terça-feira, 22 de janeiro de 2008


Costurando, pintando e bordando... e dançando
com
Sandra Camurça
in
O Refúgio


BALAIO PORRETA 1986
n° 2212
Rio, 22 de janeiro de 2008


POEMA
de Armando Freitas Filho
[ in 3x4. Rio, 1985 ]

Beijo
sua boca
de
baixo.
Seus bellos cabellos
molhados.
Beijo tanto e tão
com a cara toda
enfiada e cega
sem ver nada com os olhos
mas com a língua inteira.


ESTAÇÕES
Antonio Carlos de Brito / Cacaso
[ in Beijo na boca. Rio, 1975 ]

Do corpo de meu amor
exala um cheiro bem forte.

Será a primavera nascendo?


HAI-CAI
de Cássio Amaral
[ in Enten Katsudatsu ]

todo dia me suicido
lembrando que nunca envelheço
meu preço é ser inocente



A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Os escritores; as históricas entrevistas da Paris Review, por Marcos Maffei (sel.). Pref. Sérgio Augusto. São Paulo : Companhia das Letras, 1988, 328p. [] Material originalmente publicado entre 1957 e 1986. Basta ver a relação dos autores entrevistadas para se ter uma idéia do livro: William Faulkner, Georges Simenon, Ezra Pound, T.S. Eliot, William Burroughs, Saul Bellow, Jorge Luis Borges, Gore Vidal. E outros.Vejamos algumas das respostas, ao acaso:
"Um escritor precisa de três coisas: experiência, observação e imaginação, sendo que duas dessas, às vezes até mesmo uma, podem suprir a falta das outras" (Faulkner, p.46);
"Escrever não é uma profissão, mas uma vocação de infelicidade. Não penso que um artista possa jamais ser feliz" (Simenon, p.56);
"Acho tremendamente perigoso dar conselhos gerais. Creio que o melhor que se pode fazer por um jovem poeta é criticar em detalhe um determinado poema seu. Discutir com ele, se necessário; dar-lhe uma opinião, e, se houver uma generalização a fazer, que ele mesmo a faça" (Eliot, p.99);
"A maioria das pessoas não vê o que está acontecendo à sua volta. Esta é a minha principal mensagem para os escritores. Pelo amor de Deus, mantenham seus olhos abertos" (p.143);
"... a inteligência tem pouco a ver com a poesia. A poesia brota de algo mais profundo; está além da inteligência" (Borges, p.212).
E há uma confissão deliciosa do autor argentino, sobretudo para os cinéfilos que amam os musicais americanos: Borges viu muitas vezes West side story / Amor, sublime amor, de Wise & Robbins, produzido em 1961 (cf. p.201).

6 comentários:

sandra camurça disse...

Ah, Moacy, que lindo! Grata, viu!?!
E os poemas são ótimos, o primeiro então me deixou zonza, ofegante, palpitante, latejante...

Um beijo.

PS: dei um rolé rápido pelas últimas postagens que não tinha visto. Vi Joaquim Cardozo, Velvet Underground & Nico...Massa!

Marco disse...

Caro mestre Moacy,
Beleza de poemas, heim? Gostei particularmente do primeiro (mas todos são ótimos). Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Tatinha disse...

Adorei teu blog!! Um grande viva à inteligencia na net.
Meu blog nao eh assim taaaaao bacanudo mas fico esperando tua visita la.
Com certeza voltarei mais vezes!
=D

Tatinha disse...

Obrigado pela visita!!
E, bem, ok, eu dou o braço a torcer. Talvez nem todos sejam iguais...talvez eu só não tenha encontrado o diferente ainda. =D

Mme. S. disse...

redundâncias à parte, como é bom vir aqui. a ilustração é bárbara e os poemas são cada um mais expressivos que o outro. obrigada. Sheyla

Jens disse...

Oi Moacy.
Sandrix é cor, Sandrix é alegria de viver. YUPI! Golaço, Moacy.
***
"Os escritores" me fez lembrar uma entrevista do Truman Capote onde ele diz que seus pais pensavam que ele era retardado mental, quando um teste escolar apontou um QI de gênio. Excitado com a descoberta, escrevia sem parar. Para acalmar os nervos, começou a beber, aos 10 anos de idade. Doideira pura. Não sei se foi publicado neste livro.
***
Tá, e daí?
Daí nada. Só lembrei, ué.
***
Um abraço.