quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


Capa da edição brasileira
(por Jonathan Yamakami) de

CHE -
Os últimos dias de um herói,
quadrinhos argentinos de
Héctor Oesterheld
& Alberto e Enrique Breccia
(lançamento da Conrad, de São Paulo)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2529
Rio, 7 de janeiro de 2009


"Demos um sumiço nele [o roteirista Héctor Oesterheld], por ter feito a mais bela história do Che que já foi escrita".
(De um militar argentino para o escritor italiano
Alberto Ongaro, citado por Rogério de Campos)


UMA OBRA-PRIMA DAS HQs
EDITADA NO BRASIL
PELA PRIMEIRA VEZ

Arte. Política. Quadrinhos. Historietas. Humanismo. Socialismo. Guerrilha. América latrina? América Latina! América ladina... Uma obra-prima: sobre Che. Che Guevara. Ernesto Che Guevara. O homem. O revolucionário. O mito. E há o grafismo renovador. O claro-escuro definido. O preto no branco. O branco no preto. A iluminação crua. A narrativa modelar. A decupagem precisa. A fluência-textura gráfica e temática. O final antológico. A rigor, 78 páginas antológicas: luminosas, iluminadas - verdadeiras iluminagens. O traço de Alberto Breccia influenciaria Hugo Pratt, influenciaria Frank Miller. Quem mais? Quem mais? A considerar outras obras de sua autoria igualmente importantes. A considerar, também, o desenho de Enrique Breccia, seu filho. E o texto de Héctor Oesterheld, que foi assassinado pela didatura militar argentina em 1977 (assim como praticamente o foi toda a sua família), por ter ousado, em 1968 - ano da primeira edição da HQ em pauta -, louvar a vida de um líder cubano. Che - Os últimos dias de um herói. Contra toda e qualquer ditadura. Sim, a ditadura. Seja no Brasil. Seja no Uruguai. Seja no Chile. Seja na Argentina. Seja em outros países. "Primeiro matamos os subversivos, depois seus colaboradores e então os que continuam indiferentes, até, finalmente, matamos os tímidos", dizia o general Ibérico Saint Jean exatamente em 1977 (cf. a ótima Nota da edição brasileira, assinada por Rogério de Campos). Mas o mito Che resistiu ao tempo. Como resiste a hq Che. Não só um dos grandes lançamentos editoriais de 2008/2009. Desde 68, uma obra para ficar. Como ficou O encouraçado Potemkin, de Eisenstein. Como ficou a poesia de Vladimir Maiakóvski.


ESPELHO
Bosco Sobreira
[ in A Pedra e a Fala ]

Estrangeiro de mim
já não me reconheço o rosto
que o espelho
(esse serviçal do Tempo)
me devolve
agora
sem nenhum pudor

Serão minhas
estas cicatrizes
que de tão antigas
ainda sangram
dor?


SIMPLES ASSIM
Pavitra
[ in Metamorfraseando ]

ao adorável poeta

eu queria uma palavra
apenas uma

e meus olhos te mostrariam
dois sóis

(um em cada pupila)

por trás do inevitável arco-íris
eu te darei um sorriso

só isso
e já me clareava o dia


POEMA
Mary Morena
[ in Versos deLírios ]

dentro de mim
minas
todos os meus esconderijos
e um desejo de ser garimpada


QUATRO POEMAS de
Chico Doido de Caicó
[ in Balaio, n° 288, maio de 1991 ]

No Cais Sodré
Eu conheci um menino paneleiro
Que comia muito chocolate
E derramava lágrimas de açúcar e sal
Por marujos do Brasil e de Portugal.
[][][]
O algodão doce de Mamede
Alegrava a criançada
O algodão doce de Rosalva
Alegrava a rapaziada.
[][][]
Marujo era um cara legal
Morreu pobre e botafoguense
Sem nunca ter experimentado melhoral.
[][][]
Uma tristeza do tamanho de quê?
Do tamanho do silêncio no campo do Maracanã
Que eu cheguei a ouvir de Natal
Em mil novecentos e 50.

7 comentários:

Pavitra disse...


bom dia, moacy!

eu adoro figurar por aqui, ainda mais com essas boas companhias...
vou visitar o bosco, que eu ainda não conhecia.
e ainda tem o cdc, que eu amo!
vou querer ler a che tbm.

beijos.

mario cezar disse...

moacy, teu nome, rastro de mar ou parte do barro? teu nome, perfume líquido ou fruto clandestino? sede do beijo ou punhal faminto? abraços

romério rômulo disse...

moacy:
tudo muito bom.esse menino
paneleiro do cdc é especial.
romério

Bosco Sobreira disse...

Meu caro Moacy,
Obrigado, mais uma vez, pela honra de estar em tão boa companhia.
Sinto-me lisonjeado, mais uma vez, em estar em seu blogue.
Forte abraço, Caro Mestre.

ana de toledo disse...

Bom amigo, amanhã voltarei para ver Maysa!
Aquele abraço

Mary disse...

Eu sempre visito seu balaio e hoje fiquei muito feliz em participar dele.

Obrigada pela lembrança, Moacy!

Ainda mais em companhia de Bosco, Pavitra e Chico Doido de Caicó... Maravilha! :)

Um beijo!

Jens disse...

Bela lembrança, Moacy. Aliás, não sei se foi esta HQ que li sobre o Che (é a que conta a história a partir da visão do homem que matou o comandante?). Seja como for, louvar um idealista como Guevara, principalmente nestes tempos sem ideais, é extremamente oportuno.
No mais, dá-lhe CDC.
Um abraço.