terça-feira, 15 de janeiro de 2008


Currais Novos, RN

Foto de
Assis Silva
in
Picasaweb.Google


BALAIO PORRETA 1986
n° 2205
Rio, 15 de janeiro de 2008


CURRAIS NOVOS (1890-1976)
Luís Carlos Guimarães
[ in Ponto de Fuga. Natal, 1979 ]

No ciclo da pastorícia,
os currais novos e bem acabados
(construídos numa elevação
pelo Coronel Cipriano Lopes Galvão,
pernambucano de Igaraçu,
no sítio de sua propriedade)
deram nome à fazenda,
depois à capela,
ao povoado,
à vila,
ao município,
à comarca
e à cidade.
Currais Novos
por sorte não teve outro nome,
numa homenagem ao que,
pelo gado,
foi depositado entre as cercas,
adubo futuro das várzeas ribeirinhas
aos rios Totoró e Maxinaré.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Sobre a prática & Sobre a contradição [1937], de Mao Tse-tung, in Mao Tse-tung - Política, org. Emir Sader. São Paulo : 1982, p.79-125 /Grandes Cientistas Sociais, v.30/ [] Sei, sei: hoje se questiona o "revolucionarismo" de Mao, mas Sobre a prática e Sobre a contradição permanecem como textos fundamentais para a compreensão filosófica do marxismo no decorrer do século XX: "O conhecimento humano depende essencialmente da atividade do homem na produção material" (p.79), dizia Mao. E mais dizia: "Se se quer conhecer o sabor de uma pera, há que transformá-la, há que comê-la. ... Se se quer conhecer a teoria e os métodos da revolução, há que participar dela. Todo conhecimento autêntico nasce da experiência direta" (p.84). E dizia mais: "Qualquer processo, natural ou social, avança e se desenvolve em razão de suas contradições e lutas internas" (p.90), o que, aliás, faria com que eu investisse mais ainda no aprofundamento prático e teórico do poema/processo - matrizes e projetos de uma luta (anti)literária e (contra)ideológica no calor das emoções políticas vividas por todos nós. Viajante de cinematecas imaginárias e de sonhos impublicáveis, no lugar de Bense, Moles, Peirce e McLuhan, endeusados pelos poetas concretos da paulicéia tresvairada, eu investia, no campo da poética, em Macherey, Badiou, Althusser, Lênin, Marx e Mao. Há, ainda, para completar, um fato de ordem pessoal que me liga visceralmente a esses dois textos: em 1968, militante do POC - Partido Operário Comunista, fui incumbido de traduzi-los para distribuição clandestina no circuito universitário do Rio. Cumpri a tarefa com entusiasmo juvenil, revelo publicamente pela primeira vez, 40 anos depois, a partir das edições francesas da Maspero. Infelizmente, depois do AI5, fui obrigado a me desfazer da cópia (mimeografada) da tradução e de vários livros da Maspero, cujos títulos, até então, eram vendidos abertamente na Leonardo Da Vinci, ponto de encontro de intelectuais de todas as tendências políticas e culturais em terras cariocas: um espaço democrático por excelência. Até hoje. Até sempre.

5 comentários:

Marília Jackelyne disse...

que foto linda!

sandra camurça disse...

Nunca li Mao Tse-Tung, Moacy, mas, na época de universidade, conversanado com amigos da área de ciências humanas conheci um pouco de suas idéias. E, claro, também fui casada com um professor de história, um marxista maravilhoso, que me incentivava bastante no meu ofício de costureira louca...rs. Valeu!

Ah, bela foto de Currais Novos!

Beijo Grande

Marco disse...

Gostei de saber desse seu passado ativista, caro mestre. Sobre mao, não li nada dele. Só SOBRE ele. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Acantha disse...

Você é surpreendente, MOACY! E adorei a história do nome de Currais.

Vais disse...

Olá Moacy,
"Qualquer processo, natural ou social, avança e se desenvolve em razão de suas contradições e lutas internas" (p.90)
maravilha de postagem
passado presente
à luta sempre
Abração