sábado, 31 de janeiro de 2009

FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA
NA CAICÓ DOS ANOS 50
Clique na imagem
para verouvir
os sete minutos finais de
Sansão e Dalila
(De Mille, 1949),
com Hedy Lamarr e Victor Mature


BALAIO PORRETA 1986
n° 2554
Rio, 31 de janeiro de 2009

Sansão e Dalila é um dramalhão bíblico de terceira categoria. Mas tenho um carinho todo especial por ele. E vários são os motivos que me fazem apreciá-lo, sob a perspectiva da memória que (ainda) não se perdeu no tempo. Vejamos: 1] Foi o primeiro filme que, em Caicó, por volta de 1953 ou 54, rompeu a barreira das três projeções (uma por dia), sendo apresentado seis vezes, com as 298 cadeiras do Pax, na Praça da Liberdade, sempre ocupadas; 2] Foi o primeiro filme "nobre" a ser lançado na sessão do sábado, normalmente reservada para faroestes, policiais, aventuras de Tarzan e/ou comédias, complementada por um capítulo do seriado da vez; 3] Das seis sessões, vi cinco, só tendo faltado à exibição da terça-feira; 4] Foi o filme que inaugurou, em Caicó, as sessões matinais, aos domingos; 5] Foi o primeiro filme que mobilizou caravanas das cidades vizinhas apenas para vê-lo, suspirando pela canção-tema: "Vai, pecadora sensual...". E como eu era uma criança muito volúvel em termos cinematográficos - apaixonado que era por Esther Williams, Maria Felix, Ninon Sevilla, Jean Peters e Ava Gardner -, também me apaixonei por Hedy Lamarr, a bela Dalila (só muito depois, no Rio, vi a sua beleza nua em Êxtase). E mais uma vez afirmo: "Sansão e Dalila é o meu pior filme de estimação". Já o vi umas 10 vezes, contando com as cinco sessões em Caicó, claro.


CINEMA 2009

Por que perder tempo com filmes oscarizáveis se, no momento, vejo e revejo A mãe e a puta (Eustache, 1973), O diabo, provavelmente (Bresson, 1977), Antígona (Straub & Huillet, 1991), Os proscritos (Sjostrom, 1919), além de dois vídeos recentes de Marcelo Ikeda (Em casa e Êxodo)? Todos eles serão comentados na próxima semana.


ESPELHO
Bosco Sobreira
[ in A Pedra e a Fala ]

Vez ou outra
eu me pego
espiando pelas frestas
de minha alma
e me surpreendo:

Há sempre um sol brilhando
intenso
(tão docemente intenso)
quando chove aqui fora


CUMAÉQUIÉMESMO?

Nem só de sexo, erotismo e putaria vive o Balaio, pelo menos segundo o Google, considerando-o como ferramenta de pesquisa (tanto ou quanto aleatória, pra falar a verdade, muitas vezes ensandecida). Um leitor/internauta interessado na poesia clássica coreana - mais conhecida como sijô - consultou o Google. Pois é, em 2.370.000 - repito: 2.370.000 - opções possíveis, a empresa multinacional indicou o Balaio em honroso 7º lugar. Eis o número que mereceu a inesperada honraria:

BALAIO PORRETA 1986
n° 2195
Rio, 26 de dezembro de 2007

A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS

Sijô - Poesiacanto coreana clássica, antologia. Trad. Yun Jung Im & Alberto Marsicano. Int. Haroldo de Campos. São Paulo : Iluminuras, 1994, 142p. [] Até então, anos 90, praticamente não conhecíamos a poesia coreana: uma poesia delicada. Em sua língua original, o Sijô compõe-se de três versos e cerca de 45 sílabas. Na recriação brasileira, a formatação será outra, necessariamente: os versos transformam-se em blocos formais. O fato é que o Sijô, como tal, consolida-se no final do século XIII. Para o estudioso Kevin O'Rourke, citado por Haroldo de Campos na apresentação, "ler o Sijô é viver e respirar a história e a cultura da Coréia" (p.11).

Sijô
de

Bag Peng-nyón
(1417-1456)

Dizem que o ouro
se encontra em águas claras
Mas nem toda água clara
o guarda

Dizem que o jade
se encontra nas montanhas
Mas nem toda montanha
o guarda

Dizem que o amor é o mais importante
Mas podemos buscar
a todos que amamos?
(p.26)

Sijô
de
Ju Üi-shig
(?-?)

O menino à janela
vem e me diz:
É o sol
do Ano Novo

Abro a janela
que dá para o leste
e vejo sempre
o mesmo sol

Menino: Este é o velho sol de sempre
Venha-me chamar
quando surgir um novo
(p.119)

Nota 2009:
Como ilustração do número,
uma bela imagem da Coréia do Norte.
Ou seria da Coréia do Sul?

12 comentários:

Pedrita disse...

olha só, sansão e dalila marcou pra vc como o vento levou me marcou. minha mãe me disse que o vento levou era filme pra se ver na telona. quando um cinema grande daqui resolveu fazer uma retrospectiva do filme nós fomos. inesquecível. beijos, pedrita

Bosco Sobreira disse...

Meu caro Moacy,
Mais uma vez honrado em estar em seu blogue com um texto despretensioso. Agradecido pelos comentários sempre recebidos como um estímulo.
Obrigado por tudo, caro mestre.
Abraço.

Francisco Sobreira disse...

É isso mesmo, caro Moacy: há filmes que nos deixam uma marca indelével, porque gostamos deles quando os vimos na infância e na adolescência, quando não tínhamos uma visão crítica. Infelizmente, ao contrário de você, quando revi alguns filmes de que gostei naquelas fases da minha, não consegui mais curti-los. Um abraço.

Jens disse...

Oi Moacy.
Cara, D. Crise chegou e entrou sem pedir licença, por isto ando meio sumido desde a volta das férias ("ninguém vive as delícias dos extremios impunemente"). Mas aos poucos as abóboras vão se ajeitando. Já atualizei a leitura do Balaio. Gostei da companheira Lurdi Jipão, uma rapariga de princípios, aparentemente - o que não se pode dizer da maioria dos nossos parlamentares. O Livro dos Livros continua sensacional, dá-lhe Zeferino Cabeção! E o CDC? Bom, CDC é o cara! A propósito, ele ganhou mais um fã ardoroso. No caso é a Beti Timm (minha ex-consorte) que não resistiu aos encantos da pena abusada do vate potiguar.
Um abração. Pra cima com a viga!

Adriana disse...

Ah, adoro filmes bíblicos, eles serão sempre ma recordação...é claro que tem o tom do pastiche, mas isso a gente desconta..rs

Rubens da Cunha disse...

Moacir, obrigado pela visita ao Casa de Paragens. Esteja a vontade para publicar meus poemas, agradeço desde já..
venho aqui com mais tempo investigar teus blogs, parecem muito interessantes

abraços

Rubens da Cunha disse...

bom, nao devo ser o único a te chamar de Moacir, :)
desculpe Maacy

Maria Maria disse...

Eita, que o balaio tá é danado de bom!!! Beijos

Cosmunicando disse...

não importa qual das Coréias, o que importa é o sijô (que conheci agora!) e o lindíssimo espelho do Bosco Sobreira.

o Balaio tá virando a cabeça do google... rs

Adorei rever os minutos finais de Sansão e Dalila sob a ótica do menino caicoense, e espero pelos comentários dos filmes indicados, ainda não vi nenhum deles.

beijos Moacy ;-)

Maria Muadiê disse...

Adoro Sansão e Dalila. Lembro o dia que fui ver, com meu pai no cine Guarany, hoje multiplexado chamado de Glauber Rocha.

adrianna coelho disse...


moa, ainda bem que voltei no tempo (do balaio) para rever esses posts...

muito legal saber da sua história com o filme sansão e dalila - parece que ouvi vc contar!

gosto da poesia do bosco e vou tratar de (re)visitá-lo logo!

e essa ferramente de busca do google, hein?! rsrsr

ainda bem que por causa do leitor/buscador e do google, vc trouxe (de novo) o sijô para quem não tinha visto. eu tbm não conhecia e adorei.

beijos...

p.s. vou percorrer outros post... :)

Anônimo disse...

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