terça-feira, 23 de setembro de 2008


Foto original de
Jailson James
in
Olhares
redimensionada digitalmente por
Moacy Cirne


BALAIO PORRETA 1986
n° 2433
Rio, 23 de setembro de 2008


O significado da metáfora erótica é ambíguo. Melhor dizendo, é plural. Diz muitas coisas, todas diferentes, mas em todas elas aparecem duas palavras: prazer e morte.
(Octavio PAZ. A dupla chama, 1993)


PEDRAS DE TOQUE DA POESIA BRASILEIRA
(Org. José Lino Grunewald, 1996)

Ah, comércio milenar de palavras & coisas
sempre recomeçando como ondas
sobre o marumano de calçadas e portas!
(Adriano Espínola,
Metrô)

Amor total e falho... Puro e impuro...
Amor de velho adolescente... E tão
Sabendo a cinza e pêssego maduro...
(Manuel Bandeira,
Peregrinação)

Aquele pressentimento de luar
lá longe no horizonte grávido
(Abgar Renault,
Noite em Curral d'El Rey)

Bebo horizontes de amor
na curva do último abraço
(Marly de Oliveira
, Albas)

Chove chuva choverando
Que a cidade de meu bem
Está-se toda se lavando
(Oswald de Andrade,
Soidão)

[A] chuva é a música de um poema de Verlaine
(Cecília Meireles,
A chuva chove...)

Dentro de ti medita um
sol mediterrâneo
(Cláudia Roquette-Pinto
, tomatl)

O NAVIO
Cefas Carvalho

Leu o que havia escrito. Não gostou. Ou gostou de forma estranha, um gostar sem realmente apreciar. Na verdade, nunca amava o que escrevia. Ou talvez amasse, mas de forma inusitada, como deve ser o amor. Escrevera daquela vez sobre um navio, que, colhido em alto mar por uma tempestade, começava a afundar no oceano. Nunca estivera em um navio, antes, pelo menos não que se lembrasse. Teria feito uma analogia? Que seria o navio? Sua vida? O amor que poderia se afogar no oceano do dia a dia? Ou, seriam apenas suas leituras passadas, remotas – Moby Dick, Odisséia – que vinham brincar em sua mente e o induzir a escrever. O navio afundou, pois então. Havia um barco salva-vidas, mas apenas um e todos os quinze tripulantes fizeram um pacto para, juntos, morrerem no navio sagrado que construíram e com o qual sonharam em conquistar o mundo, ou pelo menos, um mundo, como o famigerado Cortés. Era o fim da história, então. Releu o que havia escrito. Sorriu para si mesmo e pensou se queria realmente ter escrito sobre um navio que afundava e um pacto de morte. Acendeu um isqueiro e queimou a folha de papel no cinzeiro...


FESTIVAL RIO 2008
Minhas prioridades

1. La frontière d l'aube (Garrel, 2008)
2. Les amours d'Astrée et de Céladon (Rohmer, 2007)
3. Le voyage du ballon rouge (Hou, 2007)

4 comentários:

Lívio Oliveira disse...

Octavio Paz: Mestre! Mestre! Com um detalhe, Moacy: como é difícil encontrar livros dele aqui em Natal!
Abs.

Milton Ribeiro disse...

1. Prioridades corretas, a meu ver.

2. "O Navio": o que dizer? Perfeito!

3. Quem é a moça que redimensionaste digitalmente?

Hein?

Grande abraço.

Vais disse...

Saudações Moacy,
gostei do vermelhão
e andei pelo caminho de pedras de toque...
ri da 'filosofia' de caminhão
E o Professor Marcelo foi fundo neste texto
abração procê

Anônimo disse...

gostei mesmo do navio.

giulianoquase.