quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Luxúria,
de
Jean-Baptiste Valadie

[ in Passion Estampes ]
via
Bené Chaves


BALAIO PORRETA 1986
n° 2239
Rio, 21 de fevereiro de 2008


CELESTE
Patrícia Gomes
[ in SensualizArte ]

Em meu céu
Jorrou teu gozo
E, louca, saboreei
O mel...


ÊXODO
Gilberto Mendonça Teles
[ in Plural de Nuvens / Plurale di nuvole. Napoli, 2006 ]

Chegamos à planície, onde teus olhos
inventarão o azul dos horizontes
escandidos nas unhas, como os versos
na fábula dos dias impossíveis.
Aqui o tempo enrola seus casulos
de terras e de mares estrangeiros.
E o mito desenrola-se nas sedas
da longa solidão que desfazemos.
Nestes campos noturnos nosso povo
construirá seu reino na linguagem
da Terra Prometida, que buscávamos
neste êxodo sem fim, que agora finda.


Memória 1971
A CENSURA NA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR / 5
[ in Memória da Censura no Cinema Brasileiro ]

Parte final do parecer sobre Bangue Bangue, de Andrea Tonacci:

Mensagem: Indefinida - pela falta de sequência, e uso abusivo de simbolismo
Impressão última: É um filme que consegue extenuar o público, pela falta de imaginação de um produtor, que com pretenções de fazer um cinema com têrmos diferentes acaba por montar uma verdadeira "bomba". A linguagem que é um instrumento de comunicação, êle procurou eliminar quase que totalmente, e para piorar a situação nem ao menos a imagem consegue transmitir algo definido; os personagens são inespressivos e obscuros. Creio que na época em que estamos seja uma afronta levar ao publico tal imbecilidade, parecendo-me o melhor remédio a interdição pura e simples, mas considerando que tal ponto de vista não encontrará apoio na legislação vigente, em face de nada apresentar que venha em desencontro com as normas da censura, poderá o mesmo ser liberado para maiores de dezoito anos. É o meu parecer.
Brasília, 16 de fevereiro de 1971
[ilegível] ... Sampaio Pinhati

Comentário do Balaio:
Recentemente, Bangue bangue - um dos grandes filmes nacionais dos anos 70 - foi considerado por jovens blogueiros um dos maiores títulos de nossa cinematografia. Aliás, suas pretensões não são inexpressivas. Ao contrário. Inexpressivo é o tal de Pinhati.

8 comentários:

adelaide amorim disse...

Moacy, eu queria ter o dom da ubiqüidade pra poder ver todos os filmes e ler todos os livros de minhas listas. Claro que a vida é curta pra tanta ambição, e gastei mais de metade dela fazendo o que não vinha ao caso.
Enfim, c'est la vie...
Abraço pra você.

benechaves disse...

Moacy: realmente é uma bela imagem, não? Fiquei encantado com o mesma.
O poema da Patrícia tá uma delícia.

Um abraço...

Jens disse...

PQP. Impressionante a obtusidade arrogante dos censores. E tem muita gente boa por aí suspirando de saudades dos tempos da ditadura... Putz!
Um abraço.

Anônimo disse...

E há quem sinta falta desses tempos idos... Vôte!

O Celeste casou perfeitamente com a figura.

Belo, belo o Exôdo!

Abraço!

Ada Lima

Francisco Sobreira disse...

Pois é, Moacy, aqueles caras, além de não entenderem nada de arte, ainda escreviam mal e assassinavam o idioma. E faço coro com Bené com relação ao poema de Patrícia Gomes. Um abraço.

Marco disse...

Eu acho as suas postagens muito chiques, caro mestre Moacy. E de muito bom gosto, também. A ilustração é maravilhosa, os textos, de exceLência ímpar. Tudo muito bom. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

ana de toledo disse...

Fazendo coro com Marco!

Patrícia Gomes disse...

Meu querido Moacy....
Estou um tanto quanto ausente da net, infelizmente, mas fico extremamente feliz com mais esse seu presente. muito me honra ter mais uma das minhas poesias a ilustrar teu canto de tão bom gosto...

Agradeço também à todos que deixaram aqui os comentários elogiosos ao meu poema.

Beijos e até breve!!!