terça-feira, 6 de maio de 2008


O Maracanã
e, em segundo plano,
a Mangueira

Imagem
a partir de foto de
M. Cavalcanti


BALAIO PORRETA 1986
n° 2306
Rio, 6 de maio de 2008


GLOSSÁRIO CARIOCA DOS ANOS 30 E 40 DO SÉCULO PASSADO

Abafante : Pessoa que encanta pelos predicados físicos
Atrasado : Carente de relações sexuais
Babaca : Vagina
Baile : Discussão acalorada
Bate-fundo : Briga
Brasileira : Tuberculose
Cabaçuda : Mulher virgem
Circuncisfláutico : Posudo
Estácio : Tolo, palerma
Flozô : Fazer-se de difícil
Fruta : Pederasta passivo
Gado : Prostituta
Leros : Palavrório, lengalenga
Minete : Sexo oral em mulher
Neruscóide de pitibiróides : Nada de nada; o mesmo que néris de pitibiriba
Pau pequeno : Caixa de fósforos pequena
Peru : Vinte mil réis
Piçuda : Irritada, furiosa
Pirantes : Os pés
Quirica : Vagina
Solinjada : Navalhada (da navalha da marca Solingen)
Tiragem : Grupo de policiais
Veado : Pederasta passivo
Vê-oito : Calcinha de mulher

[ Fonte: Desabrigo e outros trecos (1943), de Antônio Fraga ]


DIVAGAÇÕES & PROVOCAÇÕES

O assunto que segue não é novo, mas... e daí? O monumento do Cristo Redentor, escolhido pelos internautas em 2007 como uma das sete maravilhas do mundo moderno, não me parece sequer uma das sete maravilhas do Rio. (Outra coisa é a vista da cidade a partir do Corcovado.) Para mim, mararavilhas seriam: 1. o Maracanã, em dia de clássico; 2. a Lapa, à noite, sobretudo às sextas e aos sábados; 3. a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, no Largo da Carioca; 4. Vila Isabel, aos domingos; 5. a Rua do Ouvidor, às 5 da tarde, de segunda à sexta; 6. o Paço Imperial & arredores; 7. o Jardim Botânico. E mais, como "menção honrosa", segundo as minhas preferências atuais: 1b. a Rua do Catete; 2b. a Igreja de São Bento; 3b. a Rua Pires de Almeida, em Laranjeiras; 4b. o Convento de Santo Antônio, no Largo da Carioca; 5b. o Real Gabinete Português, no Centro; 6b. o Aterro do Flamengo; 7b. a Av. Atlântica, em Copacabana. Para completar: 1c. o Saara, no Centro; 2c. o Campo de Santana; 3c. a Biblioteca Nacional; 4c. o Museu de Arte Moderna; 5c. o Teatro Municipal; 6c. o Cinema Odeon; 7c. Livrarias & sebos (Folha Seca, Berinjela, Al-Farabi, Luzes da Cidade, Travessa, Leonardo Da Vinci). Há outros lugares. Há outros lugares. A Quinta Boa Vista, por exemplo. Ou o Engenhão, por mais novo que seja. E o Palácio da Cultura, no Centro? E a Casa de Ruy Barbosa, em Botafogo? E os Arcos da Lapa? E as ruas & o casario de Santa Teresa? E a Mangueira? Resumo da ópera: pensando melhor, a estátua do Cristo Redentor não merece figurar sequer entre as 70 maravilhas do Rio.

Jesus Cristo em algumas ocasiões me fascina. Como personagem histórico, a partir das infomações (nem sempre confiáveis, é verdade) contidas nos Evangelhos. Assim como me fascinam a poesia e o cristinianismo de Murilo Mendes, a intensa religiosidade e musicalidade de Joahann Sebastian Bach e John Coltrane, a ficcionalidade bíblica de Deus e de Lúcifer, o cinema de Antonioni e Godard, a música de Pixinguinha e Luiz Gonzaga, a arquitetura de Gaudí, a pintura de Bosch, o espetáculo das torcidas no Maracanã. E o cheiro da terra molhada em nosso sertão, após as primeiras chuvas de um ano de inverno.

Qual o maior poeta da história literária do Rio Grande do Norte? Jorge Fernandes? Zila Mamede? Nei Leandro de Castro? Luís Carlos Guimarães? Sanderson Negreiros? Todos eles são grandes poetas - e outros nomes decerto poderiam ser citados. De minha parte, tenho um carinho todo especial pela obra de José Bezerra Gomes. Poemas como Sempre sábado e Todos, para mim, são quase definitivos.


OS DOIS POEMAS DE JOSÉ BEZERRA GOMES
citados nas
Divagações & Provocações

Sempre sábado
Naquele
sábado
a música
daquele
sábado

Todos
Irmãos

5 comentários:

Glória disse...

Bom dia menino! Adoro a sua capacidade de discordância e rebeldia contra as unanimidades (rsrsrs), apesar de nem sempre concordar com ela, mesmo assim não me impede de admirá-lo por fazê-lo.
Beijo aqui da Serra, que está uma maravilha de verde e com aquele cheiro de inverno característico.

Milton Ribeiro disse...

Eu também não vejo o Cristo Redentor como nenhuma maravilha. Acho, até, a estátua feia. Concordo com tuas restrições ao Sr. Cristo Redentor.

Esse glossário é curioso, pois algumas dessas gírias ainda são utilizadas aqui no sul.

Ah, e boa sorte ao Flu, já quase nas quartas-de-final da Libertadores.

Abração.

Carito disse...

Esse é um post maracanãimã - que atrai antropofagia por todos os lados! Gol-laço de ternura!

Marcelo F. Carvalho disse...

Nada a acrescentar. Post perfeito. Quem mora no Rio ou, verdadeiramente, gosta do Rio sabe que o Cristo Redentor é muito mais redentor para os turistas. Os cariocas vão à Lapa, à Urca, tomam chope nas tardes quentes do centro (entre a praçaXV e a Bolsa de valores). O Rio é muito mais que uma estátua.
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E a Mangueira? Minha Mangueira!
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Abraço forte!

Voltaire Rebelado de França disse...

Não conheço o Rio, mas deuses de pedra soam antiquados quando temos um mundo de verdade ao redor...