terça-feira, 6 de janeiro de 2009


Crepusculecer no Potengi, em Natal

Foto:
Sandra Porteous


BALAIO PORRETA 1986
n° 2528
Rio, 6 de janeiro de 2009

Até quando o governo de Israel alimentará um provável anti-semitismo daqueles que desejam a paz em escala mundial? Até quando o governo de Israel continuará a sua escalada terrorista contra os palestinos? Até quando? Até quando? Mas é preciso esclarecer, antes de tudo: a cultura judaica, por sua grandeza, por sua história, não merece ser tutelada politica e ideologicamente por um governo como o de Israel. Nem por qualquer outro governo.


O POTENGI
Nei Leandro de Castro
[ in Autobiografia, 2008 ]

Esse rio é uma loucura,
esse rio é um assombro,
já fiz amor no seu leito
com água pelos meus ombros,
(...)
Esse rio é tão bonito
que perdoo sua loucura.
Ele afoga o por-do-sol
e corre à minha procura.


DO AMOR E OUTRAS QUIMERAS
Sheyla Azevedo
[ in Bicho Esquisito ]

Os poetas que eu amei me deixaram gosto de palavra na boca e um coração em formato de baú, onde eu guardo principalmente lembranças de versos inacabados.

Os poetas que eu amei me deixaram sandálias de pedra e rastros de outras Marias, Joanas e fulanas que eu nunca poderia ter sido.

Os poetas que eu amei deixaram frases tempestuosas, que causaram enxurradas, relâmpagos e trovões no meu céu de agosto, que tem gosto de sálvia e alecrim.

Os poetas que eu amei quando descobriram meus olhos tristes e minhas mãos mancas, deram risada do meu jardim pisoteado pelos meus gatos e pelas joaninhas que se escondem por entre as folhas.

Os poetas que eu amei deixaram gosto de relva nos meus cabelos e meia dúzia de canções na vitrola (que eu não ouço mais).

Os poetas que eu amei nunca se deixaram fotografar à luz do dia. Mas se entregaram às metáforas das minhas pontes e às linhas dos meus desejos (sempre no cenário da lua).

Os poetas que eu amei me deixaram gestos lascivos como: passar os dedos por entre os cabelos; caminhar sentindo a areia tocando os pés; ouvir som de flauta e atravessar sorrisos com gargalhadas.

Os poetas que eu amei me deixaram, no mínimo, três imperfeições. Com as quais invento sonhos, desenho caminhos e ergo muros.



CORREIO SENTIMENTAL
lusitano:
humor involuntário

Cf. Viva la Revolución,
em 2007

11 comentários:

Bosco Sobreira disse...

Que belo esse poema do grande poeta Nei.
Forte abraço, Mestre.

Sandra Porteous disse...

Moa, obrigada por publicar minha foto! Sandra

Pedrita disse...

as questões naquela região são muito complexas. todos aqueles povos inseminam o ódio aos outros e principalmente a religião dos outros. é uma intolerância religiosa assustadora de todos os lados. e todos conseguem provar que têm direito aquela terra. é muito triste tanta violência e tanta intolerância. beijos, pedrita

romério rômulo disse...

moacy:
estranhos remorsos.
romério

Jens disse...

Oi Moacy.
É o seguinte: "E o remorso está me torturando por ter feito as loucuras que fiz..."
Cá entre nós, não porque tanto chororô do garoto. Quem já não comeu um galinácio na juventude - e não por via oral, enfatizo? De minha, parte, tenho saudades da Maricota, uma terna garnizé dos tempos de outrora.
***
Israel X Palestinos? Eu passo. Por enquanto, as amargas não.
Um abraço.

Dilberto disse...

É, meu amigo, tocaste numa ferida pra lá de antiga, enraizada desde antes de Cristo... Mas as tuas fotos compensam essa querela sem fim! E os poemas também! Abração e um feliz 2009 para você e os seus!

Eliene Dantas disse...

Vixe, fiquei lisonjeada com seu comentário lá no meu espaço moacy, obg! Sabe, dizem que quando o coração dói as coisas saem melhor, acho q foi o momento, e até eu gostei do que fiz, coisa rara de acontecer. bj carinhoso

Flávio Corrêa de Mello disse...

Olá guerreiro!

Já atualizei.

abçs

TCA disse...

obrigado. pode, claro.
bom blog. parabéns.

Marco disse...

Rá! Rá! Rá!... Estou rindo até agora do estuprador de penosas...
Caro mestre Moacy, espero que sua passagem de ano tenha sido maravilhosa e que todo ano assim o seja. Sobre Israel e esse caso da guerra na Faixa de Gaza, há que sedeclarar que o Hamas provocou o governo judaico até dizer chega. Mandaram trocentos morteiros durante o cessar-fogo e foram se esconder entre civis para provocar derramamento de sangue inocente. Não quero defender a resposta desmedida dos israelenses. Mas não dá para proteger ou inocentar esses fanáticos genocidas do Hamas.
O poema é lindo, caro mestre. Você sempre tem excelente gosto para editá-los. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Mme. S. disse...

Obrigada Moacy. E, pode ter certeza que você é também um poeta que eu amo. Sheyla.