sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ilustração de
Alberto Vargas
(1896-1982)
para um calendário de 1941


BALAIO PORRETA 1986
n° 2655
Rio, 8 de maio de 2009

O que de mais importante aconteceu em 1941, quando estávamos em plena segunda guerra mundial e vivíamos, aqui, a ditadura do Estado Novo, sob Getúlio Vargas? Há que citar Cidadão Kane (Welles), claro. Mas há que citar de igual modo, em cinema, Relíquia macabra (Huston), Pérfida (Wyler), Como era verde o meu vale (Ford), O último refúgio (Walsh). E nos quadrinhos? Pogo, de Kelly, embora só tenha tomado forma definida em 1948, surgiu em 1941. Como de 1941 são Mãe coragem (Brecht) e O visionário (Murilo Mendes). Do mesmo ano é a primeira radionovela nacional: Em busca da felicidade, pela Rádio nacional. E entre os sucessos musicais daqueles 12 meses, em terras brasileiras, figuram "Alá-Lá-Ô", marchinha de Haroldo Lobo e Antônio Nássara, "Aurora", marchinha de Mário Lago e Roberto Roberti, "O bonde de São Januário", samba de Wilson Batista e Ataulfo Alves, "Helena, Helena", de Antônio Almeida e Constantino Silva, "Mexe com tudo", frevo de Levino Ferreira, "A jangada voltou só", canção de Dorival Caymmi. Entre as músicas estrangeiras, o principal sucesso ficou por conta de "Moonlight serenade" (Glenn Miller & Mitchell Parish).


SATYAJIT RAY EM NATAL

Os dois primeiros filmes da famosa Trilogia de Apu, do excelente Satyajit Ray, cineasta indiano praticamente desconhecido no Brasil, serão exibidos na capital potiguar pelo Cineclube Natal: A canção da estrada (1955), hoje, às 20h, no simpático Nalva Café Salão, em plena Ribeira; O invencível (1956), em data a ser confirmada, no Teatro de Cultura Popular (Fundação José Augusto, Rua Jundiaí). Trata-se de uma oportunidade de ouro para a cidade conhecer um cinema de alto nível: digamos que se trata, em termos comparativos, de um neo-realismo fotografado por Gabriel Figueroa. "O notável, triste e suave movimento dos três filmes que compõem A trilogia de Apu [O mundo de Apu é o terceiro) fica na mente do cinéfilo como uma esperança do que um filme pode ser" (Roger EBERT. A magia do cinema. Rio, RJ : Ediouro, 2004, p.532). Vale a pena prestigiar.


APARIÇÃO
Lívio Oliveira
[ in O Teorema da Feira ]

A mão sutil
da terceira amiga
encobre
um dos seios,
enquanto o outro
teima em roçar
tuas costas.

O bico do peito
te faz cócegas,
arrepios,
arrancando-te as gargalhadas
as mais doces,
longas,
lentas.

Te encosto,
fartamente,
estranho objeto recluso,
atravessando teu jeans.

SAGRADO
Jeanne Araújo

Se permitires que eu trace
em tua pele distraída
pequenos cursos luminados,

Se permitires que eu caminhe
secretamente entre teus seios
como uma tênue labareda,

Se permitires, enfim, abrir terraços
e alamedas no teu corpo nu
de estreitas paisagens

Se permitires, eu invocarei
o silêncio das tardes
e o vazio das capelas
e catarei poesia entre teus olhos
e cantarei poemas em teu sacrário.

12 comentários:

BAR DO BARDO disse...

me fez sentir saudade de 1941... bons textos, boa informação!

parabéns!

Mirse disse...

Bom Dia, Moacy!

A ilustração está linda cpmp eram sempre as ilustrações de calendário.

Os filmes, infelizmente não conheço nenhum, mas as músicas quem não as sabe?

Dos poemas, escolho SAGRADO de Jeanne Araujo. Balíssimo!

No mais, sua perfeição em atualizar seus leitores.

Parabéns, amigo!

Beijos

Mirse

líria porto disse...

bons dias moa - hoje é sexta-feira e o balaio está nos conformes!
besos

nina rizzi disse...

olá :)

à minha leitura figura literalmente em antes e depois de brecht. tudo o depois é lindo, anterior desconhecido (mas procurar-ei!). destaco caymmi, paizinho.

a imagem, como sempre, mais quer tudos. deixo a dica do site de uma amiga que faz umas fotos incríveis, procure as vargasllosa, digo, pin-up. um up no seu dia :)

e os poemas, ah os poemas. melhor senti-los-sei-os...

beijo :)

nina rizzi disse...

ah, esqueci do endereço
www.helenbar.com ;)

otro beso :)

Francisco Sobreira disse...

Moacy,
De fato, ver Ray em Natal é uma oportunidade para não se perder. Conheço 3, ou 4 filmes deles, um dos quais o penúltimo de sua carreira, Os Galhos da Árvore. Não me lembro se vi um desses 2 que vão ser exibidos, provavelmente sim, pelo menos um. É um diretor importante. Um abraço.

Adrianna Coelho disse...


aqui tem sempre informação, cultura, memória e arte...

e Livio e Jeanne contribuem com a aparição sagrada da poesia (que poemas!)

beijos, Moa

Geessica_ disse...

Obrigado pela visita e mais ainda pelo comentário no Pia Mesmo!
beijos e volte sempre
;*

Cosmunicando disse...

que achados, Moa! antes mesmo de conseguir deixar meu comentário aqui já estava xeretando os blogs de Jeanne e Lívio... muito bons!

você tem o olho certeiro e um faro porreta =)

adorei tudo... e que vontade de dançar ao som de Glen Miller, afe.

um beijo.

Lívio Oliveira disse...

Caríssimo Moacy,

Agradeço pela publicação do poema e convido você e seus leitores para acessarem e postarem comentários em http://oteoremadafeira.blogspot.com
Trata-se de meu novo blog. Inclusive, tem uma entrevista inédita com a poetisa Nivaldete Ferreira lá. Confiram.

Marco disse...

Eu não tinha nascido em 1941. mas vi estes filmes, cantei estas canções e tenho gravado em fita pedaços de Em Busca da felicidade.... Será que no futuro alguém irá lembrar de peças culturais de 1990 para cá? Sei não...
Carpe Diem.

Oliver Pickwick disse...

Uma pin-up de Vargas! É mesmo um garimpador de coisas preciosas, Moacy.
Um abraço!