quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009


A beleza da mulher de São José do Seridó:
a poeta e blogueira
Eliene Dantas
entre duas amigas


BALAIO PORRETA 1986
n° 2558
Rio, 4 de fevereiro de 2009


Ao homem exclusivamente masculino falta a graça necessária para dar forma objetiva aos seus sonhos mais sublimes e secretos; e a mulher exclusivamente feminina torna-se uma criatura cínica demais para ter o poder de sonhar.
(H.L. MENCKEN, Mulheres, 1918, in O livro dos insultos, 1988)


OLHOS COMO MEL
Marcelo Novaes
[ in O Lugar que Importa ]

Você não sabia que esses olhos
eram meus, eram claros, eram mel.
Nem que a voz soava violoncelo,
próximo ao Natal.

E que eu deixaria seu corpo doído
por uma semana, na única noite de cio
passada no chão.

Você não sabia que, no meu quarto,
a luz tremeluzia. E que meu respirar
comportava tal silêncio: desses que só
pode dar água corrente, o sol nascente,
uma manhã no Chile.

Você não sabia que cabia no existir
tal densidade: bem maior que o tônus
muscular colado aos ossos. Por você
tudo apalpado. E nem conhecia o amor
que era canto e língua procurando cada
canto e tudo que os outros haviam deixado
intacto. Amar amor gentil, antes e depois do
ato.

Você não sabia o outro nome, pelo qual
te chamaria, com insistência, a certa altura:
nome lindo de se colocar aqui agora. Aquele
que um dia - intuo muito bem porque -, você
enterrara. Mas eu te sei nome e sobrenome,
também lá e então, e desde sempre. E saberei
cem jeitos diferentes de te chamar, Adrianna.

SEM RESSALVAS
Adrianna Coelho
[ in Metamorfraseando ]

para Marcelo Novaes

eu não sabia que meu cabelo era agreste
e que refletiríamos em nossas íris

um ao outro – sobre o carpete –

e as cores dos crepúsculos

e das auroras...


nem sabia que poderia ter por horas

essa dança de águas nos olhos,

e esse sorriso na memória dos músculos

que me douraram a pele em nossa trança

de salivas e de silêncios...


e que me tornaria

ao mesmo tempo leve e densa,
com você profundamente dentro,

(em presença e ausência)

inteiro, unânime e múltiplo.


(diálogo com o poema Olhos como mel, de Marcelo Novaes)


12 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Moacy,


Vc pos meu mel no mel da Adrianna. Agradeço pelo carinhoso gesto e por ser leitor atento de nossos trabalhos. Além de bom amigo!


Este Balaio tem um mentor de visão aberta. Isso é bom. E raro.



Abraços,







Marcelo.

Eliene Dantas disse...

vixe Maria, nunca pensei que a surpresa fosse essa!!! Meu pobre coração sertanejo nã oaguenta hômi!!!!!!
Um grande bj e fiquei muito feliz por tamanha honraria.

rubia disse...

Que liiindo MOACY.

rubia disse...

Olha, só IRMÃ de ROMÁRIO de SÃO JOSÉ DO SERIDÓ. Também tenho um BLOG. Bjs!!!

adrianna coelho disse...


oi, moacy!

essa foi mesmo um surpresa e, claro, que adorei "cair" no balaio (e com o marcelo!), sem ressalvas! rs

tbm fui ao blog da eliene, a fera, poeta & blogueira - ótima distinção a que vc fez, moacy!

e como não podia faltar o toque porreta, ainda trouxe um trecho do livro dos insultos... rsrs

isso lembra que eu tenho que ler o último capítulo do livro dos livros para não ficar a ver arcas... vou lá!

beijos, meu querido
e obrigada! :)

Adriana disse...

um belo diálogo entre esses dois lindos poetas, completos na tua trndade.

Mulher na Janela disse...

os versos da Adrianna me arrebataram!

beijos do Seridó procê, menino!

rubia disse...

Meu BLOG é esse QUERIDO: http://rayane-mileni.blogspot.com/

Maria Maria disse...

Moacy, quando puder, dê uma passadinha para ver o blog
www.floresdoserido.blogspot.com

Beijos,

Maria Maria

Romário Gomes disse...

O Balaio está apimentado e suave. Muito bom!

Theo G. Alves disse...

esta sim é a poesia do corpo!

abraço!!

Cosmunicando disse...

um Balaio in love! adorei =)
beijos