quarta-feira, 7 de maio de 2008


Crepúsculo no Guaíba, em Porto Alegre

Foto de
Maurício Maciel
in
Google Earth


BALAIO PORRETA 1986
nº 2307
Rio, 7 de maio de 2008


WILLIAM SHAKESPEARE, MEU GHOST WRITER
Milton Ribeiro
[ in Improvisações sobre Literatura... ]

Estava em casa, lendo numa mesa de fórmica branca, daquelas que se faziam anos 60 e 70, quando Shakespeare chegou. Em meu sonho, ele falava um português machadiano. Sentou-se tranqüilamente em meu antigo quarto com aquela mesma cara das pinturas, só que um pouco mais corado, e declarou que gostaria que eu começasse uma carreira de poeta. Propôs-se a ser um ghost writer.

- Aliás - riu-se Shake -, já o sou… Mas agora quero ser seu ghost writer.

Sorri e disse-lhe que não lia muita poesia e que era incapaz de um verso (aqui fui honesto), mas que, obviamente, concordava com o esquema. (Um belo oportunista ou um homem preocupado em divulgar altíssima cultura? O primeiro, certamente.) Então, ele passou a me ditar os poemas mais sublimes e perfeitos, dos quais não lembro, é claro. Só lembro da profunda emoção que me causaram e da dificuldade que tinha para escrever com o lápis na fórmica, pois as lágrimas me atrapalhavam. Enquanto fungava, ouvia e copiava a maior e mais inédita das obras. Às vezes, perguntava-lhe onde deveria mudar de linha ou onde acabava a estrofe, essas coisas técnicas. Minha caligrafia era belíssima. (Minha letra é horrorosa.)

Depois de muitos sonetos - a mesa de meu sonho era imensa -, meu novo amigo cansou e pediu-me para levá-lo até a porta. Enquanto o acompanhava, ele garantiu que voltaria.

- Voltarei! - falou ele bem alto, para minha alegria.

Não parecia um espectro. Quando voltei, nossa empregada estava de joelhos sobre a mesa, esfregando-a com produtos de limpeza bastante eficientes. (Não vi suas marcas, então não posso indicá-los.) Vi a mesa branca, ainda úmida, e caí em abissal desespero. Acordei apavorado. Não é sempre que se perde um ghost desses.


O FUTEBOL E A PLAYBOY

O número de maio da revista Playboy (nas bancas) dedica algumas de suas páginas ao futebol tupiniquim. E faz suas apostas no Brasileirão 2008, a partir de uma suposta consulta a "dezenas de jornalistas esportivos". Os quatro primeiros seriam: 1. o Flamengo (campeão); 2. o São Paulo; 3. o Internacional; 4. o Palmeiras. E os quatro últimos (os rebaixados) seriam: 17. a Portuguesa; 18. o Vasco; 19. o Ipatinga; 20. o Náutico (p.98-99). Ah, sim, de acordo com a Playboy, a baiana Marta Rocha teria conquistado em 1958 "o glorioso título de vice-campeã no disputado concurso de Miss Universo" (p.39). A Playboy errou feio: o fato em questão deu-se em 1954.

5 comentários:

Milton Ribeiro disse...

Em primeiro lugar, muito obrigado pela atenção e por teres gostado de meu sonho, que ocorreu há alguns anos e que é, deste modo, real.

Segundo: melhor usar simplesmente o termo Guaíba, ainda mais depois que ele virou lago...

Terceiro: Playboy deve limitar-se às mulheres e olhe lá. Flamengo? Mas acho que haverá briga de foice pelo rebaixamento. Meus favoritos são: Ipatinga - caiu para a segundona em Minas -, Goiás - será que o Itumbiara é tudo isso? -, Grêmio e Portuguesa.

Milton Ribeiro disse...

Não me despedi, né?

Grande abraço e obrigado!

Sérgio Vilar disse...

Moacy, ainda a espera de seu contato de e-mail. Seria muito interessante sua participação na matéria. Até porque quero falar muito da cultura da época. Meu e-mail é sergiovilar@digizap.com.br

As perguntas já estão elaboradas. É só me passar seu e-mail e as envio. E mais uma vez peço desculpas por confiar em minha memória (rs).

Abraço!

Vais disse...

Ótimo, Moacy!
beijo

Voltaire Rebelado de França disse...

Aff.
Playboy e futebol?? Sei não... Flamengo acaba de apanhar do Nacional na Libertadores e não sei porque eles têm tanta certeza de que o Náutico será rebaixado...
Abç
Marília Jackelyne