terça-feira, 9 de setembro de 2008


Pôr-do-sol no Potengi,
em Natal

Foto de
Antônio Bezerra Jr.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2420
Natal, 9 de setembro de 2008


Vou me perder essa noite
para me encontrar ao raiar do dia
deitada sobre uma cama de girassóis.
(Maria Maria, in Espartilho de Eme, 27/08/08)


O POTENGI
Nei Leandro de Castro
[ in Autobiografia, 2008 ]

Esse rio é uma loucura,
esse rio é um assombro,
já fiz amor no seu leito
com água pelos meus ombros,
tendo ao lado doze botos
me fazendo companhia,
rindo seus risos de boto
sob o sol do meio-dia.
Esse rio não existe,
é ilusão, pura magia.
Um dia levei num barco
a paixão de Margarida,
o Potengi ficou doido,
lambeu a mulher querida
e quase que ele me afoga
em treze redemoinhos,
cuspiu lodo nos meus olhos,
fez ondas, fez burburinho.

Esse rio é tão bonito
que perdôo sua loucura.
Ele afoga o pôr-do-sol
e corre à minha procura.

Nota:
Autobiografia, edição da Capitania das Artes, Natal,
provavelmente será lançado em novembro.

SAZONAL
Ana de Santana
[ in Em nome da pele, 2008 ]

E há estes dias
em que me arranha uma gata
e eu não faço nada
Não importa se esqueci
do lado de fora da porta
a chave
o filho
ou Brigitte Monfort
Nestes dias
nem chove nem sol
Neblina

Poema/Processo
POEMA PARA SER QUEIMADO
[ Moacy Cirne ]
Projeto inaugural: 1968
Versão: 2004


Ao som de músicas palestinas,
na manhã de abril,
queimemos uma, duas, três, mil
bandeiras norte-americanas.
No fogaréu das bandeiras em chamas,
joguemos
uma, duas, três, mil fotos
do maior criminoso da atualidade,
um tal de W.C. Bushit,
escrotojento
entre escrotojentos,
feladaputoso entre feladaputosos,
símbolo maior
do verdadeiro Império do Mal:
os Estados Unidos da América da Morte,
América sem
Norte.
O poema em chamas,
com fotos, bandeiras e o diabo,
será consumido
lenta lenta lentamente,
apesar do ótimo Mel
representado por alguns de seus
escritores
escultores
pintores
cineastas
arquitetos
poetas
jazzeiros
blueseiros
quadrinheiros
- que não serão atingidos
pelo fogo da indign
AÇÃO
mundial.
Nem pela fúria
dos cabas da peste
do Caicó Sertão Seridó.

A CINEMATECA: NA QUINTA

Ao contrário do que anunciamos ontem, aqui no Balaio, A cinemateca imaginária: as obrs-primas de todas as paixões, de nossa autoria, será lançado na próxima quinta-feira, no mesmo local (100% Vídeo, Rua Joaquim Manoel, 709, Petrópolis - Natal), no mesmo horário (a partir de 19h).

11 comentários:

Mme. S. disse...

O Pôr-do-sol, Ney, Ana, você... que mais se pode querer logo cedo?

Mme. S. disse...

perdão, escrevi "Nei", com uma influência do "MoacY"...

marilia disse...

Pôs do sol impressionante. Tanto ou mais que os cá do sertão de petrolina...

abç

Jens disse...

Oi Moacy.
Na luta contra o Império do Mal, os caba da peste de Caicó Sertão Seridó podem contar com os baguais do Sul.
Um abraço.

Jens disse...

Parabéns pelo livro. Quinta-feira estarei lá em pensamento.

Maria Maria disse...

Esse poema de Nei é maravilhoso!!! Obrigada pela pedra. Beijos

Maria Maria disse...

Gostei muitíssimo desse Poema para ser queimado. Você é uma pessoa ricamente criativa e eu o admiro muito. Beijos

suely disse...

Lindo poema Moacy. Menos para ser queimado, calado, censurado e mais para ser recitado, declamado, cantado, esbravejado...Mas,ainda está em terras potiguares?
Abraços fraternos.

sandra camurça disse...

"poema pra ser queimado": poema para ser gritado.
lindo pôr-do-sol...
beijos.

Marcelo F. Carvalho disse...

Moacy, que poema-obra-prima! Poema-processo-progresso.
Poema pra ser tocha, guiando-nos.
Abraço forte!

Marcelo F. Carvalho disse...

Moacy, que poema-obra-prima! Poema-processo-progresso.
Poema pra ser tocha, guiando-nos.
Abraço forte!