quarta-feira, 26 de dezembro de 2007


Seja a Coréia do Sul, seja a Coréia do Norte,
o que temos é a delicadeza de um povo e de uma arte


BALAIO PORRETA 1986
n° 2195
Rio, 26 de dezembro de 2007


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Sijô - Poesiacanto coreana clássica, antologia. Trad. Yun Jung Im & Alberto Marsicano. Int. Haroldo de Campos. São Paulo : Iluminuras, 1994, 142p. [] Até então, anos 90, praticamente não conhecíamos a poesia coreana: uma poesia delicada. Em sua língua original, o Sijô compõe-se de três versos e cerca de 45 sílabas. Na recriação brasileira, a formatação será outra, necessariamente: os versos transformam-se em blocos formais. O fato é que o Sijô, como tal, consolida-se no final do século XIII. Para o estudioso Kevin O'Rourke, citado por Haroldo de Campos na apresentação, "ler o Sijô é viver e respirar a história e a cultura da Coréia" (p.11).


Sijô
de

Bag Peng-nyón
(1417-1456)

Dizem que o ouro
se encontra em águas claras
Mas nem toda água clara
o guarda

Dizem que o jade
se encontra nas montanhas
Mas nem toda montanha
o guarda

Dizem que o amor é o mais importante
Mas podemos buscar
a todos que amamos?
(p.26)


Sijô
de
Ju Üi-shig
(?-?)

O menino à janela
vem e me diz:
É o sol
do Ano Novo

Abro a janela
que dá para o leste
e vejo sempre
o mesmo sol

Menino: Este é o velho sol de sempre
Venha-me chamar
quando surgir um novo
(p.119)


RETIFICAÇÃO/REVISÃO

Ao consultar com mais cuidado a lista de filmes vistos em dvd, em 2007, verifico que deixei de lado um título excepcional: Santo Agostinho (Rossellini, 1972). Devo acrescentá-lo, pois, aos melhores vistos (pela primeira vez), figurando entre os dois ou três primeiros da relação já apresentada entre os assistidos em casa. Talvez seja mesmo a obra mais expressiva do cineasta italiano.


2 comentários:

Mme. S. disse...

Meu querido Moacy, se meu 2008 for tão bacana quanto seu blog e sua generosidade, já está de bom tamanho.
um abraço, Sheyla

Casti disse...

Mestre Cirne, um bom 2008 para vc!!!!

Bjão,
Casti