quarta-feira, 19 de dezembro de 2007


Ilustração de
Virgil Finlay
para a
Famous Fantastic Mystery,
em agosto de 1942


BALAIO PORRETA 1986
n° 2190
Rio, 19 de dezembro de 2007



MOMENTOS MÁGICOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA

Um ilustrador:
O americano Virgil Finlay (1914-71)
Dois quadrinhos:
Flash Gordon (Raymond, 1934)
Barbarella (Forest, 1962)
Três filmes:
2001: uma odisséia no espaço (Kubrick, 1968)
Blade Runner - O caçador de andróides (Scott, 1982)
O dia em que a Terra parou (Wise, 1951)
Quatro livros:
Crônicas marcianas (Bradbury, 1950)
Billenium (Ballard, 1962)
A cidade e as estrelas (Clarke, 1956)
Solaris (Lem, 1961)


PERSPECTIVA
Henriqueta Lisboa
[ in Miradouro e outros poemas, 1976 ]

Longelua, como foi
que te sonharam os poetas
na parca visão de outrora?
Eras suspiro de nácar
eras intangível pétala?
Agora que te achas nua
no cosmo, que te pisaram
os homens com seus sapatos
e que os sábios te escalpelam
as rochas e outros entulhos,
talvez nunca mais te vejam
com o mesmo dulçor meus olhos
a contemplarem de esguelha
o que não há. Longelua...
Tão apenas Velalua.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Les chefs-d'oeuvre de la science-fiction, por Jacques Sternberg (org.). Paris : Planéte, 1970, 462p. [Livro adquirido em 1971, na Leonardo Da Vinci, no Rio] Sensível coletânea de contos, incluindo os clássicos Arena, de Fredric Brown, e Um som de trovão, de Ray Bradbury. A seleção dos autores, aliás, é ótima. Além de Brown e Bradbury, há que destacar as presenças de Arthur C. Clarke, Roger Zelazny, Philip Jose Farmer, Theodore Sturgeon, A.E. Van Vogt, Robert Scheckley, Brrian W. Aldisse, Philip K. Dick, H. P. Lovecraft (este, mais ligado à literatura fantástica, assim como Jorge Luis Borges, também presente com Tlön Uqbar Orbis Tertius), entre outros. Contudo, há duas lacunas imperdoáveis: Isaac Asimov e, sobretudo, J.G. Ballard. Voltemos aos pontos altos da antologia: os cadernos de ilustrações de Finlay, Dold, Wesso, Alejandro, Morey, e mais três ou quatro nomes. Mas sentimos a falta de Hannes Bok (1914-64). E de Albert Robida (1848-1926).

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É com Virgil Finlay que a angústia deixa de ser implícita. Embora o traço e a composição do desenhista norte-americano ainda guardem um certo academicismo, a sua arte representa uma trajetória para além das fronteiras do real, daquilo que percebemos através dos sentidos e elaboramos ao nível da consciência. Ele é o primeiro a abrir [na ficção científica] as portas ao inconsciente. (Mário PONTES. A ilustração na FC: evolução e impasse, in Revista de Cultura Vozes. Petrópolis, junho/julho 1972, p.48).

6 comentários:

Dilberto disse...

Henriqueta... Como é esquecida injustamente... Nota 10 para sua lista FC, assino abaixo da linha pontilhada em tudo! Falando nisso, você anda sumido dos Morcegos e de O-Soto: espero seus precisos comentários! Hoje a saga chega ao fim! Venha conferir o último capítulo (dessa vez acho que dá pra ler tudo direitinho) de O-Soto-Gari Madureira! Grande abraço!

james disse...

Tudo muito bom por aqui.

Vou ler com calma.

Um abraço.

Claudia Perotti disse...

eu adoro tua página!

Aproveito para desejar-lhe um Feliz Natal e um 2008 ainda mais inspirador!

Beijinhosssssssssss

adelaide amorim disse...

Sempre ótimas indicações, Moacy. Vir aqui sempre acrescenta alguma coisa que fazia falta.
Beijo pra você.

Jens disse...

Moacy:
O cabloco natalino já baixou em mim. Estou passando pra desejar um Feliz Natal pra ti e pra tua patota.
Um grande abraço.

Ada disse...

É o segundo poema sobre a lua que leio hoje!

Henriqueta merece ser mais conhecida.

Abraço!