sábado, 5 de abril de 2008


Não são apenas os açudes seridoenses que estão sangrando
no Rio Grande do Norte: vejam aqui
a sangria da Barragem Santa Cruz, em Apodi,
região oeste do Estado, ao lado do Ceará

(in Suerda Medeiros)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2275
Rio, 5 de abril de 2008



POEMAS DE ZÉ LIMEIRA (PB)

Zé Limeira quando canta
Estremece o Cariri
As estrela trinca os dentes,
Leão chupa abacaxi
Com trinta dias depois
Estora a guerra civi!

O meu nome é Zé Limeira
De Lima, Limão, Limansa
As estrada de São Bento
Bezerro de vaca mansa,
Vala-me, Nossa Senhora,
Ai que eu me lembrei agora:
Tão bombardeando a França!

Um dia o Rei Salomão
Dormiu de noite e de dia,
Convidou Napoleão
Pra cantar pilogamia,
Viva a Princesa Isabé
Que já morou em Sumé
No tempo da Monarquia.

Jesus nasceu em Belém,
Conseguiu sair dali,
Passou por Tamataí,
Por Guarabira também,
Nessa viagem de trem
Foi parar no Entroncamento,
Não encontrou aposento
Dormiu na casa do cabo,
Jantou cuscus com quiabo,
Diz o Novo Testamento.

Pedro Álvares Cabral,
Inventor do telefone,
Começou a tocar trombone
Na volta de Zé Leal,
Mas como tocava mal
Arranjou dois instrumentos...
Daí chegou um sargento
Querendo enrabar os três,
Quem tem razão é o freguês,
Diz o Novo Testamento.

Quando Jesus veio ao mundo
Foi só pra fazer justiça:
Com treze ano de idade
Discutiu com a doutoriça,
Com trinta ano depois
Sentou praça na puliça.

[ Fonte: Zé Limeira, poeta do absurdo,
de Orlando Tejo ]


FEIRA DE PROVÉRBIOS ESPORRENTOS

Ele me prometeu brincos, mas apenas furou minhas orelhas.
(Árabe)
Os homens são como tapetes: às vezes precisam ser sacudidos.
(Árabe)
Se os filhos da puta voassem, nunca veríamos o sol.
(Argentino)
Aqueles que não sonham estão perdidos.
(Australiano)
A língua suave é a árvore da vida, a língua perversa quebra o coração.
(Bíblico)
A tinta mais fraca é melhor que a melhor memória.
(Chinês)
Falar sem pensar é atirar sem mirar.
(Espanhol)
Três espanhóis, quatro opiniões.
(Espanhol)
A partir de uma certa idade, o único afrodisíaco é a variedade.
(Francês)
Dinheiro público é como água benta: todos põem a mão.
(Italiano)

[ Fonte: Duailibi das citações, de Roberto Duailibi ]



2 comentários:

Anônimo disse...

obrigada pela visita, poeta!

um abraço

lorena poema

Carito disse...

Zé Limeira é absurdamente bom demais!!! E os provérbios são otimamente esporrentos!!!