sábado, 17 de janeiro de 2009


Clique na imagem
para verouvir
o trêiler de
Quanto mais quente melhor
(Billy Wilder, 1959),
com Marilyn Monroe,
Tony Curtis e Jack Lemmon.
Em tempo:
a cópia disponibilizada pelo Youtube
não é das melhores.
Mas a cópia distribuída pela Cinemateca Abril
é muito pior: transformaram a bela fotografia
de Charles Lang em algo lamentável,
ora muito escura, ora beirando o sépia.
Enfm, uma cópia à altura da merdice
que é a revista Veja: pura escrotidão.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2539
Rio, 17 de janeiro de 2009

Finalmente a chamada "grande imprensa" descobriu o poeta mineiro Sebastião Nunes. Neste sentido, veja-se o Prosa & Verso, d'O Globo, de hoje: 'Verve iconoclasta' é o título da matéria. Já nos anos 70 destacávamos a sua importância no cenário da (contra)literatura nacional. E em janeiro de 1989 o Balaio apontava a sua Antologia mamaluca como o principal livro de 1988. [A título de curiosidade: Tião Nunes, em 1993, foi um dos signatários do manifesto de lançamento da candidatura de Chico Doido de Caicó à Academia Brasileira de Letras.]


ERÓTICA BATALHA
Sebastião Nunes
[ in Antologia mamaluca, 1988 ]

Tua latejante buceta palpitante.
Meu amargo cacete perfilado.
Ovos batem continência à beira do saco.
Como um guerreiro de merda
o cu recua ante a dura ofensiva.
Grandes e pequenos lábios
batem palmas e riem.
Meu cacete é a bandeira nacional.
A guerra é santa e eu avanço.


POEMA de
CHICO DOIDO DE CAICÓ
[ in Balaio, n° 290, de 15/05/1991 ]

Eu vi uma pentelheira
No corpo daquela dona
Que quase caí pra trás
Era pentelho de ruma
Que não acabava mais
Era uma mata profunda
Que começava no imbigo
E terminava na bunda.
Pra descobrir o priquito
Por detrás daquela mata
Fiz um esforço tão grande
O coração quase me mata
Os pentelhos da mulher
Era uma mata de cipó
Tudo muito emaranhado
Cheio de trança e de nó.
Me fiz de bom caçador
Na frente do cipoal
E rompi aquela mata
Com a força do meu pau.


O CÂNTICO DOS CÂNTICOS
de Salomão
[ in Bíblia Sagrada. Vozes, 1982 ]
Trad. Luís Stadelmann

/fragmento/

Ele:
Como és formosa e encantadora,
ó delicioso amor!
Teu talhe assemelha-se a uma palmeira,
e teus seios a cachos.
Eu disse: "Hei de trepar pela palmeira
e agarrar-me às suas frondes".
Teus seios sejam como racemos na cepa!
Teu hálito tenha a fragrância das macieiras!
Seja tua boca como vinho generoso,
a fluir suavemente, sob minhas carícias,
deslizando pelos lábios dos adormecidos!

Ela:
Eu sou do meu amado,
e ele arde em desejos por mim.

11 comentários:

Marcos disse...

Moacy:

Além do brilho do diretor Billy Wilder em termos de ritmo narrativo, "Quanto mais quente, melhor" é um filme de atores: Jack Lemmon magistral, Marylin Monroe e Tony Curtis muito bons. O cinema de ator, tão forte na Itália (Giulieta Massina e Anna Magnani, por exemplo) e na França (Jeanne Moreau sempre), tem grandes momentos americanos, como esse. Sem esquecer de "A streetcar named desire" (recuso-me a usar o babaca título brasileiro).
Abraços:

Marcos Silva

Francisco Sobreira disse...

Caro Moacy,
Ficou muito bom o visual do seu blogue com isso de mostrar ao lado os blogues que você visita. Aliás, é um elemento que está sendo adotado por alguns outros que visito. E fico honrado em fazer parte da sua lista. Mudando: não achei ruim a cópia dessa obra-prima de Wilder, que, aliás, possuo. E discordo de Marcos de que "Quanto mais quente, melhor" seja apenas "um filme de atores". A interpetação dos atores, e não só do trio central, é um dos muitos fundamentos que fazem dessa comédia uma das maiores de todos os tempos. Um abraço.

romério rômulo disse...

moacy:
achei o tião nunes bonito demais nas
fotos do globo.agora é a vez do cdc.
um abraço.
romério

Moacy Cirne disse...

Caro SOBREIRA: É possível que você tenha sido premiado com uma boa cópia do filme de Wilder. Pode ter acontecido também com outras pessoas, numa espécie de "loteria da telecinagem decente". Mas conheço várias pessoas, aqui no Rio, que fizeram as mesmas reclamações que fiz. E, como eu, ficaram indignadas. Um abraço.

sandra camurça disse...

Demais, o Balaio de hoje, demais!
Beijos.

Alexandro Gurgel disse...

Meu caro, gostei muito de ver o Grande Ponto figurando na Feira de Blogs... aquele abraço fraterno.

Marcos disse...

Prezado Sobreira:

Se vc reler meu post, verificará que não usei a palavra APENAS antes de "filme de atores" - fiz quetão de salientar a grandeza de Wilder. "A estrada" não é APENAS um filme de atriz mas duvido que ele existisse daquele jeito sem invenções de Giulietta. Idem "Roma cidade aberta", que não é APENAS de Anna, mas é MUITO dela. Luchino Visconti, numa entrevista, falou sobre cena do filme "Belíssima", dizendo que Anna SE DIRIGIU numa das passagens finais, na praça, com a filha. Isso não significa que esse seja um filme APENAS de atriz, mas que ele não existiria sem uma interpretação cênica que é mais que obedecer ao diretor.
Cinema é criação coletiva. Não gosto da ortodoxia dos teóricos que falam em cinema de autor porque dá a impressão de que só uma pessoa (o diretor) faz. Tem filme de ator, tem filme de cenógrafo, tem filme de roteirista...
Sim, alguns grandes diretores são regentes magníficos (Visconti, Bergman, Antonioni, Renoir). Mas os melhores regentes dependem de excelentes instrumentistas. E tem a contrapartida: ótimos regentes com instrumentistas capengas, difícil dar samba.
Abraços fraternos:

Marcos Silva

Marcos disse...

PS para Sobreira:

Esqueci de lembrar de "Se meu apartamento falasse". Shirley MacLaine soberba, nenhuma relação com a madura chata que se tornaria depois (e o problema não é só da beleza, é da aura mesmo). Jack Lemmon dando vontade de perguntar: o que é isso, cara?
Pois é, pois é.
Mais abraços:

Marcos Silva

jose disse...

Moacy,hoje tem Fluminense!!!

Beti Timm disse...

MM,
estou pasma com as poesias, por ti postadas de Sebastião Nunes e Chico Doidão, que passei a admirar.
Eles conseguiram falar, tão explicítamente, mas com uma poesia e um erotismo, que não me deixaram coradas.
Muito bom!

Beijos Mestre

Mme. S. disse...

Sebastião Nunes é muito bom mesmo! O poema que você publicou traz o erotismo para um lugar comum a todos nós, sem ser vulgar ou singelo. bom mesmo.